sábado, 26 de fevereiro de 2011

Mais “estórias” do Borlão

Olá amigos(as)
Se me permitem gostava de deixar aqui algumas lembranças sobre o tema "Borlão" sugerido pela nossa amiga Isabel Alves que tenho o prazer de encontrar de vez em quando.
Quando eu era rapazote morei nos prédios do Viola e por coincidência o apartamento ficava por baixo daquele onde morava a família Peça.
Nessa altura o Peça Pai trabalhava na Secla.
Só mais tarde trabalhámos juntos na Seol. O Peça como desenhador, eu como electricista.
Os meus pais tinham uma pequena fazenda num local onde hoje se encontra o Supermercado Modelo.
Existiam lá umas coelheiras onde eram criados animais para consumo próprio.
A minha mãe mandava-me muitas vezes ir apanhar erva para os coelhos.
O local que eu escolhia para apanhar erva era precisamente o "Borlão" porque junto com outra miudagem, aproveitávamos a ocasião para jogar o bola.
O problema é que nessa altura a polícia andava sempre de olho nos miúdos proibindo de jogar a bola.
Nós escolhíamos o terreno que ficava nas traseiras da igreja Nossa Senhora da Conceição porque sempre ficava mais escondido.
Enquanto alguns jogavam a bola, um ficava de guarda na frente da igreja, para avisar os outros que vinha aí a polícia.
O cenário era sempre o mesmo, quando a polícia aparecia de um lado da igreja, nós fugíamos pelo outro.
Acontece que a polícia resolveu mudar de táctica. Para nos apanhar apareceram 2, um de cada lado.
Mas nós também tínhamos tomado as nossas precauções.
As aulas de catequese eram dadas na sacristia, portanto nós conhecíamos bem o interior da igreja.
Quando um dos companheiros que estava de guarda dava sinal que vinha a “Bófia” para nos apanharem, entravamos pelas traseiras da igreja, e na sacristia misturávamos com outras pessoas que estavam em orações.
O saco da erva servia para colocar debaixo dos joelhos quando fingia que rezava.
De soslaio olhei para a entrada principal da igreja, e vi os 2 agentes tirarem o boné e entraram, mas não passaram da porta.
Só depois de eles se irem embora é que nós fomos saindo também.
A bola estava escondida dentro do saco da erva.
Outra recordação que tenho do "Borlão" além das feiras de S.João e do 15 de Agosto foi de um teatro desmontável que esteve instalado no lado esquerdo da igreja, durante cerca de 6 meses.
Foi aí que ganhei o gosto de ver teatro.
Recordo com saudade a peça "O Conde Monte Cristo" magistralmente interpretada, apesar das condições rudimentares.

Um grande abraço
Faustino Rosário - Montreal - Canadá

Comentário:

Teatro desmontável Rafael de Oliveira?

Anónimo..........27-02-2011


A propósito da história da estória, há uns tempos atrás decidi consultar o Dicionário´da Academia das Ciências de Lisboa, e na realidade a palavra "estória" não aparece por lá, embora já a tenha visto noutros dicionários. Há quem aceite as duas grafias e outros discordam. Neste Blogue têm aparecido as duas formas e eu próprio já as utilizei. Todavia como o Faustino Rosário veio aqui contar mais uma "estória" do Borlão, resolvi procurar de novo, e no Ciberdúvidas da Língua Portuguesa encontrei diversas interpretações. Acho que as duas formas estão correctas dependendo do contexto em que são utilizadas.
Um abraço.

Fernando Santos.......27-02-2011

Olá Faustino, estranhei ainda não ter visto as suas contribuições para o Blog do Zé, seja bem aparecido. A primeira vez que encontrei a palavra estória foi num email que o Faustino me enviou onde explicava que a palavra estória é uma história de carácter ficcional ou popular; conto, narração curta, história é o estudo do homem no tempo. Para todos os efeitos o importante são as estórias que aparecem para nos ajudar a lembrar o passado em especial para mim o tema do Borlão pois foi onde vivi.
Quero mais uma vez agradecer ao Zé a brilhante ideia deste Blog.
Para o Faustino um beijo e até quando me quizer voltar a visitar.

Isabel Alves...........28-07-2011


Li com prazer esta crónica sobre o passado do Borlão, onde vivo desde 1962.

