domingo, 21 de março de 2010

Oficina de serralharia

Escola velha. Primeiro ano. Piso inferior, o da cantina. Sabem o local, passa-se uma ponte de madeira e entramos na oficina.
Sala estreita e comprida e ao canto superior direito, topo da sala, a secretária do Mestre. Em cima da secretária papéis, canetas, lápis e… o principal, um conjunto de dissuasores composto por um martelo de bola, uma escova de pelo de aço própria para limpar grosas, limas e limatões quadrados, triangulares e redondos.
O resto da sala, mobilada com armários arrecadação e bancadas de serralharia, em cada canto de bancada um torno manual fixo ao tampo, em cada torno um macaco azul com um aprendiz de serralheiro dentro. E lima e lima e encaixa as peças… não encaixa… volta a limar e mais limar e encaixa as peças… não encaixa… e mais lima e lima e encaixa as peças… gaita, agora encaixam mas com folga – nota do tradutor: deve substituir-se a palavra “gaita” pela palavra correcta – não, não a digam, pensem só, porque por enquanto o pensamento é livre, a palavra não.
Ao fundo da sala, lado oposto e mais distante do mestre, dois macacos, preenchidos com os respectivos aprendizes de serralheiro, juntam-se em amena conversa, conversa interessante pois conseguem abstrair-se do local e do presente.
A amena cavaqueira está “tão legal” que nem se apercebem do “grito de alerta”: ÓH ABRE… todos se baixam e se protegem com as bancadas menos os palradores que só dão pelo martelo de bola quando ele bate com estrondo na bancada. Por cima de nós umas vezes voa o martelo ou, se este já tivesse sido usado, ia a escova de limpeza de limas.
Depois da risada geral, vinha a ordem: - tragam-me cá o brinquedo. E os dissuasores, quais pilares de manutenção da boa ordem, regressavam ao seu local… o tampo da secretária do Mestre Raul que transbordava de felicidade naquele seu simpático sorriso de gozo brincalhão de que tão bem nos recordamos.
Um abraço a todos em especial a si, Mestre Raul Silva
A.Justiça
Comentário:

Este é um dos momentos altos deste blog. Obrigado Alfredo por teres partilhado com todos nós a descrição perfeita de uma oficina de serralheiros (que não conheci)e a relação boa, que existia entre alunos e mestre, nesses distantes anos da nossa curta passagem pela velha «Escola Velha» ! (porque não dizê-lo, sempre que volto ao parque de estacionamento das Cinco Bicas, cria-se um apertozinho no peito).
Ao ler a história estava a rever a minha curta passagem pelos Trabalhos-Manuais, bem ao lado da vossa oficina, e o Mestre Mateus tentando ingloriamente que os meus bocados de madeira fossem limados em esquadria. Pura perca de tempo!

J.L.Reboleira Alexandre.......21-03-2010


Amigo Justiça, parabéns por não desistires de dar o teu contributo a este blogue que está a ficar um pouco dependente só de alguns que teimam em o manter vivo, embora tivessem passado na nossa escola uns bons milhares de alunos. Fizeste uma boa leitura como era na altura a "tua" oficina da aprendizagem no curso de Serralheiros e eu vou tentar dar a leitura como era a sala das oficinas uns anos antes. Não sei ao certo o que teria sido aquele imóvel comprido que ficava mesmo em frente do portão de ferro que dava acesso à Mata e que se situava já dentro do recinto escolar e que talvez por ter estado ligado à GNR. tivesse sido arrecadação de algo. Como o Curso de Serralheiros estava no seu inicio, aí foram feitos alguns melhoramentos de limpeza e apresentação para se instalar umas bancadas compridas no meio do imóvel com espaços entre as mesmas no sentido mais longo (norte/sul) e espaços entre elas e as paredes nos dois sentidos (leste/oeste). Ao fundo, lado Norte, uma fresadora, um torno mecânico, um pequeno limador, uma rebarbadora de bancada "ismoril" e mais umas maquinetas que não me lembro. No lado Sul uma pequena forja (não de fole), uma bigorna....e possivelmente uns martelos. Cada uma destas celebres máquinas têm a sua história. O torno mecânico era de "rodas de muda" o que não era nada fácil os cálculos, através das fracções contínuas. A fresadora tinha o "prato de furos", que mediante os cálculos se podiam fazer rodas dentadas, só que o Mestre Braz errou os tais cálculos e a roda ficou com o ultimo dente maior que os outros e o celebre limador que estava numa posição que não era nada aconselhável, no que respeitava à segurança pois fazia um trajecto para a frente que cortava o material e trajecto oposto em ponto morto e que nos permitiam um ajustamento até quase bater na parede o que servia para partir nozes que o Manuel Mogo trazia. Com a forja por vezes alguém trazia, chouriço e lá se assava às escondidas, mas o cheiro ficava. Também na minha altura já se a tiravam martelos pelas bancadas fora e quando apareceu o Mestre Borrelho ele já era mais duro connosco no que respeitava a brincadeiras perigosas. Penso eu que no ano de 1958 recebemos na escola ou melhor nas oficinas, um "novo" torno em segunda mão vindo da Afonso Domingues a que o nosso director pediu para que fossemos ajudar na instalação e como na altura não havia maquinas para o empurrar para o devido local teve que ser levado à base de força animal (nós). Lembro-me da exclamação do Silvino Neto quando viu aquele pequeno monstro " parece um báaarco". No fim o nosso director amado e não amado por muitos deu a cada um um de nós 20$oo ,uma pequena fortuna naquela época, Desta geração saíram os Mestres Raul, Gabriel, Apolinário Soares, .Manuel Mogo e o Raínho. Pelo menos 50 anos já passaram além destes acontecimentos e isto é o que a minha memória ainda guarda, mas pode haver alguns lapsos. Talvez para a próxima eu conte como eram feitos os trabalhos de oficina.

Chaves..........25-03-2010


Amigo Chaves
Gostei de recordar a descrição das Oficinas. No meu tempo o primeiro ano de serralheiros era tirado nas instalações que descrevi, no nível da cantina, e de máquinas salvo erro, só existiam berbequins verticais fixos, pois o primeiro ano era destinado “á arte de serrar e limar” manuais, e faziam-se peças para encaixe que, como bem se lembram, eram uma valente estopada limar em esquadria e com medidas e precisão tais, tiradas a paquímetro de escala de nónio, que qualquer pequeno erro deixavam as faces limadas rombas ou redondas, convexas ou côncavas, e o encaixe ficava “a ver-se o céu através do metal”. As aulas eram ministradas pelo Mestre Raul Silva.
Depois o segundo e terceiro ano é que já decorriam nas Oficinas que descreveu mas, e não quero errar ou ferir susceptibilidades, o Mestre já era outro. Lembro-me de três, Mestre Flor da Silva, Mestre Raínho e Mestre Apolinário.
Aí sim, nessas Oficinas já existiam diversas máquinas embora que, comparadas com as que vieram para a Escola nova, eram obsoletas.
Desde os limadores, a tornos mecânicos, até um torno revólver existia, pasme-se, destinado a fazer roscas em porcas e parafusos seguindo á risca os cálculos para diâmetros e passes de rosca, uma fresadora com cabeçote escatelador, para fazer escatéis claro… (as coisas que eu me lembro), passando pela sala das forjas, que não servia apenas, tal com no seu tempo, para moldar o aço mas também para uma ou outra assada, o que não deixava de ser uma arte bem mais precisa que a outra. Um descuido e lá se estragava a matéria prima e esta era bem mais difícil de substituir pois deixava um amargo de boca enorme.
É bom recordar…
Um abraço

A.Justiça.........25-03-2010


Aquele imóvel comprido que "virou" oficinas dos serralheiros eram as cavalariças da GNR. Se bem me lembro, na zona das cavalariças esteve a cantina, creio, mais do que um ano. A descriçâo que o Chaves faz da oficina, respectiva maquinaria e forja é perfeita. Quando saí, em 1958, concorri à Marinha de Guerra e nas provas de admissão à Escola de Máquinas, vi, comparando com 200 e tal concorrentes para 30 vagas que, "Aquelas Oficinas" e os Mestres que tive, me deram uma boa preparação muito acima da concorrêcia. Amigo Chaves, já cheira a Maio. As passagens já estão marcadas?

Santana........26-03-2010

quinta-feira, 18 de março de 2010

ÓH, ABRE...

Ó Serralheiros do meu tempo, hoje deixo-vos uma adivinha. Quem se lembra deste grito de alerta:
ÓH, ABRE...
E o que se seguia após o grito?
O que é que voava pelo espaço após o grito?
Onde é que esta cena se passava?
Vamos lá a ver como está essa memória.
Um abraço
A. Justiça

É com esta fotografia do álbum do Vitor Santos que aqui deixo esta pergunta do Justiça.

terça-feira, 16 de março de 2010

O Baile de Finalistas de 1969

No último "post" do Blog da Escola dei com uma foto da claque desportiva, onde estavam alguns elementos do meu grupo de amigos de então. Primeiro estranhei não estar na foto e só depois me lembrei que estava a jogar, dado ser um jogo entre a Escola e o Extra Escolar do nosso amigo Mário Lino.
Continuando a pesquisar no blogue, resolvi abrir a secção de bailes, tão do agrado de todos nós, pudera, era uma das poucas formas de estarmos mais perto do sexo oposto. Como eu fui finalista em 68/69, o tal ano em que rompemos defenitivamente com o "Seggundo Gallarza" (parece-me que era assim que se escrevia), lembro-me por muitas e variadas razões do tal baile, realizado pela 1ª vez no ginásio da escola, o ginásio do "nosso" Prof. Silva Bastos. Não me lembro se na altura ia ou não com par, o que me lembro e razoalvelmente bem, é de ter sido mobolizado para cantar no referido baile, com os meus amigos do conjunto da escola, já que os "Charruas", precisavam de descansar e segundo parece, beber mais uns (muitos) copos. Uma das músicas tocadas por nós, era um "slow", muito do agrado daqueles que tinham acertado finalmente no tal par, que andavam desde o início à procura, e esse facto, era suficiente para me fazerem alguns sinais, pedindo-me para prolongar o mais que pudesse a música, em contrapartida, existiam outros que solicitavam o fim de tal melodia, pois já estavam à demasiado tempo na "seca". Enfim, penso ter sido um momento um pouco complicado, pois já na altura era dificil agradar a "Gregos e a Troianos" mas lá chegaram os Animadores Profissionais (Charruas) e nós pudemos voltar para o nosso lugar, ou seja, a estragar o chão do nosso ginásio.
Um abraço
José Carlos Mateus Abegão.

Ilustra este apontamento do Abegão uma foto do Baile de Finalistas de 1969 que vem do álbum da Teresa Santos.

Comentários:

Lembrava-me (lembro-me)muito bem do Abegão desportista (um dos preferidos do Silva Bastos, até porque não tinha como desporto preferido a habitual futebolada), e que na altura despertou em mim a vontade de aprender a jogar Ping-Pong, que apenas ultimamente deixei de praticar com regularidade. Será da idade?

O que desconhecia completamente era a faceta musical deste meu ex-colega de turma de 66 ou 67.

J.L.Reboleira Alexandre.......16-03-2010


O nosso Amigo Abegão, sempre foi um pouco prendado para as canções. Recordo-me que no início da década de 60, ele cantarolar uma canção que se bem me lembro, chama-se "LUA AZUL" e era cantada por um duo que existia denominado "CONCHAS". Estou certo "ZÉ" Carlos Abegão??

