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sábado, 26 de fevereiro de 2011

Mais “estórias” do Borlão

Olá amigos(as)
Se me permitem gostava de deixar aqui algumas lembranças sobre o tema "Borlão" sugerido pela nossa amiga Isabel Alves que tenho o prazer de encontrar de vez em quando.
Quando eu era rapazote morei nos prédios do Viola e por coincidência o apartamento ficava por baixo daquele onde morava a família Peça.
Nessa altura o Peça Pai trabalhava na Secla.
Só mais tarde trabalhámos juntos na Seol. O Peça como desenhador, eu como electricista.
Os meus pais tinham uma pequena fazenda num local onde hoje se encontra o Supermercado Modelo.
Existiam lá umas coelheiras onde eram criados animais para consumo próprio.
A minha mãe mandava-me muitas vezes ir apanhar erva para os coelhos.
O local que eu escolhia para apanhar erva era precisamente o "Borlão" porque junto com outra miudagem, aproveitávamos a ocasião para jogar o bola.
O problema é que nessa altura a polícia andava sempre de olho nos miúdos proibindo de jogar a bola.
Nós escolhíamos o terreno que ficava nas traseiras da igreja Nossa Senhora da Conceição porque sempre ficava mais escondido.
Enquanto alguns jogavam a bola, um ficava de guarda na frente da igreja, para avisar os outros que vinha aí a polícia.
O cenário era sempre o mesmo, quando a polícia aparecia de um lado da igreja, nós fugíamos pelo outro.
Acontece que a polícia resolveu mudar de táctica. Para nos apanhar apareceram 2, um de cada lado.
Mas nós também tínhamos tomado as nossas precauções.
As aulas de catequese eram dadas na sacristia, portanto nós conhecíamos bem o interior da igreja.
Quando um dos companheiros que estava de guarda dava sinal que vinha a “Bófia” para nos apanharem, entravamos pelas traseiras da igreja, e na sacristia misturávamos com outras pessoas que estavam em orações.
O saco da erva servia para colocar debaixo dos joelhos quando fingia que rezava.
De soslaio olhei para a entrada principal da igreja, e vi os 2 agentes tirarem o boné e entraram, mas não passaram da porta.
Só depois de eles se irem embora é que nós fomos saindo também.
A bola estava escondida dentro do saco da erva.
Outra recordação que tenho do "Borlão" além das feiras de S.João e do 15 de Agosto foi de um teatro desmontável que esteve instalado no lado esquerdo da igreja, durante cerca de 6 meses.
Foi aí que ganhei o gosto de ver teatro.
Recordo com saudade a peça "O Conde Monte Cristo" magistralmente interpretada, apesar das condições rudimentares.

Um grande abraço
Faustino Rosário - Montreal - Canadá

Comentário:

Teatro desmontável Rafael de Oliveira?

Anónimo..........27-02-2011


A propósito da história da estória, há uns tempos atrás decidi consultar o Dicionário´da Academia das Ciências de Lisboa, e na realidade a palavra "estória" não aparece por lá, embora já a tenha visto noutros dicionários. Há quem aceite as duas grafias e outros discordam. Neste Blogue têm aparecido as duas formas e eu próprio já as utilizei. Todavia como o Faustino Rosário veio aqui contar mais uma "estória" do Borlão, resolvi procurar de novo, e no Ciberdúvidas da Língua Portuguesa encontrei diversas interpretações. Acho que as duas formas estão correctas dependendo do contexto em que são utilizadas.
Um abraço.

Fernando Santos.......27-02-2011

Olá Faustino, estranhei ainda não ter visto as suas contribuições para o Blog do Zé, seja bem aparecido. A primeira vez que encontrei a palavra estória foi num email que o Faustino me enviou onde explicava que a palavra estória é uma história de carácter ficcional ou popular; conto, narração curta, história é o estudo do homem no tempo. Para todos os efeitos o importante são as estórias que aparecem para nos ajudar a lembrar o passado em especial para mim o tema do Borlão pois foi onde vivi.
Quero mais uma vez agradecer ao Zé a brilhante ideia deste Blog.
Para o Faustino um beijo e até quando me quizer voltar a visitar.

Isabel Alves...........28-07-2011


Li com prazer esta crónica sobre o passado do Borlão, onde vivo desde 1962.

Quanto a estória e História também no Blog do ERO adoptámos as duas grafias mas com significados diferentes (conforme alguns dicionários referem):

Estória : Narrativa de lendas, contos tradicionais de ficção.

História:Narração ordenada, escrita dos acontecimentos e actividades humanas ocorridas no passado.

De notar que “estória” é a grafia antiga de “história” que, entretanto, caiu em desuso no português falado em Portugal mas não no Brasil. Os anglo-saxónicos fazem a mesma distinção, usando History (História) e story (estória).

J.J................01-03-2011

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Recordações do Borlão

Olá sou a Isabel, vivo em Mississauga na província do Ontário, já há algum tempo que não escrevo. Reparei que nos post anteriores um dos comentadores foi o Mário Capinha, que pelos vistos é primo do Tó-Zé Blanc.
O nome de Capinha levou as minhas recordações para os anos setenta.
Na minha adolescência eu estive enamorada pelo Tó-Zé Blanc (sem ele saber, claro) primo do Mário.
Antes de emigrar para o Canadá com os meus pais, em 1974, morei no Borlão e durante a hora do almoço sentava-me na minha varanda a ver os dois irmãos, o Tó-Zé e o Mário dirigirem-se para casa através do portão onde a antiga Câmara tinha arrecadações perto do Tribunal. Recordações que o Blog acordou....e me transportou até aos meus doze anos.

Um abraço para todos e participem porque o blog é muito interessante, e para quem está longe ganha uma dimensão ainda maior.