Quanto a estória e História também no Blog do ERO adoptámos as duas grafias mas com significados diferentes (conforme alguns dicionários referem):

Estória : Narrativa de lendas, contos tradicionais de ficção.

História:Narração ordenada, escrita dos acontecimentos e actividades humanas ocorridas no passado.

De notar que “estória” é a grafia antiga de “história” que, entretanto, caiu em desuso no português falado em Portugal mas não no Brasil. Os anglo-saxónicos fazem a mesma distinção, usando History (História) e story (estória).

J.J................01-03-2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Alunas de 1973

Estas fotografias que a São Santos nos enviou ficarão sem legendas, salvo se algumas destas meninas nos derem uma ajuda.
Suponho que serão datadas de 1973 e a turma é do Comércio. Mas quem serão?
Vá lá São dá lá uma ajuda.

Comentário:

Vou ver se me consigo lembrar.
Para começar, na foto 1 em cima a 3ª a contar da esquerda: Rosário Gomes, a Graça, Gracinda, Amélia. Depois em baixo à esquerda: Isabel, Lurdes, eu ... e o resto não me lembro dos nomes.
Na 2ª foto, na 1ª fila, meio escondida: Fernanda, depois a Lurdes, Mariazinha? do Nadadouro, a Rosário Gomes, uma miúda do Bombarral, filha de um polícia graduado, na fila a seguir: a minha irmã Bela, s São do Bombarral, a Luisa do Painho. Em baixo, a seguir à minha irmã: a Elisete Isaac, a Maria José do Bombarral, a última em baixo à esquerda: a Gracinda... e já não me lembro dos nomes das outras meninas. Entretanto, vou falar com a Elisete, a Milinha, a minha irmã e algumas outras "meninas" daquela altura e logo encontraremos o resto...
Abraços,

São Santos..........23-02-2011

Não tem nada a ver com a notícia em causa, mas os colegas vão desculpar-me concerteza.
Só hoje soube pela Gazeta das Caldas da morte de um ilustre antigo aluno da nossa Escola...
O Senhor Professor João Evangelista, natural da Freguesia de A dos Negros do Concelho de Óbidos e que residia ultimamente, após a morte da senhora sua esposa... no Lar do Montepio nas Caldas...
O senhor Professor João Evangelista, foi um dos mais importantes defensores da Ecologia em Portugal e Mestre de muitos dos actuais militantes ecológicos. Na nossa Região para além de ter sido o responsável da UAL nas Caldas, foi também um grande defensor da Lagoa de Óbidos e esteve nos últimos anos ligado a todos os esforços efectuados na defesa do Ambiente na nossa Região...
A Associação de Defesa do património do Concelho de Óbidos nas suas actividades "Descobrir Óbidos", contou algumas vezes com a sua disponibilidade e saber...

Deixa saudade o Professor e Amigo...

Que Deus o tenha recebido...Naquele Lugar, onde a poluição não faz estragos...

Obrigado Senhor Professor...não só pelo que aprendi consigo, mas também com o privilégio que tive, de poder ser seu amigo...

Maximino .............25-02-2011


Exemplar e sentida homenagem que o Maximino dirige neste local ao "ilustre e antigo aluno da nossa Escola..." Tem a delicadeza de o tratar por "Senhor Professor João Evangelista" e mais adiante refere a "senhora sua esposa..." Depois... chama-lhe "Professor e amigo..." E, quase a a terminar, "Obrigado Senhor Professor..."
Acredita Maximino que estas tuas palavras me deixaram profundamente sensibilizado.
Perante tão alto sentido de educação e civismo aqui demonstrado, acredita que também eu gostava de ter o privilégio de ser teu amigo.
Um abraço.

Fernando Santos........27-02-2011


Obrigado amigo Fernando Santos...
Sabe, eu era muito amigo do Senhor Professor João Evangelista e sei que ele me tratava também, com muita consideração e amizade...
Era daquelas pessoas, por quem não podíamos deixar de ter um profundo respeito, muito embora ele nos desse uma liberdade na relação estabelecida, que nos permitia sentirmo-nos perfeitamente à vontade...
Aliás não era só ele, a senhora sua esposa era também ela duma afabilidade no trato, que nos deixava também, perfeitamente à vontade...