Manuel Vasconcelos........18-03-2010

Conheço o Abegão desde pequeno quando ele habitava no bairro do Viola, mas confesso que não lhe conheci a faceta de artista, mas como emigrei em 1965, é natural. Assim se comprova que estamos sempre a aprender todos os dias, sabia que ele era bom na ginástica.
Foi bom ler o teu texto.
Um abraço e saudades

Antonio Abilio......18-03-2010


O Duo "Os Conchas"...Um deles, creio que se chamava José Manuel e "fez" a guerra em Moçambique no meu tempo...
Dizia-se que quando a mulher necessitava de levar injecções, "obrigava" o enfermeiro a dar-lhas sobre o lençol...para que não visse o "rabiosque" à mulher...
Como disse...: dizia-se... por isso, ofereço a notícia pelo mesmo preço que "ma venderam"...

Um abraço para todos

Maximino........19-03-2010

domingo, 14 de março de 2010

Claque de apoio

Esta foto leva-nos até ao ano de 1967 e tanto quanto se sabe, e segundo o João Manuel Espanhol que nos trouxe esta fotografia, esta rapaziada fazia parte da claque de apoio a um jogo de Basquetebol que como se pode ver estava a decorrer.
Os entusiastas que estão na foto são: o Júlio Garcia, mais conhecido por “Sobrena”, o Álvaro Carvalho, o Pinto, o João Santos, o Vasco Castelhano, o Alexandre domingos, o Prof. Berjano e o Santiago Freitas.


Comentário:

Quase todos estes rapazinhos foram meus colegas.
O que será feito deles?
O Àlvaro,Pinto,João e o Vasco, nenhum deles por aqui aparece, eu gostava de ouvir algo dessa malta, que tão bons tempos passamos juntos.
Ficando á espera, envio um abraço para todos.

Antonio Abilio.......18-03-2010

quinta-feira, 11 de março de 2010

Dia da Espiga













Para legendar estas duas fotografias da Teresa Ramalho sobre o Dia da Espiga nada melhor que estes versos que descobriu algures num site que não me lembro qual, e confesso a minha ignorância, também não sei quem é o autor.

Quinta-feira de Ascensão
o povo não cabe em casa:
-cada papoila é uma brasa
na sua imaginação.

Uma brasa que lobriga,
por entre a clara promessa:
de pão, que já se começa
a prever em cada espiga.

Lisboa não foge à regra
porque dias não são dias:
-tem as suas economias,
e mal faz quem não se alegra!

E porque nobreza obriga
e a tradição não perdoa,
-Lisboa sai de Lisboa
chegado o Dia da Espiga!

Acostumada, com zelo,
a bem cumprir seu papel,
mete em cestos o farnel
e corre ao campo, a comê-lo.

Vai tudo de cambulhada
na caravana bizarra:
-vai a família, a guitarra,
a viola, o cão, a criada...

No eléctrico, no vapor,
no comboio –toda aquela
Boa gente se atropela,
buscando o lugar melhor!

Conversa-se em alta voz
e há cestos, em confusão,
pelos bancos, pelo chão
e até por cima de nós!...

Mas não se ouve protestar:
- Não há ninguém que reaja,
porque Lisboa viaja
disposta a rir e folgar!

Por fim na relva tenrinha,
estendem-se brancas toalhas;
e surgem as vitualhas,
que cada cesto continha.

Que bom!... 'peixinhos da horta',
pataniscas com salada,
azeitonas, carne assada,
'bolos de areia', uma torta!

No garrafão, atestado,
já quase não há vinho...
Geme a guitarra, baixinho,
silêncio: - canta-se o fado!

E depois dorme-se a sesta,
e depois o sonho ocorre,
e depois a tarde morre,
e depois... acaba-se a festa!

A debandada é geral...
Mas ninguém de ali avança,
sem trazer, como lembrança,
o ramo tradicional!

terça-feira, 9 de março de 2010

A Máquina de Projectar

Nas frequentes visitas que faço aqui ao Blog da Escola Comercial e Industrial, delicio-me com as imagens e narrações que me transportam para os meus tempos de rapazola.
Pena que a minha casa que tenho em Portugal (Vale de Maceira) fosse assaltada e vandalizada aqui à alguns anos atrás, onde as poucas fotografias que tinha como recordação dos tempos da escola fossem todas destruídas.
No entanto recordo aqui um momento caricato que se passou no ano da inauguração da escola.
Os tempos eram difíceis, e eu já trabalhava na Seol (hoje EDP) portanto frequentava o curso de electricidade nocturno.
Ao transitar-mos da escola antiga para a nova, tanto eu como os meus colegas de curso, já tínhamos uma certa "bagagem"
Certa noite apareceu na escola uma brigada da Policia de Viação e Transito, composta por 2 homens bem grandes com um uniforme amarelo, que se deslocavam em potentes motas.
Eles tinham como missão entregarem na escola, uma máquina de projectar filmes que ficaria lá na escola em permanência.
Nessa mesma noite, o Eng. Pinto Correia e o Eng. Vendas deram-nos como trabalhos práticos a instalação dessa dita máquina na cabine de projecção que ficava no ginásio no lado oposto ao palco.
A encomenda era composta por várias caixas de cartão onde estavam as peças do projector.
Sem sabermos exactamente por onde começar, fomos abrindo as caixas e retirando todo aquele material que era composto somente por peças mecânicas.
Depois de tudo retirado, procuramos as instruções de montagem, mas não havia nada.
No entanto cada um dava a sua opinião, e o projector lá começou a ganhar forma
Não tinha nada electrónico, era tudo mecânico, e como componentes eléctricos, tinha apenas um interruptor que accionava uma luz em conjunto com um ventilador de arrefecimento para não queimar a fita, e um outro para ligar o motor que fazia mover uma bobine onde seria colocado o filme.
Claro que a montagem ainda demorou muito tempo, devido á falta de instruções.
Quando todo parecia estar completo, colocámos uma bobine com um filme que vinha junto para fazer-mos um teste e verificar se aquela geringonça funcionava.
Pensámos que esse filme seria alguma propaganda ao Estado Novo com imagens da Mocidade Portuguesa...
Para nossa grande surpresa, tudo funcionava ás mil maravilhas, no entanto o riso foi geral porque o filme explicava como abrir as caixas de papelão, como retirar as peças e como montar o projector.
Mas afinal como fazíamos para ver esse filme explicativo, se não tivéssemos montado previamente o projector?

Faustino Rosário
Montreal - Canadá

Comentário:

Uma história exemplar e exemplificativa da forma arrevesada como a lógica do dito estado novo funcionava…

Artur R.Gonçalves......10-03-2010


A Máquina de Projectar
Li esta estória bem contada e desenvolvida por forma a que só no final tiramos ilações do ridículo da situação, tal como o Artur comentou e com o qual concordo.
No entanto, com a vivência já longa que possuo, desculpem-me, todos nós possuímos, constatamos que este tipo de caricatos relatado pelo Faustino nos acompanha pela vida fora. Acabei á pouco de ouvir e ver na TV que se vai realizar uma corrida de touros cujo resultado da receita vai directo para os cofres da Fundação Abraço. Sou eu que estou errado ou isto não soa bem. Um jogo de futebol, um torneio de ténis, eu sei lá quantos outros eventos se poderiam realizar para beneficio desta causa, que é louvável, disso não tenho a mínima dúvida, agora sacrificar uns poucos de animais de porte soberbo e que fazem a nossa admiração a par de outros, e lembro o cavalo pelos quais sentimos uma certa devoção, isso parece-me ridículo e absurdo.
Concluímos pois que todos os regimes têm este tipo de “vaps” pouco ou nada inteligentes.
Um abraço

A.Justiça........11-03-2010

Se houvesse um regime político perfeito, viveríamos num paraíso perfeito. Mas isso seria uma grande pasmaceira. Toda a gente a gostar de touradas ou toda a gente a detestá-las...

Artur R. Gonçalves........11-03-2010

domingo, 7 de março de 2010

Passeio a Aveiro


É conhecido o gosto que a Teresa Morgado tem pela fotografia, aliás são dela a maioria das fotos dos encontros anteriores a 2005, mas não só, pois os seus tempos de Escola também estão bem documentados, como é o caso desta visita à zona de Aveiro que segundo os seus apontamentos está datada de 6 de Abril de 1960.
Quanto aos participantes aqui retratados, tenho alguma dificuldade em identificar, por isso ficamos todos à espera que alguém nos ajude, e quem sabe, nos conte alguma aventura vivida neste passeio.

A propósito de Aveiro, e isto não tem a ver com as fotos, vale a pena uma visita á cidade dos ovos-moles pois está muito bonita, por lá alguém percebeu a importância da Ria e deu-lhe a dignidade que merece.

Comentário:

Na foto de cima está no meio o Rodolfo, a seu lado a Teresa Correia (agora sua esposa) e a Solange ao lado. Na foto do centro as mesmas só que a Teresa também lá está. Era um grupo muito unido

Anónimo........07-03-2010

quinta-feira, 4 de março de 2010

O Sr. Eng.º Piriquito

O Sr. Eng.º Piriquito...
Era, foi e apesar de já não se encontrar entre nós como ser vivo, está e estará sempre presente nas nossas recordações. Calmo e sempre presente nas aulas, embora quando resolvia satisfazer as dúvidas particulares de um ou outro aluno, se dedica-se em exclusivo a essa tarefa e parecesse ausentar-se da sala de aulas. O nosso respeito pelo senhor era a tal ponto que tocava quase a veneração. Vejam...
Em determinado ano dos 60's tínhamos, salvo erro, um dia por semana, uma aula com ele que começava ás 8h30m o que nos obrigava a "apanhar" a automotora das 6h10m na estação de S. Martinho e que chegaria ás Caldas por volta das 7h00m, tanto tempo?!!! perguntam e exclamam vocês, pois era... é que nesse tempo o comboio parava nos apeadeiros e estação, Salir do Porto, Bouro e Campo Serra. Ele por sua vez, apanhava a automotora no apeadeiro de Valado dos Frades, portanto bem mais cedo. Como éramos jovens, "sangue na guelra", rapazes e raparigas – eu, Moura, Carreira, Marufa, João Paulo, Guida, Luísa, Madalena e outros que já não recordo - iam para o largo frontal á estação de Caldas e aí nos entretínhamos a jogar ao ringue e é "macaca" deixando o tempo passar até pouco mais ou menos às 8h00m e só depois nos deslocava-mos para a escola. E isto por quê? Porque nesse dia o Eng.º Piriquito se metia na sala de espera da estação e aí “cochilava” e nós para que ele pudesse dormir e descansar um pouco vínhamos para a rua não o incomodando com barulho. Nos outros dias, sem a presença do Sr. Eng.º, ficávamos na sala de espera jogando às cartas… ora, ora, se calhar estavam a pensar que ficávamos na sala de espera a estudar?!!! “sonsinhos”... até abalarmos para a escola.
Quando era chegada a hora de partir tínhamos sempre o cuidado de, com jeitinho e respeito, acordar-mos o Sr. e lá íamos em grupo para a escola acarretando por vezes, a sua pesada mala de cabedal.
Por este relato quis dar-vos a conhecer uma das facetas, bem demonstrativa, do respeito que a personagem nos inspirava. Bem haja Sr. Eng.º Piriquito. De certo estará sentado á direita do Pai.
Um abraço
A. Justiça

Comentários:

Em relação ao Sr.Eng.º Piriquito, tenho presente o enorme mestre e professor que para mim sempre foi, e penso que para a generalidade dos seus alunos. Era de facto muito respeitado e muito preocupado em que os seus alunos soubessem o que ele estava ensinando. Era de tal modo respeitado que um dia a automotora chegou atrasada e a minha turma da qual eu era o chefe de turma (coisas do passado), entrou para a sala e esperou que ele chegasse para não perder uma aula no seu vencimento mensal, tendo ido á sua espera dois alunos para lhe ajudar a transportar a tal mala que o Justiça menciona e o encaminhar logo para a sala de aulas sem passar pela dos professores. Lembro-me das suas palavras á entrada da sala: "bom dia, então meninos hoje pregaram-me uma grande partida".
-Que descanse em paz pois será sempre lembrado pelos melhores motivos por todos aqueles que tinham prazer em aprender.

