A Escritora Matilde Rosa Araujo morreu hoje aos 89 anos.
O que muita gente não sabe é que esta escritora, que ficará para sempre ligada à docência e à literatura infantil, foi professora na nossa Escola nos anos cinquenta, deu aulas de Português durante dois anos.
Recorrendo a uma fotografia da Solange, provavelmente tirada numa festa da espiga, podemos ver vários professores e a poetisa Matilde Rosa Araujo, em pé no lado direito.
Em jeito de homenagem aqui fica um poema de sua autoria, publicado em 1986
Presentinho de Natal
Eu queria ter um cestinho cheio de Flores
Para tecer um xaile de muita cor, muito lindo!
E um retalhinho do Céu
Para fazer um vestido azul tão lindo!
E mais sete estrelas das mais brilhantes
Para armar um chapeuzinho de Luz!
E mais ainda dois quartinhos de Lua
Que chegassem para uns sapatos de saltos muito altos
E tudo isto, depois
Eu dava a minha Mãe
De dentro do meu coração
Neste dia de natal:
O Xailezinho de muita cor,
O Vestido azul,
O chapelinho de Luz,
Os Sapatos de saltos muito altos…
Minha Mãe! Minha Mãe!
E hoje é dia de Natal
E só posso dizer
Minha Mãe! Minha Mãe!
Matilde Rosa Araújo – O livro da Tila
Livros Horizonte,1986
(Ao mesmo tempo que elaborava este "post" recebi da Fátima Valente este mail que transformei em comentário )
Adeus MATILDE ROSA ARAÚJO...
Partiu hoje mais um grande vulto das nossa Letras!
Já partilhei isto convosco há meses, mas permitam-me que o recorde uma vez mais: num determinado dia dos finais do ano de 1974,
fazia eu uma visita à Drª Maria Xavier quando, em sua casa, conheci pessoalmente a Drª Matilde Rosa Araújo, que a visitava igualmente.
Logo me pareceu uma pessoa encantadora!
Sei que chegou a ser professora aqui na nossa cidade e creio, não o posso assegurar, que a grande ligação que ambas mantinham entre
si provinha precisamente dessa época.
Deixou-nos vasta obra, essencialmente dedicada aos mais pequenos.
Paz à sua alma!
Em jeito de homenagem, recordemos este poema:
Berlinde
Era uma vez uma pomba
Sem um ninho, sem um pombal,
Era branca como a Lua
E os seus olhos de cristal.
Era uma vez uma pomba
Que não sabia chorar:
O seu choro trrru… trrru…
Era um modo de cantar.
Era uma vez uma pomba
Que noite e dia voava:
Fosse noite, fosse dia,
Nunca a pomba descansava.
Era uma vez uma pomba
Que nos céus, longe, voava,
Seu coração um berlinde
Grande segredo guardava.
Era uma pomba tão estranha
Que voava noite e dia:
Quanto mais alto voava
Mais da terra ela se via.
Era uma vez uma pomba
Com penas de seda real:
Era uma pomba do Mundo
Com seus olhos de cristal.
Seu coração um berlinde
De vidros de sete cores,
Que do sol tinha o brilhar,
Um espelhinho de mil flores.
Um dia longe nos céus,
Viu um menino a chorar
Sentadinho sobre um monte,
Numa noite de nevar.
Não era branco nem negro
Assim na neve o menino,
Seu chorar era triste,
Tornava-o mais pequenino.
E a pomba logo o viu
Com seus olhos de cristal:
Logo desceu para o monte
– Era aquele o seu pombal.
Poisou nas mãos do menino
Com seu corpo, seu calor:
Mãos por debaixo da neve,
Ninguém lhes sabia a cor.
Dorme, dorme, meu menino…
Branco ou negro tanto faz:
Meu coração é um berlinde,
Tem o segredo da Paz.
E o menino já ria,
Podia dormir sem medo,
Sonhava com o berlinde,
Coração feito brinquedo.
Há quem diga que uma estrela
Fugiu do céu a correr,
Atravessou todo o mundo
Para o segredo dizer.
Escutaram-na os meninos,
Têm um berlinde na mão:
Seja noite de Natal,
Seja noite de S.João.
Paz à sua alma...é interessante que quando ouvi a notícia, o nome me suou algo familiar...deve ter sido essa a razão..: a ligação à nossa Escola...!!!
Vamo-nos uns atrás dos outros, de cada um...fica o que de positivo possa ter feito pelos outros...!!!
Às vezes coisas que parecem até insignificantes, conjuntamente com a Amizade...mas é o que perdurará na memória dos que ficam...!!!
Cada vez mais orgulhoso por ter tido a ventura (também de ti Zé...!) de ter sido acolhido pelo mesmo telhado que tão ilustres professores e colegas...mesmo que alguns de nós(a maioria...), não tenhamos saído da penumbra do anon imato...!!!