E quanto a nós meu amigo, um dia destes haveremos de nos encontrar para conversarmos e podermos aprofundar uma amizade...

Um abraço e muito obrigado pelas palavras simpáticas que me dedicou..

Maximino ..........27-02-2011


Olá,eu sou a Maria Helena Martins de São Mamede e estou na 2ª foto,que foi tirada no dia dos anos da Rosário,é uma turma do Geral do Comércio,mas do ano de 1971. Vou dar-vos o nome de todas as meninas,a começar de cima e da esquerda para a direita:
-Fernanda,Luzia,Fátima
-Mena,Lurdes Silva,Mariazinha, Rosário,Graça,Maria Augusta,Isabel Bajouco
-Bélinha,São Rosa,Luisa Ferreira
-Elizete,Helena Lourenço
-Gracinda,Maria José,eu e a Lurdes Dinis.
A filha do polícia graduado(como diz a São) é a Isabel Bajouco,o pai era sargento da G.N.R. no Bombarral,eu ando à anos a tentar saber dela,pois éramos muito amigas mas perdemos o contacto,se alguém souber dela,agradeço diga.

Maria Helena Martins..........07-03-2011

Pois é, Maria Helena, a vida acaba por afastar as pessoas… Depois dos anos maravilhosos da adolescência nas Caldas, voltei a Lisboa quando o meu pai acabou a comissão de serviço no Bombarral. Por cá me mantenho até hoje e também gostava de saber de ti, de quem me lembro muitas vezes. Se quiseres contactar-me o meu e-mail é: formim@hotmail.com
Fiquei espantada com a tua memória fantástica. Eu lembro-me de todas as caras, de alguns nomes e de pormenores (por ex. que a Luisa tinha um prodigioso jeito para desenhar e que metade das folhas dos cadernos eram preenchidos com os desenhos que ela ia fazendo nas aulas), mas saber os nomes e apelidos de todas é fenómeno…
Um abraço para ti e para todas as que virem estas fotos e se lembrarem de estes tempos.
Até sempre

Isabel Bajouco........28-03-2011

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A Escola Comercial e Industrial de Santarém

As Escolas Industriais e Comerciais tiveram uma importância muito significativa no meio laboral, foram elas que forneceram às empresas uma boa parte dos seus quadros.
Vem isto a propósito porque tive oportunidade de reforçar esta ideia durante um Encontro com os Antigos Alunos da Escola Industrial e Comercial de Santarém que nos deram o prazer de uma agradável visita.

Como estas reuniões de trabalho fazem-se sempre à mesa, esta não fugiu à regra e assim uma almoçarada na “Casa do João” foi um óptimo local para trocar algumas experiências sobre a organização dos Encontros Anuais que cada grupo leva a efeito.

O Encontro dos Antigos Alunos de Santarém vai decorrer no próximo 26 de Fevereiro num restaurante do CNEMA - espaço da Feira Nacional da Agricultura-Feira do Ribatejo e vale a pena dar uma olhadela ao Blog Alfageme Santarém

Comentário:

Dei uma espreitadela no "Alfageme" e parece que por lá também está muito "frio". Comentários???
Eu até gostaria de mandar alguma coisa para animar este Blog mas... Sou um "penetra" e, como tal, dou a prioridade aos Antigos Alunos.
Mesmo que sejam sempre os mesmos, apareçam! A "malta" agradece.

Fernando Santos..........22-01-2011


Caro Amigo Zé Ventura
Com grande abraço, e em nome dos Colegas da Equipa de Organização do nosso Encontro-Convívio de 2011, aqui estou a saudar-vos, vós que sois companheiros de experiências tão enriquecedoras, aquelas que viveram os alunos das antigas escolas industriais e comerciais, como nós bem sabemos.
O nosso convívio decorreu em ambiente de grande animação e alegria, com todos os "ingredientes" do costume, o que é sempre de saudar. Tivemos 231 participantes, o que constitui o nosso record. Ainda não chegámos aos trezentos e... muitos, que Vocês já conseguem... Parabéns!
Foi muito positivo o nosso encontro e almoço, aí nas Caldas da Rainha, agradecendo nós o acolhimento que nos prestaram.
Para o ano, com mais tempo e sem as sempre incómodas maleitas dos tempos de inverno, será possível termos a vossa presença no nosso convívio.
E, da próxima vez, o nosso encontro-almoço de representantes será em santarém, ou arredores.
Saudações Fraternas.