Isabel Alves



Comentários:

Lembro-me perfeitamente do Largo do Burlão assim...
E lembro-me da inauguração da Igreja de NªSª da Conceição, que deve ter sido inaugurada aí pelos anos de 1952 mais ou menos...
Não tenho bem a certeza, mas eu nasci em 1943 e ou 10 anos...!!!

Lembro-me perfeitamente do tempo em que se faziam as feiras nesse espaço e lembro-me de um acidente que aconteceu com uns aviões que rodavam presos por cabos de aço sensivelmente no local onde hoje é o Café Maratona...não morreu ninguém mas houve feridos...

Já lá vai um montão de tempo...!!!

E já agora alguém sabe porque se chama "burlão" aquele espaço...??

É que só muito mais tarde apareceram naquela zona algumas instituições bancárias...!!!

Era usó ma piada, claro...ou talvez não...!!!

Abraços do Maximino ................19-01-2011

Vou fugir um pouco do tema do post, até porque a última mensagem do Maximino (espero que brevemente possa voltar a subir a encosta do Santo Antão...) poderia encaminhar-nos para caminhos ínvios.

Não conheço a Isabel, pelas datas partiu daí «borrachinho pequenino» para o Ontário, mas demonstra lidar facilmente com a nossa lingua o que é sempre de louvar. E até aqui fala nos seus amores platónicos. Todos os tivemos e vão sair cá para fora mais alguns de certeza.
Meus caros vizinhos de Mississauga, considerando as mensagens que aparecem por aqui, os mais regulares A. Abilio e o Chaves mais alguns de vez em quando...Afinal quantos caldenses há por aí ? Muitos !

Abraço
J.L Reboleira Alexandre ..........19-01-2011

Nas minhas contas eu queria dizer 9 ou 10 anos...ninguém por aí sabe dizer a data da inauguração...?

E pensando melhor, para evitar que o amigo Reboleira entre por caminhos ínvios...
Talvez borlão venha de borla...e isso dá muito mais pano para mangas...
Mas quando comentei nem reparei nessa grafia...
E meu amigo no que respeita à minha saude, quase poderia dizer(forçando um pouco...) que quando um cão é danado...todos lhe atiram...!!!

Agora não me faltava mais nada do que uma constipação...
Desde que deixei de tomar a vacina bacilococovínica...estou muito mais fragilizado...!!!

Um abraço para todos os amigos e amigas...claro...!!!

Maximino .............20-01-2011

Maximino, se tens uma constipação, quer dizer que estás constipassado, de"moda"

Chaves ..............24-01-2011

Engraçado, andei a vasculhar no Google e deduzi que o nome de "Borlão" ou "Burlão" talvez nascesse por causa das feiras que se faziam por lá e os carteiristas abundavam naquele espaço cheio de turistas. Gostei de ler o sítio Mistura Grossa onde conta também o seu ponto de vista sobre o Borlão.
Beijinhos.

Lurdes Peça.........25-01-2011


Olá Lurdinhas

Uma analogia bastante interessante.

Isabel Alves.......... 27-01-2011


Olá Isabel tudo bem contigo? Parece mal dizer, mas já não me lembro da tua cara, seria pedir muito se entrasses em contato comigo, por email e assim talvez me recordaria pelas fotos que possivelmente vais enviar, pode ser? Pede ao Zé Ventura que ele tem. Beijinhos

Lurdes Peça .............30-01-2011

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Será que estamos velhos?

O que mais dói, relativamente às palermices praticadas na minha juventude, não é havê-las cometido... é sim não poder voltar a cometê-las.
E com esta conclusão ficamos com a certeza que estamos velhos, os anos passaram por nós e nem sequer demos por eles. No entanto nós "Bordalianos", através do que tenho lido no nosso Blog, temos muito orgulho do que fomos, do que fizemos, e… pelo Blog que tem sido desenvolvido e alimentado por todos nós, concluímos, que continuamos a fazer… e que para isso em muito contribuí o seu mentor Zé Ventura que o lançou e nos deu as asas para voar.
Sinto, no entanto, que alguns, muitos, não querem "voar" e não nos acompanham neste "vôo" sabendo, porque recordo, terem essa capacidade.
Será por causa desta nova tecnologia?... não acredito!… e não acredito porque nós pertencemos a uma geração inventiva… hoje compra-se tudo feito… mas naquele tempo pouco havia feito e muito para inventar e criar e desenvolver.
Todos desejamos chegar à velhice e todos negamos que tenhamos chegado, (Velhos? Velhos são os trapos e blá…blá…blá, disfarces!). Isto dos anos não entendo muito bem, todavia foi bom vivê-los, embora menos bom tê-los, e… feliz é quem foi jovem na sua juventude e feliz quem sábio é na sua velhice.
Não, não tenho a pretensão de ser sábio mas convenhamos que sou muito mais sábio do que era nesses tempos e isso já ninguém me tira… bem só se for esse tal alemão Alzheimer… Ora sendo a maturidade do homem (ou mulher) voltar a encontrar uma serenidade como a que tinha quando era muito pequenino, convém também saber que nada passa mais depressa que os anos e principalmente reconhecer, e saber, que envelhecer é passar da paixão para a compaixão e o único meio de viver muito tempo.
Quando se passa dos sessenta são poucas as coisas que nos parecem absurdas, mesmo quando os jovens pensam que os velhos são bobos, nós, pela experiência da vida, sabemos que eles é que o são.
Este Blog veio demonstrar que há sempre um menino em todos os homens.
Quanta alegria, quanta saudade, quanto sorriso de felicidade brotou do nosso ser ao reviver-mos e ver-mos, através de fotografias, cenas do passado.
Em jovem andamos e caminhamos em grupo, em adultos em pares e agora em velhos andamos sós. Assim sempre foi, assim sempre será porque agora temos todo o tempo do mundo e os jovens têm todo o mundo para descobrir, só precisamos saber, para sermos mais felizes, que as iniciativas dos jovens valem tanto quanto a nossa experiência da vida.
Quantas vezes ouvimos aos mais velhos, "quando chegares á minha idade logo verás", bem, já cheguei a essa idade e não vejo nada, a não ser que a idade madura é aquela na qual ainda se é jovem, mas com muito mais esforço.
Tudo isto para concluir que afinal nunca se é velho…

