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domingo, 26 de maio de 2013

Um olhar sobre o 20º Encontro

Olá Zé Ventura!
Já passaram mais de 15 dias, sobre o 20º encontro, que para mim, superou os anteriores. Por isso não me canso de falar constantemente desse memorável dia. Ontem estive a ver o vídeo no Blogue, e hoje escrevinhei aqui umas linhas acerca das conversas tidas com os amigos que estavam na minha mesa e na contígua. Dei-lhe o título de "Saudosismo". Como o Blogue tem andado muito vazio de comentários, se vires que isto tem algum interesse dá-lhe o caminho que entenderes.

Saudosismo
Neste 20º encontro convívio, além dos companheiros de mesa de anos anteriores, desta vez juntaram-se outros amigos já conhecidos de longa data. Como o grupo era grande, ocupámos duas mesas contíguas. Todos nós, com pequenas diferenças de idade, vivemos a nossa juventude na segunda metade dos anos 50 ou início de 60. Assim, nesse sábado 4 de Maio, antes, durante, e depois do almoço, foi um nunca mais acabar de histórias vividas nesses anos. Cada um à sua maneira, todos nos considerámos felizes. Uns, mais do que outros, porque a felicidade, quer queiramos ou não, é indissociável dos meios económicos de cada um. Como se falou muito do passado, perguntei se eram saudosistas. Todos responderam que sim, que eram saudosistas porque tinham saudades dos bons momentos vividos na sua infância, adolescência e juventude. Também sou saudosista acrescentei. Sou saudosista porque tenho saudades do companheirismo vivido entre os dezoito e os vinte e poucos anos. Contudo, como é óbvio, não tenho saudades das vicissitudes  anteriores, o que não quer dizer que as tenha esquecido.
Tenho saudades dos companheiros de escola, da amizade dos vizinhos, do convívio entre as famílias que ao domingo frequentavam os cafés da nossa cidade. Tenho saudades do Invicta, do Central, do Bocage, do Lusitano, e da esplanada do Parque na época de verão. Tenho saudades do “picadeiro” no Parque durante o verão e na Praça da Fruta aos Domingos no inverno após a saída das matinés. Tenho saudades do Pinheiro Chagas e do Salão Ibéria. Tenho saudades dos barcos do Lago e da Banda Comércio e Indústria no Coreto do Parque. Tenho saudades daqueles domingos de verão, a viajar como “sardinha em lata” nas camionetas dos Capristanos para a Foz do Arelho, ou no comboio, para Salir e S. Martinho do Porto. Tenho saudades dos bailes no Lisbonense e das verbenas dos Santos Populares do Bairro da Ponte. Tenho saudades da Feira do 15 de Agosto no Borlão. Do Carrossel “A Selva” (uma voltinha para a menina Carolina, outra voltareta para a menina Julieta ou outra voltarela para a menina Gabriela) das pistas de automóveis elétricos, dos Circos Mariano e  Arriola Paramés e do Poço da Morte. Tenho saudades das Festas de Tornada, da Serra do Bouro, do Campo, do Imaginário, da Senhora da Luz, do Santo Antão de Óbidos, da Foz do Arelho, e do Nadadouro, onde o padre só permitia danças de homens com homens e mulheres com mulheres porque o Coreto onde tocava a música estava situado em frente da Igreja! Parece anedota mas não é, porque eu estive lá e vi. Tenho saudades do C.C.C Clube Cénico Caldense e do Sporting Clube das Caldas. Tenho saudades dos acampamentos no Pinhal da Foz, e nas Dunas de Salir ou S. Martinho do Porto Tenho saudades dos bailes de garagem e de aniversário em casa de amigos, onde se dançava  ao som dum gira-discos de 33 r.p.m. Tenho saudades daquele verão em que um grupo de moças da Foz organizou quatro ou cinco bailes em garagens emprestadas. Garagens cujas portas foram sucessivamente apedrejadas pelos rapazes da Foz, até ao dia (neste caso a noite), em que o baile terminou com uma cena de pancadaria, ficando a "malta" das Caldas muito mal no "filme"! Aquele final de verão ficou para a história!

Por isso, e por muito mais, ainda hoje tenho saudades das raparigas da Foz. Quando por lá passo, é com alguma nostalgia que os meus olhos se fixam naquela casa de cor azul bastante desbotado.

Era naquela casa que morava  a Gabriela!

Tenho saudades! Tenho saudades! Tenho saudades!

Fernando Santos

domingo, 16 de dezembro de 2012

A Escola Primária

O João Ricardo, ou Balé como era conhecido pela malta da Escola, não pára de nos surpreender.
Então não é que o Rapaz, além de bom Guarda-Redes, até escreve bem.
Pois bem o Ricardo conta-nos como foi a sua entrada para a Escola Primária.
Para ilustrar o texto vem a propósito uma imagem do diploma de outro amigo da Escola, o Gandaio, que lá no Montijo, onde reside, acompanha o Blog mas tem sido muito pouco participativo.


A Escola Primária

No dia sete de Outubro como era regra nesse tempo, no ano de 1958, exactamente no dia em que fiz sete anos, iniciei o meu percurso escolar, na escola primária do Carvalhal, que distava cerca de cinquenta metros de minha casa. Era um privilegiado, pois os transportes escolares dessa época eram as pernas, morassem os alunos perto ou longe, chovesse ou fizesse sol.
Sem dúvida a Instrução Primária foi uma fase muito importante no meu percurso formativo. Não só pelos conhecimentos adquiridos, embora nesse tempo o grau de exigência fosse muito superior ao actual, mas essencialmente pela aprendizagem dos valores que devem nortear toda a nossa vida. É nesses quatro anos que, em complemento com a nossa vivência familiar, começamos a ser moldados, “formatados” e preparados (ou não), para enfrentar todos os desafios que a vida venha a colocar nos nossos caminhos. É aqui que começamos a saber o significado de muitas palavras cujo sentido devemos utilizar em muitas situações do nosso dia-a-dia. É aqui que começamos a conviver, a aprender, a fazer amigos, a partilhar, a aprender o significado de palavras tão simples como o sim e o não. 
Com um belo aspecto exterior, pois tinha sido inaugurada há meia dúzia de anos, a escola primária do Carvalhal, era como depois vim a saber igual a tantas outras, de norte a sul do país. Um quadro negro com giz e apagador, o mapa de Portugal Continental e das então províncias ultramarinas, os retratos de Salazar e de Américo Tomaz e um crucifixo símbolo da religião católica – não conhecia outra – eram decoração obrigatória das paredes. Carteiras duplas de tampo inclinado e com tinteiro encaixado que era para molhar os aparos das canetas então usadas, a secretária do professor/a e um globo com o mapa-mundo, completavam o mobiliário da sala de aula que era antecedida pelo vestiário onde ficavam as batas brancas usadas durante as aulas e os agasalhos (de quem os tinha) no inverno. Do material individual fazia parte uma lousa ou ardósia de xisto negro onde se escrevia (riscava) com um ponteiro do mesmo material e um apagador de tecido, uma caneta de aparo, lápis “Viarco”, uma borracha para apagar lápis outra para a tinta, que se manuseada com pouco cuidado furava o papel, e cadernos – entre os quais um de duas linhas – cujas capas eram aproveitadas pelo regime para fazer propaganda política, através de desenhos, exaltando a Mocidade Portuguesa, ou acontecimentos que o Estado Novo queria realçar.
A entrada na 1ª classe foi o primeiro, mas não o mais marcante choque da minha vida. Uma nova vivência, novos colegas, nova disciplina a convivência diária com rapazes bastante mais velhos, pois era frequente, devido aos chumbos, haver na quarta classe alunos com 14 e 15 anos e a sala era única para as quatro classes. Com raparigas é que não havia misturas embora a escola fosse mista. Rapazes de um lado, raparigas do outro.
Com uma acentuada exigência na aprendizagem mas também no comportamento e na disciplina – a régua, a palmatória e a cana-da-índia faziam parte do material pedagógico – o ensino, embora fosse apenas uma professora/educadora para as quatro classes, era tanto quanto possível individualizado dando a cada aluno a possibilidade de expressar o seu grau de aprendizagem. Claro que hoje é legítimo questionar o tipo de programa escolar então leccionado. Os rios e seus afluentes, as linhas de caminho-de-ferro, suas estações e apeadeiros, são apenas alguma matéria que pode ser considerada supérflua, mas que tinha de estar na ponta da língua. Mas também tinha que se escrever bom português, sem erros ortográficos, a tabuada tinha de ser “cantada” de cor e salteada de trás para a frente e da frente para trás, e tínhamos de resolver problemas já com elevado grau de dificuldade. Saíamos preparados para o patamar de ensino seguinte ou para a vida profissional que era o destino de muitos colegas quando acabavam o ensino obrigatório.
Havia dentro do recinto em frente à escola, um pequeno terreno onde eram feitos quatro canteiros. Cada um deles era destinado a uma das classes que tinha que o amanhar e decorar a seu gosto. Ou com flores, ou com hortícolas ou com ambas, ficava ao critério dos alunos. Já obrigava a um trabalho de grupo, com discussão e debate de opiniões até se chegar a consenso, ou na falta dele, a respeitar a vontade da maioria.
Em contraste com os tempos atuais era uma época em que os professores eram respeitados e a quem os pais na sua maioria entregavam com total confiança o ensino e como que delegavam a educação de seus filhos.
Aqui fiz o meu percurso escolar básico (4ª classe) e me preparei para o Exame de Admissão que me deu acesso ao patamar seguinte do ensino, que na altura tinha duas vias. O colégio que tinha um ensino mais abrangente, mais vocacionado para quem pretendia seguir o ensino superior, ou a escola preparatória e secundária que nos dava um ensino mais técnico e prático. Optei pela segunda hipótese, fazendo os dois anos de Ciclo Preparatório na Escola Rafael Bordalo Pinheiro (escola velha) a funcionar então por trás do chafariz das cinco bicas (onde se realizava a praxe com o baptismo dos caloiros), nas atuais instalações dos serviços administrativos do Hospital Central de Caldas da Rainha.

João Ricardo

Comentários:

Nos meus 2 anos de Ciclo havia um colega lá dos lados do Bombarral que se chamava João Manuel Gomes Ricardo. Não duvido que seja o mesmo, já a alcunha de Balé me era desconhecida. Penso ainda que tinha algum jeito para a bola e fez parte duma famosa (na zona claro)equipa de juniores do CSC. As memórias do Ricardo, são um pouco as nossas memórias. Só nunca recebi o meu diploma da Primária nem nunca plantei flores no recreio da escola. Havia coisas «mais interessantes» para fazer. Já o fiz no FB, mas acrescento aqui. Um belo texto, onde as memórias deste antigo colega, saiem com fluidez e aparente facilidade. Abraço do Canadá.