Manuel Sá ..........01-03-2011

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Alunos de 1954

A Stela enviou estas fotos ao amigo Pimenta, e nada melhor para legendar que juntar as notas que ela mesmo escreveu.
Comentário:

Aqui está um bom teste para as nossas memórias. Será no parque, será na mata ou será em quaisquer outro sitio? É uma pergunta tanto para os mais velhos, como para os mais novos. Eu não estou certo, mas parece-me que a primeira foto é na mata. Quem vinha da Igreja N.S Do Pópulo e entrava no grande portão de ferro, logo um pouco mais acima no alto "lado direito" havia um pequeno jardim muito bonito e que era um bom lugar para tirar fotos. Ainda lá estará? Lembram-se?

J.Chaves............22-02-2011

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Les Petits Chanteurs de Chaillot

A história de uma Instituição como a Escola Industrial e Comercial de Caldas da Rainha não é fácil de fazer porque a própria Escola não tem um Arquivo vocacionado para o efeito, mas para contrabalançar há sempre antigos alunos que valorizavam as pequenas coisas e as guardavam. É o caso destes panfletos, que a Matilde trouxe para o nosso BLOG, que sem falsas modéstias julgo que tem contribuído para manter uma memória viva deste passado que nos marcou.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

...E o Carnaval no Borlão

Não é própriamente uma fotografia da Escola mas faz todo o sentido quando o largo do Borlão tem sido o tema dos últimos post. A nossa colega Isabel Alves, residente no Canadá, deu volta ao baú e lá descobriu esta preciosidade.


Como prometi tenho mais uma foto, espero que mais colegas da minha época participem no Blog da nossa Escola.
Quem não se lembra também do Corso Carnavalesco no Borlão? Dos carros alegóricos e das brincadeiras? Dias felizes da minha infância e adoslescência. Depois dos desfiles vinham os bailes no Hotel Lisbonense até de manhã. A caminho de casa a mãe ía á padaria Teixeira comprar o pãozinho ainda quente que comíamos com leite e café antes de irmos descansar para recomeçar e repetir até terça-feira Gorda quando a folia acabava e o periodo solene da Quaresma chegava. Não me recordo do ano da fotogrfia mais sei que o Rei e a Rainha do Carnaval neste ano foram o Carlos Mariano e a esposa, quem se lembra?

Um abraço,

Isabel


Comentário:

Amiga Isabel, desculpa porque só hoje me deu para ler este comentario escrito por ti, passado mais de um ano,mas sempre ouvi dizer ,vale mais tarde que nunca, e como hoje não está lá muito bom para ir até a praia, estou entretido no meu novo passatempo, e tudo no que diz respeito ao Carnaval desde que começou eu estou presente,tenho lido todos os comentários ,conheço quase toda a malta, e foi o meu melhor tempo de jovem, por isso estou á altura de te dizer e informar os leitores dste blog , que quando o grande amigo Carlos Mariano foi Rei,eu fiz parte da comotiva como sempre, a Rainha , não podia ser a sua esposa ,porque nunca existiu uma senhora a fazer de Rainha, até á data que eu lá estava, mais tarde acho que veio uma Merche Romero, mas isso já era outras pessoas, náo é do meu tempo, quem fez de Rainha com o Carlos foi um grande amigo que toda a gente o conhecia como o Farinha Nestlé, penso que já faleceu, junto vou enviar umas fotos desse Carnaval que não me lembro a data certa, anos 70 de certo. A foto que eu como da comitiva lá estou com o chapelinho de braço dado com uma farda. um amigo tambem muito conhecido do nosso Bairro



José G.Santos............09-03-2012

sábado, 5 de fevereiro de 2011

As Colegas da Solange

Na verdade é uma pena que as fotografias que chegam até nós, não venham mais documentadas, mas é o que temos.
Estas imagens, de bonitas jovens, vêm do álbum de recordações da Solange e julgo que serão datadas de 1959.
Ficamos todos à espera de mais esclarecimentos.


