Na minha memória mais longínqua, estão também ainda as matanças do porco, que se faziam então regularmente na minha aldeia.
Em minha casa não se matava o porco, as possibilidades económicas de meus pais não o permitiam, mas na família, havia muito quem o pudesse fazer.
Assim, todos os anos em pleno inverno invariavelmente decorriam as matanças, tinha que ser nessa época do ano, pois nesse tempo ainda não existia a possibilidade de usar as arcas frigorificas que vieram revolucionar o sistema de conservação das carnes pelo frio.
Matar um porco, era o governo de uma casa para o ano inteiro, por isso tanto cuidado na alimentação do animal, normalmente à base de beterraba, abóbora, as batatas mais miudas, couves, às vezes algum feijão bichado e milho, que iriam possibilitar que a panela pudesse ser devidamente temperada ao longo do ano, para satisfação alimentar e felicidade da família.
A matança do porco, que para os adultos não deixava de ser uma normalidade, embora fosse em parte também um escape para o dia a dia de trabalho árduo no campo, era uma festa para a gaitada.
Manhã cedo, juntavam-se os homens da família e os amigos, invariavelmente convidados para a função da matança e de tudo o que girava em volta desse acto, tradicional na vida das nossas gentes de então.
Amolavam-se as facas, lavava-se a banca e as mulheres preparavam os panos necessários para as diversas funções, o alguidar de barro vidrado com o sal e o vinagre e umas folhas de louro e alguns dentes de alho, para fazer a recolha do sangue que sairia da ferida, feita com a entrada da faca do matador, que picaria o coração do suíno e o faria morrer.
Antes do inicio das tarefas, pesticavam-se uns bocados de bacalhau assado temperado com alho e bastante azeite, a pingar em cima do pão de trigo cozido especialmente para esses momentos, bebiam-se uns tintos ou uns brancos, às vezes um abafadinho ou um cálice de aguardente com açúcar e depois lá iam direitos à pocilga, onde o porco olhava inocentemente o cocho vazio, uma vez que na véspera lhe não era dada qualquer refeição, para que ficasse mais limpo de intestinos, o que facilitaria depois a preparação da limpeza das tripas.
Abria-se a portinhola da pocilga e dois homens lançavam as mãos às orelhas do suíno que reagia invariavelmente, chiando e fazendo marcha-atrás e não raro também, tentando atingir com os dentes quem o queria agarrar assim tão rudemente.
Aproveitava-se a boca aberta do bicho para nela enfiar a corda que o matador transportava atravessada sobre os ombros, o que permitia controlar melhor o bicho..
Era laçada uma das patas traseiras e ora puxando, ora empurrando, lá se ia chegando o porco para junto da banca onde se procederia à matança, não raro, a dona da casa levava à frente do bicho um saquinho com grãos de milho, para o enganar, dizendo-lhe: chaninho, chaninho, chaninho, ao mesmo tempo que ia deitando uns grãozito para o chão… e o pobre do animal lá ia ao engano pelo seu pé, até ao local em que seria sacrificado.
Lá chegados, o momento era de extremo cuidado e expectativa … a uma voz, quatro ou cinco homens deitavam as mãos ao animal e lançavam-no para cima da banca que entretanto alguém inclinava para a frente, para facilitar a operação da aproximação do porco à mesma, depois era necessário que as mãos calejadas pelo trabalho no campo, agarrassem firmemente e com mãos de se ver o bicho, evitando ser por ele mordidos, ou que alguma das aguçadas unhas pudessem apanhar alguém, em local menos próprio, onde poderia fazer estragos mais ou menos graves.
Bem preso o animal, o matador raspava os pelos com a afiada faca no local da incisão e de seguida, enfiava a mesma entre os ossos do tórax, na direcção do coração da vítima, era o início do fim.
O porco chiava aflitivamente e o sangue começava a correr para dentro do alguidar de antemão preparado, algumas vezes o animal morria rapidamente, o que não era desejável pois isso não permitia que saísse o sangue que se entendia necessário, para fazer os negritos e para melhor conservação futura das carnes…
Aos poucos o estertor do bicho ia diminuindo… às vezes um último assomo de vida parecia voltar e ouviam-se mais uns grunhidos, que logo de seguida baixavam de intensidade, até que o porco restava finalmente morto, enquanto uma das mulheres que recolhera o sangue continuava a mexê-lo para que não coalhasse.
Às vezes nós os mais novos, impressionados com a violencia daquele acto, lá deixavamos escapar um condoído coitado...no que eramos de imediato repreendidos pelas mulheres que se apressavam a dizer-nos: não digas isso, porque senão ele leva mais tempo a morrer.
Quando finalmente o porco morria, o matador pegava numa rodilha branca bem limpa e introduzia-o pela abertura feita no peito do suíno, cortando o excesso e metendo com a ponta da faca bem para dentro, o pano que se tinha cortado.
Não se pense que a morte do porco era rodeada por extremos de malvadez e desejos sádicos de o fazer sofrer, não, tudo isso fazia parte de um ritual a que a prática ancestral dera razão de existir.
Depois o animal era deitado no chão… iria ser chamuscado. O mato para chamuscar o porco depois de morto: o tojo, a urze, a marganiça, a carqueja e os engaços para fazer a raspagem dos pelos queimados, tinham já sido antecipadamente preparados pelo dono da casa na semana antecedente.
Alguém largava entretanto o fogo a umas vides ou cepas que se mantinham por perto sempre vivas e nessa fogueira iam sendo sucessivamente acesas as paveias de urze, tojo e marganiça, enfiadas nos dentes de uma forquilha e passava-se com essa chama ao longo do corpo do suíno.
A operação ia sendo repetida, tendo-se o cuidado de não queimar demasiado o toucinho, que rachava com o excesso de calor.
Logo que o calor atingia o ponto necessário, alguns dos homens rapidamente começavam a raspar os pêlos queimados, uns com bocados de carqueja, outros com engaços guardados da última vindima e alguns com bocados de telha não afiados, ou uma navalha velha para não fazer cortes no toucinho, e todos rapidamente iam deixando o porco devidamente limpo, depois de ter sido devidamente chamuscado.
Alguém se disponibilizava também, para a limpeza das orelhas do animal o que não era tarefa fácil e se guardava para os especialistas…
Com uma enxada retiravam-se da fogueira algumas brasas, que se colocavam no interior das orelhas uma de cada vez e quando se pensava que já teriam feito o seu trabalho de queimar os pelos e dar alguma consistência à carne, as brasas eram retiradas dando umas pancadas nas orelhas e depois com uma faca ou uma navalha, iam-se limpando as mesmas lançando repetidamente água com um regador, até ficarem suficientemente limpas e raspadas.
Outros preparavam também os pés do porco : colocavam antes uma telha sobre a parte do pé que ficava por baixo, para que não apanhasse calor demasiado e chegava-se o lume às unhas de cima, quando o calor já era suficiente, retiravam-se as unhas puxando por elas, à mistura com umas queimadelas que nem as mãos calejadas evitavam e muito à sucapa tentavam metê-las dentro dos bolsos dos mais distraídos, brincadeira que era sempre recebida com boa disposição…e mais uma rodada para molhar as gargantas secas pelo fumo e pelo calor.
Quando um dos lados estava preparado, ou seja devidamente chamuscado e limpo, virava-se o porco e fazia-se tarefa idêntica do lado contrário.
Entretanto ia sendo despejada água sobre o animal enquanto se raspava e limpava, até o toucinho ficar limpinho e com a textura considerada óptima.
Quando finalmente o porco estava devidamente limpo passava-se à fase seguinte. O animal era retirado do chão e colocado sobre a banca onde era então feita a limpeza mais minuciosa e raspados os últimos pelos que ainda pudessem ter resistido à acção do claor.
Um dos homens limpava o resto dos excrementos que estavam dentro da zona anal, num processo não muito higiénico aparentemente, pois era feito com os dedos e no fim era cortado um bocado de uma rodilha que era enfiada no ânus do porco e bem metida para dentro, transportando-se de seguida o animal na banca armada em padiola, para um lugar onde se procederia no dia seguinte, à desmancha do porco.
O matador que era normalmente um homem com muita prática de matar e fazer tudo o que se relacionava com o trabalho posterior, para além do corte já referido à volta do ânus, caso se tratasse de um porco macho, procedia também a uma incisão à volta do pénis do animal.
Fazia-se depois uma incisão desde a zona por debaixo da boca do porco e pelo meio da barriga até à parte traseira junto o local que já tinha sido cortado.
Deslocava-se a carne que cobria as queixadas do bicho e abria-se a barriga e retiravam-se as tripas para dentro de um alguidar de barro suficientemente grande para as poder recolher e era dada aos mais pequenos, uma coisa pela qual haviam esperado ansiosamente: a bexiga do porco, na qual era de seguida pelos mais velhos introduzido um pequeno caniço por onde se sopraria para o enchimento, enquanto se iam dando com a mesma umas pancadas numa parede, para que esticasse e ficasse mais volumosa.
Depois, seguia-se invariavelmente uma jogatana de futebol, até que a bexiga com muita pena da gaiatada finalmente rebentava, o que nos levava a que procurássemos outra brincadeira.
Normalmente, um dos homens ia retirando as gorduras que envolviam as tripas, que eram guardadas para pôr no alguidar dos negritos e as tripas depois de limpas exteriormente, eram entregues às mulheres que partiam para junto de um curso de água ou de um poço, afim de procederem à limpeza interior das mesmas, para que depois fossem usadas para encher as linguiças, os negritos e as morcelas.
Eram também usadas para fazer as chouriças de carne, tripas de vaca que se compravam nas mercearias da terra, ou na vizinha cidade das Caldas, já devidamente curadas e preparadas para o efeito.
A limpeza das tripas era feita mais ou menos da seguinte maneira...: uma das mulheres ia cortando pequenos bocados de tripa que ia dando às suas companheiras de faina, estas pegavam-nas por um dos lados e aguardavam que com um regador fosse sendo vazada água pelo interior da tripa, fazendo com que a sujidade fosse saindo pelo outro lado, esta tarefa de deitar a água com o regador, era muitas vezes feita por algum dos miúdos e muitas vezes me calhou fazer esse trabalho e não se pense que era fácil, pois normalmente como essa tarefa era feita no Inverno, as mãos e os pés não deixavam de ficar enregelados .
Depois de várias operações de vazamento de água e depois de concluir que o interior já estaria suficientemente limpo, a tripa era virada num caniço previamente espetado no chão junto ao local da lavagem - daí advém certamente o dito de chamar então… pau de virar tripas, às raparigas extremamente magras.
As tripas depois de bem lavadas, eram metidas num alguidar de barro vidrado, o plástico ainda não tinha feito a sua aparição e nas mesmas era colocado sal, rodelas de limão e laranjas, sendo depois muito bem esfregadas.
Finda a tarefa, as lavadeiras das tripas voltavam a casa, enquanto que outras iam já tratando da ceia, que no primeiro dia constava especialmente do popular e apreciado sarrabulho.
Na preparação do porco os homens, normalmente o matador ou outro devidamente especializado pela prática, iam cortando alguns bocados de carne mais gorda - os bichos, que juntamente com o fígado e o pâncreas, serviriam para o sarrabulho.
Entretanto ia-se limpado o interior do porco, retirando-se a língua, o coração e os pulmões que ficariam para o cozido do segundo dia da matança.
Quando retirava o coração, restava sempre algum sangue na caixa torácica e então, alguém vazava vinho branco sobre o coração e o homem que estava a tratar do porco, lavava a caixa com o mesmo coração enquanto iam vazando a tal mistura de vinho com água, ou água-pé e no fim esta mistura de vinho e sangue era adicionada à carne dos negritos e a caixa torácica era devidamente limpa com um pano de algodão muito bem lavado, normalmente de cor branca (por expressar melhor a higiene, com a brancura…).
Depois de retirar os pulmões, normalmente o homem ia cortando os diversos órgãos interiores e entregava-os a alguém ou ele mesmo fazia,
enquanto ia invariávelmente dizendo para quem o acompanhava: se queres ver o teu corpo, mata um porco.