J.L.Reboleira Alexandre...........16-12-2012

Gostaria de agradecer ao João Ricardo este belo texto que reflete certamente as memórias de todos nós, quando entrámos pela primeira vez na escola primária, salvo raras excepções como por exemplo quem morava na cidade.
No meu caso pessoal, morava na rua Formosa, próximo dos prédios do Viola.
O meu pai levou-me na bicicleta até à escola do Bairro da Ponte.
Quando lá chegámos ele disse-me: Olha meu rapaz, é aqui que vais aprender a ser homem. Desenrásca-te porque a partir de amanhã começas a vir sózinho para a escola. E foi o que aconteceu, todos os dias ía a pé para a escola.
No entanto devo de esclarecer que eu já tinha quase 8 anos de idade.
Isto devido a uma lei estúpida do Salazar, que determinava que quem fizesse 7 anos depois de Setembro, só entraria para a escola no ano seguinte.
Como o meu aniversário é em Dezembro, não tive outro remédio senão andar mais um ano a brincar com uma bola de trapos antes de aprender o B+A=BA
Aproveito para deixar aqui um reconhecimento muito especial ao sr professor Albino (que mais tarde foi presidente da câmara de Óbidos) pois foi ele que me ensinou a ler, escrever e a compreender os algarismos.
Todos os outros professores que tive a seguir, apenas desenvolveram as sólidas bases que este professor conseguiu meter na minha cabeça.
Permitam-me que vos deseje um Santo e Feliz Natal a todos os frequentadores deste blog, em especial ao Zé Ventura, que tem feito um trabalho extraordinário para manter bem vivo o interesse destas páginas
Um grande abraço daqui do Canadá.

Faustino Rosário............23-12-2012

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Ricardo finalista de 1970

Sou visitante regular do Blog na nossa Escola onde vou mitigando saudades dos bons tempos da nossa vivência na Escola que nos anos sessenta ajudou a preparar o nosso futuro.
Fiquei hoje com a triste sensação que a participação de ex-alunos está cada vez mais escassa. O que é uma pena. Não tenho moral para criticar porque nunca colaborei.
Entendo no entanto que nunca é tarde. Por isso aqui envio a minha colaboração.
Uma da equipa de volei do 3º Serralheiros campeã inter- turmas do ano letivo 69/70 e outra tirada no parque com o Xico Vital.
Envio também um texto que não tendo relação com a nossa Escola tem no entanto a ver com o ensino atual.
Um grande abraço
Ricardo

Carta aberta ao Dr. Miguel Relvas

Exmo. Senhor,
Dirijo-me respeitosamente a V.ª Ex.ª a fim de lhe pedir alguns conselhos.
Tenho 60 anos, estou desempregado e tenho como habilitações literárias o Curso de Formação de Serralheiros, tirado na Escola Industrial e Comercial de Caldas da Rainha, o que atualmente me dá a equivalência ao 11.º ano. Esta situação de desemprego levou-me à frequência do RVCC Ensino Secundário, no âmbito do Programa Novas Oportunidades, que o governo de V.ª Ex.ª pretende extinguir. Tendo terminado este processo com sucesso, digo com toda a justeza que possuo agora o 12.º ano. 
Tendo, por acaso, tomado conhecimento através da comunicação social de que o Senhor “frequentou” um programa idêntico para adquirir (ou comprar?) o seu doutoramento, surgem-me algumas questões que gostaria de ver esclarecidas. Será que o meu caso também reúne as condições necessárias para me candidatar a um Curso Superior, nas mesmas condições? Ou será que já não vou a tempo? Ou haverá ainda alguns amigos para se servirem da lei que o permite?
Tenho uma experiência de vida dez anos mais longa que a sua, vários anos de cargos de direção de coletividades de cultura e recreio (não é folclore) e até de uma coletividade de cariz religioso (provavelmente a Católica dar-me-á mais uns créditos). Só que não sou maçom nem político nem passei por JOTA de partido nenhum. Será que alguma destas condições é prioritária?
Temos, porém, algo em comum. Ambos regressámos de Angola em 1974. Só que eu regressei de uma comissão de serviço militar, na qual servi o meu País como Alferes Miliciano “COMANDO” (mais alguns créditos! ou descréditos?).
Quando tenho o desgosto de o ver na TV, com o seu sorriso cínico a dizer que no seu processo foi “tudo legal”, apetece-me perguntar-lhe: e a sua moral onde fica? Será que consegue dormir de consciência tranquila?
É que se o senhor tivesse tido a hombridade de se demitir assim que o caso foi tornado público, talvez o descrédito não tivesse passado tanto para o estrangeiro e tivesse ficado mais por aqui, pelo nosso cantinho Lusitano, que já estamos conscientes e insensíveis a mais um caso que nos confirma a pobre qualidade de alguns novos políticos que nos governam.
Todos sabemos que o Senhor até nem precisa do ordenado que aufere como Ministro, pois os 12 anos que trabalhou arduamente como deputado (juiz em causa própria não será anticonstitucional?) na nossa triste A. R. deram-lhe inquestionavelmente o direito a uma mísera pensão vitalícia de 2800 € mensais, além de que, quando deixar o Governo, (esperamos que seja em breve) já terá à sua espera um cargozito na administração de uma qualquer empresa pública, ou numa dessas PPPs que os Senhores iam reavaliar para reduzir despesas, mas que provavelmente por falta de tempo (ou haverá outros motivos?) ainda não o fizeram.
Até porque o seu riquíssimo percurso universitário lhe confere sapiência e competências para desempenhar com distinção qualquer cargo em qualquer área.
Já agora permita-me uma sugestão! Por que não criar uma dessas Fundações particulares subsidiadas pelo Estado? (todos nós). Também tem esse direito! Será mais uma hipótese de continuar a servir (-se) honrosamente (d)o País que tantas benesses lhe dá. 
Aguardo, como milhões de Portugueses, uma resposta a esta carta que, esperamos, seja no mínimo, a sua demissão.

Com desrespeito, subscrevo-me.

João Ricardo

P. S. – O seu amigo Doutor Pedro Passos Coelho não merece a maldade que o Sr. lhe está a fazer! Ou merece?

Comentário:

Olá Ricardo!
Eu também ando triste pela falta de colaboração dos antigos alunos (vê o meu comentário do passado dia 11), pois foi neste blogue, que, não só reencontrei alguns amigos que andavam perdidos há largos anos, como também tem sido aqui que conheci e fiz novos amigos.
A tua carta aberta ao ministro poderá não ter nada a ver com a Escola, contudo, na minha perspetiva, ela demonstra que escreves bastante bem. Por isso creio que não seria difícil através do teu contributo, "repescares" alguns dos nossos amigos que se passaram para o Facebook.
Com um abraço, fica a esperança de um dia nos virmos a conhecer.


Fernando Santos..............22-11-2012

Normalmente visito o saite sem comentar mas, esta carta aberta de facto merece o meu aplauso. E que tal transformá-la num abaixo assinado? eu subscravo!

Anónimo..............28-11-2012
 

domingo, 12 de agosto de 2012

As férias do Faustino Rosário - 2ª parte

Além do "comboio dos banhos" havia outros meios de transporte muito utilizados que eram a "camineta dos Capristanos" e os burros.
Antes de chegar à estação de São Martinho do Porto, o comboio parava também no apeadeiro de Salir do Porto. Esse apeadeiro não tinha condições nenhumas para as pessoas que saíam das carruagens pois o último degrau ficava muito alto em relação ao chão. Felizmente que as pessoas ajudavam-se umas às outras para evitar acidentes. Depois de sairem do comboio, as pessoas afastavam-se um pouco para que o comboio pudesse repartir, e então era ver todo aquele gentio a atravessar a linha, com os seus cestos de farneis sem esquecer os respectivos "palhinhas" que era um garrafão de 5 litros, normalmente cheio de vinho tinto. A maioria das pessoas que ficavam para a praia de Salir do Porto, tinham como objectivo principal irem até à "Pocinha" que era uma nascente de água doce que ficava junto às ruinas de uma antiga alfandega. Essa água tinha fama de ter propriedades medicinais, e quando a maré estava baixa formava uma poça de água, no meio das pedras, onde especialmente os homens com as ceroulas arregaçadas molhavam o corpo nesse pequeno espaço. Os "palhinnhas" depois de consumida a pinga, eram novamente cheios com essa água, para levarem para as respectivas moradias. Não sei se a bebiam, ou se era apenas para lavarem partes do corpo que estivesem doentes.
Quanto aos burros, o "parque de estacionamento" era nas pequenas dunas entre São Martinho do Porto e Salir.
Certa vez, o sr Jaime alfaiate (personagem já aqui recordado no tema os Prédios do Viola) que tinha a mania da pesca, sugeriu que fossemos acampar num local muito sossegado que ficava nas trazeiras das dunas de Salir, mas junto ao mar, ou seja em frente à praia de Santo António, que infelizmente hoje não existe porque depois de de passar o tunel, é só pedras.
Nós eramos 3 grupos incluindo o sr Jaime. Descemos no apeadeiro de Salir, e lá fomos nós com a "tralha" toda às costas, subimos a grande duna de Salir com certa dificuldade, e depois de descermos na outra encosta, chegámos ao nosso destino. De facto o local era muito bonito, até tinha umas pequenas árvores que faziam sombra. O problema é que de noite, se não fossem tomadas certas medidas, eramos comidos pelos inúmeros bandos de mosquitos que impestavam aquela zona. Mas o sr Jaime, tinha a solução para este caso.
Fomos ao "parque de estacionamento dos burros" e enchemos um saco com as "cagalhotas" desses animais. Quando a noite se aproximava, fizemos uma fogueira na frente de cada tenda e depois de bem ateadas, colocámos uma boa quantidade de "cagalhotas" que originava uma densa fumarada, afastando assim os mosquitos.
O cheiro não era muito agradável, mas posso garantir que nenhum mosquito entrou dentro das tendas.
Em resumo, posso afirmar que nessa época, as condições não eram talvez as melhores, mas ninguém tenha dúvidas... éramos muito felizes.
Um grande abraço com votos de boas férias.
Faustino Rosário


Comentário:

Na primeira parte de "As férias do Faustino do Rosário", o amigo Mário Capinha teceu um comentário com o qual estou totalmente de acordo. Finalizava, dizendo que não devemos ter vergonha do passado. Esperei pela 2ª parte e quero dar os parabéns ao Faustino pelas histórias que aqui nos trouxe. São memórias dum passado não muito longínquo que grande parte de nós viveu. “Os abastados e os tesos em S. Martinho, as criadas, a rua dos cafézes, as máquinas a vapor, o comboio dos banhos, a camineta dos Capristanos, o estacionamento dos burros, os palhinhas de 5 litros, e até a utilidade das cagalhotas”! Por tudo isto eu passei e não me envergonho de dizer que em 1948 vivia numa casa da rua da ilha situada num pátio que às segundas-feiras servia de “garagem” para burros, e que estes como é natural por lá deixavam muitas das tais “cagalhotas”.
A maioria de nós não nasceu em berço de ouro, mas éramos tão felizes… Não é verdade Faustino?
Um abraço, e venham daí mais histórias.