Comentário:

Estou sempre à espera que apareça o Sanches, o Noronha e mais...a dizer quem é quem e que embora fossem mais novos, um ou dois anos,ainda conviveram com estas alunas.A Solange entrega as fotos mas nunca diz nada, mas eu vou tentar dizer o nome de algumas/os. Na primeira e terceira fotos está a Solange no meio com a sua falecida prima (a Manuela) e a Lena também já falecida. Na outra foto está a Nobre (já falecida)que morava um pouco acima do chafariz das 5 bicas e com a ´Manuela a seu lado. A de óculos escuros não me lembro o nome,depois a Solange e a seguir julgo ser a Pilar (já falecida). Faltam duas que eu não recordo o nome. Dos rapazes em baixo o Rodolfo (não Valentino)e em cima julgo ser o Roque de Óbidos que se tornou farmacêutico. Ele dizia;

O meu avô é farmacêutico
Passa o dia a fazer "pírulas"
Eu só para o chatear
Vou lá à noite e "tirulas"

Saudações J. Chaves ...........05-02-2011

Amigo Chaves, não é a saudosa Pilar
mas sim a Maria José Saramago da Usseira se bem me lembro.

Santana ..........06-02-2011

Benvindo, amigo Santana. Admito o engano, mas não disseste o nome da outras três. Se perguntares à tua "boss" talvez ela saiba. Aparece sempre, Fiquem em bem

J. Chaves..........08-02-2011


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

As lourinhas da nossa escola

Num dos últimos posts a minha vizinha de cerca de 600 Kms, a Isabel Alves, fala dum dos seus amores platónicos e desde logo comentei que outros poderiam falar dos deles, no que entendo ser uma actividade salutar, e que, de forma alguma poderá causar danos nos actuais consortes. Claro que estava também a pensar no meu caso pessoal, só não esperava era que a oportunidade se me deparasse tão rapidamente. Ao ler a sequência, do interessante diálogo a três entre a «algarvia» Lurdes Peça, o meu outro vizinho o António Abilio e a Isabel, o mote estava dado.
Falavam eles do café Tadi, o Victor Pessa dizia que a sua irmã Lurdes era tão bonita e lourinha que os tipos do Circo até a queriam comprar. Pudera, é que miúdas louras não era coisa que abundasse na região naquela altura, e quantos garotos não tiveram uma «paixão» por uma lourinha de 12 ou 13 anos. Mencionou-se também a Papelaria Áurea onde muitos de nós comprávamos os livros e material escolar nesse tempo.
Quando o Victor se referiu à irmã ainda pensei se teria sido ela a garota que eu gostaria de ter comprado se para tal tivesse os escudos suficientes, mas rapidamente fiquei mais descansado pois pelas informações que guardo arquivadas, a garota que me tirava o sono na altura, pelo que alguns amigos da escola ou do Chão da Parada me diziam, estava ligada sim, à tal papelaria. Depois de ter conhecimento deste facto muitos mais livros e cadernos passei a comprar, sempre na esperança de alguma vez a ver por lá. Não fui bafejado pela sorte e nunca pude ver a minha «amada» a ajudar a vendedora do local, que imagino, seria a sua mãe.
Como os poucos escudos que a minha mãe me dava tinham também de servir para pagar a senha do almoço na cantina, e pagar ao senhor Castanheira a repararação de algum furo nas câmaras de ar da bicicleta que diariamente me transportava, e para não evitar qualquer tipo de desconfiança da parte da senhora que nos vendia os artigos escolares, em determinado momento deixei pura e simplesmente de fazer as compras na Áurea e passei a fazê-las na Papelaria Académica em frente da nossa Escola. O pequeno comércio perdeu assim um, até aí fiel cliente, por causa dos «amores» nunca declarados àquela que seria eventualmente a menina loura da Áurea.
Esta aventura foi por mim «vivida» quando teria 12 ou 13 anos, logo no primeiro ano de actividade da escola nova, para onde transitámos depois do encerramento do local do Chafariz das Cinco Bicas, e onde iniciei o Curso Geral do Comércio em 1964, que acabei por terminar em 1967, num percurso até aí imaculado. Quero com isto dizer que afinal a «Áurea», vou chamá-la assim por via do nome da Papelaria, ao contrário do que muitas vezes acontece, em nada afectou o meu percurso académico.
Na altura, a minha falta de jeito para lidar com o belo sexo era tal, que nem sequer alguma vez lhe dirigi um tímido sorriso, uma boa tarde, bom dia, ou qualquer tipo de piropo a propósito da forma como se vestia, da maneira como se ocupava dos lindos cabelos louros ondulados, ou dos resultados dos seus exames. A mim bastava-me olhar para aquela figura frágil e franzina, que pela particularidade de possuir cabelos diferentes dos da maioria das outras garotas, representava tudo o que o miúdo da aldeia que eu era poderia desejar possuir.
Durante algum tempo, sempre que via aquela colega loura, dum lourado brilhante e puro como só as jovens louras dessa idade podem ter, o bater do meu coração partia para ritmos descontrolados, mas como muitas vezes nestes casos acontece, foi o que se chama uma aventura a dois, mas da qual, a heroína foi parte integrante sem dela ter conhecimento.
Durante o Curso Geral do Comércio, e em nome dos bons usos e costumes da época, ainda as turmas de rapazes e raparigas eram separadas. Nos dois anos seguintes de frequência (deveria ter sido apenas um, mas o primeiro ano de tentativa de entrada em Lisboa foi uma catástrofe em termos de resultados) das Secções Comerciais, agora já com turmas mistas e com adolescentes que eram quase mulheres, através do convivio diário nas salas de aulas, o garoto tímido e reservado da aldeia que eu era, começou pouco a pouco a ganhar alguma confiança na aproximação àquilo que de mais belo existe sobre o planeta Terra. E afinal, uns anos mais tarde provou-se que nem sempre as louras são as mais belas.