José Reboleira Louro.......04-03-2010


Muito interessante esta história ...
Para mim que não fui aluno do sr. Engº Piriquito, para além do respeito em relação ao Mestre (coisa que agora parece não ser assim...), a história trouxe-me à memória um outro acontecimento...
Relata feitos, passados num tempo vejam lá...em que "ainda havia" comboios e automotoras na Linha do Oeste...o que quer dizer que somos ums Região, onde em tempos o progresso até passou de carris...
Como esses tempos estão tão distantes...!!

Um abraço do

Maximino..........05-03-2010


Quem não gostava do Eng. Periquito?

Era amigo dos seus alunos!

E nós como jovens fazíamos as nossas traquinices e maldades, aquele pobre homem no percurso entre Caldas e S. Martinho, numa viagem que na Automotora das 19 não levava mais de 15 minutos, passava pelas brasas e o Pescada, conseguia naquele curto tempo, abrir a mala copiar os pontos e depois era uma festa.

Estou certo que ele sabia o que nós fazíamos, mas nunca nos acusou e soube sempre nos perdoar.
Que esteja em paz.

José Louro da Costa.......23-03-2010

quarta-feira, 3 de março de 2010

Meninas de 1955

O nosso colega Subtil, um ceramista dos anos cinquenta, descobriu no seu baú de recordações mais esta fotografia.
Não sei se o cenário será o Parque ou Mata, e quanto aos intervenientes também não é fácil a sua identificação, mas recorrendo a uns apontamentos do próprio Subtil, temos na primeira fila, 2ªda Esquerda, a Fernanda Crespo, um companheiro não identificado, a Ivone Crespo e a Leonor Teixeira.
Na fila de trás, a Mitó, a Teresa Paramos, e o resto ficamos à espera que alguém ajude.

Comentários:

Pode-se dizer que eram a fina flor das Caldas nos anos 50's. Bem me lembro delas

Anónimo.........04-03-2010

Que fotografia!!!
E não me refiro apenas à sua nitidez, que para a época está notável. Não me refiro também ao enquadramento da verdura e das flores que estão em segundo plano… refiro principalmente às flores de primeiro plano… colocando, claro, o “jarro” de parte que, quanto a mim, só se enquadra por servir de contraste ao restante.
Desde as caritas lindas e limpas até aos vestidos, aos semblantes compenetrados, cientes da sua beleza natural. Ao ver fotografias destas até sinto pena que os anos tenham passado.
Um abraço nostálgico

A.Justiça........04-03-2010

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Não te esqueças...é feminino

Situemo-nos:
Ano 1960. Escola Velha. Sala no 1º. Andar. Primeiro ano do Ciclo Preparatório. Aula de Português. Correcção da 1ª. Prova Escrita. Professor Hermínio Maçãs.
Voz do Professor.
• Justiça ao quadro. Escreve a palavra feminino.
Justiça no quadro. “Femenino”
• Justiça, feminino escreve-se com “i”, percebeste?
• Sim, Sr. Professor.
• Então escreve a palavra até encheres o quadro.
Após a escrita de dezenas de palavras, feminino.
• Agora apaga e vai-te sentar.
Poucos minutos antes da aula acabar.
• Justiça, ao quadro. Escreve a frase “A menina é feminina”.
Justiça no quadro. “A menina é femenina”.
Não sei se ela veio da direita se veio da esquerda. A bofetada foi tamanha que por momentos tirou-me a verticalidade colocando-me ligeiramente obliquo.
Depressa voltei a ficar na vertical, cabisbaixo, lágrimas a aflorarem os olhos ouvi de forma longínqua.
• Percebes-te o porquê?
Resposta pronta conjuntamente com um soluço.
• Sim Sr. Professor.
• Ora ainda bem.
Passaram-se cerca de 50 anos e esta cena ficou gravada na memória.
Não sei se alguma vez agradeci ao Sr. Professor Hermínio Maçãs a lição que naquela aula me ministrou, se não o fiz é sempre altura de dizer… Obrigado.
E, obrigado, porque a partir daquele dia e até ao final dos meus estudos, onde não se incluem apenas os 5 anos do curso, nunca fiz uma prova oral de português, dispensei sempre a essa fase.
Onde quer que esteja, Sr. Professor, valeu a pena o “chapadão”.
Existem, como não podia deixar de ser, outros valores passados com outros Mestres sob os quais tive o privilégio de aprender. Ficarão para outras oportunidades os seus relatos.
Um abraço
A.Justiça

Comentários:

(No texto inicial estava escrito "percebes-te" em vez de percebeste)

Tem cuidado, não venha ele pedir-te para conjugares o verbo "perceber"...:)))

Anónimo........27-02-2010

Oh Justiça
Digamos que sempre tiveste bom corpo para levar umas lapadas!

José Louro da Costa.........27-02-2010

O "Anónimo" der ser de Olhão e jogar no Boavista.
Um abraço

A.Justiça..........28-02-2010


(Eu também li e não reparei, mas como o comentário tinha graça, aqui está ele. Pena ser Anónimo.)
Zé Ventura

Como vou estar daqui a pouco com o Dr. Hermínio Maçãs...vou ver se me lembro de lhe recordar essa...!!!

Bom Domingo e um abraço do

Maximino........28-02-2010

Ó amigo Justiça essa foi forte:

Eu tive a sorte de não ter o Sr. Hermínio Maçãs como meu professor pois ele estava nos Açores a servir o Salazar e ainda bem, porque eu namorisquei uma das irmãs dele e se ele era assim tão delicado faço ideia o que me poderia fazer a mim.

Não o tive a ele mas lembro-me de ter outra parecida com essa. Numa aula dada pela “Soutora” Deolinda Ribeiro mais conhecida por “Super Homem” talvez por causa das suas atitudes penso eu?
Eu estava na conversa com o meu amigo Antonio Pancada que estava atrás de mim na fila da Cantina. Quando me volto para a frente está a Soutora a pregar-me uma tamanha bofetada que me ia atirando por a janela fora, também tinha lágrimas mas de zangado, por me ter apanhado distraído nem me deu tempo para respirar, eu assim como o Justiça já não aprendi a lição fiquei lhe com uma “ásque” que não a podia nem ver, ainda bem que o meu destino me meteu noutros caminhos porque de vez em quando estava no meio da molhada a ser ensinado á força da chapada.
Foram tempos difíceis, concordo que nos fizeram mais atentos, mas francamente não eram maneiras de tratar os meninos da escola.
Eu que até me considerava um rapazinho pacato e envergonhado como é que andava sempre a ser malhado, ora com as mãos ora com uma régua ou inclusivamente com a celebre vara de bambus, na Cabeça ou Orelhas, foi uma aprendizagem á força na realidade bem haja a todos que sobreviveram a tal regime de ensino.

Um abraço para todos.

Antonio Abilio………28-02-2010~


E o Dr. Herminio (como não foi ele que levou a lambada...)...não se recorda...!!!

Abraço e continuação de bom Domingo...

Maximino………..28-02-2010

Acabámos por não perceber se foi o Justiça que corrigiu o ZV, ou o inverso ? Todavia para o caso não interessa. O erro foi devido à leitura de alguns jornais do presente...Lembram-se quando se dizia que, para aprender português bastava, na altura, ler A Bola e muitos livros de Cowboys.

Tivemos direito a mais uma lição sobre a qualidade pedagógica da nossa época. Boa, má, talvez, mas o facto é que o nosso amigo Justiça nunca mais esqueceu que era do feminino.

Quanto ao Maximino pode estar descansado. A nossa memória faz automaticamente o «delete» das partes menos felizes, por isso estou certo que este episódio nunca existiu para o professor.

Afinal todos nós, enquanto alunos, tivemos situações similares a esta. Apesar de bem guardadas, por vezes é difícil tirá-las cá para fora. As razões são múltiplas!

J L Reboleira Alexandre…………28-02-2010

Esta é uma das boas coisas que o Blog tem.
Maximino, o teu comentário, curto, preciso e conciso fez-me rir até ás lágrimas. Ainda tenho de os limpar para conseguir ver o ecrã e continuar a escrita.
Não me digas que estavas à espera que o Professor Hermínio se lembrasse, passados 50 anos, do “chapadão”, - essa de chamares lambada! é favor, - que deu ao inocente e bem comportado anjinho, eu - aluno atento e exemplar, gaba-te cesto senão não vais ás vindimas – que ainda por cima foi bem aplicado pois mexeu com os neurónios, ou pelo menos com os miolos, que deveriam ter chocalhado dentro da caixa. Francamente! lambada??!!!
Quanto ao Zé António, olha que tamanho não é qualidade… mas que era grande lá isso era… o quê? não sei.
Zé Luís, pelo que hoje assistimos passámos do “8 ao 80”, da dureza de então para a liberdade de hoje, que já vai tocando as raias da libertinagem e má educação. Não sei bem qual o melhor sendo que, provavelmente, o ideal seria um meio-termo que já era altura de aparecer.
Um abraço de amizade a todos

A.Justiça........28-02-2010

Pronto e sendo assim...vou limpar a lambada...e promovê-la a chapada...pelo que o Justiça diz...foi justa e sendo assim, foi das pouca vezes que a Justiça foi justa...!!!

Um abraço

Maximino........01-03-2010


Ó amigo Justiça:
Eu até lhe aceito a critica construtiva, mas quanto ao trocar-me o nome é que tenho mais dificuldade.
Um abraço

Antonio Abilio.......02-03-2010


Amigo António Abílio

Li o seu comentário... desloquei-me ao meu comentário para tentar perceber onde tinha errado e... neste vai à frente, volta atrás, consegui descobrir. Eu não comentei o seu comentário porque não era comentário e sim uma estória sobre a "Super-homem" muito bem narrada. O Zé António refere o Louro da Costa, de seu nome completo, José António Louro da Costa, meu colega de escola desde a 1ª classe até ao final do curso da Bordalo Pinheiro, mesmo que ele tivesse, a certa altura, derivado para os electricistas e eu para os serralheiros. Éramos os 4 "da vida airada", Moura, eu, Beto e Zé António, todos companheiros desde a primária, e só o Zé é que saíu do esquema da ferrugem.
A amizade fica reposta.
Um abraço

A.Justiça........02-03-2010

Amigo A.Justiça.
As coisa são como são e os equivocos acontecem por vezes inocentemente.

Assim como o amigo Justiça eu li e reli o seu tema e todos os comentários e o único que era maior era o meu, mas também concordo consigo que não é bem um comentário mas sim uma estória.
Portanto eu pensei que naturalmente se estava a dirigir a mim e na brincadeira lhe enviei o pequeno aviso.

Da minha parte sem qualquer ponta de melindre lhe quero pedir desculpa e agradeço a sua simpática maneira de responder.