Fernando Santos……………..Olhão........13-08-2012

Fartei-me de rir com esta artigo do Faustino!!! Sào artigos como este que nos fazem bem à alma!! benditos os SIMPLES, pois deles será o reino dos céus!!!

Ana Reis.............14-08-2012

Reparem como o Faustino nos seus comentários, tão bem retrata o espírito de camaradagem na época.
Apesar de todos os condicionalismos, as pessoas viviam felizes. Nada melhor para darmos valor ao pouco que temos, do que pensar no muito que não tivemos.
Um abraço de boas férias:

Mário Reis Capinha, 15.08.2012

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

As férias da Lurdes Peça


Também eu! Passei muitas férias grandes em S. Martinho do Porto, primeiro lugar que eu me lembro de acampar com os meus pais e o meu irmão, com uma tenda feita pelo meu pai, grande impulsionador da vida ao ar livre e proporcionar aos seus familiares umas férias saudáveis e económicas, pois o dinheirinho não abundava por estes lados! Lembro-me que os bancos onde nos sentávamos eram feitos de lona, cozidos pela minha mãe e cheios de areia de praia. De uma persiana velha, meu pai fez um tampo de mesa, desdobrável e único. Mais tarde, passados muitos anos, vi numa loja “AKI” um tampo igual ao dele…pena de não se ter registado a patente!!! Meu pai era na altura muito engenhocas e de um pedaço de qualquer coisa saía uma obra de arte! A tenda, conforme diz o Abílio, serviu de molde para fazer mais, e assim chamar mais amigos para esta prática saudável!
Saíamos das Caldas na camioneta da carreira, cada um com a sua mochila às costas, meus pais e meu irmão. Como as férias grandes eram só para nós, os filhos, ficávamos com a minha mãe e o meu pai ia de bicicleta das Caldas até Peniche para nos ver, indo trabalhar no dia seguinte!
Quando se inaugurava um parque de campismo nacional, lá ia eu mais o meu pai de mochila às costas, para mais um fogo de campo!
No “panamá” os emblemas brilhavam, referentes a todas as inaugurações que tínhamos participado!
Lembro-me de escorregar nas dunas até cá abaixo, e era uma alegria de se ver!
Mais tarde começamos a acampar em Peniche, e foi aí que conheci o meu marido, também campista de ocasião com mais 5 amigos. Como eram só rapazes, no momento de lavar a loiça e a roupa, ofereci-me para os ajudar, pois a habilidade era escassa com o sabão e o esfregão! Após os agradecimentos, combinámos irmos todos juntos para a praia, mais o meu irmão claro, a servir de guarda!
E… até hoje, ele continua a agradecer aquele gesto tão ingénuo e sincero que o levou a pedir-me namoro ao pôr-do-sol na praia do molho leste de Peniche! Foi lindo e inesquecível!
Abílio, quando vieres para a água quentinha que já se faz sentir, não te esqueças que ficas obrigado a dar notícias e a visitar-me, pois eu e o Fernando Santos temos muito gosto de te receber para provares algumas especialidades algarvias, combinado?
Não é verdade Fernando?
Bom verão a todos!
Beijinhos,
Lurdes Peça

Comentário:

É verdade Lurdes! Cá ficamos à espera. Não só do António Abílio, mas de todos os nossos amigos de Caldas que ao passarem aqui pelo sotavento algarvio nos queiram dar o prazer da vossa visita.
Sobre as férias campistas da Lurdes em S. Martinho e Peniche, gostaria de acrescentar o pinhal à entrada da Foz do Arelho, e, mais tarde, a praia da lagoa em frente ao José Félix antes da existência do parque de campismo. Foram locais onde acampei com o meu grupo "0s pelintras" na segunda metade da década de 50 com tendas também copiadas duma outra. Era eu que cortava o tecido (lintex), e também cosidas pelas nossas mães ou outros familiares.
É curioso que tanto a Lurdes como os anteriores companheiros, não referem qualquer organização campista. Será que já não existia a secção de campismo do Sporting Clube das Caldas? Ao que parece o pai da Lurdes esteve presente no 2º Rali Ibérico realizado pela Federação Portuguesa de Campismo em 1957 no alto da Mata com a colaboração do S.C.C. e, em 1959 no Acampamento Nacional em Peniche.
É verdade Lurdes! Todos os campistas se orgulhavam de exibir nos seus panamás os tais emblemas "crachás", assim como os galhardetes dos acampamentos comemorativos, pendurados nos mastros das tendas. Bons tempos...
Já não faço campismo há bastantes anos, mas o gosto pelos bons grelhados permanece. Por isso como diz a Lurdes, está combinado! Cá os esperamos.
Um beijinho para ela, e um bom verão ou boas férias para todos.


Fernando Santos.................10-08-2012

Gostei imenso da tua recordação de férias em S.Martinho do Porto, eu mais os meus pais tambem passava-mos ferias fazendo como agora se diz campismo Selvagem no meio das Dunas entre Salir e S.Martinho, eram fins de semana agradáveis com poucos custos.Hoje é tudo diferente comecei por fazer campismo no parque de Albufeira com tenda , mais tarde com Relotte e agora com a idade só passo uma semana em Setembro no Clube de Albufeira, se lá chegar.

Carlos Nobre..............19-08-2012

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Memórias do J.L.Reboleira Alexandre

Revisitar o passado, o Bouro
Num dos dias mais quentes da passada semana, a querer fazer mentir todas as previsões dos meteorologistas, que previam para 2012, um Verão fresco e húmido, aquele que será afinal, um dos melhores Verões do Québec dos últimos anos, vínhamos calmamente para o trabalho, conduzindo a viatura familiar e ouvindo uma das estações de rádio de língua inglesa da nossa preferência. Para quem apenas conhece a confusão e a agressividade das estradas europeias em geral, ou pior ainda, das portuguesas em particular, é quase impossível entender quanto pode ser relaxante e agradável a condução matinal num dia quente de Julho, numa cidade como Montreal.
De repente, os nossos sentidos são interpelados pelo inconfundível tom de voz de um dos mais importantes cantores e compositores dos anos sessenta do século XX, e dos anos actuais afinal, com os quais crescemos e nos formámos. Estávamos perante a voz e a música de Neil Diamond, que através do tema bilingue, em castelhano e inglês, intitulado Canta Libre, nos transportava para estados de espírito de outras épocas.

Canta libre, canta vida, de mi madre y mi padre,
Canta mi corazón, para los niños y sus niños,
Canta libre.

I got music runnin' in my head,
Makes me feel like a young bird flyin',
Cross my mind and layin' on my bed,
Keeps me away from the thought of dyin'

Sob o efeito anestésico dos sons e das palavras deste hino à liberdade e à vida, e sem a mínima razão aparente, encontramo-nos a rever a imagem da velha estação de caminho de ferro do Bouro. Relemos mentalmente a reportagem que a Gazeta nos ofereceu há alguns dias sobre a sua congénere de São Martinho do Porto, salpicada pela sensibilidade que o C. Cipriano nos consegue transmitir, cada vez que escreve sobre transporte ferroviário. Voltávamos a ter de novo uma quinzena de anos e percorríamos despreocupadamente os interiores e os cuidados jardins da estação da aldeia da nossa infância. O chefe Rodrigues contava que antes de se instalar definitivamente e durante mais de trinta anos na bela vila da baía, tinha sido obrigado (não garantimos que o tivesse dito assim, mas foi isso que lemos e entendemos) a passar alguns anos na pequena e isolada estação, que servira durante várias gerações a população do Chão da Parada e as necessidades, em termos de transporte de pessoal e mercadorias da vizinha quinta do Talvay que se dedicava na altura à cultura intensiva do arroz de regadio, e recebia imensos trabalhadores sazonais, oriundos maioritariamente das pobres aldeias das planícies alentejanas. Eram os chamados, bimbos, e muitos acabavam por casar e constituir família na nossa aldeia.

Instalada em local ermo e isolado, entre pinhais e ricos terrenos agrícolas, a estação do Bouro, com o seu imponente e amplo armazém construído em madeira, para alguém que não tivesse ligações afectivas à zona, seria definitivamente o pior local do Mundo, que um jovem casal poderia escolher para iniciar a sua vida. No entanto, para todos os que nasceram naquelas paragens e diariamente se dirigiam para as fazendas dos Arneiros Pequenos, das Pôças, dos Brejos ou do Rechiéu, para as suas pequenas e dispersas parcelas de terreno que lhes davam batatas, feijões, milho, e todo o tipo de legumes frescos que respondiam às necessidades duma família normal da época, numa altura em que a palavra frigorífico não tinha para os habitantes da nossa aldeia qualquer significado, seria o oposto, pelo imaginário que oferecia, como cais de partida para mundos melhores, e pela qualidade de todos os terrenos envolventes.

No pequeno bairro da estação habitava um miúdo um pouco mais velho do que nós, que nos introduzia entre aquelas velhas paredes frente às linhas do comboio, e nos organizava tardes inteiras a jogar ao liques ou ao sete e meio, com todos os empregados dos Caminhos de Ferro que ali viviam de forma temporária. O pai daquele miúdo já na altura andava pelas Américas e quando vinha visitar a família contava-nos histórias maravilhosas destes amplos espaços. Obviamente, o filho, cedo partiu também, para o Novo Mundo, e cremos ter sido o único nativo do Chão da Parada, que lutou contra os comunistas na guerra do Vietnam. Nunca mais o vimos, nem atravessámos os seus terrenos, por um atalho, que nos permitia na altura chegar mais rapidamente ao Brejo, e aí cumprirmos, durante as longas férias de Verão, o que a nossa mãe nos impusera, para, após árduas negociações, obtermos a necessária autorização para partirmos a pé, de bicicleta, ou numa fase posterior, de motorizada, para a nossa praia favorita, a praia de Salir. Nesta praia começavam entretanto a aparecer umas miúdas que, ao contrário das da terra, já usavam uns fatos de banho «escandalosos», mas para nós muito elegantes, de duas peças separadas, bem pequeninas, e que, ou falavam francês ou então, um português algo distorcido, pois apenas por ali as víamos durante o mês de Agosto. No fim desse mês, inícios de Setembro, voltavam de novo para a terra distante, onde os seus pais ganhavam a vida e elas prosseguiam os estudos.

Hoje, sempre que voltamos ao Chão da Parada, a nossa companheira, uma dessas tais garotas que por ali apareciam todos os meses de Agosto, e que adorava subir e descer a grande duna de Salir um dia fixou uma das motas que era conduzida por um rapaz da aldeia que ela não conhecia, sabe que a pequena visita ao local onde estava a estação do Bouro, faz parte do nosso roteiro turístico obrigatório. Quando olhamos para a velha quintinha do miúdo que partiu para a América, para o pequeno casal que servia de residência secundária ao senhor Cruz, que cremos, vivia em Lisboa, ou para o local onde em tempos se transformaram produtos resinosos, e posteriormente funcionou um pequeno restaurante, e que continua guardado por um cão de aspecto nada acolhedor, não somos imunes a uma enorme, mas simultaneamente muito agradável melancolia, acompanhada por uma sensação de bem-estar que apenas os locais dos quais guardamos boas recordações nos podem dar. A estação do Bouro, é, para nós, um desses locais.

