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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Quem é Quem ou memórias do Victor Pessa

Nos tempos que vão correndo, é por demais evidente, que as instituições e até mesmo nós próprios, vão perdendo alguns (bons) hábitos ou tradições, que hoje fazem as delícias de quem as recorda.

Trata-se naturalmente das recordações de tempos idos e que queremos recordar com satisfação. Por vezes temos alguma dificuldade em saber quem é quem, mas temos sempre, para nos ajudar, os nossos amigos e companheiros de vida, aqueles que sobreviveram às intempéries da vida e que continuam do nosso lado. Esses são os nossos AMIGOS. Podemos passar tempos sem nos vermos ou falar mas sabemos SEMPRE que eles estão lá.

Toda esta conversa, para dizer o seguinte, acabei de publicar no FaceBook esta fotografia, que hoje partilho com todos vós, porque sei que alguns mais preguiçosos, em escrever, não virão aqui a este espaço, vão certamente dizer GOSTO ou nem por isso.

Quando entrei para a 1ª classe da Primária, por volta de 1956, já com 7 anos, porque não se podia entrar com 6, mal sabia eu que ia passar os melhores anos da minha vida, com uma turma de rapazes (não havia misturas), com os quais acabaria de conviver durante alguns anos.

Alguns ainda hoje fazem parte do meu grupo de amigos. Outros nem tanto, porque a vida dá muitas voltas e por vezes acabamos por perder o contacto, mas nem por isso os esquecemos.

Esta foto, tirada na Escola Primária do Bairro da Ponte, por volta de 1957, mostra a turma dos rapazes do professor Antero.

Muitas caras conhecidas, que vou deixar ao vosso cuidado a tarefa de as descobrirem. Perguntam vocês, mas a que propósito?

Certamente que ao analisarem melhor as carinhas dos meninos, vão encontrar alguns que posteriormente andaram na Escola Industrial e Comercial (a nossa

escola) e alguns no Liceu Ramalho Ortigão.

A fotografia de turma era obrigatória ser tirada, na época. Não tenho de memória o fotógrafo, mas sei que ele com a sua câmara "à lá minuta", lá ia fazendo os preparativos e compondo o cenário de modo a que a fotografia ficasse como deve ser. Tenho outras fotografias de turma que foram tiradas ao longo de toda a minha instrução primária, e posteriormente já na Escola Industrial e Comercial.

Ao contrário de hoje, julgo não haver um registo fotográfico das turmas, que vão passando pelas escolas, o que me deixa uma desilusão. Valores que se vão perdendo, neste País tão pobre em preservar as tradições.

Abraço a todos.
Victor Pessa

Comentários:

O Victor Pessa é um "rapaz" feliz porque ainda tem uma fotografia (ou talvez mais) para juntar às suas memórias, tirada com os seus colegas da Escola Primária acompanhados do professor Antero.
Também entrei para a primária só depois dos 7 pelo mesmo motivo do Victor, e lembro-me de ter sido a minha mãe que me levou e entregou à professora com esta recomendação: "se ele se portar mal, chegue-lhe nas orelhas e se for preciso lá em casa leva mais". Mal estava a D. Maria das Dores (era assim que se chamava), se fosse nos tempos que correm! Senhora dos seus quarenta e tantos anos, dona do seu nariz, e cara de Coronel de Cavalaria, não se coibia de, diariamente distribuir reguadas às dúzias que deixavam as palmas das mãos vermelhas a quem não soubesse a lição, e umas boas "ponteiradas" com uma comprida cana-da-índia, na cabeça de todo aquele que estivesse distraído na aula, ou, na pior das hipóteses mandar um ou outro para a janela com umas orelhas de burro enfiadas na cabeça.
Entrei para a escola em 1940 mas, ao contrário do que era habitual (não sei se era assim noutras escolas), desde a 1ª à 4ª classe tive sempre a mesma professora e as aulas mistas. A Hermínia, a Maria Emília, a Armanda, a Odete, a Zilda, a Arminda, a Lena, são alguns nomes que ainda guardo na memória.
Fotografias de escola é que nem da primária nem da secundária, e, dessas a la minute, só me recordo de algumas tiradas na romaria da Senhora da Rocha em Carnaxide onde na minha infância fui com os meus pais algumas vezes.
Amigo Victor, como podes ver, quem vem por aqui como eu, não se fica só por um "GOSTO". Nestas tuas memórias da primária não posso comentar QUEM É QUEM, mas por mim podes continuar porque estou em crer que além desta minha "lengalenga" outros AMIGOS aqui virão para que não fiques sentado à espera do GOSTO habitual do Facebook.
Um abraço para ti e para todos aqueles que tenham ou não, vergonha de aparecer neste local de encontro.

Fernando Santos........Olhão


Como eu gostava que tivesses razão. Infelizmente parece que cada vez mais, se gosta de não escrever.
O nosso amigo Justiça se fosse vivo certamente iria fazer jus às tuas palavras. Mas enfim, como se costuma dizer, mais valem poucos e bons do que muitos sem nada para dizer.
Isto claro é a minha opinião.
Na realidade quando enviei esta foto ao Zé Ventura foi com a única intenção de que alguém, que por aqui ande se reconhecesse na mesma, mas parece que não é assim. Quase que posso afirmar sem qualquer receio que aquela turma da 2ª classe do professor Antero por volta de 1957, foi certamente a turma mais representativa da rapaziada de então.
Senão vejamos, e vou citar alietóriamente alguns dos 42 elementos que fazem parte da mesma:
O Nobre (do talho), Queiróz (fotógrafo), Louro (fábrica das camisas), Alcino, João "Torto", Caldeira", Vitor Alberto, Venda, Branco, Glória, António Vidigal, António Pedro, Adelino Leitão, Chaves, Tavares, Cardoso (falecido), Marco Liebermann (médico) e Eu claro. Por acaso não estava com a bata branca, porque como só tinha uma, certamente estava para lavar.
Existem alguns de quem não me recordo o nome, apesar de ainda hoje os encontrar por vezes nas Caldas.
Quase todos os elementos citados, vieram anos mais tarde a fazer parte da Escola Industrial e Comercial de Caldas da Rainha. Claro que alguns foram para o Colégio na altura Externato Ramalho Ortigão.
Uma análise mais detalhada à fotografia deixa ver claramente que apesar de haverem alguns elementos mais desfavorecidos, nomeadamente em calçado (os tempos eram difíceis), a franca camaradagem que existia, não nos deixava ver esses pormenores, nem ninguém ligava muito ao facto, ao contrário de hoje onde a cachupada sabe dizer de cor a marca da roupa e afins.
Realmente a vida era madrásta para muitos. Alguns vindos de longe, traziam na sua sacola um único pedaço de pão para "adormecer" o estômago, durante todo o dia. Recordo que cheguei a partilhar a minha merenda com alguns.
Foi exactamente nesta turma, que o João "Torto" (era filho do polícia), num dos muitos jogos que fazíamos no recreio, veio a partir uma perna, que tempos mais tarde veio a partir novamente pela mesma razão. Infelizmente a perna nunca mais ficou como era e daí a miudagem lhe ter começado a chamar João "Torto".
Enfim memórias de um passado... muito feliz.


Victor Pessa................30-01-2012

Que linda recordação Victor, com tantas carinhas conhecidas, embora alguma os nomes já não me consigo recordar, a mente já não dá para mais, porém olho para elas e reconheço as quase todas, aqueles que tu mencionaste (no Facebook) eu reconheci a todos, mesmo sem tu ajudares, no entanto não frequentei essa escola do Bairro da Ponte, mas com alguém já disse noutro comentário que as Caldas nessa altura era uma Aldeia grande onde nós nos conheciamos a todos. Eram outros tempos, outras mentalidades, e tudo o tempo levou! Grandes amizades foram feitas nesse tempo, entre ricos e pobres, uns calçados e outros não, mas não havia cag... Peneiras, todos sabiam os seus limites e os seus lugares, e vivia-se em muita harmonia eramos simplesmente amigos.
A maioria desses teus colegas andaram na nossa escola, que eu recordo-me deles lá também, ai depois já se nos misturavamos mais, era onde se juntava a malta de todos os lados perto das Caldas, e se faziamos uns rapazes e senhorinhas para a vida laboral,ou continuar para cursos superiores.
Gostei dessa foto Victor fez-me voltar ao tempo do pé descalço e da simplicidade de todos nós.
Aquele abraço.

Antonio Abilio................04-02-2012

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O Bairro do Viola ou um pretexto para recordar o “Xico” Frazão


Caros Amigos,
O tema pode parecer esgotado, mas acho que ainda há muito para falar sobre o tempo em que vivemos no célebre Bairro Viola.
Recordo com emoção de miúdo o tempo em que vivi neste bairro. As memórias são tantas que chego a perder-me por entre elas.
Hoje ao ver uma foto que o António Abílio Frazão me enviou do Canadá, achei que a devia partilhar com todos aqueles que viveram e alguns ainda vivem no Bairro Viola.
É uma foto onde está, naturalmente o António Abílio com a esposa, mas o mais emocionante é que o meu grande amigo e companheiro de tantas aventuras também lá está. Trata-se do CHICO FRAZÃO. Quem de entre vós não se recorda do Chico? Quantos não corriam para assistir e ajudar na descarga de caruma para dentro da casa do Chico que depois era armazenada e consumida pelo forno onde eram cozidas as peças em barro que eram fabricadas por alguns familiares e amigos, já que a empresa era do tipo familiar.
Mas o que mais me impressionava naquela amálgama de sentidos e cheiros tão diferentes era sobretudo a aventura de subir ao enorme monte de caruma, puxado por uma junta de bois. Claro que tudo aquilo era espectacular para um garoto de meia dúzia de anos. Tudo era fantástico quando tudo era diferente do normal.
O Chico Frazão era figura incontornável em todos os acontecimentos no Bairro. Recordo que era em casa dele que se formou a primeira equipa de futebol infantil. Os Águias (se a memória não me falha). Tivemos equipamento e tudo. Quando jogávamos com os outros bairros era sempre uma emoção muito grande, pois éramos os únicos com equipamento próprio. O director era o António Leitão (grande responsável e impulsionador, pela montagem desta equipa). Todos sabem que anos mais tarde do futebol fez carreira.
Quando jogávamos com outros bairros (bairro albano, estragado, 31 Janeiro e outros), tínhamos sempre que ter algum cuidado porque por vezes, quando acontecia ganharmos o jogo, podíamos ser corridos à pedrada. Acho até que nos anos seguintes este hábito tenha sido plagiado por algumas equipas principais (Caldas, Nazarenos, etc.), pois era normal assistirmos a este tipo de manifestações sempre que uma equipa ganhava em casa do adversário.
As memórias passam a uma velocidade estonteante e quase não tenho tempo para apanhar algumas. Acho que é da idade, no entanto ainda recordo o tempo em que assistíamos à passagem dos enormes camiões de combustível que faziam a sua faina pela cidade e arredores. O Largo da Vacuum era o local onde existiam os depósitos. O carvoeiro que andava sempre numa roda viva pela cidade. Sempre abaixo e acima na sua carroça puxada por uma única mula. O que mais me impressionava era o aspecto sempre negro do carvoeiro, de quem não sei o nome. Acho que nunca lhe vi a cor natural da pele, pois era um homem de imenso trabalho, naquela época não se desperdiçava nada, a vida era difícil para as camadas mais desfavorecidas.
Recordo ainda o pai no nosso colega Alcino, que na sua carroça fazia por toda a cidade a venda de azeite. Recordo as vezes que eu ia à mercearia da D.Rosa, buscar qualquer coisa que a minha mãe me pedia para comprar e quando lá chegava já não sabia o que era e tinha de voltar a casa para ouvir um raspanete e voltar outra vez.
Tempos difíceis para uma criança. A brincadeira era de tal forma entusiasmante que nos faz pensar se não éramos mais felizes naquele tempo, sem telemóveis, sem computadores, etc.
Por hoje fico-me por aqui. Espero voltar com outras histórias, na medida em que a memória vá sendo amiga.