Tenho um imenso prazer em ler os seus comentários assim como de todos os outros colegas o qual me têem ajudado a desenvolver a minha leitura e estou a tentar na escrita e por isso um grande Obrigado.
Um abraço.

Antonio Abilio........04-03-2010

Amigo A. Justiça!
Só hoje li o seu texto. Gostei, e acho que deve continuar a deliciar-nos recordando algumas peripécias de tempos passados.
Quanto a um anónimo que fez um pequeno comentário no dia 27, não se trata da minha pessoa. De facto moro em Olhão, mas não sou de cá, e por uma questão de princípio e de educação, sempre me identifico.
Um abraço.
Fernando Santos
Olhão 4-3-2010

Amigo Fernando Santos
As coincidências são isso mesmo... coincidências... embora o filósofo diga que "não há coincidências" mas factos que por vezes coincidem. Essa de morar em Olhão já sabia, através do Blog e em outro comentário, mas fico mais descansado pois também sei que não é do Boavista logo não poderia ser o anónimo. Este trocadilho e... lá está... coincidência, fez-me rir... ele há cada coisa...
Um abraço

A.Justiça........05-03-2010

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Uma finalista de 1973


O Blog na verdade tem o condão de aproximar os antigos alunos, desta vez foi a colega São Santos, finalista do Comércio de 1973 que deu noticias.

Olá amigos, sou a São Santos e vivo em Vila Nova – Alvorninha.
Todos os dias vou ao blog ver o que há de novo. Acabo por ver muita gente que conheço (exemplo : Carlos Mendonça e outros dos quais não me lembro o nome). Eu sei que tenho fotos de e com alguns colegas da escola, mas não sei muito bem onde… tive um AVC há quatro anos o que me deixou um pouco em baixo.
Hoje resolvi participar no Blog e envio uma foto onde está a minha irmã Bela (a mais pequenita), em cima: a Rosário, o Chico Brito, a Julieta e… não me lembro do nome do outro rapaz… talvez tu te lembres dele, que era o namorado da Julieta naquela altura (1973, penso eu. (lembro-me muito bem, era o meu grande amigo Alexandre, que a morte levou prematuramente em 1976, casou com a julieta e teve 2 filhas)
Daqui a uns tempos, vou arranjar coragem para procurar as outras fotos e depois envio.
Um abração pela boa ideia do blog.

São Santos

Comentários:

Olá São
Bem vinda ao melhor blog das redondezas, para aproximar os antigos alunos, nós não nos conhecemos quase de certeza, mas quero dar os parabéns por teres tido a coragem de te iniciares nestas andanças pois é sempre bom ver caras novas, assim como também é bom ver as mais velhas. Eu tal como tu e outros obviamente faço questão, desde que conheci este blog que para mim é de visita diária, porque dá-me boas sensações e parece preencher um vazio que no meu caso existe e por isso um obrigado.

A outra coisa que me fez comentar foi que trouxeste com a foto de cima uma cara de quem eu era também bastante amigo e já não se encontra entre nós, que era o Alexandre. Fomos colegas de turma e tínhamos muito em comum naqueles tempos, o pai dele assim como o meu tinha sido sapateiro e colegas de oficio mais tarde o Pai Alexandre abriu uma Sapataria e depois um Café no outro lado da rua, onde nós se encontrávamos de vez em quando, aliás a foto parece-me ter sido tirada nesse sito que eu cito.

A Julieta conheci-a em 1979 quando passei uns tempos em Portugal, já o marido tinha morrido, como vez há sempre alguém que tira o melhor partido das fotos e comentários dos colegas, portanto não tenhas receio e continua a participar da minha parte os meus agradecimentos e as tuas melhoras.
Um abraço a todos
Força Sporting.

Antonio Abilio.........28-02-2010

Força São, não nos conhecemos "mas fomos colegas"...em gerações diferentes...!!!

Maximino........28-02-2010


Muito obrigado queridos, fico muito feliz porque mesmo não nos conhecendo, estamos todos a recordar velhos tempos. Fico desolada e triste com o que aconteceu ao Alexandre e à Julieta... e a outros mais, mas contra isso, infelizmente, nada podemos fazer. Temos apenas de continuar a viver o melhor que podemos, porque essa tristonha dessa morte, também está à nossa espera...
Abraços para todos,

São........01-03-2010

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Visita às Minas de Sal-gema

Esta reportagem fotográfica remonta ao ano de 1953, e reporta a uma viagem a Rio Maior para a visita às minas de Sal-gema.
Não é fácil identificar os excursionistas, mas recorrendo a alguns apontamentos da Stela que nos enviou estas fotografias, ficamos a saber que alunas/os como a Irene, a Ausenda, o Manuel Patuleia, o Marinho da Nazaré e o Luis Filipe fazem parte do grupo.
Na ultima foto estão alguns Professores que acompanharam os alunos na visita, o Prof. Barreto com a sua esposa D. Lavinia, a D. Natividade, Professora de Geografia, no lado direito talvez o Dr. Oliveira, Prof. De Francês e na frente o saudoso Mestre Mamede.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

O J´Quim Seringa”

Julgo que ninguém ficará ofendido com o título do “post” porque na verdade sempre foi assim que nós conhecemos o Prof. Joaquim Sarmento.

Recordo um episódio que ilustra bem a sua maneira de ser.
O Baile de Finalistas era um acontecimento a que as nossas gerações sempre deram muita importância, o meu em 1969, não fugiu à regra e foi preparado cuidadosamente para decorrer no ginásio da Escola como era habitual, o que não foi habitual foi o facto da Orquestra do Segundo Galarza dar lugar a um conjunto de “Yé-Yé” que estava a emergir “Os Charruas”.
Este facto criou no corpo docente alguma “resistência”, porém o Prof. Sarmento achou a ideia interessante e não “embarcou” na oposição.
Numa das noites estava eu com outros finalistas a ultimar as decorações para o nosso baile de finalistas, já a noite ia alta, apareceu o Dr. Sarmento com um saco de “papo-secos” quentinhos e manteiga, e claro foi uma festa.

Lembrei-me deste episódio porque há dias recebi um mail de um Familiar do Dr. Sarmento que transcrevo, e quem sabe se alguém tem a resposta para este amigo do Norte.

Tomei conhecimento pela net do artigo que escreveu, no Blog da Escola Industrial e Comercial das Caldas da Rainha, em 13 de Janeiro de 2008, sobre o Dr. Joaquim Manuel Abreu Sarmento. Dado ele ser meu parente, gostaria de entrar em contacto com eventuais descendentes. Sei que casou a 7 de Julho de 1937, com Maria Luisa de Albuquerque Pereira da Cunha (separaram-se judicialmente em 1962), e que faleceu na freguesia da Sé Nova, em Coimbra, a 24 de Agosto de 1984. Ignoro se teve filhos. Venho, por isso, pedir-lhe o favor de me informar se tem conhecimento de que tenha tido algum filho e, nesse caso, se sabe algo sobre ele.
Através do seu blog fiquei então a conhecer a engraçada alcunha com que era tratado pelos estudantes.

Agradecendo desde já qualquer informação, apresento os meus melhores cumprimentos

Francisco Serpa Brandão
(Porto)

Comentário:

Sim o D. Seringa tinha, se não estou em erro, uma filha e um filho que viviam em Lisboa. Lembro-me de ele ter ido ao funeral do pai que estava também em Lisboa. A perda do pai foi-lhe muito dolorosa e lembro-me de ele dizer que se tinha ido a pessoa que o amava de verdade e sem interesse, o que mosta que apesar de não parecer ,era uma pessoa muito só.

Paz a sua alma.

Alda Capinha......26-02-2010


Nas aulas era assim:

Olhaste em redor
Não ganhaste confiança
Tens uma falta

José louro da Costa........27-02-2010


Convivi muito com o Prof. Sarmento fora da Escola. Era uma pessoa afável e também algo ingénua - daí as partidas que lhe faziam e acabava tudo bem. Lembro que o Prof. colocou a sua casa da Figueira da Foz, ou talvez Buarcos, à minha disposição para passar férias que, contudo, não cheguei a aproveitar pelo que não sei agora dizer onde se situava exactamente. Lembro também de ele referir que o filho era embaixador.

Higino Rebelo........04-03-2010


Obrigado pelas informações prestadas. Fico agora com a certeza que o Dr. Joaquim Sarmento teve descendência e vou tentar, desde já, iniciar a pesquisa para a sua descoberta.

A referida casa de Buarcos seria provavelmente a mesma onde nasceu em 1908.

Bem hajam.
Francisco Serpa Brandão........08-03-2010


Posso ainda acrescentar que o Prof. Sarmento, efectivamente, tinha casa na Figueira junto ao Casino.

Higino Rebelo........16-03-2010

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Crónicas de um Olhanense

AS BOTAS DE COURO E A AJUNTADEIRA

1943 - Ainda vivíamos em plena segunda guerra mundial, e naquele tempo a vida não estava nada fácil. Eu já andava no segundo ano da Escola Industrial, mas o calçado que usava, eram as chamadas botas de couro, cardadas e com protectores.(suponho que todos sabem do que falo) Sapatos só para os meninos ricos, ou se os tínhamos só se calçavam aos Domingos quando íamos a Lisboa passear com a família.
Um belo dia o meu pai entregou-me um par de botas que necessitavam de ser cosidas à máquina, trabalho que habitualmente era feito por algumas profissionais que possuíam máquinas próprias para esse efeito, e a quem chamavam de Ajuntadeiras.
Como em Caxias não havia ninguém que fizesse este trabalho e eu andava na Escola em Alcântara, ele pediu-me para eu procurar por lá alguma pessoa que trabalhasse nesta profissão.
Na Escola tinha vários colegas que residiam em Alcântara, e como tal pedi a um deles, se conhecia alguma Ajuntadeira para me coser as botas. Ele, muito solícito, indicou-me logo o nome duma rua e número de porta onde encontraria uma Ajuntadeira competente.
Lá foi o bom do Fernando convencido que tinha o problema resolvido. Subi ao primeiro andar, bati à porta, e, muito calmamente apareceu um mulher já de certa idade que ao saber o que eu pretendia, me respondeu com ar brincalhão: Olha meu menino! Aqui há uma Ajuntadeira sim! Mas é de meninas! (Tratava-se duma casa de prostitutas)
Devo ter ficado mais vermelho que um Pimentão, e se ali houvesse um buraco tinha-me enfiado por ele abaixo!
Curiosamente não me recordo quem foi o patifório que me pregou tal partida. Lembro-me sim, que ele não me perguntou se tinha encontrado a casa, e eu, para ele não gozar comigo, fiquei calado e não lhe agradeci a informação.
Contudo, foi um dos colegas que nunca mais pude ver à minha frente!

Fernando Santos.


Comentários:

O Fernando é um pouco mais velho, mas pelo texto quase que adivinhava que andava na Marquês de Pombal. Não vou adiantar nada ao que ele disse, mas esta escola tem para mim um significado especial.
Ainda não tinha 17 anos, dirigi-me à estação do Bouro e lá apanhei a automotora das 6 da manhã para Lisboa.

Destinava-me a uma velha casa no Largo de Vitorino Damásio, no 4º andar, sem elevador. Chegado ao Rossio, comecei a contar quantas vezes tinha de voltar, ora à esquerda ora à direita, como a minha mãe me tinha dito, e lá fui direito ao Camões, descendo pela Poço dos Negros até atingir o tal prédio, onde deveria passar alguns dias para fazer o meu primeiro exame de admissão ao ICL, na Marquês de Pombal, que achei enorme, comparada com a Bordalo!