A.Justiça

Comentários:

Bonito texto do Justiça, digno de uma aula de Sociologia. E no entanto quantas vezes ao ler noticias que me chegam do meu país apanho com frases deste tipo:

- O idoso teve isto ou aquilo...
Mais à frente noto que o fulano em questão tem mais ou menos 60 anos. Detesto dizer que isto aqui é que é bom, etc..etc..conhecem a canção tão bem como eu. Mas para os que não sabem, a geriatria aqui só se aplica bem depois dos 70 e mesmo isso...

Como exemplo, anualmente um dos jornais cá da praça tem um concurso cujo título é:
- Manequim, por um dia!
Sabem que tanto podem participar crianças com 4 anos, como adultos com 70 ? E as fotos de todos os participantes são publicadas sem qualquer tipo de descriminação.

Espero que numa das minhas próximas visitas à terrinha, nenhum desgraçado tenha o desplante de se dirigir à minha pessoa nesses termos, pois terá de me ouvir.

Mas a culpa é da sociedade em que se está inserido. Teria eu os meus 15 anos e numa boa futebolada na praia de Salir levei um encosto mais forte de um dos colegas mais velhos, que teria na altura cerca de 40. A reacção do miúdo que eu era foi esta: velho da porra!

É claro que levei um murro na cara, que na altura doeu, mas hoje acho que foi bem dado e até gostaria de saber quem mo deu, para lhe agradecer.

Isto tudo para concluir que vivo numa sociedade que tem um certo respeito pelas pessoas mais velhas, e que esse respeito passa muito pela forma como certos estereótipos são combatidos no dia a dia de cada um!

J.L.Reboleira Alexandre.........03-02-2010


AFINAL..........
SEMPRE HÁ JUSTIÇA EM PORTUGAL

Pelo menos no nosso blog, temos um A. JUSTIÇA, (que não tenho o prazer de conhecer), que com toda a justiça e propriedade, nos dá um conceito de velhice, de modo a chegarmos à conclusão que, estamos novos por estar vivos, e que a velhice....é uma grande "chatice".
Trocadilho à parte, amigo Justiça, estou de acordo consigo. Há velhos novos.... e novos velhos. Eu prefiro pertencer aos primeiros.
Quanto ao não haver muitos "velhotes" a acompanhar-nos, julgo ser justificável pelos contactos que tenho. Eis a razão:
O nosso blog tem poucos aderentes, mas os que aparecem a navegar, são marinheiros de alto mar. Navegam nas ondas maviosas de qualquer oceano, com vocabulário rico e bem sonante, pondo em sentido os que têm mais dificuldade em se expressar.
Faço um apelo aos colegas "escondidos". Estamos neste mundo para aprender uns com os outros, e é uma felicidade ter colegas que nos deliciam com a sua escrita.
Eu não tenho medo (nem vergonha) de aparecer, e como tal aqui estou. Cada um dá o que tem e a mais não é obrigado.

Um abração para a rapaziada do meu tempo, e não só.....

Mário Reis Capinha.....03-02-2010


Amigo Capinha
O que escrevo pouco ou nada tem de literário.
Definitivamente escrevo conforme falo. Talvez um pouco aos “arranques e paragens” … defeito meu mas também sei que não consigo ler Saramago, o homem escreve tudo de seguida, num fôlego e ás páginas tantas dou comigo a pensar… mas afinal o que está ele a dizer? É, é defeito meu. Não tenho intelectualidade suficiente para descortinar o conteúdo das palavras e muito menos das frases que elas formam.
Prefiro a escrita do Camilo. Terra a terra, sem sofismas e altos voos de performance literária. Sou assim, que se há-de fazer. Aturem-me se quiserem… se não quiserem, obrigadinho por este bocadinho e “by-by”.
E por outro lado, o homem também diz e escreve cada calinada que por vezes fico de boca aberta a tentar perceber como pode um “Prémio Nobel” meter-se em tamanhas alhadas. Feitios.
Já o Camilo e o Sousa Tavares e… outros, não são assim. Ainda bem. Que haja alguém a escrever para gente simples. Mas digam lá, sinceramente, a escrita para todos não é mais agradável?
Porquê lhaneza se o mesmo é simplicidade. A primeira só alguns sabem a segunda toda a gente sabe o que é. E convenhamos, é muito mais bonito e perceptível.
Gostei do seu apelo à escrita, lançado a todos e ouso fortalecer esse apelo através do que atrás escrevi. Simples... sem ser "simplex"...
Bem, bem, por outro lado quando estiverem fartos do que escrevo… aos repelões… digam e eu dou-vos o merecido descanso.

Que “chato” que o homem é!
Ai sou “chato”, então adeus, até ao meu regresso… aonde é que eu já ouvi isto?