 Quanto á localização da nossa velha estação, não pode ficar situada na Serra do Bouro, pois esta não existe como aglomerado populacional. Dá apenas o nome à freguesia. Dizia-se então na altura, que se não ficava no Chão da Parada, ficaria localizada no...Bouro.

J.L. Reboleira Alexandre

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

As férias do Faustino do Rosário

Olá amigos(as)
Vou tentar dar o meu contributo ao tema que a Fatima Valente sugeriu aqui no blog.
Este assunto tem a particularidade de... se não se relaciona com a nossa escola, foi vivido por alunos que a frequentaram.
Eu já tenho 2 histórias publicadas no "Cantinho do Faustino" cujo link está neste blog, e podem acreditar que mesmo se elas são descritas de uma maneira cómica, são autenticas.
A Fatima Valente fala sobre as férias passadas em São Martinho do Porto.
No meu caso pessoal, não posso falar em férias, mas sim em épocas balneárias
Eu não sou muito velho, nasci em 1946, mas quando comparo esses tempos de praia com os dias de hoje, dá-me a nítida impressão que estamos a séculos de distancia.
Por exemplo, segundo a minha teoria da época, havia duas classes distintas de frequentadores:
Os "abastados" e os "tesos"
Os "abastados" iam para S. Martinho com as famílias e o pessoal de apoio, que eram as criadas.
Podiam ser 3 ou mais, em que uma era a cozinheira (sopeira) as outras eram para tomarem contas dos filhos, a quem não era permitido tratar por "tu" Tinham que se dirigir ás crianças ou adolescentes com muito respeito chamando-lhes de menino ou menina tal.
Eram estas famílias "abastadas" que mais se viam a passear na rua dos "cafézes", embora o acesso fosse permitido a todos os veraneantes.
Os "tesos" faziam campismo num terreno pertencente à Junta da Freguesia, que ficava mais ou menos entre a estação do caminho de ferro, e a praia.
A única infra estrutura existente era um chafariz que felizmente tinha sempre água.
Para as necessidades naturais, cada qual "desenrascava-se" como podia.
A certa hora do dia, especialmente de manhã, era ver as pessoas a saírem das tendas, dirigindo-se para as mini-dunas adjacentes ao acampamento.
Nesse momento havia um cenário cómico... de um lado as tendas, mais à frente os "agachados" com o seus bocados de papel, muitas vezes folhas de jornal, para limparem os respectivos "assobios"
A maioria das tendas eram montadas no princípio da época balnear e ali ficavam o tempo todo.
Enquanto não havia férias, as pessoas iam apenas aos fins de semana, mas existia uma coisa muito importante que era o respeito pela propriedade alheia.
Aos Domingos à noite, fechavam-se as tendas, deixando no seu interior os materiais de apoio, normalmente cadeiras de praia, uma mesa, um fogareiro (alguns a petróleo) colchões de ar que serviam de cama, etc.
No fim de semana seguinte, quando se voltava, estava lá tudo, ninguém tocava em nada.
O meio de transporte mais utilizado era o comboio.
Lembro-me que a determinados horários havia o "comboio dos banhos"
Havia carruagens de primeira, segunda e terceira classe.
Como eu fazia parte dos "tesos" ía sempre em terceira classe, cujos bancos no interior eram de madeira sem um mínimo de conforto.
As máquinas eram a vapor, e devido ao calor, as janelas das carruagens, iam abertas.
O fumo do comboio, misturado com o jacto de vapor que saía da máquina, impregnava os passageiros de tal maneira que eram obrigados a tomar banho e a mudar de roupa.
Se calhar era por isso que se chamava o "comboio dos banhos"
Caros amigos(as), o texto já vai longo e não pretendo aborrecer ninguém com estas minhas lembranças, no entanto se me permitirem voltarei de novo para a continuação deste tema.
Até breve.
Um grande abraço
Faustino Rosario
Foto gentilmente "roubada" na internet

Comentário:

Vai ser curta a minha participação neste espaço, porque muito já foi dito sobre o assunto, no entanto e como o Faustino disse, também recordo que se faziam longas esperas ao famigerado comboio dos banhos, que regularmente parava em Caldas da Rainha com destino a S. Martinho do Porto.
Nesta amálgama de sentidos, recordo esse comboio com alguma nostalgia, pois para um miúdo na casa dos 10 anos, era uma aventura equiparada às que costumávamos ver nos livros "Condor" onde as histórias de Cowboys eram predominantes. Na realidade pouca diferença havia nesse comboio com o das histórias. Era sempre uma festa até chegar ao destino, S. Martinho do Porto.
Também recordo que por vezes fazíamos o trajecto desde o chafariz existente, em burros que nos transportavam até às dunas próximas do rio de Salir do Porto (daqui a comparação com oa cowboys) onde acampávamos durante o fim de semana. Nestas incursões alguns amigos fizeram parte destas aventuras, o António Abílio e o Fanoca eram na época aqueles que geralmente faziam parte do grupo. Outros haverá mas a memória já não suporta esse esforço.
Abraço amigo

Victor Pessa..............02-08-2012

Caro Faustino do Rosário.
Possívelmente passamos pela rua, ombro a ombro mas, sinceramente, só pelo nome não vou lá. Sou um pouco mais velhote, ou seja da colheita de 1938. Digo-lhe, adorei ler o seu comentário de férias. Ve-se no texto honestidade e sinceridade, nada a ver com alguns novos ricos que passaram por isso ou muito pior mas...esqueceram. Por terem atualmente uma vida razoável varreu-se-lhe da memória. Não devemos ter vergonha do passado


Mário Capinha...................02-08-2012

quinta-feira, 19 de julho de 2012

As Férias em S.Martinho do Porto


Olha, António, como parece que mais ninguém está interessado em relatar as suas férias, vamos nós continuando a promover a nossa praia favorita, porque, afinal, os nossos gostos coincidem neste aspecto.
Não disse na altura que, à época, tinha um grande grupo; ano após ano, e durante muitos anos, ali nos juntávamos até que a vida de cada um sofreu outro rumo e tudo acabou.
Eram oriundos de vários pontos do País: eu e o Luís Xavier (aluno do Externato Ramalho Ortigão e cuja irmã mais velha namorava o meu irmão, hoje casados há quase 50 anos) vínhamos de Caldas; o meu marido e irmã eram da Ponte de Sôr (para aqui vieram a conselho médico, porque esta praia era considerada a praia das crianças devido à tranquilidade das suas águas); os 2 irmãos Pires vinham do Bombarral; um casal de irmãos de Almada; um de Sintra, outra da Amadora; outro que vocês conhecem muito bem, talvez o aluno mais nómada e misterioso da nossa Escola, vindo do Cartaxo, o Fernando Nazaré Barbosa; outro, (que creio não estar enganada quando afirmo que também passou pela Bordalo), vindo de Alcobaça, com a sua guitarra sempre pronta a “dar-nos música”, o João Manuel (vi-o numa manhã de um domingo deste Inverno naquele passadiço entre S. Martinho e Salir, nas suas corridas atléticas e quantas saudades se mataram...); outro atingiu notoriedade pública e via-o durante alguns anos nos écrans da nossa TV, como pivot, até que desapareceu – era o José Cândido de Sousa, a quem nós chamávamos, para o diferenciar de outros “Josés”, o Zé dos Sinais, tal era a profusão dos mesmos que tinha na face; outro “jogava em casa”, conhecem-no “de ginjeira”- o sedutor Quaresma, que por lá ia aparecendo de vez em quando nos intervalos das suas conquistas; e, claro, para aí uma meia dúzia vinham da capital.
Alguns deles tinham aí raízes familiares, os seus antepassados nasceram ali. No entanto, a maioria arrendava casa que mantinha o ano inteiro, não apenas no Verão. Os tempos eram outros, as rendas acessíveis!
E ali convivíamos durante quase três meses, nunca menos; o chefe de família ausentava-se no cumprimento dos seus deveres e aparecia apenas ao fim de semana, a mãe ficava.
Entre uma época balnear e a seguinte, sobretudo as meninas, correspondíamo-nos por carta e lá íamos estando actualizadas sobre os estudos, os namoros e os problemas que nos afectavam
As diversões eram variadas – jogos de ringue; cartadas de King e de Sueca; longos passeios com a maré vazia até aos faróis e até às dunas de Salir, as quais, com a maior destreza, se subiam e melhor se desciam, rebolando com a algazarra própria da idade; também se atravessava o túnel que dá acesso à Praia de Santo António, coisa que os mais velhos não viam com muito bons olhos, não sei bem porquê....
Para quem não conheceu o S. Martinho da época, digo-vos que, ao contrário das outras praias, o ambiente nocturno era fantástico!
Passávamos, repassávamos vezes sem fim pela célebre “Rua dos Cafés”, quase pedindo licença para o fazer tal era a multidão que por ali vagueava ou se sentava nas esplanadas; ou, então, percorria-se a marginal e o cais.
Outra opção, era o velhinho cinema, que hoje já não existe!
Mas o passatempo preferido por todos eram os bailaricos. No terraço de uma amiga, ou no terraço do 1º andar da minha casa, ao som de velhos gira-discos, os ritmos sucediam-se: o rock, o twist, o slow, o bolero....bem afastados, pois a supervisão era cerrada e a moral de então não recomendava grandes avanços!
Eis as vedetas da época: os portugueses Sheiks e os Ecos, etc; os britânicos Cliff Richards e os seus Shadows, The Beatles, Tom Jones, os Rolling Stones, Engelbert Humperdinck,etc; os brasileiros Roberto Carlos, Nelson Ned, Nilton César, Cauby Peixoto, Chico Buarque,etc; os latino-americanos Alberto Cortez e António Prieto; os italianos Marino Marino, Renato Carosone, Rita Pavone, Bobby Solo, Gigliola Cinquetti, Gianny Morandi, etc; e, no auge da música francesa, Charles Aznavour, Adamo, Silvie Vartan, Françoise Hardy, Johnny Haliday, Alain Barrières, Michel Polnareff, Claude François, etc, etc, e tantos, tantos outros!
Tenho a certeza que cada uma de nós pensava para si própria: “Ce soir je serai la plus belle pour aller danser!”
E, como na vida, no seio deste grupo, aconteceram amores e desamores!
Daqui sairam 4 casamentos, entre eles o meu e, mais tarde, 3 divórcios.
Pelas contas, escusado será dizer que só o meu persiste!
Então, e as vossas férias, como foram?
Não será difícil imaginar que quase todos vocês viveram tempos inesquecíveis na linda praia da Foz do Arelho ou noutra qualquer. Então, partilhem connosco essas memórias!
Entretanto, boas férias para todos!