O problema é que a rendeira, minha senhoria, que vinha da Quinta Nova, ali perto de Famalicão, não só alugava quartos a jovens da província mas também a algumas meninas de Lisboa, que para meu mal viviam sozinhas nos respectivos quartos, e padeciam de imensa solidão, dando-se a práticas algo estranhas para mim.

Como o isolamento e a impermeabilidade entre os muros era mais que insuficiente muitas vezes era-me impossível concentrar no estudo da Matemática pois havia uns roídos que eram bem audíveis para aquele jovem de 16 anos, acabadinho de chegar do Chão Da Parada.

O resultado foi que durante os exames lá na Marquês, não sei se lia os pontos se ouvia os sussurros da noite anterior. O resultado foi um 3 no exame das Matemáticas, e o chumbo em consequência.

No ano seguinte, com imensa pena , tive o cuidado de avisar os meus pais que se queriam que eu entrasse no ICL deveriam encontrar outro quarto, apesar de nunca lhes ter explicado a razão.

Felizmente resolveram o problema e no ano de 69 lá consegui as positivas necessárias para prosseguir os estudos na capital!

J.L. Reboleira Alexandre.....19-02-2010


As botas…
A estória da ida à Ajuntadeira com o intuito de coser as botas com solas cardadas imagino que terá sido confrangedora, mais a mais na época em que isso aconteceu. Nasci uns anos mais tarde mas ainda apanhei a era das vacas magras proveniente do pós guerra. Apesar do País não ter entrado na Grande Guerra sofremos na pele os seus efeitos económicos de que saímos muitos anos depois… ¿será que saímos?... ainda hoje a pergunta é pertinente pois parece-me que sempre vivemos na “corda bamba” no que à economia diz respeito, já para não falar de outras áreas.
Recordo as primeiras botas que o meu pai me fez. Na altura, 1949, ele era reformado das Companhias Reunidas de Gás e Electricidade e tomou o ofício de sapateiro para ajudar a reforma e a manter-se ocupado, para além de outras actividades que desempenhava.
Passei o tempo da instrução primária descalço ou de sandálias e quando chegou a altura do exame da quarta classe o mesmo era feito na escola da aldeia vizinha. Para não ir descalço fazer o exame foi resolvido, pela família, que iria estrear umas botas. Chegado o dia elas apareceram na forma de botas em cabedal amarelado, cor natural, cano curto, atacadores e sola de pneu. Recordo que não andava, marchava, pois era difícil caminhar com todo aquele peso em cada pé habituados à liberdade. Feito o exame com sucesso, manhã escrita, tarde oral, na saída para almoço encontro o meu pai, que se tinha deslocado na bicicleta, e me levou para comer meio pão de 16 (era assim designado pois custava 16 centavos e o maior 22 centavos, pão de 22, feitos de farinha de trigo, para não falar do outro, maior, que era de centeio e custava 17 centavos), e uma farinheira no meio, hoje seria uma sandes de farinheira. Imaginam, por certo o fabuloso repasto para o almoço que, lembro, comi com gosto, pois naquele tempo tudo o que saía do pão com azeitonas era um verdadeiro pitéu.
Ao fim da tarde regressei a pé à aldeia, descalço, claro, já com o exame feito, as botas atadas uma à outra pelos atacadores, e penduradas ao pescoço. Chegado a casa e pela minha cara alegre o meu pai ficou a saber do êxito e ainda hoje recordo com nostalgia a alegria orgulhosa do seu semblante por ter um filho com a quarta classe, ele que apenas sabia “desenhar” o seu nome.
Faltava ainda o exame de admissão à Escola Industrial e Comercial. Durante esse intervalo, entre exames, com estudo e “jogatanas” de futebol, descalço claro está, que as botas não eram para estragar, foi-me preparada uma surpresa. O Sr. “Ingenheiro” não podia deslocar-se à Capital do Concelho para fazer o exame de admissão calçado com umas botas rústicas, então, no dia do exame foram-me presenteados uns belos sapatos pretos feitos de calfe, acompanhados por umas roupinhas catitas e meias, imagine-se!
Levados no Táxi da aldeia (táchi para nós) lá fomos todos, eu, os meus colegas e a professora, para a Capital do Concelho onde fiz o exame de admissão com sucesso. Regressados à aldeia e perante a euforia do momento, o meu pai montou a bicicleta e foi comprar à aldeia vizinha, três foguetes que estralejaram no céu do Largo. Bendita inocência desses tempos.
Um abraço

A.Justiça..........19-02-2010

Bem...a história do amigo Fernando Santos e o comentário do Amigo Reboleira e do Justiça são interessantes...mesmo muito interessantes...
Mas eu vou focalizar o meu comentário para outros assuntos...

1943 refere o amigo Fernando...um ano muito importante para mim,pois foi precisamente nesse ano que este vosso amigo viu a luz do dia...de outra maneira jamais teria tido a ventura de poder dizer com orgulho que fui aluno da Bordalo...
Mas o amigo Fernando falava em botas de cabedal com protectores e isso não era só um exclusivo dos jovens desse tempo, pois no meu tempo, embora já usássemos sapatos, sobretudo os que eramos oriundos das aldeias vizinhas também calçavamos as tão famosas botas, que eram impermeabializadas com sebo...
Pois eu também as tive e outros "também moldaram os seus pézinhos com esses moldes" (que mais tarde até voltaram a estar novamente na moda...)...
E era calçados com elas que alguns de nós jogávamos à bola pelo meio dos plátanos da Mata, embora alguns já tivessem botas de futebol ou sapatilhas...
Pois um dia andávamos numa grande jogatana, creio que eu, o Marques, o Sena mais alguns...e o Amável...
Sim o Amável que eu gostaria de ver nos nossos encontros mas que prefere certamenmte outras ocupações...
O Amável estava a jogar contra mim e possivelmente sem querer...dei-lhe uma canelada...
O Amável, concerteza para amenizar a dor...prega-me um valente pontapé no traseiro e a sua bota de cabedal...não aguentou e abriu de lado a lado...
Não sei como resolveu ele o problema quando chegou à sua aldeia do Valado de Santa Quitéria (creio que é de lá...)...mas não me admirava mesmo nada que lhe tivesse doído mais a justificação do que a´mim a biqueirada, que por sorte minha assentou bem...e doeu pouco...!!

Um abraço para todos...

Maximino.....19-02-2010


Olá amigos!

Vou tentar responder a todos aqueles que tiveram a gentileza de comentar o meu texto das botas de couro.

Diz o Reboleira Alexandre que eu devo ser um pouco mais velho que ele. Sim, e creio que mais ou menos vinte anos, mas isso não tem qualquer importância. Aqui no blog somos todos da mesma idade.

Tem sido para mim um grande prazer quase todas as noites visitar o blog da Escola e ver o que se vai por lá passando.

O apelo do Zé Ventura deu resultado. Agora não são só fotografias. Já vão aparecendo algumas estórias que estavam guardadas no no fundo da gaveta, como esta do R. Alexandre sobre os quartos das meninas que ao principio o deixaram muito intrigado. Pudera! Com aqueles ruídos tão estranhos quem poderia dormir ou estudar para o exame? Ó amigo Reboleira, o ano foi ao ar, mas digo-lhe sinceramente que gostei desta estória!

Quanto à Marquês de Pombal, andei lá sim senhor, mas não naquela onde o Reboleira fez o exame. A minha, era a velha E.I.M.P. Escola Industrial do Marquês de Pombal, e situava-se no primeiro edifício à esquerda da rua dos Lusíadas em Alcântara. A que o Reboleira conheceu, foi certamente a nova Escola que fica para os lados de Belém.

A. Justiça que há tempos atrás dizia não saber o que contar, tem-nos deliciado com interessantes estórias de tempos passados. Hoje levou-nos à sua Aldeia e às suas origens. Desde as botas com sola de pneu, ao final com direito a foguetório, lembrou o pão de 16, 22 e 17 centavos, o exame de admissão com sapatos pretos em calfe, (coisa fina) a sandes de farinheira ( bem bom!) e o " táchi" para a Capital do Concelho. Bolas! É preciso ter boa memória! Venham mais estórias como esta amigo Justiça, que eu fico à espera.

O Maximino diz que viu a luz do dia dez anos depois de me ter acontecido o mesmo (Não foi em Dezembro Não?) Como muitos outros também não escapou às botas de couro com protectores, e conta outra estória muito engraçada, em que no final do jogo a bota do Amável não resistiu ao ao pontapé no seu traseiro.

O meu obrigado e um abraço para todos.

Olhão, 20-02- 2010

Fernando Santos.

Caros amigos depois de ler as vossas boas e engraçadas estórias das botas de couro, não aguentei sem também dar o meu contributo, pois penso que quase todos os rapazes da nossa época, tiveram na sua infância umas botas de couro.
Eu assim como os restantes comentaristas deste tema tambem as tive e também era o meu Pai que as fazia, pois para a queles que me conhecem melhor, o meu Pai também foi sapateiro antes de ser funcionário dos Correios, Carteiro mais propriamente, mas quando eu era mais novo ele é que me fazia as botas e os sapatos, sim eu também tinha que ir à senhora ajuntadeira como todos vós, só não tenho lembrança de algo diferente, ou barulhos esquesitos, fui sempre a uma ou outra casa cheia de sapateiros e a senhora estava normalmente num quarto á parte para não ouvir as anedotas ou as asneiras dos homens , que por vezes naquele tempo seriam ofensivas pensava eu.
Quanto á minha estória ou estórias das botas era quando eu andei na escola primária no bairro Albano ao pé da entrada do Parque de Campismo das Caldas e vivia na Avenida ao pé dos Bombeiros ia para a escola pela praça do Peixe antiga e pela descida por de trás do Pinheiro Chagas que acho que se chamava a Calçada do Charuto, eu começava no alto da ladeira a escurregar com as brochas ou sejam as chamadas cardas a fazer faiscas e só parava no alcatrão da estrada da Foz, era a minha forma de as gastar e ficarem mais leves porque eram bem pesadas e duras eu tambem tinha que as ensebar, mas o meu pai não usava sebo, era gordura das galinhas acho que lhe chamavam enxundas de galinha, que aquilo não era um bom piteu.

Não tenho memória de algum colega me desafiar ou provocar quando usava as botas, pois tambem eram uma arma de defesa para aqueles que se tornavam valentes, as botas davam conta das canelas dos mais teimosos.

A unica parte negativa que eu tenho das botas, foi na nossa escola velha, foram causadoras de eu perder o ano lectivo por as ter usado em defesa propria, eu estava numa aula de trabalhos manuais em que o Mestre Cadete, ajudante do Mestre Mateus, e eu precisava de uma indicação do M. Cadete para um trabalho que eu estava a fazer, mas ele não me respondeu quando passou por mim eu fui atrás dele e chamava-o e ele não me dava a atenção que eu desejava toquei-lhe no ombro e ele virou-se e deu-me uma tamanha chapadona na cara, que eu vi estrelas, eu não tive mais nada dei-lhe um ponta-pé nos Jo. Joelhos com as ditas botas de couro. Ele agarou-me pelo braço e pôs-me na rua expulso da aula e deu-me uma falta em vermelho.
Eu não aceitei a reacção e atitude dele, onde começei a dizer-lhe que esperava por ele lá fora e que tinhamos mais que acertar.
Pois escusado de dizer esperei por ele mas não de perto pois ele era muito mais forte do que eu, mas ainda enviei algumas pedras na direcção dele.
Com tudo isto naquele ano nunca mais fui á aula de trabalhos manuais e como o meu Pai era carteiro o cartão das faltas vinham para casa por mão dele, um certo dia o meu Pai chega a casa começa a tirar o chapeu e o cinto e a chamar por mim eu vi logo que o rato estava apanhado.
Pois é! só tinha 19 faltas naquela desciplina e uma valente tareia do meu Pai que quando ele me começou a perguntar a razão que eu tinha tantas faltas é que eu lhe expliquei.
Finalmente ele parou de malhar e me disse se eu lhe tenho dito o que se tinha passado que ele é que tinha ido falar com senhor Director e tinha feito algo que resolvesse este problema em vez de eu ter faltado á aula e em torno chumbar o ano por faltas.