Limpava depois muito bem a entrada da traqueia e soprava com força enchendo os pulmões do porco para que ficassem bem esticados, no fim picava-os com o bico da faca e os mesmo iam perdendo o ar, sendo posteriormente entregues a uma das mulheres, que já havia recolhido o coração, para seguirem para a cozinha afim de serem adicionados no dia seguinte ao cozido - que era o prato principal da matança do porco e do qual constava normalmente: o coração, os pulmões, que na aldeia se chamavam de bofes, a língua e alguns bocados de carne limpa do lombo, alguns bocados de toucinho mais magro, o rabo (se não tivesse sido assado e comido logo a seguir à matança do porco), as orelhas, alguns ossos e as partes da cabeça do animal, incluindo as queixadas e ainda algumas linguiças e negritos que tivessem sobrado da matança anterior, ou que se pediam emprestadas a algum familiar ou vizinho.
O porco era então preparado para ser dependurado, afim de que todo o sangue escorresse, pois a carne para ser salgada e metida nos salgadores, ou salgadeiras como também se chamavam, não podia estar suja de sangue.
Era usado para pendurar o animal, um pedaço de madeira, normalmente retirado de uma tranca de oliveira ou outra madeira rija, que fazia um pequeno ângulo e que na minha aldeia de chamava de escápula.
As pontas eram um pouco cavadas para que o porco não caísse e no ângulo levava uma corda que servia para pendurar o porco nalguma viga ou barrote bem forte e atá-lo de forma a ficar com o focinho acima do chão e permitisse a colocação de um pequeno alguidar, que iria receber o sangue que escorreria nas horas seguintes.
Para pendurar o porco, descobriam-se nas partes traseiras das pernas as linhas, assim se chamava aos nervos e era por esses nervos que o cadáver ficava pendurado na escápula.
O porco era aberto para os lados com umas canas espetadas na barriga do animal de lado a lado e sobre essas canas ficavam penduradas as banhas, que posteriormente seriam colocadas numa panela ao lume para que fosse retirada a banha à qual se juntava um pouco de colorau e sal. Estas iam derretendo aos poucos e uma das mulheres ia vazando a gordura para dentro de umas púcaras de barro vidrado, de onde se retiraria posteriormente sempre que necessário, para servir de tempero durante grande parte do ano.
O que sobrava da banha e ficava na panela eram os torresmos, os quais se aproveitavam também ao longo do ano, quando se cozia o pão para fazer umas pequenas merendeiras de trigo ou milho, também chamadas na minha aldeia de brendeiras que eram um bom petisco, sempre muito apreciado.
No segundo dia ao da matança, logo pela manhã, juntavam-se os homens à volta do matador para proceder à desmancha do porco.
Aos poucos iam sendo cortados os lombos, normalmente conhecidos por febras, sendo algumas delas cortadas em pequenos bocados que se colocavam no alguidar das linguiças, também chamadas de chouriço de carne e que eram depois temperadas com sal, vinho branco, colorau, alhos, louro, cravinho, tendo o cuidado de todos os dias de manhã e à noite se mexerem as carnes que repousavam e ganhavam gosto no alguidar e ao fim de oito dias convocavam-se as mulheres da família, para proceder ao enchimento das tripas, ao mesmo tempo enchiam-se também aos negritos ou chouriços de sangue que eram feitos com gordura e sangue e eram temperados com vinho branco, cravinho, louro e sal.
Faziam-se ainda as morcelas, para o que se usavam as tripas grossas, sendo feitas a partir de alguma gordura, sangue, arroz e depois cozidas, as morcelas teriam que ser comidas dentro do menor tempo possível, ao contrário das linguiças e negritos que eram colocados e curados no fumeiro durante alguns dias, havendo o cuidado de durante esse tempo se ir fazendo pequenas fogueiras no local, para que eles fossem aos poucos ficando curados.
Depois havia quem as conservasse em azeite, ou as fosse deixando no fumeiro, de onde iam saindo à medida que iam parar dentro da panela, ou se retirava uma ou outra para assar e comer com os amigos na adega, nas tardes chuvosas de Domingo, enquanto se iam bebendo uns copitos do bom tinto ou branco da safra anterior, tirado do pipo pelo espicho.
Os ossos eram salgados e metidos na salgadeira e o mesmo se fazia com o toucinho que era cortado aos pedaços, esfregado com sal e colocado uns por cima dos outros entre camadas de sal. Era uma operação que exigia um certo critério, pois se o toucinho não fosse devidamente tratado, acabava por ganhar ranço e deixava de servir com a qualidade exigida para temperar a panela (ainda me cresce água na boca, só ao lembrar como era boa uma sopa de feijão encarnado com arroz, temperada com um bom naco de toucinho com febra).
As salgadeiras eram feitas normalmente de grandes vasilhas de barro vermelho vidrado, mas havia também quem as tivesse talhadas em pedra, ou feitas em madeira, tipo arcas, eram assim em madeira, as salgadeiras do meu avô Maximino, carpinteiro de profissão.
Habitualmente aquando da desmancha, faziam pequenos lotes -a assadura, constituídos por um bocado de toucinho, um bocado de carne limpa (febra) e um osso com carne, que servia para presentear alguns familiares e amigos, gesto que seria retribuído mais tarde quando os que eram presenteados, matassem também o seu porquito.
Era normal aquando da matança do porco, haver já na pocilga um outro mais pequeno que se estava já a engordar para a matança do ano seguinte.
Um porco era uma bênção de Deus, estava nele a garantia de comida para muito tempo, para toda uma família.
Maximino
(Fotos do Blog da Travanca)
Comentários:
Matança do porco
Meu caro amigo. Não tenho palavras. Se usasse chapéu diria simplesmente – tiro-te o meu chapéu. Depois de ler este tratado fiquei com os olhos postos no horizonte, de boca semi-aberta, para não me faltar o ar, e o pensamento distante, algures nos anos quarenta e cinquenta até meados dos anos sessenta, fazendo repassar pela memória situações idênticas, senão iguais, a que muitas vezes assisti e participei.
Todos os anos em minha casa, casa do meu pai, e aí até aos meus dezasseis anos, aquando ganhei asas e voei para outras paragens, se matava um porco, invariavelmente em Dezembro ou Janeiro.
Passava-se o ano todo a alimentá-lo, exactamente como descreves-te e com essas mesmas comidas, acrescento somente a lavadura (restos da nossa comida e de mais alguns vizinhos e amigos que se iam armazenando num bidão). Resta acrescentar que após o ritual da matança a pocilga era limpa, lavada e seca e levava palha nova de centeio, trigo, milho e tojos ou piornos, formando um pavimento mais quente e confortável, ficando assim preparada para receber os novos inquilinos, geralmente dois leitões acabados de desmamar, não fosse o diabo tecê-las e morrer algum durante o crescimento, recomeçando o ritual para a matança do ano seguinte.
No meu caso, como a habitação ficava num dos centros da aldeia, a pocilga foi construída a mais de um kilómetro de distância, no campo, sendo necessário levar-lhe todos os dias o comer para lhes encher o cocho, o que não era feito sem que primeiro fosse lavado. Por outro lado esta distância obrigava á colocação de um arganel, anel de arame que se coloca no focinho dos porcos para impedir que focem, não permitindo assim que abrissem no chão um buraco por onde pudessem fugir.
No dia antes da matança, a casa e quintal eram devidamente limpos e arrumados e toda a panóplia de apetrechos inerentes eram escrupulosamente deixados nos respectivos locais, os mais convenientes ao bom andamento do ritual do dia seguinte. Como não havia água canalizada a mesma era retirada de um poço através de um balde e respectiva corda envolvendo força braçal e tempo bem como recipientes receptores em abundância.
No dia da matança, tal como descreves-te, ia-se buscar o mártir para o altar do sacrifício.
Usava-se como acondicionadores da carne as salgadeiras, feitas em madeira, sendo os enchidos pendurados na chaminé.
Poderias, talvez, descrever melhor, mais pormenorizadamente, o ambiente social que era vivido pois que, por exemplo entre outros, durante a faina desenvolvida pelas mulheres de fazer enchidos, os homens ficavam sem nada para fazer e entretinham-se, á luz de candeeiros a petróleo, comprado ao petrolino ambulante, a jogar cartas, sueca de preferência, beber uns tintos, ou brancos, ou qualquer outra bebida espirituosa, que os invernos eram rigorosos e faziam tremer o queixo. E, como dinheiro não havia, os vencedores das rondas, quatro jogos marcados com riscos verticais num papel e um quinto jogo fechando a ronda, com um risco traçando os outros quatro, eram premiados com… como não há pastelinhos de bacalhau, nem croquetes e muito menos rissóis… vai mais um copinho.
Nota: A descrição que o Maximino colocou no post pode, numa primeira análise, parecer cruel, mas convém mencionar que toda a carne, peixe e vegetais, bases imprescindíveis da nossa alimentação, tiveram todas elas, um dia, vida. Assim sendo torna-se o texto e a sua descrição mais natural.
Um abraço e… venham mais descrições de tradições perdidas mas não esquecidas.
A.Justiça..........22-07-2010
Que Grande texto. Para a posteridade!
Paulo Caiado.......22-07-2010
Como também eu vivi os quadros tão bem descritos quer pelo Maximino quer pelo A. Justiça, não posso deixar de felicitar ambos pelas preciosas peças que escreveram para benefício de todos os visitantes do blog do Zé Ventura !
Só me permitiria acrescentar uma experiência por mim vivida numa matança em casa dos meus avós paternos, na Matoeira, uns 55 anos atrás.
Para que o "rapaz" fosse adquirindo a resistência aos quadros algo "pesados" da matança e da desmancha, fui encarregado de segurar num alguidar onde iriam ser depositadas as queixadas e o osso do peito do bicho. Essas coisas extraíam-se antes do porco ser pendurado, para enxugar.Ficava então pendurado numa "escápula", donde só descia no dia seguinte, para ser desmanchado.
Só que, o rapaz estava ainda em jejum e tanta era a atenção com que seguia a operação que ...desmaiou, deixando cair o alguidar, para gáudio dos graúdos que se envolviam no trabalho "cirúrgico"!
Prossigam, amigos, na evocação destas e doutras tradições do nosso povo ! Daqui a uns anos, ninguém restará para as recordar, com a autenticidade de quem as testemunhou e mesmo nelas participou !
Abraço do
Noronha Leal........22-07-2010
Maximino, de repente voltei atrás meio século. Todo este ritual se repetiu vários anos no centro do meu quintal até meados da década de 60. A descrição, os detalhes, os nomes exactos das coisas, a viagem até ao rio para preparar os enchidos, a bexiga melhor que os balões de hoje. Está tudo aqui.
Magnífico meu amigo.
J.L.Reboleira Alexandre......22-07-2010
Perfeito, uma descrição que só pode ter este epíteto.
Era e ainda é, de certa maneira, o que se passava na matança do porco.
Muitos parabéns Maximino
Filipe Domingos........22-07-2010
Olá amigo, boa saude em primeiro lugar...
Obrigado pela vossa atenção que me têm dado, eu sei que sou bastante maçador,mas o que vale é que há sempre alguém paciente para aturar esta praga...
Obrigado Zé por teres enriquecido o texto com as fotos, mas já agora envio-te uma foto onde eu sou personagem também...esse jovem de barbas à cabeça do bicho...sou eu
Um abraço
Maximino
Descrição perfeita do Maximino, como era a matança do porco na aldeia.
Na minha não se usava a faca mas sim o "ferrão", o qual era aplicado, "ferrado" até ao coração.
Junto umas fotos que, creio ser entre 1978/1980.
J.Santana Marques........22-07-2010
Ainda bem que consegui despertar as vossas memórias...aconteceu comigo a mesma coisa, à medida que ia desfiando as recordações..."ia vivendo" as acções...
É verdade amigo Justiça, esqueci "as lavaduras" que na minha aldeia eram mais provenientes das lavagens dos utensílios onde se fazia a comida e se comia a mesma, do que propriamente dos restos, porque nesse tempo raramente havia restos na maior parte das casas...não havia faltas, mas era tudo muito melhor administrado...
Obrigados aos amigos Justiça, Caiado, Noronha, Reboleira, Filipe e como não podia deixar de ser...ao nosso Zé Ventura...
E em relação as fotos que o Santana enviou, retratam uma outra maneira de matar o porco algo diferente da usada na minha aldeia..
Achei engraçado os comentários colocados nas fotos...: a boca atada para "faltar o ar" ao bicho e possivelmente (pensava ele...) levá-lo a morrer mais rapidamente...