A. Justiça.......03-02-2010


Uma boa prova de jovialidade de espírito é aceitar as inovações sem ficar amarrado ao consagrado. Há lugar para tudo e para todos: Camilo /Saramago e até o Sousa Tavares. Gostaria de acrescentar outros nomes, mas não saberia por onde começar nem por onde terminar. O passado e o futuro não são inconciliáveis. Passam sempre por um presente passageiro que, por vezes, até é o nosso. A principal qualidade da literatura é que não se impõe a ninguém. Só lê quem quer. Nada me impede de fechar um livro se o prazer de o folhear se me escapar. Os profissionais da crítica é que são obrigados a chegar até à última página. Só assim poderão tecer um juízo de valor justo. Com a escrita acontece o mesmo. Cada um escreve como sabe ou como lhe sai no momento. O segredo está em saber escolher o caminho mais agradável para uma actividade e para a outra. Tudo isto em plena liberdade. Espero que o Blog continue a funcionar sem constrangimentos de ninguém. O confronto de ideias e de estilos de o expressar só nos enriquecerá a todos. A leitura e a escrita não garantem a felicidade a ninguém mas dão uma satisfação imensa a quem as pratica sem preconceitos de espécie alguma.

Artur R. Gonçalves..........04-02-2010


Amigo Justiça, ser velho ou não ser, tudo depende dos olhos de quem nos vê. Quando me encontro com um colega "não digo colega do antigamente" porque assim estaria a dizer que sou antigo, mas sim colega dos meus tempos. Há sempre um ou outro que diz "eh pá estás com um aspecto porreiro, mas... há sempre um outro alguém que diz "eh pá os ares para onde foste deram cabo de ti e assim...por aí fora e esquecem-se que estão dentro do mesmo circulo, o que é bom pois assim ficam convencidos que ainda são ou estão jovens. Numa outra passagem do blogue pergunta-se a respeito do "aposentado, reformado, retirado, lá o que queiram chamar e isso é sinónimo da "ternura dos 60's " o que não quer dizer "velho". O amigo Reboleira diz que por estes lados do Atlântico só se é velho a partir dos 70's, mas eu embora não discordando, também não concordo 100% pois quando se trabalha numa empresa em que andam 100 "cães"a um osso levamos com o lindo "piropo", o que é que andas para aqui a fazer? Por vezes até são os jovens a quem nós demos toda a nossa sabedoria que já nos vêem como um entrave para a sua carreira. Para nós que já estamos nesta "ternura" é melhor seguir uma máxima de alguém que dizia " não contes os teus anos, mas sim faz com que os teus anos contem". Se reparar-mos bem, quando nos dizem para fazer algo, não será por vezes uma resposta da nossa parte "eh pá, já estou velho para isso"!. Eu por vezes não sei escrever simples ou complicado pois faltam-me certas palavras e tenho que fazer uma manobra para as substituir mas não quero dizer que não tente e o blogue tem sido uma grande ajuda. Eu venho muitas vezes ver o que há de novo, mas confesso estou sempre à espera que apareçam, alguns da minha geração e noto que há poucos e eu talvez saiba porquê. Durante muitos anos eu achava que não necessitava do computador pois era tudo em papel, até que um dia na empresa onde trabalhava, me foi dito que a partir de certa data tudo seria feito no computador e eu como encarregado teria que fazer ordens de material, ter as horas de todos que trabalhavam no departamento em dia e mais....Assim tive que aprender o mínimo para me desenrascar. Se não fosse isso e eu não estaria aqui neste momento a escrever . Certamente muitos dos meus colegas da época seguiram a lógica do não valer a pena e agora mesmo que queiram dizer algo não tenham essa facilidade. Sem mais podem saber que continuo a ser jovem de espírito e que viva o SPORTING mesmo depois da "cabazada" 5 a 2

Chaves .........05-02-2010

Nem mais amigo Chaves...: E que viva o Sporting...!!!

Acerca dessa ideia de que se é velho, eu devo dizer que me agrada mesmo muito ser velho e mais me agradará, poder dizer e ouvir...em cada ano que passa (se tiver essa sorte, que eu considero uma Graça de Deus...), que estou velho...
Pois estou, sorte a minha...outros que conheci e alguns foram colegas "dos nossos tempos..."...já cá não se encontram para dialogar connosco, resta-nos apenas, porque eramos seus amigos...mante-los vivos nas nossas memórias...!!
Um abraço para todos/as..

Maximino ............05-02-2010


A mais novinha faz 28 anos.
Meu Deus como o tempo passa.
Espera lá! Se esta faz 28 a mais velha já estará perto do 40! Mas se ela está perto dos 40 tu, tu… há muito que passaste os 60.
E repreendem-me elas quando digo, - Estás velho, meu velho.
Não sei porquê, elas se aborrecem comigo quando digo isto. – Oh pai tu não és velho! Não digas isso.
Claro que não. Mas é claro… já não sou velho… pois é, não, não sou velho sou sexagenário. Que alegria… já deixei de ser velho… mais uns anitos e passo a septu.
Chegarei lá? Não o melhor é saber se quando ele chegar ainda cá me encontra.
Se encontrar faço-lhe uma daquelas momices que fazia quando era menino… polegar no nariz e os outros bem esticados para cima e… nhã, nhã, nhã… nhã, nhã, chegaste atrasado… e cantarolando direi… eu já cá estava.
O que eu vou gozar com o septuagenário se isso acontecer.
Hei-de irritá-lo. Irritá-lo de tal forma que ele terá de me fazer esperar pelo octo para o largar de mão.
Aí eu tomarei a mesma atitude com o octogenário. Irritá-lo até…

A. Justiça........20-02-2010

terça-feira, 21 de julho de 2009

O Padre Renato

A correspondência trocada entre Armando Silva Carvalho e Maria Velho da Costa foi agora publicada em livro pela editora Caminho. “O Livro do Meio” foi galardoado pela Associação Portuguesa de Escritores /CTT, com o Grande Prémio de Poesia.
O autor faz inúmeras alusões às Caldas da Rainha e pessoas que povoaram a sua infância.