Abraço a todos.
Victor Pessa

Comentários:

Olha que não... Olha que não...
O tema Bairro do Viola não está esgotado... Acredita que me emocionei ao ler as tuas memórias de criança. Eu era um pouco mais crescidinho, andei muito por essas paragens, assisti ao final da construção desses, (na época) grandes prédios. Conhecia o Frazão da olaria que vendia as suas cerâmicas na Praça. A filha, Deolinda Frazão, que andava sempre de bicicleta, deu origem a que eu andasse muito pela Fonte Pinheiro para baixo e para cima a tocar a campainha da minha bicicleta quando passava frente à porta dela, mas a "marota" nunca me passou "cartão".
Amigo Victor, por mim podes trazer para o blogue mais memórias. Além de motivares outros colegas a fazerem o mesmo, também me levas a recordar as minhas.
Um abraço para ti, e para todos os companheiros que em boa hora tenho conhecido neste espaço de comunicação.

Fernando Santos.......Olhão.................13-01-2012


Como não podia deixar de ser eu tenho de agradecer ao amigão Victor Pessa, em trazer algo mais do nosso Bairro ao blog embora normalmente dedicado a assuntos relacionados mais com as passagens e perpécias da nossa escola, mas o Bairro do Viola tem ou tinha muitos rapazes e raparigas ex alunos da mesma.
Por isso talvez não ser fora do seu lugar, e não só! Também assim trás algo mais para despertar os colegas e entusiasma-los a participar com mais assuntos.

Victor gostei de ler, mas Eu quando te enviei a foto nunca pensei que a irias partilhar com este lindo tema que trouxe tantas memórias dos tempos em que eramos jovens e principalmente alusivo ao meu tio Chico, o qual foi exactamente o que tu dizes era um dos mais velhos de nós e o que ele disse-se nós seguiamos-o como lider da rapaziada.

Era para a descarga do mato e caruma, a sede do clube de futebol era no quarto dele, onde se guardava as bolas e equipamento,e era ele (Chico) e o Leitão os dirigentes do mesmo.
Acho que já foi publicada uma foto desse team no blog! As celebres lutas de pedrada depois dos jogos, e no dia seguinte iamos para a escola com os mesmos com quem tinhamos lutado, pois que no Bairro não havia escola.
Quanto ao Chico eu acho que se tornou o lider porque tinhamos perdido o Cloves que era o Ex lider assim como mais velho também, e partiu para Lisboa ai então a sua liderança foi instalada pois também era defacto o mais velho de nós.
Foi bom ler este artigo, deu para reviver um bocadinho da nossa singela, mas harmoniosa convivencia e infância no Bairro do Viola.
Obrigado Victor e dá continuidade.

Aquele abraço.

Antonio Abilio.....................13-01-2012


Como geralmente acontece, por estes lados em Toronto, nós os Caldenses só nos encontramos quando há algo de más noticias e foi o que aconteceu a semana passada. O Alberto que já se encontrava doente à uns bons anos, faleceu e então lá fui eu onde me encontrei com o Xico Frazão, o Toino Abilio , respetivas esposas e tantos outros Caldenses. Posteriormente encontravamo-nos uns aos outros no aeroporto quando um familiar ia de volta a Portugal e lá ía a familia toda e mais um à despedida e assim lá nos víamos . Agora deixa-se o familiar à porta do aeroporto e ele que se desenrasque . Isto vem a propósito de os ver agora na foto Não há dúvida que o Bairro do Viola teve a sua história e há sempre mais uma para contar. Eu que era do Bairro da Feira Velha, fui muitas vezes jogar a esse bairro e por vezes jogávamos não muito longe daí, que era nas fazendas do Zé Natário "família dos Valentes". No que respeita (à padrada), como o Jorge Jesus diz, nós no meu bairro , tinhamos o "campo de futebol" onde hoje está instalada a Cantina e do outro lado do caminho de ferro, onde estão agora os Silos, era um dos campos do Bairro da Ponte Sul e aí havia o perigo das (padradas), vindas do caminho de ferro. Agora são apenas saudades. Cheguei a ser leader da minha equipa. já andando na Bordalo e tinha que me descalçar para não estragar os sapatos, senão era aumentado no ordenado se os estragasse. Agora não poderia deixar passar esta. Eu julgo que o ano passado ou à dois anos , a L. Peça, corrigiu-me e bem, dizendo que o seu nome e"muito orgulhosa disso" era com c de cedilha e não com dois ss, mas agora o teu irmão vem contar um pouco de história do "vosso" bairro e assina Vitor Pessa, afinal quem está certo? Um esclarecimento que o T. Abilio talvez saiba ,é que haviam dois Clovis; um era o Remigio Clovis, filho do Ramiro do banco, que foi meu colega na primaria, o outro Clovis um ano ou dois mais velho era filho dum senhor da CP e que em todos os encontros escolares se apresentava com este bonito poema e que eu nunca mais esqueci.

João de Deus Dia de anos

Com que então caiu na asneira
De fazer na quinta-feira
Vinte e seis anos! Que tolo!
Ainda se os desfizesse...
Mas fazê-los não parece
De quem tem muito miolo!

Não sei quem foi que me disse
Que fez a mesma tolice
Aqui o ano passado...
Agora o que vem, aposto,
Como lhe tomou o gosto,
Que faz o mesmo? Coitado!

Não faça tal: porque os anos
Que nos trazem? Desenganos
Que fazem a gente velho:
Faça outra coisa: que em suma
Não fazer coisa nenhuma,
Também lhe não aconselho.

Mas anos, não caia nessa!
Olhe que a gente começa
Às vezes por brincadeira,
Mas depois se se habitua,
Já não tem vontade sua,
E fá-los queira ou não queira!


Chaves....................14-01-2012

É um prazer ver o "Xico" meu companheiro de equipa no Futebol Clube das Caldas(ponte de lança) mas com menos 50 kgs em cima e a Albertina, um abraço para Vocês.

Fernando Xavier..............14-01-2012

Amigo Chaves, obrigado pelo teu comentário. Na realidade nem mesmo eu sei porque assino com dois SS. Desde que me conheço que assim faço. Acontece que os meus filhos são com 2 SS (sem qualquer conotação política), desde que nasceram.
Acho que já em tempos remotos se vislumbrava algum acordo ortográfico.
O meu registo como cidadão de Portugal, teve algumas peripécias, que passo a contar. Quando pela primeira vez tive de obter o Bilhete de Identidade, não havia registo que eu existisse.
Já naquele tempo havia quem andasse a meter $$$ ao bolso, faz parte da essência do português.
Quando a minha mãe me registou, logo após o meu nascimento, o sacristão deu-lhe um papel para a mão mas não registou nada, ficando com o pecúlio do registo.
Só anos mais tarde, quando quis efectuar a matricula no Ciclo Preparatório, na velhinha escola, que toda esta situação veio ao de cima, por assim dizer.
Registo para aqui, registo para ali, o meu nome foi registado com Victor, repara no "c" antes do "t", pois antigamente era assim que se escrevia e Peça com "ç" cedilhado.
Isto tudo pouca importância tem pois não faço parte de uma família brazonada, mas tem de facto gerado algumas questões engraçadas. Como é o caso do "c" antes do "t".
À que agora não se escreve assim, dizem por vezes! Claro que a resposta correcta e elegante é que eu nasci em 1949 e naquele tempo era assim que se escrevia.
Quanto aos meus filhos, espero que um dia, não venham a ser deserdados pela não igualdade de nome!!!
Abraço


Vitor Pessa...............14-01-2012

Só não entendo é essa "aparição" do sacristão no registo de nascimento do amigo Victor Pessa...
É que os registos eram feitos na Conservatória do Registo Civil e não na Igreja...na Igreja eram os registos do Baptismo e já depois do registo feito na Repartição Publica...

Se fosse uns bons anos mais cedo antes da existencia das ~Conservatórias do Registo Civil, aí sim eram as crianças registadas na Igreja Paroquiaal no momento do Baptismo e não existiam outros registos...
Creio que eu não estou enganado é que por exemplo no meu caso nascido em 1943...já fui registado na Conservatória, pelo que deve haver por aí uma qualquer confusão de registos...
Desculpem lá meter-me na conversa...mas deve ter sido o ajudante da Conservatória e não o sacristão (a não ser que este acumulasse...os dois serviços...)

Um abraço para todos...!!


Maximino..........................15-01-2012

O Quim Chaves queria um esclarecimento e eu vou tentar dar-lhe, se bem me recordo, o Clovis era filho do Sr. Ramiro do Banco sim, e devia ser da tua idade, eu como nunca mais o vi tenho a ideia que foi para Lisboa, mas ai não tenho a certeza. Pois eu também era muito pequenito nessa altura mas lembro de algumas coisas que ele nos punha a fazer, assim como saltar do Rés do chão para o patamar da cave até o sr. Quartel vir afugentar a malta ou a dona Zulmira do Hilário que era a porteira ou seja a senhora que limpava e lavava as escadas do prédio.
Espero que esteja correcto e que tivesse ajudado o Quim a clarificar a sua memória, senão espero que alguém que tenha a memória mais viva do que a minha me corrija.
A minha memória também me diz que o nosso campo de futebol era numa propriedade que cujo o dono era o Sr. José Padre e não José Natário o qual ele lavrava uma grande parte dela, mas por qualquer razão deixava sempre um bocado por fazer, que era onde nós jogavamos que me faz querer que nem fosse dele porque a seguir a esse terreno para o lado do rio do 'mijo' havia uma lixeira onde os Capristanos faziam despejo das oficinas.
Mais uma vez agradeco que me corrijam em caso de eu estar errado.

Quanto ao amigo Fernando Santos leva-me a pensar que não teria pedalada para a minha tia Deolinda se ela não lhe passou cartão! Isto digo eu, na brincadeira claro amigo Fernando, na realidade ela tinha os olhos num senhor que já tinha automovel, e acabou por casar com ele, que é o meu tio José Malhoa,o qual era proprietário de um carro de Praça (Taxi) que pouco tempo antes de vir para o Canadá (1958) o lugar dele era ao pé da trazeira do Montepio em frente da taberna do João Vintém que quem o foi substituir foi o pai do Leião o sr. Adelino.

O Victor falou soubre o nosso colega e amigo do Bairro e de escola o Alcino "Azeiteiro" pois tive com ele não há muito tempo, ele habita perto do meu emprego e estivemos a matar saudades da nossa meninice, pois ele vai a Portugal devez em quando, porque ainda tem a Mãe viva e vai visita-la de tempos a tempos.