Um abraço para toda a Familia Bordalo...!!!
Maximino.........07-07-2010
....Foi minha professora de Francês na Escola Industrial e Comercial das Caldas da Rainha, em 1954/5. Recordo-a com saudade porque pertence àquela meia dúzia de mestres que nos marcam para a vida.
Para ler texto completo (Clique aqui)
Carlos Cruz..........07-07-2010
MATILDE ROSA ARAÚJO
Escritora, professora, poetisa e...
simplesmente HUMANA
Tive o privilégio de me cruzar com esta grande SENHORA, no princípio da década de 50.
Foi minha professora de português, quando da sua passagem pela nossa Escola.
Nunca ouvimos nas aulas um tom de voz mais exaltado. Resolvia todos os problemas com uma tranquilidade invulgar. Até os colegas mais "reguilas" se deixavam influenciar positivamente.
Só quem privou com esta grande SENHORA, pode avaliar da serenidade e paz que nos incutia. Passados tantos anos, ainda recordo com saudade e transmito aos meus netos este exemplo de vida.
QUE A PAZ QUE DISTRIBUIU PELA TERRA.... A ACOMPANHE ONDE QUER QUE ESTEJA.
Mário Reis Capinha.........07-07-2010
Tenho dado voltas à cabeça e não me consigo lembrar da Dra. Matilde Rosa Araújo embora tivesse sido dos meus anos de escola. A Dr. M.Xavier foi minha professora de Língua História Pátria e ficou-me sempre na memória.
Da foto que a Solange guardou estão muitas alunas que nunca entraram no blogue.Sei o nome de algumas e pelo menos 5 ou 6 já não fazem parte deste mundo materialista. Estejam todos em paz.
Chaves..........07-07-2010
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terça-feira, 6 de julho de 2010
Matilde Rosa Araujo
domingo, 30 de maio de 2010
Um dia de recordações
Do blog http://xxcomissaoeicl.blogspot.com/ fui "roubar" este poema, porque ilustra bem o que foi o 17º Encontro do Antigos Alunos da Escola. 
Conversas num dia de recordações
Juntaram-se companheiros de outrora
Porque agora já ninguém cora
Das recordações do passado
Quantos se terão enamorado
A quantas listas pertenceram
Alguns quase adoeceram
Foram os amores não correspondidos
Havia uns mais destemidos
Outros muito encolhidos
Se viam o outro sexo aproximar
Punham-se logo a tremelicar
Passadas dezenas de anos
Muitos, com muitos desenganos
Por quem do coração sofreu
Porque também a dor conheceu
Tantos que alegres continuam
Tantos mais que com seus amores amuam
Lá vão contando as suas estórias
Guardadas no canto das memórias
Aqui nas mesas reunidos
Recordam momentos mais ou menos queridos
Aqui numa mesa ao lado
Onde o companheiro já esquinado
Diz prá companheira matrona
Lembras-te daquela louraça
Quando passava na praça
Todos lhe chamavam boazona?
Então e aquele já careca
Namora aquela boneca
Que tem os olhos azulados
Punha os rapazes empretigados
Foi das primeiras a usar calças
E vestidos com alças
Tinha a mania que era boa
E o namorado, deixou-a
Aquela calmeirona lá do fundo
Metia-se com todo o mundo
Só procurava os rapazes
Casou lá com um doutor
Parece que ainda foi pior
Não conseguiram fazer as pazes
Foi um para cada lado
Aquilo foi o caldo entornado
Ai meu Deus, quem está aqui à nossa direita
Ela estava sempre à espreita
Pela janela dos sanitários
Fazia piretes ordinários
Aos putos que jogavam à bola
Depois, dava logo à "sola"
Quando aparecia a empregada
Ralhava com quem espreitava
Olha ali aquele fulano
Se eu não me engano
Ainda foi da minha turma
Mudou para a escola nocturna
Era dos mais belos "borrachinhos"
Fazia-me cá uns olhinhos
Olhava prá minha "peitaça"
Ficava "derretida", sem graça
Noutra conversa animada
Alguém relembra a palmada
Que a Carlita deu ao Luis
Ficou a sangrar do nariz
Ainda foi lisonjeiro
Apalpou-lhe o belo traseiro
Foi "parar" ao Director
Mas agora também é doutor
Olha, aquela tipa está ali!
Nem sei a última vez que a vi
Coitada, nem mamas tinha
Andava sempre de gatinha
Quando fazia ginástica
Dizem que fez uma plástica
É pra ficar mais vistosa
Parece mesmo uma "mula" gulosa!