J.L.Reboleira Alexandre

Comentários:

Como tenho andado muito arredado daqui (apenas da escrita, que as visitas são diárias), uma pequena incursão para corrigir o Zé Reboleira. As turmas mistas começaram, pelo menos, em 1965 e eu fiz parte de uma delas - 4º. ano do Geral do Comércio. O Zé não teve esse privilégio porque não esperou por mim e pela resolução de um problema de saúde que me fez perder um ano. Já agora e para me enquadrar no tema das loiras, essa turma tinha uma loirinha linda chamada Maria Mirton Leitão Fragata, que nunca mais vi e que julgo estar também pelas Américas. O local ao certo penso que nem o Manuel Vasconcelos sabe ...

Orlando Sousa Santos........01-02-2011


Não tem nada uma coisa com a outra, nesta que vou lembrar, até havia era um empregado com um guarda-pó...estou a lembrar-me de uma papelaria onde havia sempre tudo, pelo menos...no dia seguinte...!!!
Lembram-se da Silva Santos...? - Creio que era assim que se chamava...
Agora quanto às turmas mistas, isso era anterior à década de 60, pois já na década de 50, não sei quando isso passou a ser assim...mas já havia turmas mistas...!!!
Andam por aqui colegas desse tempo, por exemplo o Noronha Leal, eu claro...e outros que não aparecendo por aqui, habitualmente estão nos nosso almoços...e outros que infelizmente já nos deixaram e lembro-me assim de repente, dos nossos saudosos colegas e amigos... Zé Maria e Zé Agostinho...!!

Um abraço do Maximino ............01-02-2011


Pois lembro-me bem dessa menina lourinha da papelaria Áurea como o J.L.Reboleira relata, sim era muito bonita. Mas eu tinha os meus olhares para outra que o Circo queria, mas ela foi sempre uma menina que sabia o que queria, eu sendo muito envergonhado e assim nunca nada se concretizou, porque também éramos muito amigos e somos, como família.