Fátima Valente

Comentário:

 Já no anterior post da Fatima V. lhe disse que muitos de nós andámos por aí. O ZV já me desafiou, mas «estas coisas» como tudo o resto aliás, exigem preparação. O filme segue dentro de momentos...

J.L.Alexandre Reboleira..............29-07-2012

Foi a praia que com a minha mulher escolhemos para que os nossos três filhos pudessem brincar sem estarmos com medo do mar (embora tivessemos como é normal, de estar sempre com olho neles...)...
Nesse tempo, alugávamos casa do outro lado da Estação...e enquanto o demo esfregava um olho...já tínhamos atravessado o campo de futebol e entrado praia adentro...
Os cachopos foram crescendo e mudámos para o Baleal...mais tarde para o Bom Sucesso...
E agora, vejam bem...
Há 15 anos que não ponho os pés na praia...
Mas ainda tenho fotografia tiradas com a então minha namorada, na Praia e para além do túnel em cima das muitas pedras junto ao Mar...
Não tenho as histórias que os colegas podem contar de uma vida "feita" em S.Martinho...mas tenho também boas recordações...!!

Um abraço para todos/as

Maximino..............29-07-2012

segunda-feira, 16 de julho de 2012

As recordações das férias do António Abilio

Ora bem amiga Fátima, um bom desafio para as memórias dos nossos colegas, e mais uma tentativa para atrair os seguidores do nosso blog e talvez quem sabe espevitar a vontade de outros que têm estórias interessantes, faltando apenas ousadia para as contar.
Era bom para dinamizar o blog que de tão parado que está até cheguei a pensar que a crise tinha desmoralizado os nossos confrades.

Fátima como sabes eu gosto de reviver essas coisas passadas no tempo da nossa meninice, e mantenho a minha memória que considero relativamente boa, com muitas dessas recordações.
São Martinho do Porto: Também eu lá passei muitos verões, talvez desde a idade dos 6-7 anitos em diante, embora não como tu numa casa alugada, mas sim em forma de campismo, começamos por acampar com umas barracas tipo da tropa, entre as dunas perto dos faróis, o que naquele tempo parecia muito longe da estação do caminho de ferro, pois tínhamos de transportar toda aquela tralha que se levava para se poder ficar até ao inicio do ano lectivo em Outubro. Mais tarde subimos de categoria, e começamos a fazer um campismo mais evoluído, com umas tendas mais modernas e confortáveis, conjuntamente com uns casais de Alcobaça.
O local era logo ali ao lado de uma casa grande que havia, não sei se ainda lá existe ou não, mas ao lado do antigo campo de futebol e em frente da estação, perto do chafariz onde enchíamos os garrafões.
Ainda me lembro que quando mudámos de lugar a minha mãe pediu ao casal “Peça” que a deixassem tirar o molde da tenda deles para fazer uma igual, já com dois quartos, e tecto duplo, porque naquele sito já tinha que ter uma tenda em condições, que as barracas ali parecia mal!  a família Peça  já faziam campismo  organizado há mais tempo, e até iam para o parque de campismo de Peniche, nós como principiantes é que ficávamos por mais perto, e também porque os homens ou digamos os pais iam trabalhar para as Caldas e vinham nas suas motoretas ( Famel-Zumdap) todos os dias dormir ao acampamento com a família, e ainda iam á pesca depois do jantar para ali perto da barra onde também se apanhava umas lapas. No lado da praia do túnel apanhava-se polvos, navalheiras e umas sarguetas, enfim bons tempos com pouco se gozava muito. 
Foi ali que nós os miúdos da nossa família, o Xico Eu e Fanoca aprendemos a nadar, porque na Foz era mais difícil e perigoso, na Lagoa tinha muita corrente e no Mar era muito bravo, embora os nossos pais terem tentado acampar lá, ali perto da casa do cabo de mar entre a lagoa e o mar,  mas com havia muito vento decidiram ir para S. Martinho, e ali sim era uma maravilha fez-se lá de tudo, conhecíamos a praia de ponta a ponta, duna por duna e a vila, a celebre rua dos cafés como era conhecida fazia-se como o passeio dos tristes todas as noites, ia-se apreciar como o resto da malta vivia, na época era muito frequentada peles gentes do “dinheiro”, principalmente vindos de Lisboa.
Tens razão Fátima, nós das Caldas somos privilegiados com muita coisa boa a seu redor, mas também gostamos do quentinho do Algarve.  Eu quando ai vou de visita para ter férias só no Algarve, porque ali ninguém me conhece e não tenho visitas obrigatórias a fazer, além do tempo ser mais quentinho.
Eu tenho pena e por isso peço desculpa aos seguidores deste Blog, da minha falta de jeito para escrever, mas mesmo assim faço questão de colaborar para manter esta chama acesa que une todos os antigos alunos da nossa Escola, e tenho um enorme prazer em acompanhar e ler todas estas estórias e fotos dos nossos colegas, assim como também admiro o trabalho do Zé Ventura em manter o blog sempre com novas mesmo que não haja quem dê continuidade a alguns dos comentários aqui postos.
Acredito que depois das férias haverá mais participação.
Votos de um bom Verão  com um forte abraço para todos.

António Abilio
 

Comentário:

Por absoluta falta de tempo, limito- me a subscrever o último parágrafo de "As recordações das férias do António Abílio" por virem ao encontro daquilo que já algumas vezes manifestei neste espaço.

"Eu tenho pena e por isso peço desculpa aos seguidores deste Blog, da minha falta de jeito para escrever, mas mesmo assim faço questão de colaborar para manter esta chama acesa que une todos os antigos alunos da nossa Escola, e tenho um enorme prazer em acompanhar e ler todas estas estórias e fotos dos nossos colegas, assim como também admiro o trabalho do Zé Ventura em manter o blog sempre com novas mesmo que não haja quem dê continuidade a alguns dos comentários aqui postos.
Acredito que depois das férias haverá mais participação".

Fernando Santos...........19-07-2012

sexta-feira, 13 de julho de 2012

As Recordações das férias da Fátima Valente

Aqui está um óptimo mote para desenvolver o blog nestes meses de verão, as recordações das férias.
Iniciamos o tema com um texto da Fátima Valente. Ficamos á espera de outras “estórias”.


A inactividade do nosso blogue revela bem que bastantes colegas se encontram já de férias, apesar dos cortes impostos pelo Governo.
Podem os caldenses considerar-se uns privilegiados, pois a localização geográfica da nossa cidade permite-nos usufruir de campo e praia bem perto das nossas casas, podendo, assim, gozar umas férias mais económicas.
Hoje em dia, qualquer um de nós dificilmente resistirá aos encantos das praias algarvias - muda-se de ares, temperaturas mais elevadas, águas mais quentes...
O mesmo acontece comigo! No entanto, não consigo esquecer a minha praia, aquela que frequentei desde o dia em que nasci – S. Martinho do Porto!
Naquele tempo, só nós e mais duas ou três famílias caldenses (entre elas a da nossa colega Graça Jordão) passávamos ali o Verão; toda a restante cidade se deslocava para a Foz do Arelho.
Acabado o ano lectivo, lá íamos nós “de armas e bagagens”, regressando apenas nos primeiros dias de Outubro, diria que abríamos e fechávamos a época balnear.
A nossa casa não podia ter melhor situação – em plena “Rua dos Cafés”, mais correctamente Rua Vasco da Gama. Nas águas-furtadas, havia uma mini-sacada de onde a minha mãe (que detestava praia e nunca lá punha os pés) contemplava todo o intenso “formigueiro” que se vivia naquela rua; sobretudo de noite, a agitação e o barulho eram enormes.
Anos mais tarde, já velhota e abandonada pelos proprietários que preferiram outros cenários, acabou por ser vendida. Mas deixou saudades...
Nesse mesmo local, (desconheço os meandros do negócio), está agora instalado o elevador que dá acesso à parte superior da vila, aliviando o sacrifício de quem era obrigado a subir aquela ladeira demasiado íngreme quase ali ao lado.
Escusado será dizer que eu ia para a praia, atravessando aquelas ruas secundaríssimas que ali desembocavam, descalça e apenas de fatinho de banho, não valia a pena levar mais nada!
E, contam-me que, quando o meu pai chegava às barracas (alugadas sempre pelas mesmas pessoas que teimavam em conservar-se vizinhas) e perguntava:
__ “Onde está a minha Fátima?”
A resposta era invariável:
– “Ora, onde é que há-de ser? No cais!”
Não se enganavam! Ali andava eu horas infindas, naquela rampa escorregadia, subindo, descendo, mergulhando... Tomei banhos que me chegaram para a vida inteira, hoje nem os pés molho...
E foi daquela casa que, num certo dia de Agosto de um ano já distante, saí para me casar no lindo Mosteiro de Alcobaça, cerimónia gentilmente realizada pelo Padre Nobre, de S. Martinho, que, um ano depois, baptizou igualmente o meu primeiro filho, mas já na sua Igreja.
Como constatam, aquela praia esteve directamente ligada à minha vida; foi ali que conheci o meu marido alguns anos antes, foi naquelas dunas de Salir do Porto (que ainda hoje me atraem, mas que já não me atrevo a subir, por muitas promessas que faça aos meus netos) que....
Queriam saber o resto? Talvez num próximo capítulo, vão esperando!
Em troca do relato das vossas férias, que espero sejam também muito fascinantes, sim?
Mas, para remate, devo confessar que, apesar de agora frequentar outras paragens, não posso deixar de reconhecer que é verdadeiramente um sonho aquela baía de S. Martinho do Porto!
Fotos do suplemento da Gazeta das Caldas sobre S.Martinho do porto

Comentário:
Jose Luis Alexandre
Pois é Fatima Valente, foi naquelas dunas de Salir do Porto que...tantos de nós. Esta foto da estação de S. Martinho, com as estórias que o chefe contou ao CC da Gazeta, deu para saber que o jornalista não é de cá...Quem sabe se um dia sairão outras estórias passadas esntre os muros daquelas paredes, da antiga estação do Bouro, que não fica na Serra do mesmo nome, mas ali ao lado do Chão da Parada.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Forum Bordalo XXI

A Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha, vai levar a cabo o primeiro fórum – Fórum Bordalo XXI – no dia 14 de abril, das 9h às 18h. O evento, aberto à comunidade escolar e ao público em geral, terá lugar no auditório da escola.
Este fórum tem o objetivo de, “partindo de uma reflexão sobre a história e o presente da escola, criar um espaço significativo de discussão que permita uma melhor preparação para os desafios futuros a toda a comunidade escolar”.
Com esta iniciativa, pretende-se, também, que o Fórum Bordalo XXI se constitua como um palco de divulgação local e regional do trabalho desenvolvido pela escola e possa afirmar a cidade das Caldas da Rainha tendo por referência o historial desta escola, na formação de diferentes gerações de caldenses e no contributo que deu e dá aos diferentes quadros saídos em várias áreas de intervenção social.
Caso esteja interessado em participar também no almoço convívio deste evento, com um custo de 12,00€ deverá efetuar a sua reserva através do seguinte contacto: Clara Lopes ou Higina Bernardino – telf. 262 870 070.
Esta iniciativa é uma organização do Conselho Geral da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, com a colaboração da Direção da mesma.