Também dei a conhecer este tema e comentários ao meu tio Chico, onde ele ficou sensibilizado com a homenagem feita á sua pessoa, e acho que irá dar o seu contributo, embora ele não seja muito para estas lides, mas já o temos como seguidor e leitor deste local, é um começo.
Vou ficar por aqui esperando que mais amigos e colegas dêem o seu contributo e estórias para manter as nossas memória afinadas.
Um abraço para todos.

Antonio Abilio..................15-01-2012


Vou pegar no tema do Pessa vs Peça apenas para vos dizer que cerca de 20 anos mais tarde o problema se mantinha. Na família da minha mãe somos todos Reboleira e apesar de não termos a mais ínfima porção de sangue azul, sabemos que este apelido apenas se usa ou usava na freguesia de Tornada, e não tem qualquer relação com a terra do J. Pimenta (quem se lembra?). No entanto em 1969 por bizaria ou asneira do funcionário da Conservatória o primo mais novo passou a chamar-se REVELEIRA. Felizmente que este «achado» se quedou por aí pois o Luis, e bem, usa sobretudo o nome paternal.

Casos caricatos como estes existem aos milhares, no Portugal antes de Abril!


J.L.Reboleira...............15-01-2012

O Clóvis (Clóvis Remígio de Sousa) era efectivamente filho do Sr. Ramiro de Sousa, Sub-gerente do Banco Lisboa & Açores e fundador e ensaiador do Rancho Folclórico "Os Pelicanos" (alguém se lembra?)
A dada altura o Sr. Ramiro foi colocado como Gerente no Bombarral e a família foi para lá residir. Os pais, o Clóvis e o seu único irmão, mais velho, Vasco Remígio de Sousa. O Vasco, entretanto, foi viver para Lisboa tendo-se suicidado há mais de uma dezena de anos por razões que desconheço. O Clóvis casou com uma moça do Bombarral que frequentou a nossa escola no fim dos anos 50, princípio dos anos 60 (Maria Celeste Marques Dionísio). Tendo trabalhado muitos anos na Ciprol (Bombarral) acabou por constituir uma sociedade em Vila Nova de Famalicão que se dedicava à indústria de pré-esforçados e ali viveu muitos anos. Infelizmente o Clóvis também já fez a "viagem final", há meia dúzia de anos, vitimado por doença que não perdoa.
A última vez que o vi foi em 1969, em Luanda, onde eu estava no cumprimento do serviço militar e onde ele se deslocou com o seu sócio com a idéia de montarem uma fábrica de pré-esforçados em Angola.
Apesar de ele ser um verdadeiro "índio" fui seu amigo depois de a sua família se ter deslocado do Bairro Viola para a Rua dos Loureiros, junto ao portão da Mata e por cima do Largo João de Deus, onde eu residia.
Alguém quer falar do Rancho "Os Pelicanos" que teve a sua origem precisamente no Bairro Viola?
Um abraço.


Sanches.................15-01-2012

Aleluia, Aleluia, o amigo Sanches voltou, o que já não era sem tempo. Sim o Remigio Clovis foi meu colega de classe e lembro-me bem que teve um grande acidente de automóvel, bastante novo, mas sobreviveu e que faleceu então de doença. O outro Clovis parece que minguem se lembra mas ele era muito conhecido.
Ao T. Abílio posso-lhe dizer que o "campo da bola "onde eu ia brincar era dos Natarios e havia lá um poço ou mina de agua com uma bomba de puxar agua, parecida com aquela que havia no Borlão, mais ou menos encostada às traseiras dos armazéns do T, Santos.
Ao Victor Pessa, posso-te dizer que o meu cunhado, o Victor Corado, também tem o C e a irmã , minha mulher Lourdes Bernardes ainda escreve com o U "sangue azul", estás a ver, Foi bonito aparecer o tirar de dúvidas do C e dos dois SS .

Chaves.................15-01-2012

Eu bem dizia ao Victor Pessa que o Bairro do Viola ainda tinha muito para dar. As recordações aos poucos vão aparecendo.
Respondendo ao António Abílio também na brincadeira, é natural que eu não tivesse "pedalada" para a tua tia Deolinda. Não é que eu não fosse um rapaz bem-apessoado, mas se ela já andava de olho no teu tio José Malhoa que ainda por cima era taxista, não é de admirar. Ela a pedalar numa reluzente bicicleta pasteleira preta de senhora, e eu numa "charronca" toda ferrugenta que o meu pai me havia comprado por 150$00 no Samagaio, o mais certo foi nunca ter reparado em mim. Todavia não deixa de ser engraçado recordarmos estas coisas passados tantos anos. Obrigado António Abílio e um abraço.
Quanto aos Remigio de Sousa fiquei surpreendido com a notícia que o Sanches nos dá. O Vasco suicidou-se e o Clóvis também já não está entre nós.
Não me recordo de "Os Pelicanos" mas sim do senhor Ramiro de Sousa junto com o senhor Graça do Tribunal pertencerem à direção do Sporting Clube das Caldas. Fui amigo da família e acampei muitas vezes com eles. O Vasco teria mais ou menos a minha idade, e o Clóvis, mais novo, numa ocasião em que estávamos todos acampados no pinhal da Foz pediu-me a bicicleta para dar um salto à praia(a família nessa altura já possuía carro), e voltou "à la pata" porque deu cabo das mudanças de carreto que dias antes eu tinha comprado no Castanheira. Pediu para não dizer nada ao pai e quem perdeu, perdeu. Entretanto casei, fui para Lisboa, dez anos depois para o Algarve, e, creio nunca mais ter visto os dois irmãos. Com os pais ainda convivi algum tempo no parque de Campismo de Monte Gordo onde permaneciam grande parte do ano na sua caravana, tendo o senhor Ramiro de Sousa acabado ali os seus dias.

Obrigado por terem tido a paciência de me lerem, e, sendo assim, aqui vai o meu abraço para todos os companheiros do Blog.

Fernando Santos........Olhão....................16-01-2012

O colega Sanches puxa pelas nossas memória e muito bem.
Quem se recorda do rancho os Pelicanos?
Pois eu não: Confesso, era muito pequeno, sou pelo menos 6 anos mais novo que o Quim ou o Sanches e mais ainda do Amigo Fernando Santos, embora tendo eu certas recordações desse tempo, tive de certificar algumas com os meus pais sobre o Clovis e do Sr. Ramiro, até antes do comentário do amigo Sanches ser publicado, com este desafio, eles falaram-me nisso em referência que o Sr. Ramiro ensaiou o Rancho do Bairro do Viola os Pelicanos.
Quero dizer que ainda há memórias por ai, que se recordam desses dados é preciso é puxar por elas.
Vamos dar tempo para que apareçam mais colegas, com mais memórias e peripécias, do bairro e da nossa escola e juventude.

Quim não posso teimar, pois a diferença de idade, podia ter feito igual diferença no local onde se jogava, agradeço porém a tua vontade de nos trazeres sempre boas recordações daquele tempo, assim como todos os outros colegas que vão dando o contributo e exercicio das nossas memórias dos tempos em que nos conheciamos a uns aos outros, não interessando o Bairro ou a rua da Cidade onde se habitava, ou mesmo a terra dos arredores, a nossa escola depois trazia-nos ao encontro de amizades.

Obrigado a todos por estas boas recordações.
Abraço

Antonio Abilio....................16-01-2012

Queria agradecer ao meu grande amigo Chaves a sua manifestação de alegria pelo meu regresso ao blog. Efectivamente, depois dos momentos muito difíceis por que passei em termos de saúde e após a minha "reforma" do Montepio, tenho agora mais tempo para reavivar as nossas memórias. E começo por dizer que estou muito preocupado contigo. Então, tu, a grande memória do blog, não te lembras do Rancho Folclórico "Os Pelicanos" e dos tempos áureos em que se deslocava às Caldas um célebre rancho que trazia à frente um homem cocho empunhando um cartaz com o refrão de uma das suas modas: "Vimos das Cruzes, vimos a chegar...
E confundes o terreno do José Natário com o do José Padre? O terreno do Natário ficava onde agora existem as instalações da Autoeste e do Continente. Existia ali uma grande vinha onde íamos fazer o rabisco depois das vindimas e éramos corridos pelos capangas do proprietário. O terreno do José Padre situava-se em frente ao lado Sul do Prédio do Viola, agora Rua Mestre Francisco Elias. Descia-se uma leve barreira e tínhamos um pelado, agora ocupado por prédios, com as dimensões de um actual campo de futsal. E, por acaso não andas a ver a dobrar? Vês dois Clóvis onde só havia um? Não precisarás de consultar um bom oftalmologista? Eu não morei no Bairro Viola mas morei na Rua 31 de Janeiro numa casinha que existia onde hoje funciona a loja de tintas do Carlos Rosa e frequentei muito a zona.
E quem se lembra do meu amigo, companheiro de escola e de tropa, Fernando Raul, filho do Sr. Joaquim encadernador? E do Emídio, filho da D. Felizmina, telefonista dos Correios no tempo em que, para de telefonar para Lisboa, se tinha que ligar o 00 e uma voz respondia: "interurbana, faz favor". Indicávamos o número para o qual pretendíamos falar, indicávamos também o nosso e aguardávamos 2 ou 3 horas pela ligação. Será que as pessoas nascidas na era do telemóvel acreditam nisto?
E quem se lembra dos irmãos Jorge e João Alcobaça que viviam numa cave do Prédio Viola e jogavam no Caldas, no início dos anos 50, na 3ª divisão antes, por conseguinte, das subidas à 2ª e 1ª divisões? E quem se lembra que, nesse tempo, o Campo da Mata não tinha balneários e os jogadores equipavam-se no Hotel Rosa e iam mata acima, dois a dois como as patrulhas da GNR?
O meu amigo Chaves que é menos novo que eu, tem que se lembrar. Por isso aqui fica a provocação para ele e para outros que queiram comentar.
Um abraço.
Sanches....................17-01-2012

Amigo Sanches e companhia. Não podia deixar de dar mais outra replica ao já interessante tópico Xico Frazão, que embora não seja um tópico da escola mas, que faz bem ao trazer à memória coisas armazenadas cá no"cabeço". Ora amigo Sanches como dizes e bem não sou tão novo como tu ,dois ou três anos mas a vida na nossa cidade pouco teria mudado nesses anos 50 e todo o mundo se conhecia e qualquer evento da época ficava em nossa memória. Certamente que todos têm na memória as festas do "pau caiado" e que traziam ao parque nomes famosos da nossa musica ligeira e não só.. Entre esses nomes vinha um imitador de vozes "o Tózeca" muito famoso na altura e que imitava um agitador das plateias políticas, dizendo ; temos que acabar com o comunismo...temos que acabar com o socialismo... temos que acabar com o imperialismo... e mudando de voz como se fosse um dos espetadores dizia, pondo as mãos em frente da boca, Eh pá! já que estás com as mãos na massa vê lá se consegues acabar com o reumatismo, porque eu ando aqui àrrasca Vou-lhes dizer o que a minha memória já está a começar a falhar mas mantém algumas passagens que eu acredito que foram mesmo como eu ainda hoje as vejo. Eu não disse que não me lembrava dos "Pelicanos" embora estivessem um pouco afastados da memória se tu não o tivesses trazido á lembrança. Eu também andava por essas bandas," bairro do viola" o meu pai e Zé Constantino (pai dos ceramistas Eduardo e irmão), tinham uma pequena oficina na Rua das Flores. Lembras-te dum senhor de grande porte que morava por aí que tinha como alcunha "cavalo do estado"? Lembro-me bem dos Alcobaças, o que jogava à bola julgo que foi para o Brasil e por lá ficou
No que respeita ao maestro do Rancho das Cruzes "terra do Henriqueto " ficou na memória na maior parte dos caldenses porque coxeava e ao caminhar ia acima ia abaixo com o caminhar do rancho e cantava essa famosa, VIMOS DAS CRUZES.........,VIMOS A CHEGAR
mas tinha outra já mais clássica que era assim.

as cachopas cá da terra,.. de lábios cor de romã ...gostam de andar em marcha...pra mostrar que a vida é sã ...pra mostrar que avida é sã
acerta o passo na marcha...meu amor...sempre assim a marchar como um só...pois é assim que se dança o solidó.... as cachopas................repete

Falando nos tais "campos de futebol", continuo a dizer que era também nos terrenos do Zé Natário e depois íamos um pouco mais longe ás amoras que ficava na estrada que ía para o Campo O amigo Sanches se por acaso encontrares o Zé Luís Lalanda ou o Figueiredo "irmão do Padre A. Emílio" pergunta-lhes quem era esse tal outro Clovis pois ele fazia parte do quarteto de recitas das escolas assim como grande Leiria (infelizmente já falecido) que recitava "Manuel era um petiz de palmo e meio"....ou pouco mais.. Sem mais e até breve saudações

Chaves................17-01-2012

Era este o petiz amigo Chaves...?