Mas não... a boca atada era para evitar "experimentar" os dentes do porco...!!!
Um abraço para todos vós...
Maximino...............23-07-2010
Amigo Maxmino, simplesmente magnifico este post "Parabéns"
Assim como todos os últimos textos que têm sido perfeitas lições de participação bem haja a todos.
Resolvi participar neste porque mexeu mais comigo, embora ter sido um menino de cidade, tive porém a sorte de assistir a muitas matanças de porco, porque nesse tempo a minha mãe tinha algumas raparigas a trabalhar para ela, que eram das redondezas das Caldas,(Couto, Tornada,Alfeizerão) e os seus pais matavam porcos todos os anos, então a patroa e familia era sempre convidada para tal acontecimento, onde eu o (menino) ia no dia antes dormir a casa delas para assistir a toda essa preparação e festa, que para mim de facto era uma festa.
Como o amigo Maxmino a descreve e bem.
Mais tarde, cada vez que ia a Portugal, o meu sogro em Aveiro também mateve essa tradição por alguns anos, com a simples diferença de matar no verão para nós termos fartura, isto nos anos setenta, já eram outros tempos.
Assim como tive um ano em Portugal que um primo meu de Aveiras de Cima, fez uma festa de despedida na sua adega, para mim e familia, que juntou um grande numero de amigos e familiares, onde mataram três porcos, não muito grandes claro, entre eles um era "mudo" o qual não chiava nem rosnava, era mais pequeno do que os outros, então um amigo deu par esse dia.
Isto é só para também mostrar a diferença dos tempos e da fartura, nos tempos de cinquenta, matava-se para abastecer as casas e familia e dar de comer para o ano, quinze anos mais tarde, já se matava por festa e para manter a tradição.
Excelente trabalho amigo Maxmino.
Um abraço para todos
Antonio Abilio ...............24-07-2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
A Matança do Porco…
quinta-feira, 15 de julho de 2010
O Sr. Custódio
A estória que vou contar nada tem a ver com Alunos Bordalo a não ser, e apenas, por fazer parte dos horizontes da memória deste Aluno Bordalo que fui e… perdoem-me a imodéstia, continuo a ser.
Com esta estória pretendo apenas “destacar” e levar ao vosso conhecimento, uma pessoa divertida, alegre, simples como só as pessoas do povo profundo são simples, que tratava os jovens por meninos e os adultos por senhor.
Quando conto uma estória de vida procuro que a mesma tenha algum ensinamento, seja ele na forma de um ditado popular, provérbio ou, como este que vos vou entregar, uma chamada de atenção para o facto de que não nos devemos distrair ou abstrair daquilo que se passa à nossa volta… isto porque nos últimos anos temos andado muito distraídos e só por isso o nosso País se colocou à beira do abismo. Esta é a estória do Sr. Custódio.
O Sr. Custódio era, era não, foi, - pois já não se encontra entre nós há muitos anos, - tudo isto, brincalhão, risonho, educado embora, penso, não saber escrever ou ler, falava com todos e todos lhe falavam, possuidor de um lato saber que só a idade e a experiência de vida pode doar mas… há sempre um mas… tinha uma devoção extremamente dedicada à pinga, tinto de preferência, que se a mesma devoção fosse dedicada a Deus era mais Padre que muitos Padres e hoje estaria canonizado.
Ora o Sr. Custódio todos os dias de Verão, ao fim da tarde, saltava para cima da sua carroça carregada com bidões e baldes, sentava-se no banco - que mais não era do que uma tábua atravessada de lado a lado da carroça - puxada por uma mula que, - bem acompanhada pelas suas moscas particulares e sempre fiéis, - de tantas vezes fazer o percurso já o sabia de cor e se tornou nos olhos de ambos, sabia quando andar e por onde ir e quando parar, enquanto o dono, sentado no seu lugar, dormitava e ambos lá iam realizando uma das suas múltiplas tarefas diárias.
Esse trabalho consistia em ir de casa em casa, restaurante em restaurante, hotel em hotel e recolher a lavadura, que como sabem, consistia de restos de comida que depois de colocados nos recipientes da carroça eram transportados e despejados nos “cochos”, comedouros próprios para porcos, onde a sua pequena vara de porcos, “fuçantes” e esfomeados, se encavalitavam uns sobre os outros na conquista de um lugar para se refastelarem a comer.
(Todos os anos, em alturas próprias, se matava um ou dois e a sua carne e afins, tudo no porco é aproveitado, depois de devidamente acondicionados em salgadeiras, serviria para alimentar a família.)
Mas para cumprir esta tarefa de recolha, havia num senão… é que ao longo de todo o trajecto, desde a saída de casa, situada quase na periferia da aldeia, até ao regresso havia inúmeras tabernas e cafés, ora à esquerda ora à direita da estrada e que eram locais de paragem obrigatória, não que o Sr. Custódio parasse a carroça, não era preciso, a mula que era
conhecedora destes costumes parava por ela própria e o Sr. quando a carroça parava abria os olhos para identificar o local, não fosse a mula fazer batota e ter saltado uma paragem, saltava do seu lugar e ia restabelecer o nível de “tintol” no depósito com um “copo de três”.
Ora uma bela tarde no fim de mais um dia de Verão, já no regresso a casa para ele e ao curral para ela, faltavam apenas mais dois postos de abastecimento, fornecedores desse liquido abençoado pelos Deuses, a Dona Mula, ou por cansaço, ou por fome, ou por tédio resolveu não parar num dos postos. Só que esse era especial, o produto era mais rico em octanas e porque defronte havia uma árvore e a mula só parava quando encostava a cabeça na árvore e ali ficava com a cabeça encostada até que o seu dono acordasse, descesse, abastecesse e regressasse do posto de abastecimento.
Mas ela nesse dia continuou caminho, olhou de lado para a árvore e, ou não estava com paciência para ficar ali de castigo com a cabeça encostada à árvore e orelhas de burro, ou estava com pressa, provavelmente aborrecida por não ter encontrado nenhum “mulo” para um bate-papo… eu sei lá as razões.
Por instinto ou porque o tempo decorrido desde a paragem anterior lhe parecesse mais longo que o habitual, o Sr. Custódio abriu os olhos, puxa as rédeas obrigando o animal a parar e exclama em alta, roufenha e “envinhada” voz a frase que ficou celebre e que hoje, na aldeia e julgo que até esta minha geração durar, será sempre utilizada para admoestar todos quantos se distraem das suas obrigações, ou simplesmente não reparam numa “bomba” de belo corpo e um palminho de cara a passar por perto, o que não deixa de ser também uma obrigação o devido préstimo de atenção…
ABRE OS OLHOS MULA QUE JÁ É DIA…
A. Justiça
Comentários:
Abre os olhos mula...!!!
Boa história amigo Justiça...!!!
Já que não se contam as histórias passadas na Escola com os colegas, vão-se contando as histórias que um ou outro conheça...
Mais dia menos dia, vão começar os nossos colegas a contar as suas vivencias passadas...
Abraço
Maximino...........16-07-2010
Leva a comida para o cocho do porco, Zé!
Quantas vezes eu ouvi esta frase autoritária, vinda de meu pai ou de minha mâe. No entanto a palavra «cocho» escrita desta forma, e com este significado, estava totalmente esquecida, e este belo texto do Justiça fê-la reaparecer como por encanto.
Só nós miudos da aldeia pudemos viver paredes meias com porcos, burros, éguas (o Mercedes da época, que o dono do burro estaria hoje ao nivel do dono duma pequena cilindrada), galinhas, coelhos, sei lá. A lista era infindável. A matança do porco, no nosso caso motivo para peregrinação a pé até Alfeizerão, onde iriamos encontrar os nossos primos, que até certa altura apenas viamos nessas ocasiões.
Existência muito mais rica afinal do que a dos miúdos da cidade que já viviam em apertados apartamentos. Nós tinhamos o campo todo para nós e também éramos felizes e despreocupados, até aqueles cuja existência seria um pouco mais dificil! Há um personagem da minha aldeia e da minha idade, infelizmente já desaparecido, que merece uma crónica, e que, prometo, logo que para isso tenha tempo, trazê-la para aqui. A sua meninice foi tão pobre e ao mesmo tempo, tão rica que, vão ver, vale a pena!
J.L.Reboleira Alexandre..........16-07-2010
Parabéns amigo Justiça Excelente estória.
Todas estas estórias são passagens dos nossos tempos de escola.
Obrigado.
Um abraço
Antonio Abilio.........24-07-2010
domingo, 11 de julho de 2010
A Bateira da Lagoa de Óbidos
Tenho andado a escrever algumas notas para deixar para os meus netos...
Entre elas algumas coisas escritas sobre a Bateira...
E possível que esteja com um português um pouco arrevezado, pelo facto de umas vezes ser escrito no passado e outras no presente, mas talvez mesmo assim tenha algum interesse para alguns que pouco saibam sobre a Bateira.
Para os que saibam mais do que eu, façam o favor de acrescentar o que quiserem...
Um abraço
Maximino
A bateira é o barco típico da Lagoa de Óbidos, falarei dela algumas vezes no passado, pelo facto de que ainda existindo, já não serem tratadas como nos meus tempos de miúdo, nem serem locomovidas como então, uma vez que o são agora normalmente por motores fora de borda.
É um barco de fundo chato com cerca de 6/7 metros de comprimento, com a popa – ré – cortada e que tem por cima um pequeno estrado fixo, onde se colocava o homem que tocava a bateira à vara, ou pé de cabra – o pé de cabra era uma vara comprida de 5/6 metros que na parte de baixo tinha pregada um bocado de madeira saída para o lado como se fosse um pé e que servia para não deixar que a vara se enterrasse demasiado nos fundos lodosos da Lagoa, o que levantaria dificuldades acrescidas ao individuo que tocava a bateira, uma vez que ao fazer força, a vara se enterraria no lodo e quando a quisesse puxar, travaria a marcha da bateira.
Na parte da frente à popa, uma cobertura abaulada com cerca de 1,50 de comprimento, que tem uma cercadura em madeira à volta e dois pequenos orifícios que vazam para fora e servem para o escoamento da água com que se lava a parte de cima da proa, novamente para dentro da Lagoa.
Debaixo desta cobertura se guardava o garrafão e o farnel, não só de quem trabalhava na Lagoa, mas também daqueles que de quando em vez usavam a bateira para se dirigir à Foz do Arelho, para passar uns agradáveis momentos, numa pausa dos trabalhos árduos do campo.
O esqueleto da bateira, a que se chama cavernas e onde são pregadas as tábuas que servem de fundo e de lado à própria bateira, são normalmente feitos a partir de ramos de pinheiro manso, porque as trancas dessa variedade de pinheiro permitem a adaptação para esse uso.
Normalmente começa-se a sua construção, colocando as cavernas de um lado e de outro e encontrando-se paralelamente, na zona que será posteriormente o fundo da bateira, depois é pregada uma tábua nesse mesmo fundo e outra de cada lado das cavernas e é dada a forma inicial à bateira, afinal não deve diferir muito da maneira usada par construir outros pequenos barcos, noutros locais do País.
Vão seguidamente sendo pregadas todas as tábuas – em madeira de pinho bravo – até se completar a bateira. As frinchas entre as tábuas são depois vedadas com estopa e finalmente é tudo impermeabilizado com breu.
O breu é um subproduto do petróleo e é vendido em forma de pequenas pedras pretas que são colocadas sobre o fogo a derreter, numa panela de ferro de três pés - e a forma de saber se o breu estava no ponto para o uso na bateira era o seguinte: quem preparava o produto, deitava uma cuspidela para dentro da panela e mexia com um pau, se se ouvisse o ruído característico de matéria gorda a frigir, estava no ponto e podia ser aplicado com pincéis no costado e no fundo exteriores da bateira.
Depois a bateira era colocada dentro de água para que a madeira pudesse inchar e ficar impermeabilizada e pronta para flutuar.
Hoje já não se usa o breu e por isso me referi à sua aplicação no passado, pois hoje existem no mercado produtos que fazem a impermeabilização em condições melhores que o breu e também são usadas tintas modernas, mais apropriadas por terem menos toxicidade, para poderem ser usadas na Lagoa.
Também o uso de motores na bateira, levou a pequenas alterações na ré, deixando de ter o pequeno estrado fixo para a colocação do homem que empurrava a bateira à vara, para ter um reforço onde se coloca o motor .