Aproveitando a "boleia" do Cavacos das Caldas, sempre com grande disponibilidade para colaborar no nosso Blog e que nos disponibilizou o livro, transcrevo um texto onde o autor recorda o Padre Renato, professor da nossa Escola.


…Mas estava eu a falar do meu padre Renato.
Ele tinha medo de tudo o fizesse barulho. Uma tarde, em plena festa de Agosto, hora da procissão, hora solene, o padre Renato dera o fora e ninguém sabia para onde. Os foguetes rebentavam no ar, as crianças sujavam as fatiotas novas, os festeiros suavam encasacados, os anjinhos mijavam no cetim barato das suas vestes celestes (não, não vou fazer literatura regional), só faltava o padre.
Fui eu e o meu pai, com a denúncia privada da Carlota, quem soube onde ele se escondia, enrolado no medo da tonitruante algazarra a vibrar num céu de pouca fé. Conseguimos trazê-lo, muito a custo. Suado, calado e quase a desmaiar, o homem percorreu, protegido sob o tecto do pálio, as três ou quatro ruas principais da povoação, com a cruz fantasiosa nas mãos trémulas e mais dois padres acólitos a agarrar-lhe os paramentos de luxo.
Mas sou eu que me lembro, porque fui só eu quem o viu transfigurado, tirando das teclas do piano, que não queria colaborar, os sons, numa explosão de amor sem freio, sabedor da sua natureza única, vibrante de vida cósmica, num orgasmo em delírio, para além do tempo.
Durante a semana, o padre não largava a batina e poupava nas vestes. Nenhum colega seu andava, como andam agora, de gravata, blusão ou traje de desporto. Deslocava-se numa velha moto que só lhe dava desgostos e custava a pegar nas manhãs frias…

….O padre Renato, que Deus tem certamente encostado à porta das oratórias mais arrebatadas, ensinava-me solfejo, pintura a óleo em tela natural e alguns conselhos práticos para evitar o pecado.
Dou-lhe hoje a grandeza que eu não sabia dar-lhe quando tinha só sete anos….


Comentário:

Se eu tivesse de falar do «meu padre Renato», seria obrigado a regressar à escola velha, ao ciclo preparatório e às aulas de canto coral. A viagem levar-me-ia até 63 ou 64 e quedar-se-ia por aí. Mais do que o solfejo que nos terá tentado ensinar, ou das cantigas que nos terá posto a cantar, recordo-o de apito na boca à procura do tom adequado à execução da partitura. É que, como nos dizia, não tinha ouvido e só conseguia trautear uma melodia com a presença de uma pauta. Os risos eram constantes. As reprimendas de nulo efeito. Depois de falhadas as tentativas de nos pôr a cantar, ou nos intervalos, deliciava-nos com histórias incríveis da sua própria lavra ou obtidas em fontes singulares que a memória não registou. O sucesso estava sempre garantido. Não se ouvia uma mosca durante a função. Os pedidos de novos relatos eram constantes. A anuência era imediata, com a condição de se cantar mais uma cantiguinha. «Minhas botas velhas, cardadas, / palmilhando léguas sem fim, / quanto mais velhinhas e estragadas, / quanto mais vigor sinto eu em mim!...» (de repente, veio-me esta à memória). «As aventuras do Tonecas» (parece-me ser este o nome do herói) tinham sempre mais sucesso. Recordo a batina e a motoreta do padre Renato. Descobri neste espaço os quadros e o livro que nos deixou. Desconhecia a faceta revelada pelo Armando Silva Carvalho n’ «O Livro do Meio». Fiquei com curiosidade de ler essa correspondência. Sobretudo por contar com a participação da Maria Velho da Costa, uma escritora que há muitos anos leio e releio com muito proveito e prazer.

Artur R.Gonçalves............22-07-2009

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Quem tramou… o Maximino

Vou contar uma história que se passou comigo e com o saudoso Dr. Bento Monteiro...com quem mantive amizade até à sua morte...

Eu tinha sido aluno do Dr. Bento Monteiro e debaixo da sua orientação, participei nalguns teatros e fiz parte de um grupo de jograis...
Mas a determinado momento, passei a ser aluno de história da também saudosa Dra. Deolinda...
Um dia o Dr. Bento Monteiro convidou-me para uma outra peça de teatro e eu disse-lhe que não, eu até gostava, mas o facto de morar em Óbidos era um pequeno obstáculo por causa dos transportes...
Ele não aceitou de boa vontade e disse qualquer coisa como: ainda te vais arrepender...
Eu como já não tinha aulas com ele, respondi que isso não me preocupava...
Chegou a época dos exames e do júri do exame de História fazia parte a Drº Deolinda, uma outra professora e o Dr. Bento Monteiro...
Devido ao meu nome, creio ter sido o ultimo a ser chamado para a prova oral...
Quando é chamado o meu nome, o Dr. Bento Monteiro diz para a presidente do Júri: colega, gostava de interrogar este aluno...
Eu, ao mesmo tempo que me levantava, disse entre dentes: já estou tramado.
Ao que o Dr. Bento Monteiro perguntou: o que estás a dizer?
Nada Sr. Doutor, estou a dizer que já estou preparado...
Pareceu-me que não foi isso o que disseste...e ficou por ali a troca de impressões...
Começou o interrogatória...pela Grécia e eu fui-me espalhando, mas sem me calar...
Passou à história de Roma Antiga e fui-me desenrascando...
O tempo foi passando e ele entrou a perguntar-me coisas da história contemporânea...
O pacto de Varsóvia...a NATO e coisas assim...
E eu que lia os jornais todos os dias...lá fui desfiando o que sabia...
O tempo foi passando e ultrapassado...e às tantas a Dra. Deolinda chamou-lhe a atenção para o facto de já ter acabado o tempo de prova e o Dr Bento Monteiro após mais uma pergunta...terminou por ali o exame...
Cá fora, esperava-se a colocação das pautas com as notas...
Às tantas elas foram afixadas e enquanto eu conferia o meu catorze...o Dr. Bento Monteiro passou por detrás, deu-me uma palmadinha no ombro e disse: afinal...não ficaste tramado...!!!