terça-feira, 27 de março de 2012

Os anos da Rosália


No dia 25 de Março do ano de ...
Isso não importa agora... nasceu uma linda menina, à qual foi atribuído o nome invulgar de "ROSÁLIA".
Bonito nome, não concordam?   Na sua origem está a palavra "ROSA" e nunca uma palavra teve o significado mais adequado.
Na realidade, ela é uma rosa muito bonita, colorida e viçosa, apesar dos seus.... ai,  lá  me ia eu descaindo outra vez!
Este terrível defeito que as mulheres têm de divulgar a idade das outras, com uma certa malvadez, tentando ocultar a sua.
Sim, porque eu, eu sou muito, mas muito mais nova que tu, não acreditas?
Queres ver o meu Bilhete de Identidade?
Pois, hoje, 26 de Março, um grupinho de amigas, no qual me incluía eu, a Graciela, as manas "Maçãs" - Odete e Lurdes, a Mila Coito, a Lurdes "das Gaeiras", a Berta, a Cesarina, a Odete Leal e a Lurdes Bernardes, (lamentando as ausências da Isaura, da Teresa Netas e da São "das Gaeiras", por manifesta impossibilidade, mas que estiveram connosco em espírito), ao som do "Parabéns a você", irrompemos pela sua casa, recebendo em troca exclamações de espanto:
-- "Ah!, Ah!, Ah!".....
Não contava ela com tal invasão, tanto mais que, ao telefonar-lhe na véspera, lhe dissera que iria vê-la só daqui a uns dias e que lhe daria, então, pessoalmente, um beijinho de parabéns
Ao ver-me, hoje, não se conteve:
--"Mentirosa! Mentirosa! Tu és uma mentirosa!..."
A mana Lúcia, com a simpatia de sempre, presenteou-nos com um excelente lanche e passámos, assim, uns momentos agradabilíssimos.
Repara nas fotos que te envio, vê como estás linda!
Rosália, votos infindáveis de parabéns e de dias muito felizes, na companhia daqueles que diariamente te acompanham e que merecem igualmente os nossos parabéns pelo carinho que te dedicam!
Mil beijinhos e lá nos veremos na nossa festa, no próximo dia 5 de Maio.
Lembras-te que mo prometeste há umas semanas atrás e que hoje mesmo voltaste a repeti-lo?
E as promessas são para serem cumpridas.
Agradeço às minhas colegas atrás mencionadas a pronta disponibilidade e generosidade com que aderiram a esta iniciativa, em especial à Graciela, que foi quem mais trabalho teve!

Beijinhos, muitos, muitos, Rosália!
Maria de Fátima Valente


Comentário:

Além das minhas felicitações à aniversariante que espero conhecer no próximo encontro de 5 de Maio, quero também felicitar a Fátima Valente pelo magnífico texto que com tanta amizade e carinho dedica à sua amiga ROSÁLIA. Por isso, os meus parabéns às duas.
Fernando Santos -------Olhão............31-03-2012


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

As escolas da Praça do Peixe ou as fotos da primária


Da Isabel Alves vem o fascínio das fotografias da Escola Primária, diz ela:

Vou tomar esta onda das fotos pré EICCR, para enviar esta foto  tirada no dia 12 de Maio de 1966. Frequentava eu a 1º classe, na famosa escola primária da Praça do Peixe, tenho bastantes memórias desta escola, recordo-me da Nespereira que havia no recreio, recordo-me também das casas de banho, muito antiquadas e parece que até consigo cheirar o giz e ouvir o rangido do soalho. A foto foi tirada na porta de trás do Cine Pinheiro Chagas. Na fila de trás está a Menina Prudência, a nossa contínua, lembro-me de ela ir para a escola de bicicleta, estarei errada? Recorda-me também de alguns nomes, na fila de baixo a segunda a contar da direita está a Ana Martins com as suas lindas tranças, os pais da Ana tinham uma loja perto do Elias do Sal, a trás da  Ana está a São Valério, por trás da São está a já falecida, Teresa Carvalho que se não me engano, era Polícia, na segunda fila, a quarta a contar da esquerda é a Maria do Carmo, que morava na Rua Fonte do Pinheiro um pouco para baixo dos Bairros dos Viola, no lado esquerdo da Menina Prudência está a Mizá, eu estou sentada no lado esquerdo, na ultima fila reconheço a Nazaré, segunda a contar da esquerda. Reconheço mais carinhas, penso que uma delas é a da Adelaide Ferreira, a vasta maioria das meninas nesta foto incluindo eu, frequentaram a nossa EICCR,  mas a memória atraiçoa-me com respeito a nomes. Seria interessante saber se alguém se recorda.  

Beijinho,

Isabel

Comentários:

Pode ser que desta forma os nossos antigos colegas nos tragam à lembrança os tesourinhos que certamente ainda conservam escondidos bem lá no fundo da sua caixa de recordações.
Quando andei na 4ª classe na antiga escola da Praça do Peixe, como não havia espaço para recreio dentro da escola, o mesmo era efectuado no tabuleiro da praça, onde todos os dias, se realizava a venda de peixe.
Era aqui que a rapaziada aprendia o outro lado da vida. Foi neste local que vi pela primeira vez uma peixeira, com todo aquele infindável número de saias, a urinar de pé. Foi uma imagem, com todo o quê de intrigante para um garoto assistir a tal. Marcou-me e sempre que observo uma peixeira recordo aquela cena. Depois, mais tarde, percebi que naquele espaço, onde muitos dos intervenientes, peixeiras, pescadores, público em geral, não existiam instalações sanitárias públicas.
A existência de outra escola, feminina, no mesmo local, levava a que muitas vezes nos deslocássemos até junto do enorme muro que servia de vedação ao recreio das meninas, no intuito de ver alguma coisa. Claro que era completamente ver o que quer que seja pois a altura do muro não nada para ver nada. No entanto, pelas risadas e os sons naturais das brincadeiras, percebíamos que havia ali vida para além do muro.
Na foto, já em 1966, segundo a Isabel, já eu andava a frequentar as Secções Preparatórias, pelo que mesmo que quisesse não conseguia reconhecer quem quer que seja. A predominância das trancinhas naquela época era uma constante e diga-se que dava um ar angelical às meninas. Recordo a Esmeralda que já aqui contou a sua versão sobre o facto de ter de andar de tranças. Recordo também a minha companheira de infância a Alzira, que sempre me acompanhou na escola e que todos os dias fazia de despertador, chamando por mim debaixo da janela no Bairro Viola, pois já eram horas de irmos para a escola. São estas recordações de vida que nos alegram e aquecem a alma.


Victor Pessa...............09-02-2012

Recordo-me da menina Prudencia que realmente andava sempre de bicicleta é que também eu andei na escola primaria da antiga praça do peixe.
Das minhas colegas só me lembro de duas ou três mas recordo de duas professoras
a D.Olímpia e a D.Cãndida que era uma professora muito querida


Anónimo..............09-02-2012

Olhem no permenor da mala de cartão......
um espetáculo, e era um luxo!!!!porque parte delas eram de serapilheira.Apesar de tudo eram bons tempos.

Ermelinda Lopes.................14-02-2012

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O Beco das Flores ou as memórias do António Guilherme

No meu Blog Águas Mornas publiquei há dias umas fotos do Beco das Flores que mereceram alguns comentários interessantes.

Como já muito se falou do Bairro do Viola, dou agora voz ao António Guilherme para contar as suas memórias do Beco do Flores, agora chamado de Rua José Pedro Ferreira, que eu confesso que ainda não descobri quem foi tão ilustre Caldense.

Há dias, ao ler aqui as façanhas dos jovens e alguns amigos que viveram no Bairro do Viola, onde descarregavam carros de lenha, puxados por juntas de bois, etc.Veio- me à memória, também a minha infância, algo parecida, vivida no Bêco das Flores. Por isso não consegui resistir ao repto lançado pelo nosso amigo Zé Ventura e aqui estou a escrever algumas linhas sobre o BECO DAS FLORES, local onde nasci eu e todos os meus irmãos, todos os partos em casa, naquela casa baixinha, mesmo ao cantinho do beco, onde hoje existe um café.
Passados 50 e poucos anos e tendo vivido o que já vivi, quase me arriscaria a dizer que à época o Beco das Flores seria talvez a "rua" ou beco com mais dinamismo na cidade. Em relação à dimensão do beco e com toda a sua azáfama diária, atrevo-me a desafiar os digníssimos historiadores da cidade, a encontrar uma rua, não um bairro ou uma praça, claro, onde houvesse concentrada tanta actividade comercial, industrial e agrícola e habitação tudo em perfeita harmonia, e como disse, visto a esta distância de meio século, era impar na cidade.
Vou falar apenas do tempo em que lá vivi e que vou lembrando, outros poderão acrescentar algo mais ao que vou dizer.
O Beco, estreito e de piso sinuoso, desembocava numa área intensamente agrícola, onde predominavam pomares, vinha e denso arvoredo a que chamávamos a azinhaga. Local das mais diversas brincadeiras de infância, desde a manhã até noite dentro, para os mais corajosos. Tinha como moradores famílias completas, algumas oriundas de outros pontos do País e que trouxeram comércio e industria ao beco. Desde sapateiros, funileiros, olaria, fabricas de bolos e rebuçados F.A.Caiado a maior da cidade e Henrique Santana, torrefacção de cafés, armazéns de retrosaria, armazéns da firma Tomás dos Santos, Avelino Tereso, Caetano Ferreira, armazém de
produtos agrícolas e até uma Adega.