A bateira como não ficava perfeitamente estanque, acabava por meter alguma água, inclusive da chuva e para retirar essa água era usado o bartidoiro, que creio dever ser mais correctamente chamado de vertedouro, uma vez que servia para verter a água de dentro da Lagoa para a bateira para a lavar e depois retirar essa mesma água dos fundos da bateira, entre os espaços das cavernas e devolvê-la à Lagoa.
Presentemente são raras as bateiras que ainda possuem o referido bartidoiro, pois presentemente usam garrafões de plástico de cinco litros que cortam de maneira a poderem ser usados para o fim em causa.
O fundo da bateira tem normalmente uns estrados para facilitar a locomoção das pessoas dentro da mesma, que são amovíveis e o fundo não é completamente coberto para possibilitar a extracção da água que corre de espaço para espaço, porque as cavernas têm dois pequenos cortes de cada lado virados para o fundo da bateira, para que a água possa transitar entre eles.
As bateiras eram também movidas a remos, mais leves os que eram usados pelos varinos sentados num banco transversal, quando andavam na faina da pesca para facilitar a colocação de redes e galrichos.
- Os varinos eram homens oriundos do norte de Portugal, que viviam em pequenas barracas feitas de caniço na beira da Lagoa.
Ganhavam a vida praticando a pesca da enguia, que apanhavam através de galrichos e ainda de tainhas e outras variedades de peixe que apanhavam nas suas redes de emalhar.
Depois vendiam ou trocavam por produtos da terra o peixe apanhado, nas outras aldeias limítrofes da Lagoa .
Para usar a bateira como meio de transporte, eram usados também dois remos mais pesados e colocados dois bancos na bateira, onde se sentavam os remadores.
Para ancorar a bateira, era usada uma pedra envolvida por dois troncos laterais e um na base, com as extremidades salientes, aos quais era atada uma pedra que servia de ancora – a que se dava o nome de poita .
Quando era necessário manter a bateira parada, lançava-se à água a poita e a bateira ficava mais ou menos imobilizada pela acção não só do peso da pedra, mas também da tracção provocada nos fundos da lagoa pelos troncos salientes, presentemente, são usadas ancoras feitas de ferro.
Hoje já existem muito poucas pessoas que sejam capazes de construir capazmente as bateiras, que pouco a pouco vão sendo substituídas por pequenas lanchas de fibra de vidro.
Ainda nos finais dos anos cinquenta do passado século vinte, as bateiras eram usadas para a apanha do limo (moliço) na Lagoa.
Esta prática perdeu-se de vez nos inícios dos anos sessenta, não só pelo facto de o limo começar a rarear na Lagoa pela acção do assoreamento e crescente poluição, mas também pela ausência dos homens que normalmente trabalhavam na agricultura e na Lagoa, uns porque emigraram à procura de melhores proventos e outros, os mais novos, por terem sido enviados para a guerra que ao tempo tinha começado nas distantes terras de África, que eram colónias portuguesas
Comentários:
Maximino
Quando referes as partes principais inerentes a uma embarcação as mesmas são, popa e proa, estibordo e bombordo. A ré refere o sentido da marcha, é por isso um movimento – avante, para a frente, á ré, para trás.
Embora não se encaixe no teu texto, outra dúvida que tenho reparado em conversas de marinheiros, principalmente amadores, é a confusão que fazem ente milhas e nós. Milhas refere distância e nós refere velocidade, pelo que não se deve dizer que uma embarcação se desloca a tantas milhas por hora mas sim a tantos nós por hora.
Como pediste ajuda para o teu texto aqui fica o meu comentário.
Resta-me dar-te os parabéns por este exercício para memória futura. Nunca me lembraria escrever algo destinado a descrever a Bateira de Óbidos, (embarcação de fundo chato e pequenas dimensões desprovida de quilha) sua construção e “modus-operandi”.
Um abraço
Obrigado pelo comentário amigo Justiça...
É claro que alguns termos técnicos me faltarão, mas também é bom que tenhamos em conta que na Lagoa de Óbidos em referencia ao tempo que descrevo, os pescadores e apanhadores de limo desconheciam em maioria os termos de bombordo e estibordo...
É possível que hoje, os possuidores de bateiras, porque já providos de licenças específicas saibam o que é isso, mas também ao tempo a que me reporto mais, isto é antes do aparecimento dos motores fora de borda, mesmo que houvesse um ou outro "encosto" entre embarcações, nunca o perigo era de maior devido à velocidade relativamente baixa a que navegavam então...
Se o Zé Ventura tiver paciencia para postar e os colegas paciencia para ler e comentar, talvez que eu me atreva a outras descrições, tais como..: a matança do porco...o jogo da bilharda (ainda se recordam ...?)...as viagens em bateira à Foz do Arelho etc...
Só agora ao reler o comentário do amigo Justiça, reparei num erro que ele refere.
Efectivamente a parte da frente é a proa, tratou-se de um lapso da minha parte...
Abraço
Maximino.........12-07-2010
Excelente texto que demonstra o que aqui escrevi uns posts atrás como comentário: a história das Caldas está constantemente a ser escrita nos diversos blogues.
A "paciência" para os eventuais posts que refere é a sua, nós, os leitores, estamos ansiosos por mais.
Um abraço
João Jales..........12-07-2010
Só uma pequena achega para ajudar a descrever o significado da bateira, para um miúdo de 7/8 anos, no início dos anos 60.
Alugávamos uma bateira, sábiamente conduzida por um condutor tisnado pelo sol e pela maresia) para nos levar à outra margem.
No caminho havia, por vezes, ilhotas ou zonas de água pouco profunda,onde, todos nós, eu, os meus Pais, o meu tio, os meus Avós, apanhávamos uma sacada de berbigão que, depois íamos abrir, na outra margem num fogão a petróleo que havia sido, judiciosamente, "mobilizado" para a função.
Falece-me aqui a memória para acrescentar pormenores ao lado líquido da patuscada...
Para o puto, havia, seguramente, gasosa ou pirolito (da bolinha).
Ao fim da tarde, completada a expedição, voltávamos à Foz para apanhar a camioneta dos Capristanos para regressar às Caldas e dali à Matoeira.
Ainda hoje, ao ver as bateiras, me parece que sinto o cheirinho dos berbigões ...
Mais de meio século passado, a Foz e a Lagoa continuam, com todos os seus símbolos, a fazer-me sentir menino nem que seja só por uns instantes ...
Noronha Leal.............12-07-2010
Maximino
Já agora junta a pitoresca festa das descamisadas nas eiras acompanhadas com os rituais do aparecimento do milho-rei, danças e cantares e mata-bicho.
Voltando ás bateiras substitui "mesmo que houvesse um ou outro "encosto" entre embarcações" para "mesmo que houvesse um ou outro abalroamento".
O casco, invólucro exterior, composto por Fundo, a parte mais baixa do casco, Costado, as partes laterais do casco, Encolamento, junção entre o Fundo e o Costado. Para reforço do Costado este assenta sobre o Esqueleto e Balizas que recebem as Boeiras, pequenos rasgos ou furos que permitem a passagem de liquidos de Caverna para Caverna sendo, geralmente, a do meio destinada a escoar a água. Ao conjunto de Balizas dá-se o nome de Cavername que por sua vez formam as Cavernas.
Vaus e Longarinas unem as Balizas entre si, transversal e longitudinalmente.
Como a Bateira é desprovida de Quilha esta é substituída por uma prancha de madeira ou chapa de ferro longitudinal, sendo através dela que é construida a embarcação tornando-se como que a espinha dorsal.
Depois não digas que não dei o meu contributo para a construção da bateira. Em troca quero dar umas varinadas depois de construída.
Um abraço
A.Justiça................12-07-2010
terça-feira, 6 de julho de 2010
Matilde Rosa Araujo
A Escritora Matilde Rosa Araujo morreu hoje aos 89 anos.
O que muita gente não sabe é que esta escritora, que ficará para sempre ligada à docência e à literatura infantil, foi professora na nossa Escola nos anos cinquenta, deu aulas de Português durante dois anos.
Recorrendo a uma fotografia da Solange, provavelmente tirada numa festa da espiga, podemos ver vários professores e a poetisa Matilde Rosa Araujo, em pé no lado direito.
Em jeito de homenagem aqui fica um poema de sua autoria, publicado em 1986
Presentinho de Natal
Eu queria ter um cestinho cheio de Flores
Para tecer um xaile de muita cor, muito lindo!
E um retalhinho do Céu
Para fazer um vestido azul tão lindo!
E mais sete estrelas das mais brilhantes
Para armar um chapeuzinho de Luz!
E mais ainda dois quartinhos de Lua
Que chegassem para uns sapatos de saltos muito altos
E tudo isto, depois
Eu dava a minha Mãe
De dentro do meu coração
Neste dia de natal:
O Xailezinho de muita cor,
O Vestido azul,
O chapelinho de Luz,
Os Sapatos de saltos muito altos…
Minha Mãe! Minha Mãe!
E hoje é dia de Natal
E só posso dizer
Minha Mãe! Minha Mãe!
Matilde Rosa Araújo – O livro da Tila
Livros Horizonte,1986
(Ao mesmo tempo que elaborava este "post" recebi da Fátima Valente este mail que transformei em comentário )
Adeus MATILDE ROSA ARAÚJO...
Partiu hoje mais um grande vulto das nossa Letras!
Já partilhei isto convosco há meses, mas permitam-me que o recorde uma vez mais: num determinado dia dos finais do ano de 1974,
fazia eu uma visita à Drª Maria Xavier quando, em sua casa, conheci pessoalmente a Drª Matilde Rosa Araújo, que a visitava igualmente.
Logo me pareceu uma pessoa encantadora!
Sei que chegou a ser professora aqui na nossa cidade e creio, não o posso assegurar, que a grande ligação que ambas mantinham entre
si provinha precisamente dessa época.
Deixou-nos vasta obra, essencialmente dedicada aos mais pequenos.
Paz à sua alma!
Em jeito de homenagem, recordemos este poema:
Berlinde
Era uma vez uma pomba
Sem um ninho, sem um pombal,
Era branca como a Lua
E os seus olhos de cristal.
Era uma vez uma pomba
Que não sabia chorar:
O seu choro trrru… trrru…
Era um modo de cantar.
Era uma vez uma pomba
Que noite e dia voava:
Fosse noite, fosse dia,
Nunca a pomba descansava.
Era uma vez uma pomba
Que nos céus, longe, voava,
Seu coração um berlinde
Grande segredo guardava.
Era uma pomba tão estranha
Que voava noite e dia:
Quanto mais alto voava
Mais da terra ela se via.
Era uma vez uma pomba
Com penas de seda real:
Era uma pomba do Mundo
Com seus olhos de cristal.
Seu coração um berlinde
De vidros de sete cores,
Que do sol tinha o brilhar,
Um espelhinho de mil flores.
Um dia longe nos céus,
Viu um menino a chorar
Sentadinho sobre um monte,
Numa noite de nevar.
Não era branco nem negro
Assim na neve o menino,
Seu chorar era triste,
Tornava-o mais pequenino.
E a pomba logo o viu
Com seus olhos de cristal:
Logo desceu para o monte
– Era aquele o seu pombal.
Poisou nas mãos do menino
Com seu corpo, seu calor:
Mãos por debaixo da neve,
Ninguém lhes sabia a cor.
Dorme, dorme, meu menino…
Branco ou negro tanto faz:
Meu coração é um berlinde,
Tem o segredo da Paz.
E o menino já ria,
Podia dormir sem medo,
Sonhava com o berlinde,
Coração feito brinquedo.
Há quem diga que uma estrela
Fugiu do céu a correr,
Atravessou todo o mundo
Para o segredo dizer.
Escutaram-na os meninos,
Têm um berlinde na mão:
Seja noite de Natal,
Seja noite de S.João.
Paz à sua alma...é interessante que quando ouvi a notícia, o nome me suou algo familiar...deve ter sido essa a razão..: a ligação à nossa Escola...!!!
Vamo-nos uns atrás dos outros, de cada um...fica o que de positivo possa ter feito pelos outros...!!!
Às vezes coisas que parecem até insignificantes, conjuntamente com a Amizade...mas é o que perdurará na memória dos que ficam...!!!