E eu que estava convencido que ele não tinha percebido bem...o meu desabafo inicial...

Pronto, a história não tem grande interesse, mas a culpa foi do Zé Ventura, que estava para aqui a desafiar-nos...

Um abraço
Maximino

Comentário:

Acabadinho de chegar de mais umas voltas pelas margens orientais do Atlântico Norte, muito mais para Sul do que no nosso habitat diário, impunha-se de imediato uma espreitadela (será mesmo vício?)ao nosso blog. Infelizmente neste momento atravessar o grande lago está para mim fora de questão, pois motivos familiares me impedem de o fazer. Depois os primeiros meses no ano, e este mais ainda, a crise ajudando, são um periodo em que normalmente o tempo é pouco para trabalhar, relegando «as coisas» do espirito para segundo plano.

Foram 6 dias fora do escritório, infelizmente de telemóvel sempre ON, aquilo a que nós por aqui apelidamos de «little brake», mas o suficiente para recarregar baterias.

Voltando ao tema «escola» e á força que o Artur G faz para que todos quantos por aqui aparecem nos contem um episódio qualquer, só posso ser mais uma voz a juntar à dele.

Como trinta e tais anos fora do nosso cantinho são muitos anos e honestamente, a nossa memória já apagou grande parte da vivência daqueles anos. A fluidez da escrita também já não é o que era. Para o Artur, direi que me é bem mais fácil digerir as ideias (e que ideias !!)na lingua de Victor Hugo, daquele fulano libanez (ainda não percebi se Árabe ou Cristão),que vivendo em Paris analisa de forma desassombrada o Mundo tal qual hoje se encontra.

No entanto tudo farei para que o esforço impagável do ZV seja minimamente recompensado. E como ele ainda não nos cobrou $$$ pelas horas que perde por aqui, a nossa forma de lhe agradecer será com a nossa participação no blog. Com histórias, muitas histórias. É que nenhuma delas é insignificante, amigo Maximino, e todas valem a pena serem contadas.

E será que os nossos professores eram todos «bonzinhos» como por vezes parece ou será que havia assim uns menos bons? Eu sei que os havia. Por que não lembrá-los também ? De preferência sem ferir susceptibilidades.

J.L.Reboleira Alexandre.......22-05-2009


O dr. BM continua a ser uma figura incontornável, senhor de um carisma que o tempo não ousa apagar. O episódio trouxe-me à memória todo aquele cerimonial dos exames orais que os actuais alunos do secundário nem sonham ter existido. O interesse do relato reside sobretudo na caracterização dos antagonistas em cena. A referência à super presidente do júri que, noutras ocasiões, costumava ter uma postura menos apaziguadora, permite-nos concluir que todos nós temos uma parte de «bonzinhos» e algumas outras de sinal contrário. Os professores (pobres mortais) não fogem a este desígnio da condição humana. Parabéns ao Maximino (que só conheço deste fórum) pela partilha da historieta. E que venham outras mais…

Artur R. Gonçalves......22-05-2009

terça-feira, 19 de maio de 2009

Estórias do Santo Antão

Confesso que sinto alguma frustração por não termos conseguido despertar o entusiasmo para que, além das fotografias, aparecessem estórias, em paralelo, a recordar-nos tempos idos.
Estou convicto que há por aí muito "escritor" envergonhado, que poderá enriquecer ainda mais o nosso Blog. Falta, apenas, começar ...
Três anos passados e para manter viva a esperança de não ser só eu a reviver episódios, aqui vai mais uma "historieta" (a que não assisti) e cujo diálogo não deverá corresponder "ipsis verbis", mas andará lá perto:
Dia de Santo Antão (17 de Janeiro, para os mais esquecidos).
A aula de História era a meio da tarde e o Dr. Bento Monteiro, apesar de avisado, por lá apareceu para registar, no livro de ponto, os números dos alunos faltosos, evitando a falta colectiva, que poderia ter conotações perigosas.
Ao contrário do que esperava, apareceu um jovem, compenetradíssimo do seu dever.
Quem foi aluno já está a imaginar o indicador direito do Professor apontado aos olhos e a pergunta:
- O "menino" não foi à festa?
- Não sô'tor, vim à aula.
- Grande novidade, está na sala, mas não há aula ...
- ????
- Desapareça ... vá estudar e volte no próximo dia, com os seus colegas.

Os números dos alunos faltosos não couberam no espaço a esse fim destinado e ocuparam o sítio do sumário da aula que não houve.
Vistas bem as coisas e consultados os registos, não esteve presente nenhum aluno.

Orlando Sousa Santos

Esta foto do Carlos Dias assenta que nem uma luva nesta estória que o Orlando Santos nos conta, respondendo ao apelo de uma maior participação no Blog.
A fotografia de 1967, foi tirada no Santo Antão e os intervenientes são Lourenço, Gil, Calisto, Ventura, Coutinho, Amilcar, Angelo, Orlando Silva e Cardeal.
Em baixo; Cabe, Dias, João e Purificação.