Não tenho saudades das minhas botas de couro, não me dei bem com elas, gostei mais da botas que o meu pai mandou fazer ao senhor Adelino Melro mais tarde, mas para jogar futebol com essas dei-me melhor.
Um abraço a todos e obrigado por todas as estórias da nossa infância.

Antonio Abilio ...........27-02-2010

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

No Casal da Rosa

Esta sequência de fotografias retrata, seguramente, uma tarde bem passada no “Casal da Rosa”.
Não sei onde era o “Casal da Rosa”, julgo que era em Vale de Maceira, mas que as alunas e professores de 1959, estavam divertidos, é bem evidente.
Na primeira foto os arcos do Ula-up” são uma nostalgia da época.
Na segunda foto temos a Professora Ermelinda e o Professor Silva Júnior, a quem a “maldade” dos alunos chamavam de "Sobe e desce" porque o senhor era coxo.
Quanto ás alunas, nas diversas fotos, são identificáveis, entre outras, a Rita, a Maria de Jesus, a Manuela Sobreiro a Ascensão e a Solange que guarda estas fotografias no seu álbum de recordações.

Comentário:

Lembro-me de todas as meninas das fotos mas alguns nomes não. Na foto dos ula-ups na parte inferior está a Manuela (já falecida), a Nabo, filha do policia Nabo e a Ascenção Cipriano. No ula- up superior está a Teresa que era filha do dono do talho do Silvino e do lado de fora é a Lena Veludo (já falecida), a Solange um pouco à frente. Na terceira foto mais ou menos as mesmas só que nota-se bem a terceira da direita que é a irmã do Calinha.
O professor "sobe e desce" lembro-me bem dele.
Durmam bem depois do Carnaval.

Chaves ..........17-02-2010

domingo, 14 de fevereiro de 2010

As correntes de Foucault

Ao blog dos antigos alunos está permanentemente a chegar gente “nova” nestas andanças.
Desta vez o José Louro da Costa, electricistas de 1966, envia estas duas fotos que aqui se reproduzem.
O Louro se bem se recordam fez parte dos primeiros finalistas do Curso de Formação Montador Electricista, aliás uma turma numerosa, era ele mais o Vitor Peça, o Filipe e o Nazaré Barbosa.
Na foto do lado temos aqui o “cientista” numa demonstração das “Correntes de Foucault” (Para os “ignorantes” pesquisem na Net para aprenderem alguma coisa, e depois não digam que o Blog não é didáctico).
A foto de baixo bem poderia ter a legenda “O Homem e a máquina”.
Comentários:

Já era tempo
de apareceres por aqui. Eléctrico como eras e és, bem poderias aparecer sem publicidade à Corrente Parasita. Bem vindo ao Blog e contamos com estórias bem electrificantes pois foste um dos pioneiros de Curso de Electricistas.
Um abraço

A.Justiça........14-02-2010


Um abraço de amizade para todos.

Agora já faço parte daqueles que quando põem o pé no chão têm o dia ganho, por isso vou ter tempo para aparecer nos nossos encontros, mas, infelizmente este ano e pela informação que tive não poderei aparecer por já ter compromissos para esse dia.

José Louro da Costa.......15-02-2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Piratas, Corsários, Bucaneiros e Flibusteiros em pleno Parque

Aqui junto um texto sobre uma das actividades de "enriquecimento curricular" dos meus tempos de Ciclo Preparatório na Escola.

Aos dez anos de idade (1972) qualquer jovem vive ainda num mundo em que a realidade se mistura com a ficção. Tudo é possível, mesmo tudo!
Transformar o lago do Parque no Mar das Caraíbas era a coisa mais simples para um "bando" de jovens alunos do ciclo preparatório da Escola Industrial e Comercial Rafael Bordalo Pinheiro. Nesse tempo não existiam Play-stations, videojogos e outras formas de entretenimento existentes na actualidade. Muitas das brincadeiras iniciavam-se com base em factos reais, dando largas à imaginação. As leituras dos livros, que se iam requisitar à Biblioteca existente no próprio Parque, foram sempre fonte de grande inspiração para muitas das brincadeiras passadas e vividas nessa época.
Transformar o lago do Parque em Mar das Caraíbas, após leitura de algumas das obras de Emilio Salgari como «O Corsário Negro», era coisa óbvia e simples. Apesar de ser mais dado a leituras do que às actividades físicas, de ser geralmente considerado o «menino bem comportado», não deixei de ser um dos Flibusteiros daquela época.
Entre outros, fui responsável pelos inúmeros Galeões Espanhóis afundados, cujos restos podem – certamente! – ser hoje encontrados nas profundezas das águas turvas do Lago, quais provas evidentes de que o Lago do Parque foi outrora o nosso grande Mar das Caraíbas.
Se bem recordo, a transformação do Lago do Parque em Mar das Caraíbas começava logo pelas manhãs, em trabalhos de alistamento das tripulações, preparação de munições e arrecadação das necessárias receitas para "comprar" os navios. Como sempre, a tarefa mais ingrata e difícil era conseguir entre todos o mínimo de 4 ou 5 escudos necessários para uma boa tarde de diversão, a remos, na imensidão desse nosso Mar das Caraíbas. Do total do dinheiro conseguido dependia em boa parte o número de vasos de guerra em contenda e… de preferência, não haveria de ficar nenhum fundeado no Porto. (Para quem não se lembre, os barcos em causa eram uns barcos pesados, de madeira e com leme. Enormes causadores de bolhas de água nas mãos após umas boas horas a remar).
Ao início era fácil conseguirmos alugar os barcos e praticar essas nossas brincadeiras, as quais cedo degeneraram em verdadeiras batalhas navais, com abalroamentos e abordagens arriscadas. Levávamos muito a sério estas nossas brincadeiras e seguíamos mais facilmente o que estava escrito nas obras do Emílio Salgari do que as instruções ou conselhos de um professor. Está bem de imaginar que após uma batalha mais acalorada, com direito a gritos de – Homem ao mar! Homem ao mar!
– fomos de imediato proibidos de praticar as nossas contendas neste Mar das Caraíbas. Nessa acalorada batalha naval, dois aventureiros que iam em pé num dos "navios" foram literalmente ao banho na sequência do desequilíbrio provocado por um abalroamento.
Contudo… Pirata, corsário ou flibusteiro que se preze, não se dá logo por vencido. Havia que encontrar o estratagema para ludibriar a proibição. Ora é nessa fase que o presente escriba destas aventuras assume um papel primordial juntamente com alguns companheiros bem comportados. Pelo nosso ar inocente, de bons meninos, era relativamente fácil convencer a alugarem-nos os "navios".
Chegados ao parque, o grosso da excursão ficava escondido na zona da biblioteca, partindo eu conjuntamente com mais uns colegas para o embarcadouro, acompanhados normalmente de umas quantas colegas, com as quais pretensamente passearíamos calmamente no lago do parque.
Alugados os barcos, para disfarçar, dávamos umas três ou quatro voltas ao mesmo passando pelo ancoradouro, tranquilizando desta forma quem nos vigiava. Entretanto como quem não quer a coisa, colocávamos vigias de atalaia na ponte do lago e noutros locais estratégicos que permitissem avisar antecipadamente qualquer movimento que nos apanhasse em flagrante.
Tudo a postos, rumávamos a terra, longe do campo de visão do guarda, saiam dos "navios" as miúdas e entravam as tripulações. Começavam então as manobras das nossas batalhas navais, as quais se transformaram em batalhas quase silenciosas. Para iludir a vigilância – porque imaginação era coisa que não faltava a alguns – arranjou-se um estratagema simples. Um dos navios não entrava nas batalhas e estava sempre a dar voltas ao lago, passando sistematicamente no ancoradouro e de forma a chamar atenção do guarda, o que incluía algumas pequenas traquinices para entreter o guarda com alguns avisos ou repreensões de pouca importância, mudando sempre o remador e as respectivas meninas que tinham entrado no barco com esse remador. Era o que hoje se chama um dois-em-um. Conseguíamos ultrapassar a proibição e garantir o apoio das meninas na marosca, pois – vá-se lá saber porquê! – elas adoravam passear de barco nas águas do lago.
Como devem estar recordados, os barcos eram todos iguais mas estavam identificados por números. Tudo correu bem até ao dia em que uma menina se esqueceu de discretamente tapar o número do barco e o guarda se apercebeu que o barco era o mesmo e apenas tinha mudado de tripulantes. Desconfiou, fomos flanqueados pelo lado do velho cinema e apanhados em flagrante delito sem salvação possível. Terminou nesse dia as nossas actividades de pirataria no mar das Caraíbas em que tínhamos com imaginação transformado o lago do parque.

José Brás Santos

Comentários:

Amigo Santos
Regalei-me a ler a sua descrição “Salgariana” das aventuras no lago e que simpaticamente me trouxe à memória aventuras idênticas, passadas 11 anos antes (1961). Nessa altura o mais difícil era conseguir obter os 25 tostões para a aquisição de uma “nau” e por outro lado as “batalhas navais” só podiam acontecer a coberto, da visão do guarda, pela “ilha da caveira”.
O Parque D. Carlos sempre foi propício a ser teatro de “Novos Mundos” e tomada de novos conhecimentos que, embora não curriculares, nos ajudaram a evoluir como pessoas e homens ávidos de aprender. Foi aí que, na rua existente nas traseiras do Museu Malhoa, deixei pelo chão pedaços de pele com carne e sangue à mistura, não falando de pano das calças, na aprendizagem da “nobre” arte de andar de bicicleta. Dominar estes “bicharocos” de duas rodas, ziguezagueantes e teimosos – no inicio nunca iam para o lado que queríamos, nem sequer em frente, em linha recta e direita – pois, não sei porquê, tomavam sempre “no olfacto”, uma ou outra árvore.
Foi graças a esta aprendizagem, após muitos tombos, amargos de boca, galos na cabeça e joelhos esfolados, - amargos de boca porque o meu pai não achava piada nenhuma ás calças rasgadas, vá-se lá saber porquê, porque os joelhos de mártir só lhe provocavam sorrisos de mofa, - mas, dizia eu, foi assim que consegui obter a licença camarária, tipo carta de condução, para poder rodar com a bicicleta nas ruas da aldeia.
Um destes “animais tontos e teimosos” que existia lá por casa, era grande e pesado, do tempo da guerra, e para me colocar na sua “garupa” tinha de subir para um dos bancos de pedra, existentes no largo da Estação, e daí sentar-me no selim, tomar o rumo e aí vai ele pedalando quando o pedal estava em cima porque quando estava em baixo não chegava lá com os pés.
A evolução foi rápida e já conseguia dominar o “bicho”, só com uma mão… olha, olha sem mãos… até que um belo dia, comendo um tomate, retalhado com a faca e sal nas ranhuras, como quem come uma maçã à dentada, gozando com o “bicho”, - vês “animal danado” sou eu que mando e tu apenas obedeces, - vou, em cheio de trombas contra o taipal de uma camioneta. Meio zonzo, esparramado no chão, a cara cheia de tomate esborrachado, desato a ofender o “bicho”, como se a culpa fosse dele e não minha.
Um abraço

A.Justiça........12-02-10


Conclusão (minha) e não da história...:

Uns malandros ...estes jovens desse tempo...!!!