Cada vez mais orgulhoso por ter tido a ventura (também de ti Zé...!) de ter sido acolhido pelo mesmo telhado que tão ilustres professores e colegas...mesmo que alguns de nós(a maioria...), não tenhamos saído da penumbra do anon imato...!!!
Um abraço para toda a Familia Bordalo...!!!
Maximino.........07-07-2010
....Foi minha professora de Francês na Escola Industrial e Comercial das Caldas da Rainha, em 1954/5. Recordo-a com saudade porque pertence àquela meia dúzia de mestres que nos marcam para a vida.
Para ler texto completo (Clique aqui)
Carlos Cruz..........07-07-2010
MATILDE ROSA ARAÚJO
Escritora, professora, poetisa e...
simplesmente HUMANA
Tive o privilégio de me cruzar com esta grande SENHORA, no princípio da década de 50.
Foi minha professora de português, quando da sua passagem pela nossa Escola.
Nunca ouvimos nas aulas um tom de voz mais exaltado. Resolvia todos os problemas com uma tranquilidade invulgar. Até os colegas mais "reguilas" se deixavam influenciar positivamente.
Só quem privou com esta grande SENHORA, pode avaliar da serenidade e paz que nos incutia. Passados tantos anos, ainda recordo com saudade e transmito aos meus netos este exemplo de vida.
QUE A PAZ QUE DISTRIBUIU PELA TERRA.... A ACOMPANHE ONDE QUER QUE ESTEJA.
Mário Reis Capinha.........07-07-2010
Tenho dado voltas à cabeça e não me consigo lembrar da Dra. Matilde Rosa Araújo embora tivesse sido dos meus anos de escola. A Dr. M.Xavier foi minha professora de Língua História Pátria e ficou-me sempre na memória.
Da foto que a Solange guardou estão muitas alunas que nunca entraram no blogue.Sei o nome de algumas e pelo menos 5 ou 6 já não fazem parte deste mundo materialista. Estejam todos em paz.
Chaves..........07-07-2010
domingo, 4 de julho de 2010
Eu hoje estou “zangado”
..e porquê?
Ao ler a Gazeta desta semana, deparei-me com uma “estória” deliciosa sobre as aventuras e desventuras da construção de uma nave espacial que nos levaria até à Lua. (Ver Artigo)
O nosso antigo colega e amigo Fernando Rocha conta-nos, como em colaboração com o Rogério Guimarães, Mário Lino e outros meteram mãos à obra para levar a bom porto tarefa tão árdua.
No fim da leitura dou comigo a pensar que esta era uma das muitas “estórias” que faziam todo o sentido no Blog; acho mesmo que faziam mais sentido no Blog do que na Gazeta das Caldas, pese embora a minha admiração e simpatia pelo jornal.
Por isso “Senhor Deputado Municipal”, se lhe apetecer, tem aqui um espaço à sua medida. Bem sei que não tem tanta audiência como o jornal regional, mas certamente tem “clientela” que acharia muita graça a esta e outras “estórias”.
Zé Ventura
Comentários:
Não fiques zangado, pois já deves de estar acostumado ás faltas de apoio, de alguns dos nossos ex colegas, pois eu reparo por exemplo que alguns participam com mais frequência no blog do ERO, que eles não frequentaram, do que propriamente no blog da Escola, será uma coisa a ver com o EGO?
Reparando bem talvez não!
Sempre me lembro que nas Caldas essa coisa da união nunca existiu, no nosso tempo de miúdos a cidade era pequena, conhecíamos todos uns aos outros e já havia nesse tempo dois clubes por exemplo, em vez de haver um forte e bom.
Portanto isto não é novidade.
Embora que é saudável haver competição e variedade para que todos nós tenhamos, mais e melhores escolha. Na certeza porém não penso que estejamos em competição com qualquer outro órgão de comunicação, acho que o blog é um meio de encontro e de troca de estórias dos antigos alunos da nossa escola.
Finalmente falando sobre o tema é curioso que eu recordo-me dessa tentativa de lançamento do foguetão, construído por alguns alunos da escola, se a memória não me atraiçoa o falhado lançamento foi algures na estrada de Tornada perto da Rol ou da fábrica do tijolo. Penso que tudo isto aconteceu na altura da inauguração oficial das novas instalações da Escola.
Também me recordo que o mesmo deu um berro e o nosso Departamento Espacial morreu nesse mesmo lançamento.
Um abraço a todos e continuem sempre a dar o vosso contributo.
Antonio Abilio ……..04-07-2010
Vamos lá ver se da pena de tão ilustres homens da ciência, nos vão contar ainda as estórias do colega Camenta...
Anónimo…….04-07-2010
Zangado?
Porquê Zé? O nosso Blog tem editado excelentes estórias sobre o passado, aventuras e desventuras de colegas. Algumas até longas, bem escritas e descritivas do tempo e espaço em que aconteceram, enquadradas e adequadas ao ponto de nos terem transportado ao passado e aos momentos descritos.
Não me cabe a mim fazer julgamentos, sou demasiado novo no Blog, mas como uma boa parte das estórias escritas já publicadas, outras ainda estão por publicar, foram elaboradas por mim no afã de elevar o prazer da escrita e leitura confesso que por vezes fico frustrado com a pouca, ou até ausência, de comentários. Ora isto poderá levar os outros autores a pensarem que os temas e suas formas de contar são obsoletas por sem interesse, ou, o que é pior, que escrevem “para as paredes”.
O António Abílio propositadamente tocou no “fulcro” da questão, embora tente disfarçar mais á frente, nas suas considerações, que o problema não se encontra no EGO de cada um. Mas é isso mesmo, António, ninguém gosta de escrever ou fazer seja o que for, “para o boneco”.
Eu sou um dos atingidos pelo comentário de “participam com mais frequência no blog do ERO, que eles não frequentaram, do que propriamente no blog da Escola” e podes crer que isso não me faz sentir bem mas, é de bom tom, reconhecermos de que pelo menos escrevemos para alguém, muitos, que lêem e comentam e através dos comentários profícuos e por vezes sagazes levantam outras recordações que dão origem a novos temas, e assim o “novelo” vai-se desfiando dando origem á continuidade.
A falta de comentários corta cerce a imaginação e a vontade de encetar novos episódios e ninguém tente convencer-me que nos 5 ou 7 anos de convívio porque passamos, numa época rica em criatividade e novos eventos a sucederem-se quase diariamente, ninguém tem nada para contar, dizer ou simplesmente criticar.
Não me vou alongar mais nestes considerandos, que provavelmente e mais uma vez não terão interesse nenhum. Resta-me dizer que também recordo a aventura do foguetão.
E por ultimo meus amigos de longa data, comentem… nem que seja para dizer mal…
Um abraço
A.Justiça......04-07-2010
O ZV tem/teve «razão» para estar zangado. O comentário do meu vizinho do Ontário, António Abilio, toca na ferida. A resposta do Justiça, faço-a minha. E acrescento que ainda no recente mês de Maio, lá na Lareira reencontrei ex-colegas que não via há 40 anos (obrigado ZV) que de certeza até aparecem por aqui, e que sei, poderiam participar com algumas coisas. Mas não. Porquê ? Será porque andam muito ocupados? Eu ainda trabalho 6 (seis) dias por semana, além de ter mais umas «coisitas» para me entreter nas horas vagas, mas o prazer que sinto, e que o Justiça menciona, no feedback que recebemos todos, grande parte não ex-alunos do ERO é a razão primária da nossa participação.
Não conheço pessoalmente o António Abilio, mas dou-lhe daqui públicos parabéns pela forma como participa, mas tendo consciência de que o português dele, não é hoje o que era há 40 anos. Pena a maioria dos leitores deste blog não entenderem inglês, garanto-vos que seria bem mais fácil para ele exprimir-se nessa lingua. Mas tal não impede que participe e isso é que é importante.
Então as miúdas, salvo 2 ou 3 execpções, parece que apesar de serem avós continuam com os medos da adolescência. Eu sei que a razão não é essa mas sim o facto de muitas delas também ainda trabalharem e terem de preparar a comidinha para os esposos. Minhas amigas, libertem-se e ponham-nos a eles a fazer esses trabalhos. O tempo do macho latino já foi. OK ?
J.L.Reboleira Alexandre...........04-07-2010
Pois eu desejo muita saude e vida aos "nossos colegas" do Colégio...mas vou continuar "só" por aqui...
Não que tenha nada contra os que preferencialmente lá escrevam...mas se me disperso...
Jamais lançarei foguete algum...a não ser que o Rabaça me satisfaça uma possível encomenda...!!!
Vou continuar e já agora, porque em tempos aqui falámos disso...digo ao amigo Reboleira que o conterrâneo de apelido Contente que morava no lugar do Arelho do Concelho de Óbidos...já partiu...que descanse em Paz...!!!
UM abraço para todos e obrigado ao ZV...por nos manter no tempo e a tempo...!!!
Maximino……….05-07-2010
Um agradecimento profundo aos amigos, A. Justiça e J.L.Reboleira Alexandre, por o reconhecimento e entendimento do meu comentário, pois apesar de ter um pouco da pronuncia do "Norte" da América, como o amigo e vizinho J.L.R.Alexandre, citou e bem!
A razão de não ser melhor na minha escrita foi culpa do nosso ex ditador A.O. Salazar que fez com que muitos rapazes como eu tivessem de sair do nosso cantinho sem concluir os estudos, depois dos 16 anos já era complicado, pois teria de fazer o serviço militar, mesmo assim fui considerado por as nossas autoridades como "Complido" e como viemos para o Canadá não podíamos fugir de noite.
Mas contudo isto sinto uma grande honra em fazer parte deste blog, para mim trouxe-me algo que eu sentia falta já á muito tempo a ligação de preencher o vazio da minha infância, eu acho que muitos sabem ignorar esse sentimento, mas eu por qualquer razão ainda não consegui.
Quanto aos colegas que participam nos outros blogs, eu não os quero ofender de modo algum, pois eu também visito muitos outros blogs para meus próprios conhecimentos, inclusivamente o ERO onde eu frequentei por um ano, para fazer a admissão, mas tenho poucas memórias desse tempo ao contrário da nossa escola.
Não querendo ser maçador com a minha lengalenga vou dar a oportunidades a outros que têm melhor veia para a escrita e estórias mais interessantes certamente desejando que mais amigos ganhem coragem para nos contarem algumas das suas estórias.
Mais uma vez Obrigado e um abraço a todos.
Antonio Abilio……….05-07-2010
Amigo Toino Abílio, do grupo que mais escreve parece que faltava eu. Eu acredito no dar a Cesar o que pertence a Cesar, (colegio , colegio): (escola , escola,)(o Fernando Santos e outros são benvindos), mas qual a réplica que tens quando abordas um tema, uma estória e fotos que parece que ninguém sabe quem é quem. Há certos temas apaixonantes que o Zé tem no "Águas Mornas" que passa despercebido e vale a pena ver.
Dos anos cinquenta, quantos aparecem? Se tiverem dúvidas no computador perguntem aos filhos que sabem tudo.
Eu agora vou até à Santa terrinha beber uma ginjinha que o Maximino, está em dívida, e vou tentar que o Zamor, Rabaça e outros entrem no blogue, mas é difícil.
O Soares Apolinário, também vai aparecer por aí e eu já não o vejo pelo menos à 30 anos..
Até breve
Chaves ……….05-07-2010
Olá Chaves...e a ginjinha está à espera...!!!
E como eu só posso beber água...nem faço concorrencia, mas faço companhia e com muito prazer...pago a tal, como não podia deixar de ser...!!!
um abraço
Maximino...........05-07-2010
quem leia, agora ou daqui a 100 anos.
E para aqueles que, parafraseando oAmigo Quim Chaves
Desejo que passes umas boas férias no nosso cantinho, espero que tenhas apetite para beberes uma ginjinha por mim, é minha pena não poder estar presente nessa altura.
Quanto ao teu comentário acho que todos são bem vindos a dar o seu positivo contributo e dar as suas estórias, pois o que faz o blog mais interessante para todos nós é a diversidade.
De vez em quando há certas meninas do nosso tempo, que também entram nos comentários, eu até as conheço, elas é que talvez não se recordem de mim, mas elas são poucas. Tal como tu e o amigo J.L.Reboleira pergunto onde estão elas e eles do nosso tempo?