Jose Ventura

Comentário:

Caríssimos Orlando e Zé Ventura,
As imagens às vezes também precisam de algumas palavras para falarem com mais eloquência. Sempre que possível, comento as alheias, já que não mantive qualquer tipo de arquivo dos tempos da escola. Se tivesse um baú de recordações (que não tenho) estaria provavelmente vazio.
As memórias que guardo desses tempos pretéritos também não dão para contar uma história (prefiro a grafia clássica) com a mesma fluência que vocês os dois o têm feito em mais do que uma ocasião. Então fico à espera das vossas produções, para depois as poder explorar.
Que me lembre, só participei uma única vez na peregrinação do Santo Chouriço (O Santo Antão que é santo que me perdoe). Uma das etapas foi feita pela linha de comboio e a outra pela estrada nacional. Quem sabe se não terei sido um dos tais gazetistas que nesse ano não compareci às aula do Dr. BM.
Olhando para a fotografia, até sou capaz de reconhecer as figuras que então subiram ao monte sagrado para orar ao orago e de consumir um enchido de carne de porco assado em sua honra. Só não sei se nos dias de hoje reconheceria algum dos romeiros, caso nos voltássemos a cruzar nos atalhos desta vida.
Já agora, o Carlos Dias que ponha as personagens da foto a falar para instrução de todos nós. A alternativa é a de pôr os fotografados a falarem, mesmo sem o consentimento do fotógrafo-arquivista. De vez em quando lanço estes reptos, mas, devo confessar, sem grande sucesso. Depois disto tudo, talvez o recado atravesse o Atlântico Norte e desperte a atenção do nosso amigo comum ZL e o ponha também para aí a contar histórias (com ou sem agá), coisa que já não faz há muito tempo. É pena…

Artur R.Gonçalves........20-05-2009

sexta-feira, 9 de junho de 2006

A máquina dos discos



Por dez tostões, ouvia-se a música do nosso agrado, escolhendo-a de uma lista que o mostrador da máquina exibia.
O aparelho tinha um mecanismo que se deslocava para retirar o disco do seu lugar e colocá-lo no prato, para ser reproduzido. A agulha saía do seu local de repouso e pousava, devagar, sobre o vinil prensado. A partir daqui, Manfred Man, Los Bravos, Scott Mckenzie, Beatles, Bee Gees e tantos outros, faziam as nossas delícias. Era a música que pouco se ouvia na rádio e muito menos na televisão, que os nossos pais detestavam e que um professor da altura definia assim: "músicos eléctricos, desliga-se a ficha, acabou-se"!
A máquina estava instalada num café pequenino (Café Académico ?), aberto pelos pais do Mário Pinto, que detinham também o Marinto.
O Café Marinto ainda hoje existe. O Mário Pinto e os pais já não. Um acidente de automóvel numa deslocação ao norte levou-os. O Mário era meu colega de turma.
OSS
Comentários:

Talvez não, para aqueles que sempre viveram nas Caldas, mas nós que partimos daí bem cedo, há dois locais que de certa forma nos criam pele de galinha, quando entramos na cidade: o local onde vezes sem conta guardàmos a bicicleta, e mais tarde a motorizada Casal (a casa do Sr Castanheira, já falecido) e o Café Académico, onde além de todos os autores mencionados, havia uma melodia que ainda hoje é um dos meus TOPS, A Lenda de El-Rei D. Sebastião, do quarteto 1111. Quem não se lembra???
J. L. Reboleira Alexandre ..........24-10-2006

Grandes jogatanas de bilhar no Marinto.
Alfredo Justiça ..........19-01-2007
O Marinto dos meus tempos era o retiro do João M.Rosario M.Domingos que retirava a sabedoria de cada tacada do bolso direito. O certo é que resultava porque era muito bom jogador de bilhar.
Servia o Marinto tambem de fonte de inspiração para os poemas do Fanã. Quem se lembra?

Xiveve...........19-09-2009

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Canto Coral - 1961/1962

As aulas de Canto Coral eram sempre iniciadas com a história do Tonecas. Um de nós lembrava o momento que tinha ficado em suspenso na aula anterior e o Padre Renato prosseguia o relato, sem quaisquer hesitações.

A ingenuidade de quem tinha 9/10 anos levava a pensar que a história era real ou estava bem memorizada. A imaginação do Padre Renato e a vontade de nos prender a atenção fazia o resto. Era uma delícia ouvi-lo: pela história em si e por, pelo meio da mesma, surgirem chamadas de atenção sobre a forma correcta de dizer e escrever em bom português.

A iniciação musical vinha a seguir, às vezes completada com um bom ralhete a punir a desafinação.

Há alguns anos adquiri um "livrinho", modesto, editado por Renato André Ramos, Pároco de Tornada.
Chama-se Redigir correctamente e é uma grande aula de português em forma de história, tal como a do Tonecas.
Devia ser de leitura obrigatória para muita gente que por aí anda a escrever e a falar "de cátedra".

OSS

Comentário
..E as sessões de hipnotismo (só para rapazes) enquanto as meninas assistiam encantadas com aquele fazer de realidade tão "real"?

LL
..........06-06-2006
Bastante interessante a figura do Padre Renato, com aqueles óculos pequenos e redondos de aros pretos, parece que o estou a ver...
Como poderei adquirir o tal "livrinho" que tu mencionas neste texto? Já fui à Bertrand mas precisam do nome da editora, se puderes indica-o. Obrigada.

Lurdes Peça..........17-08-2006

Só hoje vi o teu comentário. O livro foi comprado na Loja 107 e era uma edição de autor. Amanhã, vou tentar passar por lá, para ver se ainda existe algum exemplar.