O Edital

“Augusto Gil”

Manuel era um petiz de palmo e meio
(ou pouco mais teria na verdade),
de rosto moreninho e olhar cheio
de inteligente e enérgica bondade.

Orgulhava-se dele o professor.
No porte e no saber era o primeiro.
Lia nos livros que nem um doutor,
fazia contas que nem um banqueiro.

Ora uma vez ia o Manuel passando
junto ao adro da igreja. Aproximou-se
e viu à porta principal um bando
de homens a olhar o que quer que fosse.

Empurravam-se todos em tropel,
ansiosos por saberem, cada qual,
o que vinha a dizer certo papel
pregado com obreias no portal.

"Mais contribuições!" - supunha um.
"É pràs sortes, talvez!" - outro volvia.
Quantas suposições! Porém, nenhum
sabia ao certo o que o papel dizia.

Nenhum (e eram vinte os assistentes)
sabia ler aqueles riscos pretos.
Vinte homens, e talvez inteligentes,
mas todos - que tristeza analfabetos!

Furou o Manuel por entre aquela gente
ansiosa, comprimida, amalgamada,
como uma formiga diligente
por um maciço de erva emaranhada.

Furou, e conseguiu chegar adiante.
Ergueu-se nos pezitos para ver;
mas o edital estava tão distante,
lá tanto em cima que o não pôde ler.

Um dos do bando agarrou-o então
e levantou-o com as mãos possantes
e calejadas de cavarem pão.
Houve um silêncio entre os circunstantes

E numa clara voz melodiosa
a alegre e insinuante criancinha
pôs-se a ler àquela gente ansiosa
correntemente o que o edital continha.

Regressava o abade do passal
a caminho da sua moradia.
Como era já idoso e via mal,
acercou-se para ver o que haveria.

E deparou com este quadro lindo
de uma criança a ler a homens feitos,
de um pequenino cérebro espargindo
luz naqueles cérebros imperfeitos.

Transpareceu no rosto ao bom abade
um doce e espiritual contentamento,
e a sua boca, fonte de verdade,
disse estas frases com um brando acento:

" - Olhai, amigos, quanto pode o ensino.
Sois homens, alguns pais e até avós.
Pois por saber ler este menino
é já maior do que nenhum de vós!

*************
É bom podermos (ainda...)voltar a memória bastante lá para trás...!!

Abraço do Maximino....................18-01-2012

Amigo Maximino era esse mesmo, recitado pelo falecido Leiria
Era o nosso passatempo ao sábado,geralmente sentados no chão a ouvir uns tantos que tinham jeito para recitar e os professores SÁ e o Lalanda como maestros Também havia o "bate, bate levemente" o "Catavento" o "aniversário" o "quem tem filhos tem cadilhos"... e os "passarinhos tão engraçados". Não havia mais nada a não ser bola, mas lá se passava o tempo Saudações

Chaves...................19-01-2012

Caro Maximino, lamento desapontar-te mas o que disse corresponde à verdade. Foi-me contado pela minha mãezinha, que apesar dos seus 84 aninhos ainda se recorda, de tudo, como se tivesse sido hoje!
De facto na época (1949) o sacristão do Bombarral (pois foi aqui nesta terrinha que Deus fez que eu havia de nascer), devia acumular esses serviços, e procedia de igual modo como acontece hoje em dia, nos baptizados, por exemplo.
A minha mãe efectuou o respectivo pagamento do registo e recebeu o documento respectivo, mas na realidade o registo nunca chegou a ser efectuado, pois o dito sacristão “meteu” a massa ao bolso, como mais tarde se veio a constar, por exemplo com outros casos idênticos.
Enfim, factos estranhos que de alguma maneira são repetidos ainda nos dias de hoje, por gente que aparentemente devia ser séria.
Efectuando uma pesquisa podemos verificar que existem variantes da palavra peça, como nome próprio, tem o seu quê de particular. Antigamente tal como hoje se verificam erros de grafia, nas mais variadas situações.
Termino com esta situação exemplar do nosso sistema de segurança social.
Quando eu nasci a 27 de Janeiro de 1949 (estou quase a fazer aninhos), o meu pai deveria ter começado a receber o abono de família. Acontece que devido ao facto da existência de um indi-viduo na zona de Alcobaça com o mesmo nome do meu pai (e esta hem?), o dito abono de famí-lia nunca chegou às mãos de quem de direito. Foi então que se descobriu que a Segurança Social andava a enviar o abono para o tal senhor. O dito nunca disse nada e lá foi ficando com a massa, até que um dia as coisas se resolveram.
Como se pode ver, quando se trata de nomes próprios, é complicado e pelo sim pelo não deve-mos sempre perguntar como se escreve, quando existem dúvidas.
Abraço

Victor Pessa.................19-01-2012

Então deixo aqui este poema que foi declamado por mim, julgo que em 1960 no Antigo Casino no Parque nas comemorações Henriquinas...
recordo-mo de que comigo faziam parte desse grupo entre outros e outras...: o Ramiro e o Joel da Coimbrã...

Aliás até se passou uma coisa interessante...: eu tinha uma foto do grupo que emprestei a um colega do grupo para ele arranjar uma cópia para ele...já foi há muitos anos e o colega entendeu que o melhor era ficar com o original...e o Maximino ficou a olhar...para O Mostrengo que está no fim do Mar...

Fernando Pessoa (1888 - 1935

O Mostrengo

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
nas minhas cavernas que não desvendo,
meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»

«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso,
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»

Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes;
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade que me ata ao leme,
«El-Rei D. João Segundo!»

****

Outros tempos...

Um abraaço para os colegas...!!

Maximino....................19-012012

Agora só falta a L. Peça dizer algo, pois ela quando me corrigiu e ainda bem, para que o Victor com o C clarificasse os porquês. Peca-peça-pessa, parece que vai dar tudo ao mesmo É TUDO BOA GENTE.

Saudações Chaves....................20-01-2012

Quim acho que ela já te disse que chegue sobre esse assunto portanto não acredito que vais ter mais explicações, mas aproveito a deixa e vou contar mais uma historia do Bairro e que envolvia o Chico Frazão como já se falou, como todos ou pelo menos foi aqui citado que o meu avô pai do Chico, tinha uma fabriqueta de Cerâmica lá em casa e um dia depois de tirar um molde a um Sardão (Lagarto) com cerca de 45cm de tamanho,Que depois foi montado nuna folha de jaro, então o Chico que tinha lá juntado a malta atou um cordelo ao dito bicho e lembrou-se de o ir mandar para dentro de um janela da casa bem conhecida ao fim do Bairro, a qual era conhecida por ALEX. Sim a casa das..... meninas e ao fazermos isto deu-se logo com gritos e raparigas a fugir para rua, meias vestidas e nós malta fugimos para a esquina do Vitorino das Molas a ver aquele preparo e arraeial, escusado dizer que eramos muito novos para sofrer grandes consequências, mas não passavamos por aquela rua tão cedo, para não levarmos com algum penico por a cabeça a baixo. Não sei se o Victor estava envolvido nesta aventura, mas eu tive e hoje ri-me do feito mas andámos ali uns dias á espera de sermos castigados mas não aconteceu.
Isto eram outros tempos outras brincadeiras.
Já agora quase podíamos perguntar...:

Antonio Abilio.................20-01-2012

Já agora quase podíamos perguntar...:

Pessa ou Peça...antes ou depois do acordo ortográfico...?

Um abraço amigo Pessa...

Maximino.......................20-01-2012

É verdade amigo Chaves! O Abílio tem razão em dizer que eu já expliquei tudo sobre este assunto. Só tenho de rectificar um pequeno pormenor na história do meu irmão: a nossa mãe tem 82 anos, faz 83 no dia 22 de Junho deste ano.
Abraços

Lurdes Peça.......................26-01-2012
Outra vez o Bairro do Viola, outra vez aquele que foi o meu bairro, até completar 21 anos. Na semana passada, ao ver a foto do Chico Frazão, não resisti e contei uma estória engraçada, estória essa que não terminou da melhor maneira para mim, pois a minha mãe, para a finalizar resolveu puxar do chinelo, e fazer-me correr á volta da mesa da cozinha, até que eu senti que lhe estava a passar a vontade de malhar. Essa estória tinha a ver com o Chico Frazão, comigo, com alguma rapaziada lá do bairro e com uma corrida de bicleta. Infelizmente, eu fiz um erro na altura de submeter o comentário, e o mesmo foi perdido. Como o mesmo era um pouco extenso, fica para uma outra oportunidade, onde eu tenha mais tempo e mais paciência para tornar a escrever a tal estória. De qualquer modo, posso afirmar que foi um prazer muito grande ter visto o "Chico" na foto, dado que desde que ele partiu, nunca mais o vi. O "Chico", foi meu vizinho durante meia dúzia de anos, ele no 59 e eu no 61, até que eu deixei essa casa defronte da porta C dos prédios do Viola e mudei-me para o 1º andar direito da referida porta C, mesmo defronte da casa do Chico, na Rua da Fonte do Pinheiro.
Espero que um dia o Chico nos faça uma surpresa e apareça num almoço ou numa outra altura qualquer.
Um abraço para o Chico, o amigo


J. Carlos Abegão...............26-01-2012

Amigo J.Carlos Abegão...essa situação de perder tudo quando se vai submeter já me aconteceu algumas vezes...
Depois é um problema porque o tempo é sempre contado e nem sempre há paciencia para alinhavar novamente as ideias...

Sabe como resolvi o problema...?

Quando se trata de um texto mais extenso, antes de o submeter...faço Copy...e se houver algum problema...