Será que se torna foleiro participar no blog dos antigos alunos? Ou falta coragem?
Penso que todos nós temos de fazer melhor trabalho a divulgar o nosso blog, para que tenha mais participantes.
Um abraço para todos.
Antonio Abilio……..06-07-2010
Sou dos que têm mantido uma colaboração regular desde o início, em "posts" (A ideia, A finalidade, Pensamentos "profundos", Conta-se, Música, para citar apenas os primeiros) e comentários, tentando contribuir para que a ideia inicial frutifique.
Não alinho em rivalidades sem sentido (nem sequer histórico), na "incapacidade" de escrever bem ou na necessidade de saber se há muitos leitores para a prosa.
Escrevo e pronto! Porque me apetece, porque me despertam o "bichinho", porque me satisfaz o ego, para me convencer de que sou mesmo bom!!!
Deixem-se de tretas ... contem "estórias".
No blog da Escola, no do Colégio, nos blogs pessoais, na imprensa, na cavaqueira, onde vos apetecer, mas contem. Há sempre quem leia, agora ou daqui a 100 anos.
E para aqueles que, parafraseando o seleccionador Carlos Queirós, acham que a camisola é pequena demais para o seu gigantesco corpo, continuem a escrever onde vos dê a real gana, que continuaremos a lê-los, com o prazer de os sabermos dos nossos.
Orlando Sousa Santos…………06-07-2010
Sou um leitor fiel, um fã incondicional e um comentador ocasional deste blogue.Como sou do Águas Mornas, do O Que Eu Andei,
do Cavacos das Caldas, etc. Ao contrário das televisões ou das rádios, os blogues não são concorrentes: se vejo ou ouço uma, excluo outra - mas nos blogues não, cada leitor de um é um potencial leitor do outro. E o facto de muitos dos leitores do Blog do ERO "entrarem" pelo link da Escola é uma prova disso.
Não faz sentido estarmos de costas voltadas ou em qualquer competição, quanto mais pessoas abrirem o computador e se ligarem à Net para ler um qualquer site, mais potenciais leitores têm os similares. O mesmo se passa com a escrita de posts e comentários, quem se habitua a escrevê-los num mais facilmente o fará no outro.
Temos um novo blogue com estórias de tempos de estudantes, já viram? É feito pelos "putos" do Liceu, uma geração mais nova do que eu e estão em http://adolescenciacaldasanos70e80.blogspot.com/
São mais estórias para a História das Caldas que se vai escrevendo todos os dias nos jornais e rádios locais, nos Blogues, nos livros, nas conversas de esquina ou nas esplanadas.
Um abraço a todos, são todos bem-vindos como leitores,colaboradores ou comentadores no Blog do ERO,quando "saírem" deste!(passe a publicidade...)
João Jales........07-06-2010
domingo, 13 de junho de 2010
Portugal vs Coreia do Norte
Ano 1966.
Dia – não recordo
Tempo? - Chuva e temporal, que Deus a dava.
Operação - faltar às aulas de tarde.
Objectivo - S. Martinho do Porto.
Local - Sede do Grupo Desportivo e Recreativo Concha Azul
Tomada de Conhecimento - Televisão… naquele tempo… poucas mais havia… ver o jogo.
Operacionais - todos, convocados e não convocados.
Primeira Acção da Campanha - ida até á estação dos Caminhos de Ferro de Caldas da Rainha, CP.
Segunda Acção de Campanha – viagem de automotora até S. Martinho do Porto.
Terceira Acção de Campanha – deslocação até á Sede do G.D.R.S.M.P. sem que ninguém nos visse, principalmente e nomeadamente o “inimigo”, digo, os progenitores.
Quarta Acção de Campanha – instalarmo-nos comodamente nas cadeiras confortáveis… de madeira e “puxar pelos Magriços”.
Quinta Acção de Campanha – regressar à estação dos comboios, esperar pacifica e pacientemente pela automotora oriunda das Caldas.
Sexta Acção de Campanha – sair da estação… assobiando para o ar, assim como quem não quer a coisa e… irmos para o quartel, digo, casa.
Relato do Golpe de Mão:
Chegados à estação de Caldas somos informados que tinha, algures perto de Óbidos, caído uma ribanceira para a linha de comboios pelo que, não havia circulação dos ditos mas estava-se a pensar em formar um até S.Martinho… rebuliço, protestos… então e os outros passageiros que iam para mais longe? A decisão “não atava nem desatava” e… argumenta o chefe, é uma responsabilidade muito grande, não a posso tomar, e, etc., etc.
Alguém pergunta: - E em S. Martinho será que podemos apanhar a “carreira” e seguir viagem?
Resposta enfática com ar desesperado: - Talvez não, porque sabemos que a ponte de Tornada caiu e a ponte de Salir também caiu.
Se bem se lembram – já ouvi isto em qualquer lado – a ponte, na estrada nacional perto de Tornada, era feita de madeira e foi destruída e arrastada pelo temporal – é bom voltar atrás, ao cimo da descrição da Operação, e consultar (Tempo?) – pelo que camionetas e automóveis… que eram raros… também não circulavam entre Caldas e Alfeizerão e, camionetas oriundas de Alcobaça para Alfeizerão / S.Martinho, se as havia! duvido! talvez só quando o Cristo fazia anos, ora como Ele já por cá não andava...
Ora bem. Perante tanto acontecimento esquerdino… Diabo… a acção que tão bem tinha sido planeada e escrupulosamente estudada até ao mais ínfimo pormenor, estava altamente comprometida e já víamos – novamente devem consultar o inicio, Local, Objectivo e Tomada de Conhecimento – fugir diante dos nossos olhos.
Para piorar a situação a água da chuva invadiu a estrada por alturas da Caldeira, entre Alfeizerão e S. Martinho, na chamada quinta do Gama. Assim a única passagem existente seria a “penantes” pela linha do comboio e respectiva caminhada por sobre a ponte de ferro, sobre o rio, a seguir ao apeadeiro de Salir.
Contra factos não há argumentos… a não ser que sejamos políticos, esses têm sempre argumentos para argumentar o argumento mesmo que tal não seja argumento passará a ser argumento do argumento… “livra”! mas perceberam? não perceberam? é que se não perceberam finjam que perceberam, pelo menos para eu julgar que perceberam. Perceberam?
E assim colocamo-nos a caminho do Objectivo. Lembro que chovia embora nessa altura, se bem recordo, já se estava no período de aguaceiros esporádicos. Refilando, barafustando e praguejando lá fomos caminhando ao longo da linha até chegarmos ao apeadeiro de Salir.
Recordo que - para os que já se esqueceram do motivo porque estão a ler “esta coisa”, era a Tomada de Conhecimento, consultar o inicio – a pretensão valia o que vale e até mais. Patriotismo acima de tudo… Viva Portugal… Galitos, Galitos, hurra.
Chegados ao apeadeiro de Salir ouvimos o barulho de um “pouca terra, pouca terra”, vindo do lado das Caldas. Com imprecações, usuais nestas situações, tais como “valha-nos a Santa” ou “bendito Sejais Senhor”, perceberam não foi? Claro que não ia aqui descrever as imprecações, era bom de ver, lá embarcamos no comboio, cansados, moídos, desgraçados, encharcados e chegamos ao Objectivo – consultar novamente o inicio – não sem antes saber que, diante dos protestos, o Chefe da estação de Caldas resolveu, a bem dos seus ouvidos, organizar o comboio, A partir daqui, chegada ao Objectivo, começa a Terceira Acção da Campanha – consultar a discrição da acção, não agora é mesmo para consultar pois houve alterações porque o inimigo, quer dizer, os progenitores, estavam na estação afim de saberem noticias e ficaram a saber que vinha um comboio das Caldas pelo que esperaram a sua chegada
- embora com estas alterações na TAdC lá seguimos para a Sede do Grupo.
Aí chegados, o jogo já começado e bem (ou será mal?) começado, estávamos a perder por 3 a 0. Maldição, depois de tanto trabalho, tanta canseira, tantos quilómetros “a butes”!!!
Mas nós somos assim… heróis até ao fim. Alvoraçamos aquela Sede puxando pela Selecção, praguejamos tanto que lá, ao longe, os “meninos” devem ter ouvido, principalmente o Pantera que desatou a meter golos e… foi um final feliz. Valeu a pena.
Escusado será dizer que a Q.A.dC. e a S.A.deC. – se querem saber o que estas iniciais querem dizer consultem, no inicio o Plano de Acção.
Hoje os festejos seriam, talvez com umas cervejas, mas naquele tempo… quanto muito uma “Larangina C”. Terá sido? Não me lembro.
Um abraço
A. Justiça
Comentários:
Amigo Justiça, vou-te falar do ano de 1966 e da maneira como eu e alguns amigos de escola passamos essa grande festa do futebol nesse ano. Eu e uns tantos amigos mais ou menos da mesma idade regressamos de Angola nesse ano. Eu a 10 de Fevereiro desse mesmo ano e os outros também regressaram antes do mundial e como só um de nós tinha televisão, ele era um dos meus amigos (o João Reis) infelizmente já falecido. Seu pai e a sua mãe convidaram esse mesmo grupo amigo do seu filho por termos regressado em bem a ver os jogos em sua casa, onde não faltou um cafezinho e uns bolinhos à maneira. Ninguém que tivesse vivido aqueles momentos jamais esquecerá, pelo menos o primeiro jogo. Entre aqueles jogadores ia um que dizia muito aos alunos do ERO pois ele estudou no Colégio e era de Alcobaça e o seu nome (Moura), que depois já no Sporting tornou-se conhecido por Lourenço. Eu e todos os alunos da Bordalo que fazíamos parte da equipa da escola, jogamos contra ele, mas não havia duvida ele era o melhor. Dizia-se na altura que foi um dos erros do treinador (Otto Gloria), não o ter posto a jogar no jogo contra a Inglaterra visto os outros jogadores estarem super esgotados e também devido à grande "falcatrua" que os ingleses fizeram em mudar de estádio no jogo contra Portugal para que a selecção tivesse que se deslocar de comboio até ao mesmo.
Nota: O João Reis foi aluno da Bordalo, seus pais tinham uma oficina de cerâmica na Rua 31 de Janeiro e chegou a leccionar na escola a arte de trabalhar o barro e tem uma rua com o seu nome nas Caldas. O Lourenço julgo que se formou em Farmácia depois veio para Montreal (Canadá). Penso que o seleccionador na altura era o J. M. Afonso, já que havia um treinador e um seleccionador para a selecção. Pode haver alguns lapsos da minha parte pois já lá vão 44 anos. Aprecio a tua "teimosia" em nos dar os teus pontos de vista e as tuas estórias e talvez nos vejamos este verão em Portugal pois vou andar por esses lados 3 meses e meio
Chaves.......21-10-2010
O Chaves já não é a primeira vez que menciona o Lourenço. Sei que os benfiquistas não lhe perdoam ter metido 4 (quatro) na Luz ao pequenote do Melo, mas isso são outras histórias. Foi um bom amigo que tive em Montreal entre os anos 75 e 80 mais ou menos. Perdi completamente o seu contacto, pois voltou a Portugal no inicio da década de oitenta.
J.L.Reboleira Alexandre.......22-06-2010
terça-feira, 8 de junho de 2010
O Jeito para línguas
Retomamos hoje a publicação de algumas "estórias" que estavam em "fila de espera".
Eram três jovens alunos da Escola, que todos os dias se deslocavam da vila da sua residência, distante cerca e 18 quilómetros, para assistirem às aulas. O meio de transporte habitualmente utilizado era o ronceiro comboio do Oeste, apanhado bem cedo, depois de um périplo pelas ruas da vila até à Estação.
Naquele dia, a volta que precedia a chegada à Estação da CP foi mais longa e passou pelo Largo principal da urbe, onde se depararam com um casal de franceses necessitado de ajuda para prosseguir o seu caminho, vieram depois a saber, rumo à Nazaré.
Parado no meio da via, não causando, na época, qualquer estorvo ao diminuto trânsito mas impressionando os olhos dos da terra, um carro vistoso (seria um “boca-de-sapo”!?). Na mão do homem um mapa, onde era apontada a Nazaré e, por gestos, os dois cônjuges a procurarem indagar a forma de sair da terra, perante a ausência de sinalética que fizesse alguma luz. Os interlocutores eram dois ou três adultos, que não conseguiam entender patavina do que pretendiam aqueles seres vestidos de forma meio estranha e que, ainda por cima, falavam uma língua que nenhum deles entendia.