Mas na realidade...quantas histórias destas, "arrumadas no armário das recordações"... à espera de "saltarem" do teclado para o ecran destas "maquinetas", que nesse tempo... nem sonhávamos...!!!

abraço

Maximino........12-02-2010


Fins de Maio " últimos anos da década de 50, dia lindo já com cheiro a verão, eu e um grupo de amigos da escola e do meu bairro lá fomos à pesca para a Foz do Arelho com as nossas canas de bambu, que eram apanhadas perto da Fabrica Bordalo Pinheiro em que as "chumbadas" eram apenas velas de carros que íamos pedir a quaisquer oficina mecânica. Ora nesse belo dia, ainda a meio do meio da tarde estávamos junto à "Aberta", que por sinal era muito mais a sul do que actualmente se encontra, quando uma leve brisa se começou a fazer sentir, talvez porque a maré baixa tinha tido o seu tempo e a maré alta já começava a fazer alguns remoinhos contrariando a corrente de água que à pouco corria livremente para o mar. Connosco estava um sujeito de Tomar habituado a pescar no Rio Nabão, peixe de água doce, mas que tinha tido umas dicas acerca da Foz e estava deslumbrado com os robalos que tinha apanhado e nós tão entusiasmados que estávamos a apanhar uns "gairentos".(peixe parecido com o robalo mas de qualidade inferior) que não notamos que o tal senhor se tivesse ido embora, talvez se tenha apercebido que o tempo se estava a modificar. Quem conhece aquela praia e a antiga posição da "Aberta" olhando para os lados da antiga FNAT, sobre esse morro umas nuvens negras avançavam velozmente no sentido terra-mar e o vento cada vez era mais forte e então nós com a nossa juventude lá corremos em direcção ao Hotel do Facho onde se recolhemos daquela tão repentina tempestade. E aqui começa a história, estória. verdadeira.

SENHOR DOS TEMPORAIS

Era um dia lindo de céu azul.....
De repente as nuvens... tornaram-se de um azul, azul cinzentas
Até que já se confundiam com o verde cinzento do mar
E de repente ondas gigantescas que se tornaram mais e mais barulhentas
Lembrando o épico mar das tormentas. ...O vento, raios de luz naquele escurecer de dia, era algo de amedrontar.

Ao longe naquela praia sobre a imensidão d'areia
Via-se alguém de humano, trôpego parecendo a caminhar
E até a própria espuma de uma cor prateada das ondas naquela maré cheia
Era tão forte que decerto aquela criatura iria levar
Por entre aqueles raios de luz, tão simultâneos
A mesma figura como que bradando aos céus se levantava
E então nós jovens num acto de coragem;... Espontâneos
E num impulso repentino de humildade, um de nós exclamava:
Temos de salvar aquela alma perdida no areal
É dever humano, não haverá em nós fraqueza nem tão pouco capricho
E então lá desatamos a correr, numa corrida infernal
Para salvarmos aquele ser, que afinal era apenas uns caniços e um grande saco de lixo

Pensamos que era o tal senhor de Tomar e que não se apercebesse do perigo da "Aberta",e que fosse apanhado na corrente. Ficou o gesto.

Os erros de escrita e ortográficos, passem por cima não reparem neles....

Chaves......13-02-2010

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Amigas de longa data

Hoje recuperamos uma fotografia já publicada em 26 de Dezembro de 2008, para juntar a outra que foi obtida no último encontro dos Antigos Alunos.
As meninas são as mesmas, apenas com o pequeno pormenor do hiato de tempo que as separam ser de 55 anos.
Estas fotos surgem no Blog pela mão da Luisa Pimenta que assim quer prestar homenagem à sua grande amiga desaparecida há poucos dias, Alda Marques.
Para registo, temos então na foto de cima a Luisa Pimenta a Belmira e Stela. Na frente a Alda Marques e a Irene.
Na foto de baixo, as mesmas “meninas”; Luisa, Belmira, Alda, Irene e Stela.
Comentário:

Dra. Luisa Pimenta, depois de ver algo parecido com uma "fotos" tenho para mim que estás MUITO MELHOR AGORA!

PAZ Á ALDA.

Luisa Barbosa........10-02-2010

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Adeus Alda Marques

Hoje Sábado chegou-me a noticia da morte da Alda Marques, não foi de todo uma surpresa, pois já algum tempo que se esperava este desenlace.
A Alda Marques era um pouco mais velha do que eu, e como é óbvio não convivi com ela nos tempos de Escola, porém nos últimos cinco anos, por causa dos nossos encontros anuais, tive o privilégio de descobrir a pessoa alegre e “pafrentex” que ela era.
Uma ou duas semanas antes do Natal, conversei longamente com ela, onde me deu conta da evolução da sua doença, que ela minimizava, mas a sua vontade de viver não foi suficiente para vencer esta luta.

Amanhã às 14H30, quando te acompanhar à última morada, vou-te dizer que no próximo encontro de Maio, vou-me lembrar de ti, pois como tu me dizias “É um dia de muita felicidade”.
...E tu fazes falta aquela festa.

Comentários:

Quase fico sem palavras, tal é a minha emoção neste momento amargo.
Direi apenas, que jamais esquecerei nossa amizade.
Até sempre Alda!

Letícia.......06-02-2010


O Fim do Inicio
Mesmo quando a morte está antecipadamente anunciada é sempre dolorosa a sua chegada e no entanto é a etapa da vida mais certa.
Dividindo a existência em três etapas: nascer, viver e morrer… nascer ainda é incerto, viver nem sempre se vive, vegeta-se, mas morrer é a única real.
Resta, aos que por cá ficam, e que foram teus companheiros e amigos de longa data, a saudade e as recordações da tua sã companhia.
Alda, descansa em Paz.

A. Justiça......07-02-2010

Que descanse em Paz...

Maximino......07-02-2010


Foi com surpresa que li a noticia triste da Alda. Paz à sua alma.

Manuel........08-02-2010

Foi com enorme surpresa que li a nolicia triste da morte da Alda. Paz à sua alma

Vitor Corado.........08-02-2008


Quem não se lembra da Alda da H. VAULTIER como por nós era conhecida. Descansa em paz

Chaves......08-02-2010

Não, não pode ser !

Há dias em que me sinto incapaz de acreditar, seja no que fôr !
Hoje, não acredito (ou não quero acreditar ?) que a Alda morreu !
Não ! Não !

Noronha Leal


Colegas, junto-me a vós nesta dor pela perda da Alda Marques de quem sinceramente nao me lembro pois os anos e a distancia produzem-nos uma certa amnésia , ou será a idade que nos torna esquecidos? Que Deus tenha a sua alma em PAZ! Agradeço à São Venda as fotos dos nossos tempos de estudantes.Que bom recordar apos tantos anos passados..São, estarei aí neste verão e espero poder encontrar-te.

Alda Capinha........11-02-2010

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

As meninas foram ao parque

As meninas do 2º Ano da Formação Feminina de 1963, foram até ao parque para tirar estas fotos que se publicam e vêm do álbum da São Venda.
Ao ver estas imagens das meninas todas “fardadas” com a bata branca, fico a pensar nas mudanças operadas nesta meia centena de anos.
Como reagiria a classe estudantil se as batas voltassem a ser uma obrigação?

Comentário:

É caso para perguntar…
Então São, quem são estas brancuras?
Só ficamos a saber, através das fotografias, que eram lindas, especialmente… hum, esta e, e, e, hum, hum… aquela, e… que certamente continuam a ser pois o que é belo dificilmente se transforma com o tempo.
A esta pergunta só a São Vendas e as outras meninas poderão responder com acerto. Embora sejamos do mesmo tempo a minha memória só fixou o que provoca uma emoção estética relegando para o esquecimento os nomes das “obras perfeitas”. É, a idade não perdoa!

Quanto à observação do Zé sobre o que diriam as estudantes de hoje sobre usarem batas?, não saberei responder porque já naquele tempo era discordante do seu uso.
O uso das batas poderia ter várias explicações tais como:
- Poupar os vestidos que eram usados por baixo;
- Esconder as belezas que se adivinhavam por sob a bata;
- Demonstrar que quem as usava eram estudantes e por isso superiores intelectualmente;
- Aberração dum sistema politico caduco;
- … e, eu sei lá que mais…
Mas que lhes ficavam muito bem, ai isso ficavam.
Que venham outras opiniões.
Um abraço

A. Justiça........05-02-2010

Ao ver estas lindas meninas todas de branco vestidas e depois de ler o comentário do Justiça há que fazer «justiça» às cabeças bem pensantes do anterior regime.

As batas brancas segundo eles, serviam para que ricos e pobres todos vestissem de igual, e as diferenças sociais não fossem visiveis à primeira vista. Se era esta a razão aplaude-se, mas então porque motivo as nossas colegas do ERO também tinham batas? Mais exóticas, diga-se.

Sinais dos tempos, por aqui está-se de novo a impôr lentamente o regresso ao uso de uniformes para todos os alunos do primário e secundário, seja ele público ou privado. O privado sempre exigiu os uniformes brancos, amarelos ou de outras côres,para toda a gente .

Como pai, os meus aplausos, como homem não tanto. É que ultimamente era um verdadeiro espectáculo admirar a indumentártia, e o pouco que ela escondia das jovens adolescentes.

Este voltar atrás será afinal retrocesso ou apenas um pouco de bom senso? Vou mais pela última hipótese!

J.L.Reboleira Alexandre......05-02-2010

Este site está espectacular!
Parabéns!

Anónimo.........10-02-2010

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Será que estamos velhos?