É verdade o Beco até uma adega tinha.
Foi neste Beco que dei os meus primeiros passos e que tive a minha primeira vez em quase tudo.
"Até mesmo naquilo em que estão a pensar".
Falando da adega do Sr.Sebastião.  Fiz uma vindima pela 1ª vez, do princípio ao fim, ir à vinha em carro de bois buscar as uvas, pisar no lagar, encher os barris e provar o mosto. Era uma azáfama que terminava noite dentro á luz da velhinha candeia de azeite, pendurada num recanto da parede. Foi nesta adega que bebi o meu 1º copo de mosto, depois de agua pé e por fim o belo vinho. Fiz aqui o meu baptismo, talvez com os meus 8 ou 9 anos.
Coisa rara na época, eram os automóveis, o beco, era uma mistura de desenvolvimento, havia quem ainda entrasse no beco com mercadorias em carro e bois, galeras puxadas por cavalos e já entravam também, furgonetas e camionetas. Pois foi também a minha 1ªvez na condução de uma carroça puxada por um imponente cavalo que vinha buscar combustível para uma quinta da Val de Maceira, onde eu ia parar e regressava na parte da tarde. Guiei pela 1ª vez uma furgoneta do meu amigo Costa, já falecido,, beco acima beco abaixo por diversas vezes. Igualmente andei pela 1ª vez de motorizada, pelos carreiros da linda azinhaga, onde hoje é o CCC.
Claro que não vou falar da minha outra 1ª vez. A Empresa F.A.Caiado, tinha um movimento intenso de pessoas e bens, no beco, que a juntar a todas as outras actividades existentes, dá para calcular o que era para nós crianças a imensa experiência de vida que colhiamos. Clientes, empregados. Caixeiros viajantes de outras empresas do País, eu conhecia toda a gente que entrava naquele beco. Vivi lá até aos 13 anos.
As memórias são muitas mas hoje fico por aqui.
Obrigado por terem partilhado comigo algumas da minha infância, passada no BECO DAS FLORES.
A.Guilherme

Comentários:

Caro Guilherme
Adorei as memórias do Beco das Flores. Embora residente em zona diferente, conheci perfeitamente este beco e a sua vivência. Naquele tempo as Caldas era uma "aldeia grande" e nada nem ninguém nos passava despercebido.
Para completar a importância com que pretende dignificar o Beco, julgo faltar a cerâmica do Sr. Prata, pai do nosso colega Ilidio Rodrigues Prata, onde a arte era predominantemente representada pelos "ALFIIIIINETES DAS CALDAS". Sim "ALFIIIIINETES" porque dantes o respeitinho era muito bonito.

E com esta me vou........

Mário Reis Capinha ..........01-02-2012

Caro GUILHERME
Peço desculpa. Na realidade está indicada a "olaria" que será a tal do Sr. Prata. Só agora confirmei.
Mário Reis Capinha 02.02.2012


Gostei de ler as memórias do Guilherme do seu Beco das Flores, e também para mim foi bom saber dele, pois já á muitos anos que eu não sabia dele. Quero agradecer-lhe a sua amabilidade de nos trazer as suas estorias e de ter arranjado um bocadinho livre da sua vida para nos relatar as suas peripécias de joven no dito Beco, embora eu não tenha lá vivido conhecia bem por várias razões, ligações familiares e também por visitas que fazia a amigos que andavam na nossa escola, um deles que me lembro era o Antonio Moura o qual nunca mais soube nada dele, enfim coisas da vida. O Beco era um lugar que tinha tudo e todos como o Guilherme citou, eu conhecia lá também um Policia um Engenheiro (Elias) e um Taxista (Malhoa), era de facto completo de boa gente. Agora desafio o irmão do Guilherme, o Jose ou qualquer outro colega que também desse algumas das suas memórias, refiro-me ao Jose sendo ele um pouco mais velhinho do que nós, talvez tenha outras recordações, para dar continuidade a este tema.
Obrigado Guilherme foi um prazer saber de ti!
Um Abraço.


Antonio Abilio..................03-02-2012

O António Abílio no seu comentário, citou como morador no Beco das Flores um Elias (engenheiro). Será que este senhor era um que morava naquela casa de canto à direita no início da rua? Se é a ele que o A. Abílio se refere, o senhor chamava-se José Elias dos Santos Júnior e era técnico de obras da C.M.C. Se for o caso, ele construiu um prédio na R. Alexandre Heculano para onde foi morar, e alugou a tal casa do canto ao meu sogro que aí viveu até ao fim dos seus dias.

Fernando Santos........ Olhão.........04-02-2012

Boa Fernando Santos. Que excelente memória. Na realidade o Sr. José Elias dos Santos Júnior (que não era engenheiro mas sim o filho) era técnico de obras da Câmara, e pessoa muito considerada na cidade.Moravam no Beco das Flores e muito mais tarde no Avenal.
Lembrando e relembrando vamos lá chegando.

Mário Reis Capinha ..........04-02-2012


Já agora aproveito para dar também o meu contributo ao Beco das Flores que, naturalmente também fez parte da minha infância, até porque morei durante vários anos num prédio que ainda hoje existe, junto da Casa dos Óculos, o que me obrigava naturalmente a conhecer bem toda aquela zona.
Por outro lado moravam lá duas colegas minhas da primária, irmãs, a Fernanda Noémia e a Helena, filhas de um polícia.
Quanto à fábrica de bolos Caiado, desloquei-me lá muitas vezes porque as funcionárias eram clientes da Eléctrica, onde compravam, a pequenas prestações, os electrodomésticos de que necessitavam, e era eu e a minha irmã que nos deslocávamos lá no fim de cada mês, quando elas, pontualmente, pagavam as suas prestações. Conheci bem o funcionamento da fábrica na altura e, hoje, por graça, posso dizer que se a ASAE lá entrasse, as portas seriam imediatamente fechadas, não por falta de higiene propriamente dita, mas de facto as condições deixavam muito a desejar.
Quanto ao resto, tenho uma ideia muito vaga, lembro-me apenas nde ver muitos vasos com flores nas portas de algumas casas e pouco mais.
Quanto ao António Guilherme sinceramente não recordo o nome, no entanto a rapariga que está na foto conheço-a perfeitamente, embora não saiba dizer o nome.


Gracinda Vidigal.................05-02-2012

É natural que a Gracinda não se recorde muito bem das pessoas, pois tambem esteve muito tempo e viver fora da cidade. A rapariga a que se refere é a minha irmã Maria Teresa, já falecida, e que foi a fundadora da Farmácia Maldonado, como colaboradora, onde trabalhou toda a vida.O mais pequenino, sou eu que talvez ajude a identificar, sou casado com a Gina. os outros dois meninos são o meu irmão Carlos Gomes e José Santos que vive nos USA.Todos nascidos e moradores no beco das Flores. A Foto foi tirada há 6o anos.

A.Guilherme................05-02-2012

Ao ler as memórias do Bêco das Flores do amigo A. Guilherme também quero contribuir com as minhas melhores recordações dos tempos que passei naquele sitio, de todos vós, em especial da sua malograda irmã Teresa,e também dos seus pais.
Como o meu pai tinha o estabelecimento de fazendas à esquina do Bêco, onde é agora a Proelcor, eu brincava com frequência neste Bêco com a malta que lá morava. Também me recordo que nos Santos Populares faziamos as quermesses lá bem o meio do Bêco.
Penso que o seu irmão, embora mais novo do que eu, se lembrará talvez destas paródias, e daquela figura muito típica daquele Bêco, o alfaiate "Sr. Antão" que estava sempre a assobiar e com a fita métrica ao pescoço. Enfim, bons tempos que já lá vão, mas que nos fazem reviver.
Aqui deixo um abraço a todos.


Jorge Pimenta....05.01.2012

As conversa são como as cerejas, e o Pimenta veio avivar a minha memória.
Também neste Beco residiu e fez as suas traquinices muitos anos, o nosso colega Carlos Alberto Raimundo. Era filho do Sr. Virgilio Raimundo, dedicado colaborador da mercearia Caetano Ferreira, localizada no Largo Herois de Naulila.
Lembras Pimenta? Na casa dele fizemos grandes noitadas de king.Para não falar da Rua Sebastião de Lima.Ponto final parágrafo.

Um abração do:
Mário Reis Capinha..............06-02-2012


Amigo Zé vou enviar o comentário mail, porque na própria pagina por duas vezes foi para o lixo ,não consigo acertar, estou como o Sporting, eu não sou muito bom com estas modernices ,mas prometo que vou conseguir ......

Grande agradecimento muito especial ao amigo Zé Ventura, pois foi a primeira vez que vi o nome da minha rua, que eu tanto gosto, nesta pagina  em relação ás Caldas, mais uma vez fiquei comovido, agora na velhice dá para isto, e vou tentar falar um pouco do meu Bêco  porque o meu irmão Guilherme já disse toda a verdade e que bem que ele escreve, gostei, mas primeiro  tenho de começar com uma grande critica , como foi possível que a maior parte desses politiqueiros que nada fazem pelas Caldas, ainda tentam destruir as nossas lindas recordações, como acabar com o nome de Bêco das Flores,  Porquê ? Não tenho nada contra  o Sr. José Pedro Ferreira,  nem sei tão pouco quem é, nem estou interessado em saber, tenho sim contra o ilustre idiota que se lembrou dessa ideia ,e de certeza nem se deu ao trabalho de saber o que foi este beco há sessenta anos , ler a sua historia e respeitar os nomes das pessoas que fizeram muito por esta cidade.

Quando vi graças ao amigo Zé as fotos do meu Bêco e a pedir comentários dos amigos, disse cá para mim, ninguém vai ligar  a isto, desculpem foi o que eu pensei, e tenho razões para pensar assim, mas parece que estou enganado em parte, porque eu e os meus irmãos que nascemos e vivemos neste Bêco assim como outros que até podia dizer o nome deles todos e das queridas meninas ,os que ainda estão vivos não se metem nestas coisas, não foi só os que nasceram lá ,mas tinham ligações, alguns viviam noutra rua mas as traseiras davam para o Bêco  e esses tinham outra vida,,fiquei surpreendido e contente por ver um comentário do amigo Jorge Pimenta, o que ele disse foi verdade, brincamos algumas vezes saltamos a fogueira pelos santos populares as quermesses e fogueiras eram quase sempre no largo em frente a casa da minha madrinha que penso é a única  que ainda está igual , pode-se ver na foto , e  a que está pintada de encarnada ,mas amigo Pimenta eu sou mais novo um ou dois anos , na escola comercial tu andavas no ano a seguir ao meu, penso eu, recordo muito os teus pais gostavam muito de mim e tu sabes bem, acredita quando lá passo em frente da loja ,olho e  fico a pensar, ainda lá estive o verão passado e aconteceu,,, também parei no meu Bêco no numero 3 e por instantes vivi todo o passado eu mais a minha Alice , foi de tal ordem que chegou junto a mim o jovem  e falou para mim e eu não estava a ouvir nada, e me perguntou , o senhor pelo seu olhar conhece esta casa ? eu respondi nasci aqui, e ele me disse ,tem graça tenho um amigo que também nasceu nesta casa,  eu disse como se chama ele?  Carlos Gomes  , claro respondi, só podia ser é o meu irmão , ele era o dono da casa , que agora é comercial pareceu-me venda de produtos naturais, mas voltando aos comentários gostei do amigo Mário Capinha, que  o ano passado tive a alegria de  estar com ele e esposa amiga Zézinha que já não via á anos, ainda ele não se lembrou  que uma certa altura ia a minha casa quase todas as semanas, que aliás foi aí que o conheci ,o comentário do Antonio Abílio era de esperar pois ele ia muitas vezes a casa do meu vizinho Jose Malhoa que é seu tio com quem damos muito bem, o comentário de Antonio Nobre ,não estou a ver quem será ,já foi mais tarde mas lembro-me muito bem de tal Nobre meu amigo e colega de escola que ia muitas vezes para o Bêco ter comigo vou pensar para me lembrar, quanto á  amiga Gracinda agradeço o comentário e foi real ,no que diz respeito á fiscalização da fabrica dos famosos pastéis de nata, os melhores até hoje, aí se  eu falasse no que vi muitas vezes mas comia bastantes,   somos quase ,quase ,da mesma idade , pois lembro-me muito bem da sua irmã e irmão e pais, mas como sai das Caldas muito novo não se deve lembrar de mim. Bem amigos hoje foi o primeiro comentário, o próximo será  só da malta do bêco a algumas historias  que vou tentar lembrar, mas só daquelas que se podem publicar.