É só voltar a repôr...e andar...!!

abraço

Maximino.................27-01-2012


Já agora e para também ajudar os mais incautos nestas andanças do teclado, sim porque apesar da experiência no assunto ainda faço muita asneira, recomendo o seguinte:
Antes de clicarem em "Enviar um Comentário", aconselho que escrevam tudo o que têm de escrever num editor de texto (Winword ou equivalente), porque assim podem demorar o tempo que quiserem, com a grande vantagem de que ficam com um histórico de todos os comentários que vão fazendo. Depois quando entenderem sempre podem copiar e colar no espaço indicado para comentário.
Esta ideia surgiu-me depois de uma troca de emails com o nosso amigo Fernando Santos, onde ele me diz que está a escrever as memórias dele. Então não é que é uma óptima ideia? Já pensaram que aos poucos e sem dar-mos por isso, vamos construindo uma cronologia de acontecimentos, que nos podem ser úteis mais tarde?
Deixo aqui a ideia. Abraço a todos.


Victor Pessa...................10-02-2012

sábado, 19 de novembro de 2011

Blog versus Facebook

Ora até que enfim aparece uma “polémica” que faz acordar as pessoas.
Quem segue o Grupo da Escola no Facebook tem lido várias opiniões sobre a inclusão de Links para o You Tube.
Devo confessar que aprecio mais os Blogs do que o Facebook, mas claro que também lhe acho alguma graça, até porque permite o comentário “na hora” e até alguma troca de opiniões como foi o caso.

Também sou da opinião que enquanto as páginas gerais tem lugar para tudo, os grupos deveriam ser mais dedicados ao tema, caso contrário não faz sentido a existência do “Grupo”, mas, seja no Blog ou no Facebook o que é importante é que as pessoas digam o que lhes vai na alma.

O Blog não tem sido muito participado, mas nem por isso tem tido menos visitantes.
Segundo as estatísticas do Bravenet e do Sitemeter o Blog tem uma média diária de 85 visitantes diferentes o que corresponde a uma média de visitas diárias de 240 páginas abertas.
O Blog que começou em Maio de 2006, já leva 787 post e 1014 fotografias publicadas.
Foram feitos, durante estes 2022 dias do blog, 1850 comentários.
As fotografias publicadas virem dos álbuns de 173 colegas.

Levando em linha de conta estes dados e porque tenho algum retorno do interesse que, quer o Blog, quer o Facebook, tem despertado, vou continuando a fazer uma coisa que me dá muito prazer, falar sobre a nossa Escola, as Caldas e fundamentalmente a importância de ter amigos.

Comentários:

Não posso deixar de estar de acordo com o que escreves. Aliás como autor do tão "polémico" comentário, que parece ter aborrecido algumas pessoas (2), nunca me passou pela cabeça exercer qualquer espécie de censura ao que cada um publica. Manifestei a minha opinião, porque achava que se estava a tornar numa situação descontrolada por parte dos autores dessas publicações. Por vezes não nos apercebemos o quanto estamos a fugir do rumo traçado, levados pela certeza que a nossa publicação vai agradar aos demais. A resposta quase imediata dos utilizadores (ex-colegas) foi disso por demais evidente.
Abraço.

Vitor Pessa............19-11-2011

Caros colegas, amigos, e companheiros. Este Blog está de novo a atravessar o deserto. O Zé Ventura vai pondo umas fotos de "meninas" e "meninos" dos anos sessenta, que lhe vão chegando à mão, e, regra geral ficam "penduradas" à espera que alguém (se é que não fugiram todos para o Facebook) "puxe" pela memória e identifique alguns dos fotografados, ou, apenas umas linhas com um pequeno comentário. Alguém deseja que o Blog morra? Creio que a maioria dirá. Não!!!

Concretamente não sei com que fins o Zé Ventura criou este Blog, mas julgo que o principal seria o reencontro de antigos alunos que por algum motivo se foram dispersando não só pelo nosso país como pelo resto do mundo...

... Interrompo aqui o texto porque nesta altura dei um saltinho ao Blog e deparei-me com a polémica Blogger Facebook. Por isso, antes de mais devo dizer o seguinte: não é por acaso que no meu Mural se encontrem apenas 21 "amigos". É porque, além de nunca me ter entendido muito bem com o Facebook, reparei que de um momento para o outro as pessoas arranjaram centenas de amigos, e, posso estar enganado, mas dá-me a ideia que talvez até involuntariamente se expõem muito. Por isso, prefiro continuar por aqui.
Diz o Z.V. que o Blog tem uma média de 85 visitas diárias. Pois bem; era mais ou menos aqui que eu pretendia chegar quando interrompi o texto. De todos estes visitantes não há nenhum que disponha de um pouquinho de tempo para dar a este espaço que tanto tem contribuído para o reatar de amizades há muito perdidas?

Já em tempos dei uma ou duas "dicas", e lembro-me que a Lurdes Peça, e creio que outra colega por aqui apareceram contando pequenas histórias de namoro do tempo da escola e dos bailes de garagem. Este contributo deu origem a bastantes comentários, e com os "Prédios do Viola" aconteceu o mesmo. Porque não continuar?

O "Lélé", o "Ferro-bias", o "Alentejano", o "Mendicidade", o "Pó", o "Algés", o "Manolete", o "Tarzan", o "Pinto Martelo", e outros que já não recordo, eram alcunhas de colegas e professores da Marquês. Algumas davam para contar uma pequena história. Na Bordalo Pinheiro niguém tinha alcunhas?

Um abraço para todos. Fernando Santos..........................Olhão


Caro Fernando Santos, não sei nem recordo se nos conhecemos, mas também pouca importância isso tem, o simples facto de termos andado na mesma escola é por demais interessante que tudo o resto. Certamente que andámos em anos diferentes, eu fui dos que foram inaugurar a escola nova e saí ao fim dos 3 anos de curso, de modo que a minha vivência com os demais colegas foi curta. As amizades que tenho desse tempo são de facto dos amigos que "nasceram" comigo e que partilhamos juntos as mesmas aventuras e desgostos. Morei no já tão falado Bairro do Viola, os anos suficientes para ter criado um número significativo de amigos. Isto tudo para dizer que concordo inteiramente contigo. Na realidade amigos são os que nos acompanharam durante a vida. Talvez por isso eu não tenha muitos de facto mas os que tenho são bons e merecem também a minha amizade. De facto o FaceBook veio baralhar um bocado as coisas, qual jogo da vida, hoje em dia qualquer um tem centenas, senão milhares de amigos. Ainda não consegui vislumbrar o significado de tamanha aberração, se calhar sou eu que estou errado, mas parece-me que não há limites hoje em dia para a decência, para as atitudes que se tomam. Talvez por isso o País chegou ao ponto em que está, estamos. Eu acho também que o FB veio desmotivar um pouco as pessoas a participarem nos Blogs (eu tenho 2) e sei o que isso é. Mas sei também que quando há interesse e vontade, nada nos consegue demover. Por isso acredito que tudo na vida é passageiro e esta moda do FB também não vai fugir à regra.
Abraço

Vitor Pessa......................19-11-2011

Pela parte que me toca, se o Blog fosse substituido pelo FB...lá se ia pelo menos, a leitura de notícias da minha parte.
Não me converti ao Face e jamais espero fazê-lo...
Até a minha neta já disse à mãe que tinha de abrir uma página para o avô...mas eu não estou para aí voltado...
Dá-me impressão que alguns/as não querem comentar para "não se darem conta" de que já não são os rapazes e as raparigas doutros tempos...
Mas meus amigos e amigas...não se esqueçam que a unica maneira de por cá estarmos (activos...) é ir envelhecendo...
Temos é que encarar essa situação de frente...e ir fazendo umas "pegas de caras" (desculpem-me a analogia), às marradas que a vida nos vai dando...

Abraços para todos/as...!!


Maximino..................20-11-2011

Olá companheiros! (Se é que por aqui ainda vem alguém).
Saí agora do Facebook espantado com os 61 comentários que li. Concordo que todos têm o direito de escrever, colocar vídeos do Youtube, e dar opiniões. Lamento o desentendimento entre dois companheiros e ao que parece a desistência de outros dois.
Foram sugeridas algumas ideias com as quais concordo. Este Blog também é dos Antigos Alunos. Por isso vos peço! Não o deixem vazio! Comentem as fotografias que chegam à mão do Zé Ventura, e aproveitem este espaço para contar as vossas aventuras do tempo de escola.

P.S. A polémica no Facebook, deu-nos a oportunidade de ler muitos e extensos comentários que foram muito além do simples: " gosto disto, tudo bem, magnífico, adoro, muito belo, etc. etc."
Quanto ao escrever bem ou mal, cada um escreve como sabe, e não se deve envergonhar disso.


Fernando Santos.............24-11-2011

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Um belo par de tomates

Desculpem lá a brejeirice mas o Faustino do Rosário, que nos deu o prazer da sua companhia no nosso encontro anual, enviou esta mensagem agora que está de regresso ao Canadá.

Diz ele:

Olá amigos(as)
Estou novamente de volta ao Canadá
Agora vou ter mais tempo para brincar no computador.
Durante a minha estadia em Portugal, como normalmente fico durante 5 meses, tenho tempo para fazer uma horta para produzir feijão verde, alfaces, tomates, pimentos, couves, espinafres, etc.
Este ano, tive uma produção de tomates, digna de ser admirada...
Nesta foto, o tomate mais pequeno tinha cerca de 850 gramas, enquanto que o maior tinha um pouco mais de 1250 gramas ou seja 2 libras e meia.
Agora diga lá com franqueza:
Tenho ou não um rico par de tomates nas mãos ?

Comentário:

Tens sim senhor!
Rico par de tomates, só na abençoada terra das Caldas é que se vê esse tipo de coisas, antigamente era no Entroncamento, mas com a estadia do Faustino e desconhecendo o que ele pôe na terra...o resultado vê-se...e apalpa-se...e saboreia-se! Que rica saladinha com oregãos!
Beijinhos

Lurdes Peça.................05-12-2011

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Os últimos românticos

Neste passado sábado, actuou, no Pavilhão Atlântico, uma grande estrela ibérica e mundial – JÚLIO IGLÉSIAS! Sei que foge um pouco ao âmbito do nosso blogue, mas quase todos nós nos emocionámos e suspirámos ao som da sua voz e dos seus êxitos... E foram tantos...
“Un canto a Galicia”; “Por el amor de una mujer”; “Hey”; “Me olvide de vivir”; “De ninã a mujer”; “Manuela”; “La cumparsita”; “Crazy”; “Me va, me va”.....
São incontáveis!
Daí, ter-me ocorrido partilhar isto convosco: recebi da minha filha, como prenda do meu aniversário recente, dois bilhetes para assistir, com o meu marido, a este espectáculo.
Curiosa a sua ideia!
Não fiquei excepcionalmente maravilhada!
Afinal, tal como aconteceu connosco, o tempo também por ele passou. As marcas dos anos são visíveis, apesar de ter afirmado repetidas vezes que tem apenas 47 anos, rectificando, 48, acabados de fazer...
E não me refiro unicamente ao seu aspecto físico. Não me parece que, alguma vez, ele tenha demonstrado grandes dotes vocais, apenas um timbre agradável e melodioso.
O seu enorme sucesso assenta, quanto a mim, numa estrutura muito sólida e bem montada, onde se misturam músicos extraordinários, um trio de jovens esculturais com uma coreografia certíssima, um par de bailarinos de luxo, etc, etc, oriundos das mais diversas partes do mundo.
Som, luz, tudo quase perfeito!
Mas, considero que o principal segredo do “charmoso Júlio” consiste no reportório que possui, repleto de temas muitíssimo inspirados e românticos.