A chegada dos três jovens foi a salvação … c’os diabos, três jovens, ainda por cima estudantes nas Caldas (!), saberiam resolver o problema do entendimento e ajudar os franceses.
E assim aconteceu.
Os três já detinham alguns conhecimentos da língua francesa e, de forma fácil, perceberam que o problema era o caminho de saída rumo à Nazaré. O mais afoito conseguiu fazer-se entender e, de imediato e para espanto dos adultos, entraram no belo automóvel, iniciando a viagem que, para eles, acabaria em Caldas de “La Reine” e, para os franceses, à custa das precisas indicações dos jovens, culminaria, por certo, num belo banho de mar na Nazaré ou na deslumbrante paisagem do Sítio.
Na viatura, de luxo, a conversa resumiu-se, por parte dos jovens, a monocórdicos “oui”, “non”, “à droite”, “à gauche”, até à Praça da República, já na nossa cidade.
E eis que surgiu a grande dificuldade!
Era necessário transmitir aos franceses que chegara a hora de parar “la voiture”, que a hora das aulas aproximava-se e nenhum dos três estava interessado em prosseguir até à Nazaré.
Em vão, cada um buscava a frase necessária, o “abre-te Sésamo que parasse o carro”, “ o valor de xis desta difícil equação”.
O nervosismo e a falta de conhecimentos entaramelavam a língua e a frase, quando parecia quase, quase a chegar, fugia num ápice.
Até que … “nous ficarrons ici”!
Os franceses entenderam, pararam “la voiture”, esmeraram-se em “merci, merci, beaucoup” e “les élèves” encaminharam-se a passos rápidos para a Escola, onde fizeram jus à sua capacidade de explanação, para espanto e gáudio dos privilegiados que a ouviram.
A “estória” foi de tal maneira glosada e gozada que o pobre coitado, que tinha resolvido o problema, foi, durante, bastante tempo, massacrado com o “ficarrons”.
Orlando Sousa Santos
Comentário:
Tivessem eles estudado o Mon Ami Pierrot na véspera e tudo teria sido bem mais fácil. Quanto á viatura era de certeza um «boca de sapo». Quantos de nós (os que não tínhamos namorada, note-se) nas praias da zona, não esperàvamos impacientemente pela chegada duma DS21 (de executivo esta) ou duma ID19 (mais pobritana), que além dos pais transportavam as mademoiselles que usavam uns bikinis e umas mini-saias que punham os garotos da zona de cabeça perdida.
E depois havia aqueles que não percebendo nada da lingua de Molière, nos perguntavam até à exaustão: como é que se diz «a temperatura está boa hoje». Depois de uma rápida explicação lá conseguiam articular:
- mámuáséle la têmpetitiure é bóne ôjuduí!
O diálogo normalmente ficava-se por aqui.
J.L.Reboleira Alexandre........08-06-10
domingo, 21 de março de 2010
Oficina de serralharia
Escola velha. Primeiro ano. Piso inferior, o da cantina. Sabem o local, passa-se uma ponte de madeira e entramos na oficina.
Sala estreita e comprida e ao canto superior direito, topo da sala, a secretária do Mestre. Em cima da secretária papéis, canetas, lápis e… o principal, um conjunto de dissuasores composto por um martelo de bola, uma escova de pelo de aço própria para limpar grosas, limas e limatões quadrados, triangulares e redondos.
O resto da sala, mobilada com armários arrecadação e bancadas de serralharia, em cada canto de bancada um torno manual fixo ao tampo, em cada torno um macaco azul com um aprendiz de serralheiro dentro. E lima e lima e encaixa as peças… não encaixa… volta a limar e mais limar e encaixa as peças… não encaixa… e mais lima e lima e encaixa as peças… gaita, agora encaixam mas com folga – nota do tradutor: deve substituir-se a palavra “gaita” pela palavra correcta – não, não a digam, pensem só, porque por enquanto o pensamento é livre, a palavra não.
Ao fundo da sala, lado oposto e mais distante do mestre, dois macacos, preenchidos com os respectivos aprendizes de serralheiro, juntam-se em amena conversa, conversa interessante pois conseguem abstrair-se do local e do presente.
A amena cavaqueira está “tão legal” que nem se apercebem do “grito de alerta”: ÓH ABRE… todos se baixam e se protegem com as bancadas menos os palradores que só dão pelo martelo de bola quando ele bate com estrondo na bancada. Por cima de nós umas vezes voa o martelo ou, se este já tivesse sido usado, ia a escova de limpeza de limas.
Depois da risada geral, vinha a ordem: - tragam-me cá o brinquedo. E os dissuasores, quais pilares de manutenção da boa ordem, regressavam ao seu local… o tampo da secretária do Mestre Raul que transbordava de felicidade naquele seu simpático sorriso de gozo brincalhão de que tão bem nos recordamos.
Um abraço a todos em especial a si, Mestre Raul Silva
A.Justiça
Comentário:
Este é um dos momentos altos deste blog. Obrigado Alfredo por teres partilhado com todos nós a descrição perfeita de uma oficina de serralheiros (que não conheci)e a relação boa, que existia entre alunos e mestre, nesses distantes anos da nossa curta passagem pela velha «Escola Velha» ! (porque não dizê-lo, sempre que volto ao parque de estacionamento das Cinco Bicas, cria-se um apertozinho no peito).
Ao ler a história estava a rever a minha curta passagem pelos Trabalhos-Manuais, bem ao lado da vossa oficina, e o Mestre Mateus tentando ingloriamente que os meus bocados de madeira fossem limados em esquadria. Pura perca de tempo!
J.L.Reboleira Alexandre.......21-03-2010
Amigo Justiça, parabéns por não desistires de dar o teu contributo a este blogue que está a ficar um pouco dependente só de alguns que teimam em o manter vivo, embora tivessem passado na nossa escola uns bons milhares de alunos. Fizeste uma boa leitura como era na altura a "tua" oficina da aprendizagem no curso de Serralheiros e eu vou tentar dar a leitura como era a sala das oficinas uns anos antes. Não sei ao certo o que teria sido aquele imóvel comprido que ficava mesmo em frente do portão de ferro que dava acesso à Mata e que se situava já dentro do recinto escolar e que talvez por ter estado ligado à GNR. tivesse sido arrecadação de algo. Como o Curso de Serralheiros estava no seu inicio, aí foram feitos alguns melhoramentos de limpeza e apresentação para se instalar umas bancadas compridas no meio do imóvel com espaços entre as mesmas no sentido mais longo (norte/sul) e espaços entre elas e as paredes nos dois sentidos (leste/oeste). Ao fundo, lado Norte, uma fresadora, um torno mecânico, um pequeno limador, uma rebarbadora de bancada "ismoril" e mais umas maquinetas que não me lembro. No lado Sul uma pequena forja (não de fole), uma bigorna....e possivelmente uns martelos. Cada uma destas celebres máquinas têm a sua história. O torno mecânico era de "rodas de muda" o que não era nada fácil os cálculos, através das fracções contínuas. A fresadora tinha o "prato de furos", que mediante os cálculos se podiam fazer rodas dentadas, só que o Mestre Braz errou os tais cálculos e a roda ficou com o ultimo dente maior que os outros e o celebre limador que estava numa posição que não era nada aconselhável, no que respeitava à segurança pois fazia um trajecto para a frente que cortava o material e trajecto oposto em ponto morto e que nos permitiam um ajustamento até quase bater na parede o que servia para partir nozes que o Manuel Mogo trazia. Com a forja por vezes alguém trazia, chouriço e lá se assava às escondidas, mas o cheiro ficava. Também na minha altura já se a tiravam martelos pelas bancadas fora e quando apareceu o Mestre Borrelho ele já era mais duro connosco no que respeitava a brincadeiras perigosas. Penso eu que no ano de 1958 recebemos na escola ou melhor nas oficinas, um "novo" torno em segunda mão vindo da Afonso Domingues a que o nosso director pediu para que fossemos ajudar na instalação e como na altura não havia maquinas para o empurrar para o devido local teve que ser levado à base de força animal (nós). Lembro-me da exclamação do Silvino Neto quando viu aquele pequeno monstro " parece um báaarco". No fim o nosso director amado e não amado por muitos deu a cada um um de nós 20$oo ,uma pequena fortuna naquela época, Desta geração saíram os Mestres Raul, Gabriel, Apolinário Soares, .Manuel Mogo e o Raínho. Pelo menos 50 anos já passaram além destes acontecimentos e isto é o que a minha memória ainda guarda, mas pode haver alguns lapsos. Talvez para a próxima eu conte como eram feitos os trabalhos de oficina.
Chaves..........25-03-2010
Amigo Chaves
Gostei de recordar a descrição das Oficinas. No meu tempo o primeiro ano de serralheiros era tirado nas instalações que descrevi, no nível da cantina, e de máquinas salvo erro, só existiam berbequins verticais fixos, pois o primeiro ano era destinado “á arte de serrar e limar” manuais, e faziam-se peças para encaixe que, como bem se lembram, eram uma valente estopada limar em esquadria e com medidas e precisão tais, tiradas a paquímetro de escala de nónio, que qualquer pequeno erro deixavam as faces limadas rombas ou redondas, convexas ou côncavas, e o encaixe ficava “a ver-se o céu através do metal”. As aulas eram ministradas pelo Mestre Raul Silva.
Depois o segundo e terceiro ano é que já decorriam nas Oficinas que descreveu mas, e não quero errar ou ferir susceptibilidades, o Mestre já era outro. Lembro-me de três, Mestre Flor da Silva, Mestre Raínho e Mestre Apolinário.
Aí sim, nessas Oficinas já existiam diversas máquinas embora que, comparadas com as que vieram para a Escola nova, eram obsoletas.
Desde os limadores, a tornos mecânicos, até um torno revólver existia, pasme-se, destinado a fazer roscas em porcas e parafusos seguindo á risca os cálculos para diâmetros e passes de rosca, uma fresadora com cabeçote escatelador, para fazer escatéis claro… (as coisas que eu me lembro), passando pela sala das forjas, que não servia apenas, tal com no seu tempo, para moldar o aço mas também para uma ou outra assada, o que não deixava de ser uma arte bem mais precisa que a outra. Um descuido e lá se estragava a matéria prima e esta era bem mais difícil de substituir pois deixava um amargo de boca enorme.
É bom recordar…
Um abraço
A.Justiça.........25-03-2010
Aquele imóvel comprido que "virou" oficinas dos serralheiros eram as cavalariças da GNR. Se bem me lembro, na zona das cavalariças esteve a cantina, creio, mais do que um ano. A descriçâo que o Chaves faz da oficina, respectiva maquinaria e forja é perfeita. Quando saí, em 1958, concorri à Marinha de Guerra e nas provas de admissão à Escola de Máquinas, vi, comparando com 200 e tal concorrentes para 30 vagas que, "Aquelas Oficinas" e os Mestres que tive, me deram uma boa preparação muito acima da concorrêcia. Amigo Chaves, já cheira a Maio. As passagens já estão marcadas?
Santana........26-03-2010
terça-feira, 9 de março de 2010
A Máquina de Projectar
Nas frequentes visitas que faço aqui ao Blog da Escola Comercial e Industrial, delicio-me com as imagens e narrações que me transportam para os meus tempos de rapazola.
Pena que a minha casa que tenho em Portugal (Vale de Maceira) fosse assaltada e vandalizada aqui à alguns anos atrás, onde as poucas fotografias que tinha como recordação dos tempos da escola fossem todas destruídas.
No entanto recordo aqui um momento caricato que se passou no ano da inauguração da escola.
Os tempos eram difíceis, e eu já trabalhava na Seol (hoje EDP) portanto frequentava o curso de electricidade nocturno.
Ao transitar-mos da escola antiga para a nova, tanto eu como os meus colegas de curso, já tínhamos uma certa "bagagem"
Certa noite apareceu na escola uma brigada da Policia de Viação e Transito, composta por 2 homens bem grandes com um uniforme amarelo, que se deslocavam em potentes motas.
Eles tinham como missão entregarem na escola, uma máquina de projectar filmes que ficaria lá na escola em permanência.