Esta foto é a única recordação da minha casa no Beco das Flores numero 3 nesta sala é hoje o café ou vendas de produtos naturais. Festa do meu aniversário dos 18 anos,  vamos lá ver se conhecem parte dos meus amigos/as nessa altura, depois vou enviar todos os nomes, dois que eu saiba já faleceram.... o Guilherme é o único que não está lá, não sei porquê, ou foi ele quem tirou a foto, ou foi ver nesse dia o Sporting, abraços amigo Zé. Talvez este ano volte ai fazer uma visita.

Jose Santos……………..06-02-2012

Meu caro José Santos,

Terminado o Curso Comercial tive como primeiro emprego um lugar no escritório da empresa F. A. Caiado, no Beco das Flores, o local das Caldas onde se fazia mais marmelada (com aspas ou sem aspas) por metro quadrado. Ali permaneci mais de dois anos no início da década de sessenta. Ali morreu, nas minhas mãos, um senhor que vendia na praça e que morava numa casa do lado esquerdo, antes de chegar à empresa (julgo que de apelido Mendes).
Mas não é do Beco que quero falar. o que eu quero é recordar aquela noite de 1963 ou 1964 em que, vindo da Azambuja, num Citroen 2 cavalos, me deparei, no Cercal, pelas duas horas da manhã, com dois militares - um a dormir na valeta e outro a pedir boleia. Parei, trouxe-os para as Caldas e fui levá-los a casa. Eras tu e o Armando (Louça Fina) que não se cansavam de dizer, durante a viagem, que eu tinha sido um santo que vos apareceu pois já andavam à boleia há mais de doze horas. Lembras-te?
Um abraço
Sanches

P.S.- Embora tenha trabalhado na empresa F. A. Caiado, nunca lá fiz marmelada (nem com aspas nem sem aspas) ao contrário do teu irmão Guilherme que, tendo saído do Beco com 13 anos, das duas uma - ou foi muito precoce ou voltou lá mais tarde.


Sanches..............07-02-2012

Esta é só para o meu amigo Sanches. Comecei a trabalhar aos 11 anos de idade. Tira as tuas conclusões.

Guilherme...............07-02-2012

Amigo Sanches
Penso que a nossa idade deve ser a mesma,nunca te vi no Bêco antes dos 14 anitos, mas comhecia-te bem moravas lá para o Largo João de Deus. ou rua dos Loureiros, penso que estou certo, por aí a rapaziada era outra mas todos meus amigos,não havia ricos e davamos todos bem, tu continuaste os estudos e eu aos 14 como adorava a ceramica, influência do meu vizinho J.Pratas, passava lá muito tempo com ele, consegui entrar nas Fainças B. Pinheiro onde trabalhava no escritorio a tua irmã Luisa, depois nós tivemos aquele famoso encontro que nunca mais te esqueste era as tais 2 ou 3 horas da madrugada, muito longe das Caldas, nesses tempos era uma grande distãncia, ou seja no Cercal eu estava na vida militar em Sacavém e nessa altura estava lá a fazer a recruta o tal Armando que nesse dia decidimos ir ás Caldas, eu até estava doente, e foi a essa hora que eu vejo o tal Cintroen 2 cavalos, porque nessa altura já tinhas automovel e levaste -nos para casa, nunca mais te esqueceste nem eu, ainda o ano passado demos um abraço e falamos nesse assunto,gostei muito de te ver, podes acreditar , a tua passagem pelo Bêco já não foi no meu tempo, tu trabalhavas no Caiado e talvez nessa altura ainda visses a tal marmelada e pasteis de nata nos tabuleiros de madeira, em cima de bidons ou até em cima das pedras a a panhar ar e digo-te todos os dias os comia eu e mais alguém e eram uma delicia muito melhores do que hoje com os tais inspectores, Bem essa questão vai dar outra escrita. Quanto ao vizinho que falas antes de chegar ao escritorio de onde trabalhavas no Caiado que vendia fruta, penso que só pode ser o Jose Lino que vendia bananas e ananazes, até isso tinhamos no Bêco era o numero um pai da amiga Isabel Lino penso que estou certo, quanto ao meu irmão Guilherme, brincar com a sua primeira vez, eu penso que ele se está a referir a comer pastéis de nata, quanto ao que estás a pensar, eu nessa altura já tinha saido do Bêco para trabalhar ,mas estava tudo sob control, não era facil......
Grande abraço para ti amigo Sanches e obrigada por falares do meu Bêco

Quanto à foto, vou tentar colocar os nomes aos retratados na minha casa no Bêco das Flores N 3.
Na fila de cima, Alice, Jose Santos, Jose Augusto "mais conhecido por o filho do Ti Inacio Sacristão" Quim Bucha "Já falecido "Jose Manuel Costa.

Em baixo, Guida Fabian, Carlos Gomes, Gerardo Alferes, David Viola, Eduardo Mondim "já falecido" Jose Silvino, as tres senhoras do lado direito, Deolinda Malhoa, Prima Mena "agora viuva de Vitor Mendes"e Amalia amiga da minha irmã Teresa, Teresa Santos " ja falecida" ao seu lado a irmã do Gerardo Alferes,os pequenos do lado esquerdo são a Elizabete Correia e Francisco dos Santos mais conhecido por Xico Zé, penso que estou certo...

Jose Gomes dos Santos ..........................07-02-2012

Apenas para confirmar que o tal senhor se chamava José Lino e era efectivamente pai da Isabel Lino, mais conhecida pela Isabel da Rocaltur. Ainda o transportámos ao Montepio na cabina de uma camioneta de carga da empresa mas já era tarde.
Para o meu amigo Guilherme,

Oh Guilherme, se começaste a trabalhar aos 11 anos já deves estar reformado há muito tempo!!! Será?!!!
Um abraço.
Sanches


Sanches..................12-02-2012

Meus amigos hoje não estou lá muito satisfeito, por causa daqueles problemas lá na Madeira, o Sporting continua a não convencer, mas para distrair o melhor é recordar os amigos em especial do meu Bêco, e vou começar a responder ao amigo Sanches. Será que não encontras o Guilherme, já a alguns anos a passear lá pela cidade ,o que quer dizer que está reformado, mas voltando ao Bêco eu pensei bem e não vou falar em nada, porque na verdade, não á grande interesse, porque como já disse os interessados para responder, a esta brincadeira, o principal já faleceu, estou a falar de Fernando Ceia uns dos amigos do meu grupo e dos mais reguilas, o Armindo Garcia, hoje padre, penso que ainda está vivo, mas nunca mais tive noticias, o Carlos mais conhecido por o "Rebola" penso que anda por aí,um dos amigos era o Romão, morava frente ao Bêco, havia o Eduardo Arroja ,as traseiras da sua casa dava para o Beco, O Carlos Mariano e o seu amigo "MUDO"tambem passamos boas , isto era da minha geraçâo, mas logo mais um ou dois anos, aparcecia o Jorge Caiado desde o ciclo preparatório nunca mais me falou nunca tivemos juntos porque ele era mais velho, o mesmo com o Carlos Raimundo , com o Puga e o amigo Vitor Sebastião, este muito diferente sempre falou ainda no ano passado demos um grande abraço de amizade, não me posso esquecer de outro grande amigo morava mesmo em frente de mim ,mas infelizmente ele não podia ir para os loureiros brincar devido á sua doença, mas estava com ele muitas vezes em sua casa, era o amigo Tito Viriato ,tambem não posso esquecer foi pouco tempo mas é o amigo Carlos Esgaio,passaram muitas historia giras mas não vale a pena estar a escrever porque hoje todos tem vidas e pensares diferentes, vou ficar por aqui e quando me lembrar de alguma coisa gira, vamos a isto, peço desculpa se me esqueceu de alguem, quanto ás meninas eram poucas mas boas, fica para outra altura.

Jose Gomes Santos..............13-02-2012

Boa tarde amigos
O meu primo Zé Ventura, enviou-me o link do blog, por saber que também eu tinha morada no Beco das Flores, que eu achei interessantíssimo.
Efectivamente fui para o Beco das Flores em 1957, vindo da Fanadia, porque os meus pais foram ambos trabalhar para a fábrica do F.A.Caiado. A minha mãe trabalhava nos tais pasteis de nata com o (Joaquim pasteleiro), homem de Tornada, e o meu pai era o homem fazia a “marmelada”, sem aspas.
Morava numa casa pequenina, que ficava ao lado de outra que pertencia ao Alfaiate sr. Antão, que nessa época já tinha a alfaiataria na Rua da Montras. Não sei qual era o número, mas era a primeira ou segunda a seguir a um pequeno largo formado por um prédio que ficava mais recuado, onde morava uma rapariga de nome Elisa.
Morei aí cerca de 3 anos, e trabalhava (desde os 12) na pastelaria Martins, na Rua das Montras. Bons tempos esses que passei no beco, embora não tivesse muitos amigos, porquanto provinha da aldeia e de pessoas muito humildes, também não estive lá muito tempo para cimentar grandes amizades. Por outro lado, memória já me vai faltando, mas lembro-me da tal Elisa, do Santana, que penso que era filho de um pasteleiro(?) e o Lousada, cujo pai tinha uma barbearia. Depois fui para a Rua da Caridade e em 1962 para Angola, tendo perdido todo o contacto com o Beco.
De Faro, um Abraço para todos
José da Conceição Santos
Conhecido na época por “Zé da Conceição”..................27-02-2012


Como é saudável este blogue! Aguça a minha curiosidade, de que eu gosto tanto, e fiquei com a pulga atrás da orelha, quando li que não sabiam quem era o tal "José Pedro Ferreira, caldense". Informei-me na minha última visita às Caldinhas e descobri que o dito senhor foi Presidente da Comissão Executiva do Hospital Termal, em 1921, por isso já lá vão 91 anos! A idade do meu pai!
Mas,digo em abono da verdade, que era muito mais elucidativo, escreverem o cargo, profissão ou acto heróico, que os tornou conhecidos, aquando da colocação do nome nas placas identificativas.
Por este andar, qualquer dia, a rua Maria dos Cacos (Stº Onofre)pensam que foi em honra de alguém que partiu a loiça toda em zanga familiar!
Beijinhos


Lurdes Peça.....................12-03-2012