No início da noite, brilhou o nosso José Cid que, à medida que o tempo passa, parece que rejuvenesce! Contagiou intensamente os muitos espectadores presentes, que com ele vibraram, trauteando grandes êxitos que todos sabemos de cor!
Com grande humildade e visivelmente sensibilizado, agradeceu o carinho com que foi recebido e o convite dirigido pela organização para fazer a primeira parte do concerto da “vedeta”, não tendo tido talvez a consciência de que, ele próprio, contribuiu, e bastante, para um serão bem passado!
Defendamos a “prata da casa”!

Fátima Valente

domingo, 29 de maio de 2011

O Bairro da Ponte

Hoje também me apetece escrever, e venho aqui a esta tribuna defender o “Meu Bairro”. Então não é que esta gente só fala dos Prédios do Viola, do Borlão e Avenidas, (Gente fina é outra coisa).
É claro que estou a brincar, mas aproveito a oportunidade, para falar do “Meu Bairro”, o da Ponte, claro está.
Nos anos sessenta era uma zona essencialmente operária, era lá que moravam grande parte dos trabalhadores da cerâmica. A linha ferroviária marcou sempre uma fronteira entre a Cidade e o “Bairro além da ponte” e as ruas de terra batida era o espelho de uma zona mal amada.
Morei durante algum tempo na Rua Afonso Enes, ali mesmo junto ao Largo do Estragado, (hoje pomposamente chamado de Largo do Colégio Militar), foi nesse Largo que joguei à bola, à bilharda, ao peão, à “carne sem osso” e outras brincadeiras que nos tempos que correm seriam alvo de noticias da TVI que nos apelidaria no mínimo de delinquentes, se não vejam…
Foi por essa altura que achámos um maço de tabaco e claro fomos experimentar dar umas fumaças ali para os lados do Pinhal do Terrinhas, (onde hoje está o Cencal), o resultado não foi muito brilhante, além do ataque de tosse característico dos novos fumadores, ainda conseguimos uma pequena intervenção dos Bombeiros, o que nos valeu uma ida até à Policia. Nada que não se tenha sido resolvido com um par de tabefes aplicados pelos encarregados de educação de alguns dos intervenientes desta aventura, sim porque embora não seja politicamente correcto dizer, “ A porrada não dá juízo mas conserva o que tem”.
Mas do Bairro guardo boas recordações, as festas dos Santos Populares e outros bailaricos na sede velha de “Os Pimpões”, com a figura do Soeiro pronta para entrevir sempre que os pares “encostavam” um bocadinho a mais que a conta, sim porque como ele dizia “aqui é uma casa de bons costumes”.
O café do Diamantino (Café Bordalo), era dos poucos sítios onde havia televisão.
O Café do “Jaquim Leiteiro”, já apareceu muito mais tarde.
Poderia falar da Escola Primária com o Prof. Saraiva, e posteriormente das palmilhadas que fazia diariamente até à Escola Comercial, quase sempre na companhia da Ana Casimiro, da Celeste, do António Calisto, e raramente do Cabé que se atrasava sempre.
O bairro da Ponte tem um significado muito especial para mim, de tal forma que ainda hoje não dispenso o cafezinho depois do jantar, servido pelo Vitor ou Abilio no Café Creme onde aproveito para pôr a escrita em dia com o Orlando Santos.
A primeira fotografia que acompanha este texto faz parte do espólio dos Pimpões e reporta a uns Santos Populares, a segunda foto é uma imagem actual do mesmo Largo.

Zé Ventura



Comentários:

O Bairro da Ponte é uma "instituição" nesta Cidade. Lá nasci(na Rua Claudina Chamiço), lá fui um actor sofrível nos Pimpões, com o Mestre João Arroja(Pai), o Sr. Henrique Rebelo, Alda, etc bons tempos. No Largo lá estavam os Pimpões, O Escriva Alfaiate, O Sr. José Moreira Fernandes e Xico Coutinho, o António Saramago Pereira e tantos outros.
Um abraço

Fernando Xavier....................30-05-2011

Esta Foi boa Zé!
Porque não puxar a brasa á tua Sardinha.
Não posso dizer que lá morei porque não é verdade, mas ia lá frequentemente, visitar e brincar com amigos, assim como também íamos aos Pimpões assistir a peças de teatro onde o meu tio Fernando Garcia Tiago, cunhado do Sr. João Arroja (Pai) fazia de ponto para as personagens não se enganarem na actuação, ia também aos bailaricos onde aprendi a dançar embora envergonhadito mas lá consegui para depois passar a ir aos bailes de garagem.

Claro que o Bairro da Ponte é uma instituição da nossa cidade, como diz o Fernando, agora é preciso divulga-lo por mais colegas que têm de certo muito mais para relatar das suas boas recordações dos tempos de juventude passados no Bairro da Ponte.
Um abraço de quem não é do Bairro.

Antonio Abilio …………31-05-2011


O Bairro da Ponte ou Bairro Além da Ponte como a maioria dos habitantes lhe chamavam, também fez e ainda faz parte da minha vida. Foi lá que trabalhei, namorei, casei, vivi e vou de vez em quando matar saudades.
Pelo que me é dado perceber, nem o Zé Ventura nem o Fernando Xavier conheceram a Ponte tal como era antes do seu primeiro alargamento. A Rua da Ponte, (hoje rua Dr. Augusto Saudade e Silva) e o Largo da Mina (Largo Frederico Ferreira Pinto Basto) foram pavimentados com paralelepípedos em 1948/49, pois antes eram de terra batida ou simplesmente areia, como foi ainda muitos anos o Largo do Estragado.
Creio que o antigo Chafariz ficava encostado à empena da casa onde morava o alfaiate Zé Escriva. A água provinha duma Mina que nascia perto da antiga Central Eléctrica e vinha abastecer o chafariz. Daí, a rua que vem da Central até ao Largo, antigamente se chamar Rua da Mina.
O Diamantino, que tinha uma pequena barbearia ao lado da taberna, fechou aquela, e dos dois estabelecimentos nasceu (creio) o primeiro Café do Bairro da Ponte.
Além de "Os Pimpões" e dos locais e pessoas citadas pelo Zé Ventura e Fernando Xavier, lembro-me do Dr. Costa e Silva, do Manuel Preto da Torrefacção de café, da Olaria dos Alcanhões, do barbeiro João da Cunha, e, em frente a este, o José Saloio, figura de grande prestígio por, além de considerado o melhor electricista da região, era projeccionista de cinema no Pinheiro Chagas e ainda bombeiro voluntário.
Finalmente lembro a loja de artigos eléctricos do Vasco B. de Oliveira (mais tarde Café do Joaquim leiteiro) onde trabalhei cerca de quatro anos.

Olhão, 31 de Maio de 2011
Fernando Santos.


Gostei de ler este pequeno, mas bem escrito, comentário do Zé Ventura, sobre o "seu" bairro da ponte, pois embora eu seja oriundo do tão badalado bairro do viola, fui frequentador, pelos mais diversos motivos, do não menos famoso, bairro da ponte. Além dos muitos amigos que por lá moravam, fui aluno da escola do bairro da ponte, na minha 3ª e 4ª classe (hoje 3º e 4º ano), na mesma turma dos primos, Alexandre e Vitor Domingos, o 1º infelizmente já falecido e há muito tempo. Por lá também habitavam os manos Cabé e Zé-Tó, que partiram para o Congo e o Alberto, o António Calisto, o Chico Vital, embora este um pouco mais novo.
Um abraço para a rapaziada do bairro da ponte,

J. Carlos Abegão …………31-05-2011

O barbeiro tocava bandolim e nós (miúdos) ficávamos à porta a ouvir a música. Também havia a mercearia do "Coradinho", a cocheira do "Trinta" e outras coisas boas.

Fernando Xavier……………31-05-2011

Também tive amigos no Bairro da Ponte! Quando atravessava a ponte, parecia que entrava noutra localidade, era outro mundo diferente daquele onde morava! Ia quase sempre à casa da Maria José Ferreira da Silva (esposa do famoso ceramista) brincar com os filhos dela, o Rui (residente em Lisboa) e o Nini (residente na Suiça), pois os nossos pais eram amigos e foram colegas de trabalho na antiga Secla. Não resisto a contar uma cena que presenciei, embora muito admirada, pois não estava habituada a certos devaneios. Era no verão, a Maria José estava no quintal a grelhar sardinhas para o almoço, nisto entra em casa o famoso artista, pega numa mala de viagem, abre-a, despeja lá para dentro todas as sardinhas assadas, fecha a mala e salta para cima dela diversas vezes parecendo uma cama elástica! Os motivos desconheço, mas foi tão engraçado que ainda hoje quando como sardinhas lembro-me disto!
Beijinhos a todos


Lurdes Peça…………31-05-2011 
 

Não tem nada a ver com a notícia...mas estou a ver e ouvir o nosso companheiro José Nicolau (Nigel) de Peniche a falar-nos da sua actividade industrial...: a transformação do pescado...
Que afinal até é nas suas mãos um êxito... no panorama negro nacional...!!

Bem...não tem a ver com a notícia, mas tem muito a ver com a nossa Escola e os nossos almoços...

Há uns anos atrás, quando o nosso almoço decorreu num salão no Pinhal do concelho de Óbidos...
Durante a tarde (nada com a categoria das tardes na Lareira...), para quem quis...:houve sardinhas assadas e carapaus (para além de outros petiscos...) numa oferta do nosso amigo Zé (e a um preço muito competitivo...: pagou ele as ditas e os ditos, como já adivinharam...!!)...

Mas não quero que digam que não escrevi nada sobre o Bairro Além da Ponte...

Sou do tempo em que à volta do dito...havia uma imagem de ruralidade bem diferente da actual visão já meio cosmopolita...!!

Ahhh...e o Bairro da Ponte "já é do tempo" em que até éramos razoavelmente servidos...pelos Caminhos de Ferro...!!
Vinha de Óbidos...às vezes caminhava paralelamente à via a caminho da nossa Escola e do outro lado...