No entanto quando me mudei para o 2º Andar do nº7 da Avenida, prédio que ainda lá se encontra, enamorei-me por uma menina também lourinha que morava no prédio ao lado, que já lá não se encontra e tinha uma sala de religião "Protestante" no R/C, ela era sobrinha de um senhor que tinha estado na América e como não tinha filhos, criou esta menina, eles tinham um cão grande Pastor Alemão que ela passeava todos os dias mas eu nunca me chegava a ela, porque tinha medo do cão, pois era mesmo grande.
Esta menina também andava na nossa Escola mas eu nunca falei para ela mas lembro-me que o Té, de vez em quando fazia-lhe companhia no caminho da escola para casa e isso cortava-me o coração, acho que ele não tinha medo do cão, depois ela mudou-se para a Encosta do Sol, eu vim para o Canadá, nunca mais a vi.
Tudo isto quando também namoriscava com a Odete Maçãs.
As raparigas que trabalhavam para a minha Mãe, que eram umas doze, sabiam das minhas paixonetas, estavam sempre no gozo comigo e diziam, o menino tem um coração que parece um Hotel.
Era eu envergonhado! O que não seria se não o fosse, Pois acho que todos nós tivemos paixonetas deste género que nunca se realizaram, mas hoje servem para dar umas risadas e reviver a nossa adolescência.

Um abraço a todos do António
Abilio............02-02-2011

O que eu me ri ao ler hoje os vossos comentários! Ah grande Ventura, pões a malta toda a reviver os amores e falhanços da meninice! Viva a tecnologia que nem os milhares de Km nos separam das nossas lembranças, parece que foi ontem! Abílio, eu sabia que tu andavas atrás de mim, mas não te ligava pois tinha outro em vista...e antes queria um bom amigo do que um amor passageiro.
Vê lá bem as voltas que a vida dá, se por acaso eu fosse vendida ao Circo, fiquei muito zangada na altura com os meus pais, pois embora já tivesse as malas feitas para ir com eles (circenses)sem conhecimento da minha mãe, estava talvez, quem sabe, a pertencer a alguma companhia de renome (talvez em Monte Carlo),não tinha sido pestezinha para o meu irmão nem estaria aqui a escrever no blogue ahahahah, não paro de rir pois estou a visionar as cenas todas!!!
Beijinhos a todos desta loirinha , Para completar envio uma foto minha e do meu irmão para comprovar os meus cabelinhos brilhantes e dourados... agora são substituídos por prateados! É a crise amigos!


Lurdes Peça.............02-02-2011

Bem haja Lurdes que sempre assim foste "frontex" e sincera, por isso eu gostava e ainda gosto da tua maneira de ser, mas ainda hoje somos capazes de lembrar tudo isto e rir saudável e amigavelmente.
Só tu Lurdes me fazias também rir assim como tu. Eu sabia que iria ter uma reacção destas ou parecida, mas muita gente não entende o grau de amizade que nós partilhamos desde crianças e acham que somos meios estarolas, mas tudo isto é com respeito e amizade pois somos muito amigos não é?
Pois com estas coisas o importante é que vamos envolvendo e mantendo o nosso blog vivo e bem disposto.

Beiinhos Lurdes e abraços para todos do Antonio Abilio . ........04-02-2011

Nem só de louras ou lourinhas, vive o homem. Nos meus tempos também, não muito longe do vosso haviam lindas morenas, assim como a Amália de Óbidos, a Ascenção Cipriano, a Laura Amável do Valado dos Frades, a Loudres Bernardes, enfim um sem acabar de belezas. Tudo isto começou com quem morava na "cerca do borlão" e alguns tiveram que ir ter com o "velho" para informações, mas digo-vos; o pai da Isabel (o Rafael Alves)e um outro senhor chamado Afonso Angélico que também morava para esses lados, ninguém os batia em saber quem era quem. No"ERO" também já foi falado sobre o Borlão e eu tive o conhecimento que a Eunice Munhós também habitou num dos prédios antes de ser famosa no teatro. Se por acaso o J.L. Reboleira não ter dado a informação ao Orlando Santos, sobre a Leitão Fragata, ela está em Montreal e ele já me falou dela. Numas casas do lado esquerdo de quem ia dos antigos Bombeiros para os prédios do "Viola" aí moravam duas famílias modestas, mas muito queridas das Caldas. Eram eles o "nosso" Pacheco das castanhas e gelados e o Ti Sebastião Bagageiro, que percorria as Caldas com a sua carroça a entregar a mercadoria vinda da Est. Caminho de ferro. Falando do Sr. Jaime Cordoeiro; ele sofria muito dos calos e então ia para a Foz andar com os pés quase de rojo sobre a areia e dizia ele que era o melhor remédio para desgastar os malditos calos .

Saudações Chaves........04-02-2011