Nessa mesma noite, o Eng. Pinto Correia e o Eng. Vendas deram-nos como trabalhos práticos a instalação dessa dita máquina na cabine de projecção que ficava no ginásio no lado oposto ao palco.
A encomenda era composta por várias caixas de cartão onde estavam as peças do projector.
Sem sabermos exactamente por onde começar, fomos abrindo as caixas e retirando todo aquele material que era composto somente por peças mecânicas.
Depois de tudo retirado, procuramos as instruções de montagem, mas não havia nada.
No entanto cada um dava a sua opinião, e o projector lá começou a ganhar forma
Não tinha nada electrónico, era tudo mecânico, e como componentes eléctricos, tinha apenas um interruptor que accionava uma luz em conjunto com um ventilador de arrefecimento para não queimar a fita, e um outro para ligar o motor que fazia mover uma bobine onde seria colocado o filme.
Claro que a montagem ainda demorou muito tempo, devido á falta de instruções.
Quando todo parecia estar completo, colocámos uma bobine com um filme que vinha junto para fazer-mos um teste e verificar se aquela geringonça funcionava.
Pensámos que esse filme seria alguma propaganda ao Estado Novo com imagens da Mocidade Portuguesa...
Para nossa grande surpresa, tudo funcionava ás mil maravilhas, no entanto o riso foi geral porque o filme explicava como abrir as caixas de papelão, como retirar as peças e como montar o projector.
Mas afinal como fazíamos para ver esse filme explicativo, se não tivéssemos montado previamente o projector?
Faustino Rosário
Montreal - Canadá
Comentário:
Uma história exemplar e exemplificativa da forma arrevesada como a lógica do dito estado novo funcionava…
Artur R.Gonçalves......10-03-2010
A Máquina de Projectar
Li esta estória bem contada e desenvolvida por forma a que só no final tiramos ilações do ridículo da situação, tal como o Artur comentou e com o qual concordo.
No entanto, com a vivência já longa que possuo, desculpem-me, todos nós possuímos, constatamos que este tipo de caricatos relatado pelo Faustino nos acompanha pela vida fora. Acabei á pouco de ouvir e ver na TV que se vai realizar uma corrida de touros cujo resultado da receita vai directo para os cofres da Fundação Abraço. Sou eu que estou errado ou isto não soa bem. Um jogo de futebol, um torneio de ténis, eu sei lá quantos outros eventos se poderiam realizar para beneficio desta causa, que é louvável, disso não tenho a mínima dúvida, agora sacrificar uns poucos de animais de porte soberbo e que fazem a nossa admiração a par de outros, e lembro o cavalo pelos quais sentimos uma certa devoção, isso parece-me ridículo e absurdo.
Concluímos pois que todos os regimes têm este tipo de “vaps” pouco ou nada inteligentes.
Um abraço
A.Justiça........11-03-2010
Se houvesse um regime político perfeito, viveríamos num paraíso perfeito. Mas isso seria uma grande pasmaceira. Toda a gente a gostar de touradas ou toda a gente a detestá-las...
Artur R. Gonçalves........11-03-2010
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Não te esqueças...é feminino
Situemo-nos:
Ano 1960. Escola Velha. Sala no 1º. Andar. Primeiro ano do Ciclo Preparatório. Aula de Português. Correcção da 1ª. Prova Escrita. Professor Hermínio Maçãs.
Voz do Professor.
• Justiça ao quadro. Escreve a palavra feminino.
Justiça no quadro. “Femenino”
• Justiça, feminino escreve-se com “i”, percebeste?
• Sim, Sr. Professor.
• Então escreve a palavra até encheres o quadro.
Após a escrita de dezenas de palavras, feminino.
• Agora apaga e vai-te sentar.
Poucos minutos antes da aula acabar.
• Justiça, ao quadro. Escreve a frase “A menina é feminina”.
Justiça no quadro. “A menina é femenina”.
Não sei se ela veio da direita se veio da esquerda. A bofetada foi tamanha que por momentos tirou-me a verticalidade colocando-me ligeiramente obliquo.
Depressa voltei a ficar na vertical, cabisbaixo, lágrimas a aflorarem os olhos ouvi de forma longínqua.
• Percebes-te o porquê?
Resposta pronta conjuntamente com um soluço.
• Sim Sr. Professor.
• Ora ainda bem.
Passaram-se cerca de 50 anos e esta cena ficou gravada na memória.
Não sei se alguma vez agradeci ao Sr. Professor Hermínio Maçãs a lição que naquela aula me ministrou, se não o fiz é sempre altura de dizer… Obrigado.
E, obrigado, porque a partir daquele dia e até ao final dos meus estudos, onde não se incluem apenas os 5 anos do curso, nunca fiz uma prova oral de português, dispensei sempre a essa fase.
Onde quer que esteja, Sr. Professor, valeu a pena o “chapadão”.
Existem, como não podia deixar de ser, outros valores passados com outros Mestres sob os quais tive o privilégio de aprender. Ficarão para outras oportunidades os seus relatos.
Um abraço
A.Justiça
Comentários:
(No texto inicial estava escrito "percebes-te" em vez de percebeste)
Tem cuidado, não venha ele pedir-te para conjugares o verbo "perceber"...:)))
Anónimo........27-02-2010
Oh Justiça
Digamos que sempre tiveste bom corpo para levar umas lapadas!
José Louro da Costa.........27-02-2010
O "Anónimo" der ser de Olhão e jogar no Boavista.
Um abraço
A.Justiça..........28-02-2010
(Eu também li e não reparei, mas como o comentário tinha graça, aqui está ele. Pena ser Anónimo.)
Zé Ventura
Como vou estar daqui a pouco com o Dr. Hermínio Maçãs...vou ver se me lembro de lhe recordar essa...!!!
Bom Domingo e um abraço do
Maximino........28-02-2010
Ó amigo Justiça essa foi forte:
Eu tive a sorte de não ter o Sr. Hermínio Maçãs como meu professor pois ele estava nos Açores a servir o Salazar e ainda bem, porque eu namorisquei uma das irmãs dele e se ele era assim tão delicado faço ideia o que me poderia fazer a mim.
Não o tive a ele mas lembro-me de ter outra parecida com essa. Numa aula dada pela “Soutora” Deolinda Ribeiro mais conhecida por “Super Homem” talvez por causa das suas atitudes penso eu?
Eu estava na conversa com o meu amigo Antonio Pancada que estava atrás de mim na fila da Cantina. Quando me volto para a frente está a Soutora a pregar-me uma tamanha bofetada que me ia atirando por a janela fora, também tinha lágrimas mas de zangado, por me ter apanhado distraído nem me deu tempo para respirar, eu assim como o Justiça já não aprendi a lição fiquei lhe com uma “ásque” que não a podia nem ver, ainda bem que o meu destino me meteu noutros caminhos porque de vez em quando estava no meio da molhada a ser ensinado á força da chapada.
Foram tempos difíceis, concordo que nos fizeram mais atentos, mas francamente não eram maneiras de tratar os meninos da escola.
Eu que até me considerava um rapazinho pacato e envergonhado como é que andava sempre a ser malhado, ora com as mãos ora com uma régua ou inclusivamente com a celebre vara de bambus, na Cabeça ou Orelhas, foi uma aprendizagem á força na realidade bem haja a todos que sobreviveram a tal regime de ensino.
Um abraço para todos.
Antonio Abilio………28-02-2010~
E o Dr. Herminio (como não foi ele que levou a lambada...)...não se recorda...!!!
Abraço e continuação de bom Domingo...
Maximino………..28-02-2010
Acabámos por não perceber se foi o Justiça que corrigiu o ZV, ou o inverso ? Todavia para o caso não interessa. O erro foi devido à leitura de alguns jornais do presente...Lembram-se quando se dizia que, para aprender português bastava, na altura, ler A Bola e muitos livros de Cowboys.
Tivemos direito a mais uma lição sobre a qualidade pedagógica da nossa época. Boa, má, talvez, mas o facto é que o nosso amigo Justiça nunca mais esqueceu que era do feminino.
Quanto ao Maximino pode estar descansado. A nossa memória faz automaticamente o «delete» das partes menos felizes, por isso estou certo que este episódio nunca existiu para o professor.
Afinal todos nós, enquanto alunos, tivemos situações similares a esta. Apesar de bem guardadas, por vezes é difícil tirá-las cá para fora. As razões são múltiplas!
J L Reboleira Alexandre…………28-02-2010
Esta é uma das boas coisas que o Blog tem.
Maximino, o teu comentário, curto, preciso e conciso fez-me rir até ás lágrimas. Ainda tenho de os limpar para conseguir ver o ecrã e continuar a escrita.
Não me digas que estavas à espera que o Professor Hermínio se lembrasse, passados 50 anos, do “chapadão”, - essa de chamares lambada! é favor, - que deu ao inocente e bem comportado anjinho, eu - aluno atento e exemplar, gaba-te cesto senão não vais ás vindimas – que ainda por cima foi bem aplicado pois mexeu com os neurónios, ou pelo menos com os miolos, que deveriam ter chocalhado dentro da caixa. Francamente! lambada??!!!
Quanto ao Zé António, olha que tamanho não é qualidade… mas que era grande lá isso era… o quê? não sei.
Zé Luís, pelo que hoje assistimos passámos do “8 ao 80”, da dureza de então para a liberdade de hoje, que já vai tocando as raias da libertinagem e má educação. Não sei bem qual o melhor sendo que, provavelmente, o ideal seria um meio-termo que já era altura de aparecer.
Um abraço de amizade a todos
A.Justiça........28-02-2010
Pronto e sendo assim...vou limpar a lambada...e promovê-la a chapada...pelo que o Justiça diz...foi justa e sendo assim, foi das pouca vezes que a Justiça foi justa...!!!
Um abraço
Maximino........01-03-2010
Ó amigo Justiça:
Eu até lhe aceito a critica construtiva, mas quanto ao trocar-me o nome é que tenho mais dificuldade.
Um abraço
Antonio Abilio.......02-03-2010
Amigo António Abílio
Li o seu comentário... desloquei-me ao meu comentário para tentar perceber onde tinha errado e... neste vai à frente, volta atrás, consegui descobrir. Eu não comentei o seu comentário porque não era comentário e sim uma estória sobre a "Super-homem" muito bem narrada. O Zé António refere o Louro da Costa, de seu nome completo, José António Louro da Costa, meu colega de escola desde a 1ª classe até ao final do curso da Bordalo Pinheiro, mesmo que ele tivesse, a certa altura, derivado para os electricistas e eu para os serralheiros. Éramos os 4 "da vida airada", Moura, eu, Beto e Zé António, todos companheiros desde a primária, e só o Zé é que saíu do esquema da ferrugem.
A amizade fica reposta.
Um abraço
A.Justiça........02-03-2010
Amigo A.Justiça.
As coisa são como são e os equivocos acontecem por vezes inocentemente.
Assim como o amigo Justiça eu li e reli o seu tema e todos os comentários e o único que era maior era o meu, mas também concordo consigo que não é bem um comentário mas sim uma estória.
Portanto eu pensei que naturalmente se estava a dirigir a mim e na brincadeira lhe enviei o pequeno aviso.
Da minha parte sem qualquer ponta de melindre lhe quero pedir desculpa e agradeço a sua simpática maneira de responder.
Tenho um imenso prazer em ler os seus comentários assim como de todos os outros colegas o qual me têem ajudado a desenvolver a minha leitura e estou a tentar na escrita e por isso um grande Obrigado.
Um abraço.
Antonio Abilio........04-03-2010
Amigo A. Justiça!
Só hoje li o seu texto. Gostei, e acho que deve continuar a deliciar-nos recordando algumas peripécias de tempos passados.
Quanto a um anónimo que fez um pequeno comentário no dia 27, não se trata da minha pessoa. De facto moro em Olhão, mas não sou de cá, e por uma questão de princípio e de educação, sempre me identifico.
Um abraço.
Fernando Santos
Olhão 4-3-2010
Amigo Fernando Santos
As coincidências são isso mesmo... coincidências... embora o filósofo diga que "não há coincidências" mas factos que por vezes coincidem. Essa de morar em Olhão já sabia, através do Blog e em outro comentário, mas fico mais descansado pois também sei que não é do Boavista logo não poderia ser o anónimo. Este trocadilho e... lá está... coincidência, fez-me rir... ele há cada coisa...
Um abraço
A.Justiça........05-03-2010