Afinal, aqueles sempre casaram
Os pais é que não deixaram
Que eles namorassem tão cedo
Dos contínuos tinham medo
Mas eles eram tão meiguinhos
Pareciam dois passarinhos
Estavam-se sempre a apalpar
Olhem, fartaram-se de gozar
Aqueles dois, eram uns malcriados
Com cabelos abrilhantados
Eram cá uns gozões
Mal entravamos nos portões
Começavam logo a provocar
Queriam todas namorar
Cambada de galdérios
Muito pouco tinham de sérios
Aquela alí, era da Formação Feminina
Ainda era menina
Queria ser cozinheira
Ou habilidosa bordadeira
Era a professora D. Manuela
Que se punha atrás dela
Se ela queimasse o refogado
Tinha logo o caldo entornado
Nós do Comércio, éramos da "fina flor"
Está aqui muito doutor
Pela escola se terá formado
Está ali um que é o diabo
Quase não liga a ninguém
Ele nem sequer cá vem
às vezes ainda para mim sorri
Eu, faço de conta que nunca o vi
E os cursos industriais
Aprenderam profissões vitais
Pró desenvolvimento da Nação
Andavam de fato de macaco
Feito de pano barato
Tapando o coração
Quando olhavam para aquela janela
Saía logo uma assobiadela
Então e os nossos contínuos
Tinham uma farda de finos
Mal se riam prá a gente
Nunca mostravam o dente
Traziam-nos aperreados
Subíamos as escadas separados
Não fosse o diabo tecê-las
Raparigas com rapazes, nem vê-las
E os nossos S'tores
Tinham que ser cumpridores
Deles, queríamos notas altas
E que dessem muitas faltas
Nunca havia tempo prá brincadeira
Era o Doutor Malheiro do Vale
Pondo ordem no maralhal
Quando espreitavam junto á soleira
Estão aqui, muitos amigos reunidos
Já todos muito crescidos
Arquitectos, engenheiros, doutores
Quiçá, professores e alguns senhores priores
Comerciantes e industriais
E outros com profissões desiguais
Alguns sem dentes nem cabelo
De muletas e branco pêlo
Gente menos má e gente boa
Uns menos ricos e outros ganhando à toa
Pressinto que não estarão aqui pessoas más
Contribuindo para que este mundo seja de Paz.
Porque agora já ninguém cora
Das recordações do passado
Quantos se terão enamorado
A quantas listas pertenceram
Alguns quase adoeceram
Foram os amores não correspondidos
Havia uns mais destemidos
Outros muito encolhidos