Lá estavam alguns de vocês...!!

abraço


Maximino…………01-06-2011

Oi amigos da nossa Escola...,

hoje sou eu que também quero dizer algo sobre o bairro da ponte. Sou a Odete Maçãs e sinto-me filha do bairro porque fui viver para lá com 6 meses, a minha irmã Lurdes nasceu já lá. Somos 4 irmãos, o mais velho o Hermínio Maçãs ex-professor de música e português de muitos de nós. Do bairro alem da ponte tenho as melhores recordações, acompanhei toda a evolução dele, lembro-me das ruas por pavimentar, do largo do estragado onde íamos ver os saltimbancos com os burritos, macaquinhos e verdadeiros artistas
...lembro-me de no verão irmos para a rua à noite por o calor ser muito, conviver com os vizinhos sentados nos bancos da cozinha, lembro-me de no largo do chafariz ir à mercearia do Sr. Zé Moreira comprar (grandes) quantidades de alimentos, e lembro-me muito dos Pimpões situado no mesmo largo. Foi lá que a minha irmã Isaura começou o namoro e também a participar nos espectáculos de variedades ensaiados por o nosso querido Sr João Arroja (pai), foi assim que nós as manas Maçãs começamos também a participar nas danças e cantorias. Aprendemos a dançar naquela casa e também os 1ºs amores (platónicos) foram lá vividos, claro que não só esses porque foi também ao ritmo desses bailes que namorei e depois casada participei na angariação de fundos para a actual sede com a animação das verbenas, os meus filhos eram pequenos e dormiam em colchões no chão com outras crianças enquanto os pais colaboravam nas festas populares. O café do Diamantino era o local de encontro das pessoas e foi o 1º local onde se via TV Estava sempre cheio, até as caixas de cerveja serviam de bancos. lembro-me também que se vivia tão calmamente que se jogava à semana na estrada e as portas tinham as chaves nas portas e ninguém era assaltado. Por tudo isto digo que no bairro da ponte se vivia em comunidade e fraternidade, digo ainda que o meu bairro foi e é a minha 1ª casa e essa nunca se esquece. Obrigada Bairro da Ponte por me ajudares a ser a Pessoa que sou com qualidades e defeitos mas grata por a vida lá vivi!!!

bj para tds vós
Odete Maçãs………….02-06-2011

Gostei muito de ler o que escreves-te sobre o nosso Bairro da Ponte.
Bolas o tempo não passa, o tempo voa.
Recordei-me da minha infância e dos meus irmãos (Chico e Rosália Vital).
Vim com meus pais, infelizmente já falecidos,morar para o Bairro com meses de idade, para uma casa que ainda hoje existe, abandonada, o que me deixa muita tristeza ao pé da Escola primária. Muitas dessas casas deram lugar ínfelizmente a prédios.
Recordo-me perfeitamente das ruas por alcatroar.
Brincávamos todos na rua aos jogos tradicionais, mas o preferido era às escondidas. Muitas vezes as brincadeiras prolongavam-se pela noite dentro, era até os nossos pais começarem chamar mais correcto "Gritar" para irmos para casa. Hoje completamente impensável!
Moravam na mesma rua o Cabé, o Zé-Tó, a Mitá, a Geninha, a Aninhas, o Marques, o Carlitos e o César era uma festa.
Ainda me lembro da famosa "BICICLETA" (aquilo sim era uma bicicleta "xpto" para a época)do Cabé. Aprendemos todos a andar nela. Fazia-se fila a aguardar a vez, para dar a volta completa à escola .
Os famosos jogos de futebol que fazes referência no Largo do Estragado, em que o meu irmão que já demonstrava um certo jeito para a bola chegava na maioria das vezes descalço a casa . O delírio da bola era tal que nunca mais se lembrava que tinha deixado os sapatos no local do "crime".
Um drama, era colheita (porrada) pela certa.
Também se jogava futebol de sarjeta a sarjeta da rua com uma bola de trapos pequena.O meu irmão escolhia-me sempre para guarda- redes dele, ou seja a equipa era composta por ele e por mim.
Ele não confiava em mais ninguém. E aí estava eu, colocada com os pés na posição à Charlot para as bolas não entrarem, na sarjeta.
Se a bola entrava,ora aí está acertávamos contas em casa.
Ao domingo também íamos ao Café do Diamantino ver a televisão comer um bolo de arroz e beber uma groselha.
Neste Bairro vivi uma infância feliz, onde havia muito Companheirismo e Amizade.
Ainda hoje visito com frequência os vizinhos da minha infância pelo quais nutro grande carinho.
Obrigado Zé.

Lúcia Vital Vasconcelos ..................02-06-2011


Pois é Lúcia a rapaziada nem lhe passa pela cabeça como a gente se divertia...e que felizes que nós éramos.
...E a bicicleta Azul do Cabé ....era um espectáculo.

Zé Ventura

Pois é Lúcia, não foi preciso ler todo o teu lindo comentário para saber que eras tu a referires as tuas memórias de infância..., as histórias eu conhecia porque aqui em casa o Carlos referiu-as algumas vezes e riamo-nos sempre, tu eras uma Maria Rapaz pequena mas não ficavas atráz ds outros! já viste como agora as nossas crianças não podem brincar assim na rua? estão em casa a ver jogos de violência e depois é o que se vê nas escolas! bjs gostei muito

Odete Maçãs...............03-06-2011

Para mim, que era da área da Feira Velha, entre a antiga Praça do Peixe e a Raínha, vejo o Bairro Alem da Ponte, dividido em três. A principal ou melhor a do centro, começava onde a Rua Sebastião de Lima terminava. Aí havia a ponte e entrava-se então no bairro. Muitas vezes ficava-se por aí a tomar banhos de vapor das maquinas do comboio em manobras, pois dizias-se que fazia bem às constipações. Na parte mais para norte como o Bairro do Estragado já ficava fora de muitos "putos", embora eu corresse tudo com a minha fisga. Na parte mais a sul (estrada da Foz), que ia até, um pouco abaixo do antigo matadouro. Agora as Caldas é mais ou menos uma cidade grande, muito diferente e talvez mais triste por culpa das tele novelas que mantém as pessoas em casa (opinião minha) Saudações

J. Chaves .............04-06-2011

terça-feira, 24 de maio de 2011

Do Borlão ás Avenidas

Uma vez que o Zé deu por encerrado o capítulo sobre os Prédios do Viola, que tantas saudades provocaram em quem lá viveu (e não só), resolvi deslocar-me para uma zona contígua e que esteve igualmente ligada à minha infância e à minha adolescência.
Refiro-me ao BORLÃO!
A casa da minha avó materna situava-se na Av. da Independência Nacional, Nº 20 e tinha, nas traseiras, um enorme quintal, cujo pequeno portão se abria precisamente para o Borlão e, por aí, se encurtava caminho.
Existia nesse quintal um poço com água bem refrescante e, à sua volta, bem frondosa, erguia-se uma gigantesca nespereira, com deliciosas nêsperas que eu devorava sofregamente e cujo sabor nunca mais voltei a sentir, eram inigualáveis!
A antiga Av. da Independência Nacional, com a Estação dos Caminhos de Ferro ao fundo, era muito aprazível! Não tem nada a ver com a que resta actualmente.
Quem não se recorda das suas lindas amoreiras, cujas folhas nós apanhávamos para alimentar os simpáticos bichinhos da seda?
Quem nunca se sentou, ao final da tarde, naqueles velhos bancos de madeira (creio que vermelhos), trocando dois dedos de conversa com vizinhos ou amigos?
Onde hoje se localiza o prédio que possui o Supermercado Escolha, tinha  eu aulas de piano com a saudosa Professora Maria Amélia Ferreira, cujos ensinamentos se diluíram no tempo...
Já nada disto existe, claro!
Foi precisamente esta casa e este quintal, que acompanharam o meu crescimento, que foram demolidos para "rasgar" a actual Av. 1º de Maio.
Realizavam-se  no velho Borlão as animadas Feiras anuais do 15 de Agosto e aqui se situava também um "barracão" pertencente à F.N.P.T. (Federação Nacional dos Produtores de Trigo).
Mais tarde, surgem a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, o Tribunal e, mais recentemente, o edifício da Câmara Municipal.
Toda a minha vida, (com excepção de uma fugaz experiência "militar" em terras moçambicanas), se desenrolou neste triângulo - Prédios do Viola, Rua Engenheiro Duarte Pacheco e Av. 1º de Maio.
Mesmo aqueles que não viveram nesta cidade, aqui estudaram e, como os tempos eram outros e as posses diferentes, desembarcavam na Estação Ferroviária ou Rodoviária, percorrendo esta área quase diariamente a caminho da nossa Escola.
É a todos vós que  lanço este desafio - falem do Borlão que conheceram e que acabou por se transformar num ponto central  das nossas Caldas de hoje em dia, a que atribuíram a designação histórica de Praça 25 de Abril!
Cá espero os vossos relatos!
Fátima Valente

Comentários:

Recordo-me ainda muito bem, apesar de já ter passado muito mais de meio século, "deste" Borlão...
Quando saía da Estação, vindo de Óbidos (nos tempos, em que apesar de tudo..."ainda havia" comboios...), passava precisamente por essa zona a caminho da "velha" Escola...
Ao contrário do pedido da canção...o tempo não volta para trás...

Mas as lembranças, essas sim...voltam, e ajudam-nos... "a voltar" ...a ser meninos e meninas...

"Tanto que se ganhou" depois desse tempo, mas também "tanto que se perdeu"...
Valham-nos ao menos, as memórias...!!

Abraço
Maximino ..............25-05-2011

A velha Avenida!
Outro local onde vivi no N°7, hoje o primeiro prédio a seguir ao Grémio da Lavoura para o lado da estação o qual ainda lá está, quase de fronte da casa da Avó da Fátima. Brinquei muito com outros rapazes perto do local mencionado, comia-mos as amoras e apanhávamos as folhas para os bichinhos da seda, usávamos os bancos como balizas para os nossos campeonatos de bola, alguns que me vem á memória, são o Espanhol, o Coutinho, o Rolim, o Terrinha, o filho do Antonio Pedro, havia dois rapazes qual o nome já me falha que eram gémeos, enfim tempos de meninice. Recordo-me muito bem do enorme quintal da Avó da Fátima pois se provei as nêsperas foram poucas certamente ou se o Espanhol me as tivesse dado, porque o muro era alto!
Do mesmo lado da casa da tua avó para o lado dos bombeiros morava um Professor da nossa Escola o qual não me recordo o nome, mas vou tentar seria o (Rainho ou o eng. Piriquito) talvez algum dos colegas se recorde e nos diga quem ou qual era o professor que ali habitava.

Fátima, na Avenida também se efectuava todas as Segundas Feira a feira das hortaliças e alfaias agrícolas, onde também aparecia no topo lado do grémio um sujeito a vender Canetas e lapiseiras quando isto era uma novidade daquele tempo
(O Barateiro das canetas) mais tarde abriu uma loja em frente da loja nova do Thomaz dos Santos perto da Robialac.

Tudo isto são boas memórias do nosso tempo de miúdos, obrigado Fátima por nos avivares e a ajudares a manter as nossas mentes jovem.

Um abraço.

Antonio Abilio .................29-05-2011

Quem morava aí era o prof. Rainho . O eng. Piriquito morava na Nazaré

Ermelinda Lopes ...................30-05-2011

Ora ai está: Obrigado Ermelinda pela ajuda, todos é que sabem tudo.
Eu pensava que era um deles, mas os anos já são muitos e ás vezes as certezas são poucas.

Um abraço.

Antonio Abilio ..............30-05-2011

A Ermelinda está certíssima.
Trata-se, na realidade, do Mestre Rainho, marido da minha excelente e exigente professora primária - Maria Joaquina Rainho, avós da Carla, que, aqui há uns meses, interveio no nosso blogue, falando do avô, lembram-se?
Aliás, para ser mais precisa, quem ali residia não era o Mestre, mas os seus familiares, pais e irmã.
E lembram-se de quem vivia na casa mesmo ao lado? Era um sapateiro que tinha um macaco que passava a vida acorrentado, passeando-se por cima de um muro e que fazia as nossas delícias!