O que mais dói, relativamente às palermices praticadas na minha juventude, não é havê-las cometido... é sim não poder voltar a cometê-las.
E com esta conclusão ficamos com a certeza que estamos velhos, os anos passaram por nós e nem sequer demos por eles. No entanto nós "Bordalianos", através do que tenho lido no nosso Blog, temos muito orgulho do que fomos, do que fizemos, e… pelo Blog que tem sido desenvolvido e alimentado por todos nós, concluímos, que continuamos a fazer… e que para isso em muito contribuí o seu mentor Zé Ventura que o lançou e nos deu as asas para voar.
Sinto, no entanto, que alguns, muitos, não querem "voar" e não nos acompanham neste "vôo" sabendo, porque recordo, terem essa capacidade.
Será por causa desta nova tecnologia?... não acredito!… e não acredito porque nós pertencemos a uma geração inventiva… hoje compra-se tudo feito… mas naquele tempo pouco havia feito e muito para inventar e criar e desenvolver.
Todos desejamos chegar à velhice e todos negamos que tenhamos chegado, (Velhos? Velhos são os trapos e blá…blá…blá, disfarces!). Isto dos anos não entendo muito bem, todavia foi bom vivê-los, embora menos bom tê-los, e… feliz é quem foi jovem na sua juventude e feliz quem sábio é na sua velhice.
Não, não tenho a pretensão de ser sábio mas convenhamos que sou muito mais sábio do que era nesses tempos e isso já ninguém me tira… bem só se for esse tal alemão Alzheimer… Ora sendo a maturidade do homem (ou mulher) voltar a encontrar uma serenidade como a que tinha quando era muito pequenino, convém também saber que nada passa mais depressa que os anos e principalmente reconhecer, e saber, que envelhecer é passar da paixão para a compaixão e o único meio de viver muito tempo.
Quando se passa dos sessenta são poucas as coisas que nos parecem absurdas, mesmo quando os jovens pensam que os velhos são bobos, nós, pela experiência da vida, sabemos que eles é que o são.
Este Blog veio demonstrar que há sempre um menino em todos os homens.
Quanta alegria, quanta saudade, quanto sorriso de felicidade brotou do nosso ser ao reviver-mos e ver-mos, através de fotografias, cenas do passado.
Em jovem andamos e caminhamos em grupo, em adultos em pares e agora em velhos andamos sós. Assim sempre foi, assim sempre será porque agora temos todo o tempo do mundo e os jovens têm todo o mundo para descobrir, só precisamos saber, para sermos mais felizes, que as iniciativas dos jovens valem tanto quanto a nossa experiência da vida.
Quantas vezes ouvimos aos mais velhos, "quando chegares á minha idade logo verás", bem, já cheguei a essa idade e não vejo nada, a não ser que a idade madura é aquela na qual ainda se é jovem, mas com muito mais esforço.
Tudo isto para concluir que afinal nunca se é velho…

A.Justiça

Comentários:

Bonito texto do Justiça, digno de uma aula de Sociologia. E no entanto quantas vezes ao ler noticias que me chegam do meu país apanho com frases deste tipo:

- O idoso teve isto ou aquilo...
Mais à frente noto que o fulano em questão tem mais ou menos 60 anos. Detesto dizer que isto aqui é que é bom, etc..etc..conhecem a canção tão bem como eu. Mas para os que não sabem, a geriatria aqui só se aplica bem depois dos 70 e mesmo isso...

Como exemplo, anualmente um dos jornais cá da praça tem um concurso cujo título é:
- Manequim, por um dia!
Sabem que tanto podem participar crianças com 4 anos, como adultos com 70 ? E as fotos de todos os participantes são publicadas sem qualquer tipo de descriminação.

Espero que numa das minhas próximas visitas à terrinha, nenhum desgraçado tenha o desplante de se dirigir à minha pessoa nesses termos, pois terá de me ouvir.

Mas a culpa é da sociedade em que se está inserido. Teria eu os meus 15 anos e numa boa futebolada na praia de Salir levei um encosto mais forte de um dos colegas mais velhos, que teria na altura cerca de 40. A reacção do miúdo que eu era foi esta: velho da porra!

É claro que levei um murro na cara, que na altura doeu, mas hoje acho que foi bem dado e até gostaria de saber quem mo deu, para lhe agradecer.

Isto tudo para concluir que vivo numa sociedade que tem um certo respeito pelas pessoas mais velhas, e que esse respeito passa muito pela forma como certos estereótipos são combatidos no dia a dia de cada um!

J.L.Reboleira Alexandre.........03-02-2010


AFINAL..........
SEMPRE HÁ JUSTIÇA EM PORTUGAL

Pelo menos no nosso blog, temos um A. JUSTIÇA, (que não tenho o prazer de conhecer), que com toda a justiça e propriedade, nos dá um conceito de velhice, de modo a chegarmos à conclusão que, estamos novos por estar vivos, e que a velhice....é uma grande "chatice".
Trocadilho à parte, amigo Justiça, estou de acordo consigo. Há velhos novos.... e novos velhos. Eu prefiro pertencer aos primeiros.
Quanto ao não haver muitos "velhotes" a acompanhar-nos, julgo ser justificável pelos contactos que tenho. Eis a razão:
O nosso blog tem poucos aderentes, mas os que aparecem a navegar, são marinheiros de alto mar. Navegam nas ondas maviosas de qualquer oceano, com vocabulário rico e bem sonante, pondo em sentido os que têm mais dificuldade em se expressar.
Faço um apelo aos colegas "escondidos". Estamos neste mundo para aprender uns com os outros, e é uma felicidade ter colegas que nos deliciam com a sua escrita.
Eu não tenho medo (nem vergonha) de aparecer, e como tal aqui estou. Cada um dá o que tem e a mais não é obrigado.

Um abração para a rapaziada do meu tempo, e não só.....

Mário Reis Capinha.....03-02-2010


Amigo Capinha
O que escrevo pouco ou nada tem de literário.
Definitivamente escrevo conforme falo. Talvez um pouco aos “arranques e paragens” … defeito meu mas também sei que não consigo ler Saramago, o homem escreve tudo de seguida, num fôlego e ás páginas tantas dou comigo a pensar… mas afinal o que está ele a dizer? É, é defeito meu. Não tenho intelectualidade suficiente para descortinar o conteúdo das palavras e muito menos das frases que elas formam.
Prefiro a escrita do Camilo. Terra a terra, sem sofismas e altos voos de performance literária. Sou assim, que se há-de fazer. Aturem-me se quiserem… se não quiserem, obrigadinho por este bocadinho e “by-by”.
E por outro lado, o homem também diz e escreve cada calinada que por vezes fico de boca aberta a tentar perceber como pode um “Prémio Nobel” meter-se em tamanhas alhadas. Feitios.
Já o Camilo e o Sousa Tavares e… outros, não são assim. Ainda bem. Que haja alguém a escrever para gente simples. Mas digam lá, sinceramente, a escrita para todos não é mais agradável?
Porquê lhaneza se o mesmo é simplicidade. A primeira só alguns sabem a segunda toda a gente sabe o que é. E convenhamos, é muito mais bonito e perceptível.
Gostei do seu apelo à escrita, lançado a todos e ouso fortalecer esse apelo através do que atrás escrevi. Simples... sem ser "simplex"...
Bem, bem, por outro lado quando estiverem fartos do que escrevo… aos repelões… digam e eu dou-vos o merecido descanso.

Que “chato” que o homem é!
Ai sou “chato”, então adeus, até ao meu regresso… aonde é que eu já ouvi isto?

A. Justiça.......03-02-2010


Uma boa prova de jovialidade de espírito é aceitar as inovações sem ficar amarrado ao consagrado. Há lugar para tudo e para todos: Camilo /Saramago e até o Sousa Tavares. Gostaria de acrescentar outros nomes, mas não saberia por onde começar nem por onde terminar. O passado e o futuro não são inconciliáveis. Passam sempre por um presente passageiro que, por vezes, até é o nosso. A principal qualidade da literatura é que não se impõe a ninguém. Só lê quem quer. Nada me impede de fechar um livro se o prazer de o folhear se me escapar. Os profissionais da crítica é que são obrigados a chegar até à última página. Só assim poderão tecer um juízo de valor justo. Com a escrita acontece o mesmo. Cada um escreve como sabe ou como lhe sai no momento. O segredo está em saber escolher o caminho mais agradável para uma actividade e para a outra. Tudo isto em plena liberdade. Espero que o Blog continue a funcionar sem constrangimentos de ninguém. O confronto de ideias e de estilos de o expressar só nos enriquecerá a todos. A leitura e a escrita não garantem a felicidade a ninguém mas dão uma satisfação imensa a quem as pratica sem preconceitos de espécie alguma.

Artur R. Gonçalves..........04-02-2010


Amigo Justiça, ser velho ou não ser, tudo depende dos olhos de quem nos vê. Quando me encontro com um colega "não digo colega do antigamente" porque assim estaria a dizer que sou antigo, mas sim colega dos meus tempos. Há sempre um ou outro que diz "eh pá estás com um aspecto porreiro, mas... há sempre um outro alguém que diz "eh pá os ares para onde foste deram cabo de ti e assim...por aí fora e esquecem-se que estão dentro do mesmo circulo, o que é bom pois assim ficam convencidos que ainda são ou estão jovens. Numa outra passagem do blogue pergunta-se a respeito do "aposentado, reformado, retirado, lá o que queiram chamar e isso é sinónimo da "ternura dos 60's " o que não quer dizer "velho". O amigo Reboleira diz que por estes lados do Atlântico só se é velho a partir dos 70's, mas eu embora não discordando, também não concordo 100% pois quando se trabalha numa empresa em que andam 100 "cães"a um osso levamos com o lindo "piropo", o que é que andas para aqui a fazer? Por vezes até são os jovens a quem nós demos toda a nossa sabedoria que já nos vêem como um entrave para a sua carreira. Para nós que já estamos nesta "ternura" é melhor seguir uma máxima de alguém que dizia " não contes os teus anos, mas sim faz com que os teus anos contem". Se reparar-mos bem, quando nos dizem para fazer algo, não será por vezes uma resposta da nossa parte "eh pá, já estou velho para isso"!. Eu por vezes não sei escrever simples ou complicado pois faltam-me certas palavras e tenho que fazer uma manobra para as substituir mas não quero dizer que não tente e o blogue tem sido uma grande ajuda. Eu venho muitas vezes ver o que há de novo, mas confesso estou sempre à espera que apareçam, alguns da minha geração e noto que há poucos e eu talvez saiba porquê. Durante muitos anos eu achava que não necessitava do computador pois era tudo em papel, até que um dia na empresa onde trabalhava, me foi dito que a partir de certa data tudo seria feito no computador e eu como encarregado teria que fazer ordens de material, ter as horas de todos que trabalhavam no departamento em dia e mais....Assim tive que aprender o mínimo para me desenrascar. Se não fosse isso e eu não estaria aqui neste momento a escrever . Certamente muitos dos meus colegas da época seguiram a lógica do não valer a pena e agora mesmo que queiram dizer algo não tenham essa facilidade. Sem mais podem saber que continuo a ser jovem de espírito e que viva o SPORTING mesmo depois da "cabazada" 5 a 2

Chaves .........05-02-2010

Nem mais amigo Chaves...: E que viva o Sporting...!!!

Acerca dessa ideia de que se é velho, eu devo dizer que me agrada mesmo muito ser velho e mais me agradará, poder dizer e ouvir...em cada ano que passa (se tiver essa sorte, que eu considero uma Graça de Deus...), que estou velho...
Pois estou, sorte a minha...outros que conheci e alguns foram colegas "dos nossos tempos..."...já cá não se encontram para dialogar connosco, resta-nos apenas, porque eramos seus amigos...mante-los vivos nas nossas memórias...!!
Um abraço para todos/as..

Maximino ............05-02-2010


A mais novinha faz 28 anos.
Meu Deus como o tempo passa.
Espera lá! Se esta faz 28 a mais velha já estará perto do 40! Mas se ela está perto dos 40 tu, tu… há muito que passaste os 60.
E repreendem-me elas quando digo, - Estás velho, meu velho.
Não sei porquê, elas se aborrecem comigo quando digo isto. – Oh pai tu não és velho! Não digas isso.
Claro que não. Mas é claro… já não sou velho… pois é, não, não sou velho sou sexagenário. Que alegria… já deixei de ser velho… mais uns anitos e passo a septu.
Chegarei lá? Não o melhor é saber se quando ele chegar ainda cá me encontra.
Se encontrar faço-lhe uma daquelas momices que fazia quando era menino… polegar no nariz e os outros bem esticados para cima e… nhã, nhã, nhã… nhã, nhã, chegaste atrasado… e cantarolando direi… eu já cá estava.
O que eu vou gozar com o septuagenário se isso acontecer.
Hei-de irritá-lo. Irritá-lo de tal forma que ele terá de me fazer esperar pelo octo para o largar de mão.
Aí eu tomarei a mesma atitude com o octogenário. Irritá-lo até…

A. Justiça........20-02-2010