Orlando Santos..........31-08-2006

quinta-feira, 1 de junho de 2006

Escola nova

A Escola nova trouxe a todos - alunos, professores e funcionários - condições que não admitiam qualquer comparação com as que havia no velho edifício do Chafariz das 5 Bicas.
Salas de aula arejadas, carteiras e cadeiras novas e funcionais, laboratórios de ciências com equipamento e condições, um ginásio com chão de taco envernizado, enfim, um mimo!
Tinha apenas um defeito!
Estava lá ao fundo, à saída das Caldas, longe da Praça, da Garagem dos Capristanos, da Estação, do Parque, dos sítios onde a cidade pulsava e por onde os alunos, de quando em vez, se entretinham, nem sempre com o melhor dos comportamentos.
Por ser a época delas e ainda hoje serem fruta que muito aprecio, lembro-me de descer a praça, pedindo uma cereja a cada uma das vendedeiras. Como imaginam, já nessa época as cerejas eram como as conversas: vinha sempre mais uma ... e que bem sabiam!

OSS

quinta-feira, 25 de maio de 2006

Ano lectivo de 1965/1966

Treze anos de idade. Disciplina: Noções de Comércio

A teoria (perceber e "empinar"):

Comércio por grosso e a retalho; Técnica de Vendas; Aprovisionamento e gestão de stocks; Inventário permanente e intermitente.

A prática (o saber da experiência feito):

Os documentos comerciais: a factura, a letra, o cheque, os extractos de facturas, as guias de caminho de ferro, os documentos da Alfândega, etc.

Trabalho infantil? Sem dúvida! Útil? Naturalmente, com a companhia do Júlio Dinis, do Eça e do Camilo, da Matemática e do English, do Mon Ami Pierrot e da Física, do almoço na cantina a cinco escudos, com senha azul comprada de véspera.

OSS

domingo, 21 de maio de 2006

A máquina de escrever

Com música de fundo e o teclado tapado por um cartão debaixo do qual se colocavam as mãos, aprendia-se a escrever à máquina com todos os dedos.

A fila do meio tinha, para a mão esquerda, as letras "Q, T, D, I, N" e, para a direita, "?, X, M, L, O".

O "N" e o "O" eram pressionados com o dedo indicador em extensão, único dedo que tinha a seu cargo duas letras da mesma fila. Os polegares faziam, indistintamente, a barra de espaços, e os mindinhos as teclas de maiúsculas.

Os professores Maria do Céu e Vaz Fontes mobilizavam energias para nos convencerem da importância de aprender a escrever à máquina com todos os dedos e não a "picar", como as galinhas, diziam.
Era a busca de melhores índices de produtividade ...

Hoje escrevo no computador (com todos os dedos) e vivi a passagem da máquina de escrever ao rol das antiguidades obsoletas.

OSS

Comentário:

Não seria ?, X, M, L, U?

Maria ..........13-08-2006

terça-feira, 9 de maio de 2006

EVOLUÇÃO

Na escola velha, a suadela limpava-se à toalha ou lavava-se a cara no chafariz.
Na nova, tomava-se um "grande" banho de 5 minutos, cronometrado pelo Prof. Silva Bastos.

OSS

MÚSICA



Quantas declarações de amor eterno foram sussurradas ao som da "neve que caía" desta voz !

OSS

Comentário:

Ainda hoje perguntamos.Como é que alguém sem voz para cantar conseguiu tanto sucesso?E, no entanto, à distância de mais de 40 anos, ainda sentimos a nostalgia dessa voz.
Alfredo Justiça.......15-01-2007

segunda-feira, 8 de maio de 2006

CONTA-SE ...

A sala de aula era virada a Sul e as janelas davam para o campo de jogos dos rapazes.

- Senhor Doutor, está muito calor, posso abrir a janela?

- Ó menina "descasque-se", ponha-se à vontade, abrir a janela é que não!


OSS

Comentários:

Acredito que a história seja verdadeira. Se for aposto que o Prof. era o Sarmento, mais (ou quase só)conhecido por "Seringa" que tinha fama de ser muito suscceptível com alunas que se apresentavam mais descascadas... (há que levar em conta que estavamos nos anos 60 e que a mini saia imperava na moda.
MIM
Antiga aluna.........24-11-2006

Sem dúvida que seria o saudoso Dr. Sarmento :-)!A esta distâmcia de tempo, direi que o olhar dele para as pernocas das alunas era enternecedor... Na altura, eram favas contadas copiar-se nos testes se as cábulas fossem escritas pernas acima... Ui, que saudades!!!

Anónimo......07-01-2008

PENSAMENTOS "PROFUNDOS"

. Sem memória não há futuro

. Esconder o passado é pobreza de espírito


OSS

Comentário:

Mais uma do "Seringa".Uma menina, não interessa o nome, mais "atrevidota", meteu a mão no bolso da bata do "Seringa" e logo recebeu o "troco"... - Menina se meter mais para dentro encontra qualque coisa.

Alfredo Justiça ..........19-01-2007

A FINALIDADE

Recordar a juventude, sem saudadinhas bacocas nem conversinhas lamechas.
O que fizemos está feito e não há borracha que apague.

Decerto que, em todos nós, existem ainda hoje resquícios desses tempos!

O sorriso maroto aparece quando nos lembramos (ou nos recordam) alguns episódios pitorescos que vivemos por dentro ou sabemos terem acontecido.

São essas histórias que procuramos: cada um que recorde e as partilhe com os demais, esteja onde estiver!

A única condição é que, um dia, tenha tido o privilégio de ter sido aluno da Escola Industrial e Comercial das Caldas da Rainha.

REGRA DE OURO

Os nomes das personagens, as datas e os locais dos acontecimentos deverão ser omitidos.

OSS

A IDEIA

Surgiu no último almoço dos antigos alunos. Nestas ocasiões, o voluntarismo de uns e o lirismo de outros funciona sempre.

A ver vamos ...

OSS