Fátima Valente...............30-05-2011

Sim lembro -me do sr.Chico Sapateiro e do seu macaco pequeno que era mesmo na esquina em frente ao portão lateral dos Bombeiros e do portão do Armazem de ferro velho que pertencia ao Pai do Alexandre Puga, outro ex residente do Bairro Viola.
O macaco andava no muro e também tinha um pau por onde ele subia e depois saltava então para o muro.
Pelo que se vê essas memórias estão em bom estado.
Força Fátima continua

Abraço a todos.

Antonio Abilio ......................31-05-2011

Sou leitora deste blogue que muito aprecio e falando no mestre Rainho e da dona Maria Joaquina, que era assim que a senhora gostava de ser tratada com todo o respeito, toda a vida me lembro que eles viveram na Rua da Esperança perto da avenida e também me lembro do Sr Chico o nosso sapateiro, bons tempos.

Nanda……………31-05-2011

Nanda, suponho que não a conheço pessoalmente, mas, a propósito do casal Rainho, devo elucidá-la do seguinte: efectivamente, eles viveram muitos anos na Rua da Esperança, foi ali que terminaram os seus dias; mas eu, que fiz toda a instrução primária com a D. Maria Joaquina, comecei a minha 1ª classe numa outra casa localizada numa rua paralela a essa - a antiga Rua da Electricidade, actualmente Rua Dr. José Saudade e Silva.
Tratava-se de ensino particular; ela era extremamente exigente, severa, mas quem passava por aquelas carteiras ficava seguramente muito bem preparado.

Foi sempre muito minha amiga! Quando me encontrava, já eu bem adulta, recordava sempre uma frase minha de garota bem gordinha a que ela achava muita graça: "A açorda faz a velha gorda"!


Ele era o oposto dela - calmo, paciente...
Como colegas, (poucos ingressaram na Bordalo Pinheiro), tive a Ana Nascimento, O António Bretts Jardim Pereira, que já partiu, o Zé Luis Brilhante, o meu primo, o Manuel Gerardo, a Clara Viegas, a Salete Lourenço, a Benilde Saramago, enfim, sei lá quem mais...
Tenho muito orgulho em ter sido aluna da D. Maria Joaquina Rainho! Aprendi imenso com os seus ensinamentos!

Fátima Valente...................31-05-2011
Conhecia muito bem toda aquela área da Avenida não só por causa das amoras...
A Fátima fala do Chico sapateiro e do macaco "cara de cão" que corria pelo muro cor avinhada que ficava mesmo na esquina. Se a memória não me atraiçoar eu estou quase certo que ele era tio da Isabel Alves que também entra no blogue.
Ao lado era o quartel dos bombeiros e também havia a Igreja protestante em que os pastores eram ingleses e que moravam nos Prédios do Viola.
O Pr. Manuel José António (português) era pai do Mestre Raínho, que também morava na Avenida. O Chico Anselmo (Natário) era neto ou afilhado de duas senhoras (irmãs) que julgo eram gémeas e também moravam na Avenida.
A família Natario havia o Valente que concorreu a ser Presidente da Câmara e talvez pertença à família da Fátima.
Sem mais saudações

J. Chaves.................01-06-2011


Olá Abílio!
Já que falaste nos campeonatos de bola, realizados nos passeios da avenida, em que os bancos serviam de balizas, não sei se te recordas do “árbitro” que de vez em quando aparecia, acabava com o jogo e ficava com a bola.

Tratava-se do temível polícia Artur que não me recordo se estava ou não reformado, mas andava a cobrar quotas salvo erro da Misericórdia.
Já agora continuando no mesmo assunto e quando nos deslocávamos para efectuar alguns jogos, quer ao Bairro do Viola ao “estádio” que ficava ao fundo do bloco de prédios, hoje rua José Filipe Neto Rebelo, local de treinos de um “caldense” que praticava salto com vara, podem imaginar as condições que ele tinha, de seu nome Manuel Santos, que chegou a ser recordista nacional, quer ao Bairro da Ponte no “estádio” da escola primária e ao Largo João de Deus no “estádio” do pinheiro da rainha, na altura uma deslocação, que hoje em dia só se compara para os Países do Leste.
Quanto aos irmãos gémeos não estou a ver quem sejam mas não estarás confundido com o Olímpio e o João José Leitão que moravam na rua da Estação, que faziam parte do grupo além do Pata que os pais tinham uma mercearia na rua da Flores.
Quanto à nespereira que a minha prima tanto elogia, concordo plenamente com ela, pois nunca mais comi nêsperas como aquelas. Não sei se te recordas que na altura ficou estipulado que não se podiam apanhar as nêsperas que estavam “mais à mão” pois eram lá para casa, mas sim as que se encontravam lá no alto o que acontecia que em cada ramo de árvore, sem precisar de sair do mesmo lugar, estava um guloso consumidor, mas chegava para todos tal era a dimensão da árvore.
Um abraço

João Hespanhol……………………. 2011/06/02

Colega J. Chaves:
Apesar de não o conhecer, constato que tem uma vaga noção dos membros da minha família, ainda que haja por aí algumas confusões, o que é perfeitamente natural!
O "Chico Anselmo" a que se refere, deduzo que se trata de um tio meu, já falecido há mais de 30 anos e irmão mais novo das duas senhoras (não gémeas, separa-as uma diferença de 5 anos), que são concretamente a minha mãe e uma tia, esta última mãe do João Espanhol.
Não tinha o apelido "Anselmo", este pertencia a seu pai, meu avô materno, mas sim "Natário de Sousa".
Quanto ao "Valente" de que fala, é realmente o meu único irmão, mais conhecido por Zé Valente.
Parabéns pela sua memória!
Cumprimentos


Fátima Valente..............02-06-2011

Ora Bem, mais um Amigo que aparece a participar no Blog da nossa Escola.
João Hespanhol sejas bem-vindo a estas paragens pois vejo-te no FB mas ainda não tive coragem para contender contigo, pois não tinha a certeza se ainda te lembravas de mim, por isso obrigado.
Quanto ao teu comentário que tanto gostei de ler, veio complementar o que eu tinha na ideia e adicionaste mais outros nomes que eu me lembro bem mas não citei, pois não quero tomar todo o espaço com os meus comentários para que o pessoal não diga que eu tenho monopólio do Blog, pois isto é para todos relatarem as suas histórias e recordações.

João os irmãos que eu me refiro até me parece que eram família do Pata ou moravam perto dele, na rua das flores, eles eram pequenitos "baixinhos"
Pode ser que alguém se recorde e nos venha dizer algo mais.
Que a maioria da rapaziada não vivia mesmo na Avenida mas nas ruas adjacentes, porque na realidade na Avenida eras tu ,eu o Rolim, o João Manuel filho do Bombeiro, que moravam por de cima da senhora que era Parteira quase em frente da tua casa, poucos mais seriam a não ser que te lembres de algum que eu me esteja a esquecer.
O estádio que te referes onde o campeão de salto á vara Manuel dos Santos era uma propriedade que pertencia ao Sr. Zé Padre, ele deixava uma parcela por amanhar e a malta usava e abusava lá afazer os campeonatos da bola. Pois o teu relato foi correctíssimo continua a participar pois quantos mais melhor.
Um forte e saudoso abraço.

Antonio Abilio…………..02-06-2011


Olá a todos
A memória do Chaves não o atraiçou. O Chico Sapateiro, dono do macaco, era o meu querido tio, por união com a tia, irmã do meu pai. Morando muito perto do tio, visitava-o frequentemente, talvez por termos a mesma afinidade por animais ou simplesmente porque era um tio muito simpático. O tio Chico do macaco é mais um ponto alegórico que marcou o Borlão.
Adeus por agora, até à proxima,

Isabel Alves ............03-06-2011


Certamente fiz alguma confusão, pois o Natário de Sousa, (seu tio) eu conhecia-o como " Chico Anselmo " porque ele era colega do meu irmão que por acaso tinha uma fotografia com ele no parque ainda jovens, em que o seu tio tinha uma "boinita" daquelas que tinham uma pequena carrapeta no topo, pormenor que eu nunca esqueci. Ele ia muitas vezes a um sapateiro que havia na Calçada 5 de Outubro e que era perto onde eu morava. O nome Anselmo, talvez o mencionassem por ser o nome de seu pai. As senhoras eram conhecidas p'las Anselmas e o seu tio se fosse vivo deveria ter uns 80 anos. Eu sou mais da geração do Zé Valente, ele jogava à bola e bem, pelo liceu e eu jogava pela Bordalo Pinheiro e por vezes jogava-mos junto à vinha dos Natários (seus avós) lá para os lados da antiga Vacuum onde também haviam muitas amoreiras e não eram tão guardadas quanto as da Avenida.
Para a I. Alves, eu conheço bem toda a família Alves, só não tinha bem a certeza, mas agora já sei que estou certo e que ele (C.sapateiro) tinha também uma filha que andou na nossa escola. Lembro me da vossa tia Águeda "já falecida", da Lurdes e do Campino e dos Alves todos que são muitos.
Dá cumprimentos ao Rafael.

J. Chaves..................05-06-2011

Olá aqui estou mais uma vez. Agora é que a memória do Chaves o atraiçou-a. A Águeda, já falecida, é a prima mais velha, irmã da Lurdes e do Campino, filhos do Augusto, irmão do meu pai já falecido talvez a à mais de 60 anos, a filha do tio Chico é a Cila, mora à anos em Leiria. A família Alves é de facto muito grande, eu sendo Alves, casei com um Alves de Peniche, filho do Manuel Alves, alfaiate já falecido sócio de Alves, Pinto e Feliz o Pronto a Vestir que se não me engano era localizado na Rua Almirante Cândido dos Reis. Enviei os seus cumprimentos ao meu Pai ele retribuíu, o computador deixa-o um pouco intímidado. Este ano vamos todos até Portugal faço intenção de o ir visitar.
Agradecimentos ao Zé.

Isabel ................05-06-2011


Mais uma vez venho a este blog para partilhar a satisfação em ver os meus avós recordados nestas histórias.

Efectivamente a Rua da Esperança (a minha casa até adolescente) era onde funcionava a escola primária e a minha avó era mesmo muito exigente (eu também fui sua aluna), no entanto e embora por vezes muito rigorosa, os alunos dela facilmente se "distinguiam" de outros no que diz respeito ao conhecimento.

Um bem haja para todos e espero que este blog seja sempre "alimentado" por recordações que nos preenchem.


Carla Rainho.................22-08-2011

Ainda voltando à Exma Senhora Professora D.Maria Joaquina, é a única professora da primária de que me lembro o nome completo. "Maria Joaquina de Sousa Reis Rainho". Foi minha professora apenas um ano, na 2ª ou 3ª classe, na Fanadia, nos anos de 1955 ou 56.
Muito exigente, mas como já li atrás, quem fosse seu aluno ficava preparado. Tenho um caso muito curioso com ela, que ficou na história da minha família. Depois de fazer uma pergunta a quase toda a sala, virou-se para mim, que normalmente sabia responder, mas naquela dia deu-me uma "branca" e quanto mais ela insistia menos eu conseguia responder. Eu era o seu aluno preferido e naquele dia deixei-a ficar mal. Irritou-se tanto, que me enfiou uma bufetada que me deixou a cara marcada. A seguir pedu-me logo muitas desculpas pelo sucedido, mas ainda hoje, mais de 50 anos passados a recordo com saudade.


De Faro, Zé da Conceição................14-06-2012