Se viam o outro sexo aproximar
Punham-se logo a tremelicar
Passadas dezenas de anos
Muitos, com muitos desenganos
Por quem do coração sofreu
Porque também a dor conheceu
Tantos que alegres continuam
Tantos mais que com seus amores amuam
Lá vão contando as suas estórias
Guardadas no canto das memórias
Aqui nas mesas reunidos
Recordam momentos mais ou menos queridos

Aqui numa mesa ao lado
Onde o companheiro já esquinado
Diz prá companheira matrona
Lembras-te daquela louraça
Quando passava na praça
Todos lhe chamavam boazona?
Então e aquele já careca
Namora aquela boneca
Que tem os olhos azulados
Punha os rapazes empretigados

Foi das primeiras a usar calças
E vestidos com alças
Tinha a mania que era boa
E o namorado, deixou-a
Aquela calmeirona lá do fundo
Metia-se com todo o mundo
Só procurava os rapazes
Casou lá com um doutor
Parece que ainda foi pior
Não conseguiram fazer as pazes
Foi um para cada lado

Aquilo foi o caldo entornado
Ai meu Deus, quem está aqui à nossa direita
Ela estava sempre à espreita
Pela janela dos sanitários
Fazia piretes ordinários
Aos putos que jogavam à bola
Depois, dava logo à "sola"
Quando aparecia a empregada
Ralhava com quem espreitava
Olha ali aquele fulano

Se eu não me engano
Ainda foi da minha turma
Mudou para a escola nocturna
Era dos mais belos "borrachinhos"
Fazia-me cá uns olhinhos
Olhava prá minha "peitaça"
Ficava "derretida", sem graça
Noutra conversa animada
Alguém relembra a palmada
Que a Carlita deu ao Luis
Ficou a sangrar do nariz

Ainda foi lisonjeiro
Apalpou-lhe o belo traseiro
Foi "parar" ao Director
Mas agora também é doutor
Olha, aquela tipa está ali!
Nem sei a última vez que a vi
Coitada, nem mamas tinha
Andava sempre de gatinha
Quando fazia ginástica
Dizem que fez uma plástica
É pra ficar mais vistosa
Parece mesmo uma "mula" gulosa!

Afinal, aqueles sempre casaram
Os pais é que não deixaram
Que eles namorassem tão cedo
Dos contínuos tinham medo
Mas eles eram tão meiguinhos
Pareciam dois passarinhos
Estavam-se sempre a apalpar
Olhem, fartaram-se de gozar
Aqueles dois, eram uns malcriados
Com cabelos abrilhantados
Eram cá uns gozões

Mal entravamos nos portões
Começavam logo a provocar
Queriam todas namorar
Cambada de galdérios
Muito pouco tinham de sérios
Aquela alí, era da Formação Feminina
Ainda era menina
Queria ser cozinheira
Ou habilidosa bordadeira
Era a professora D. Manuela
Que se punha atrás dela
Se ela queimasse o refogado

Tinha logo o caldo entornado
Nós do Comércio, éramos da "fina flor"
Está aqui muito doutor
Pela escola se terá formado
Está ali um que é o diabo
Quase não liga a ninguém
Ele nem sequer cá vem
às vezes ainda para mim sorri
Eu, faço de conta que nunca o vi
E os cursos industriais
Aprenderam profissões vitais

Pró desenvolvimento da Nação
Andavam de fato de macaco
Feito de pano barato
Tapando o coração
Quando olhavam para aquela janela
Saía logo uma assobiadela
Então e os nossos contínuos
Tinham uma farda de finos
Mal se riam prá a gente
Nunca mostravam o dente
Traziam-nos aperreados
Subíamos as escadas separados

Não fosse o diabo tecê-las
Raparigas com rapazes, nem vê-las
E os nossos S'tores
Tinham que ser cumpridores
Deles, queríamos notas altas
E que dessem muitas faltas
Nunca havia tempo prá brincadeira
Era o Doutor Malheiro do Vale
Pondo ordem no maralhal
Quando espreitavam junto á soleira
Estão aqui, muitos amigos reunidos

Já todos muito crescidos
Arquitectos, engenheiros, doutores
Quiçá, professores e alguns senhores priores
Comerciantes e industriais
E outros com profissões desiguais
Alguns sem dentes nem cabelo
De muletas e branco pêlo
Gente menos má e gente boa
Uns menos ricos e outros ganhando à toa
Pressinto que não estarão aqui pessoas más
Contribuindo para que este mundo seja de Paz.
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