domingo, 16 de dezembro de 2012

A Escola Primária

O João Ricardo, ou Balé como era conhecido pela malta da Escola, não pára de nos surpreender.
Então não é que o Rapaz, além de bom Guarda-Redes, até escreve bem.
Pois bem o Ricardo conta-nos como foi a sua entrada para a Escola Primária.
Para ilustrar o texto vem a propósito uma imagem do diploma de outro amigo da Escola, o Gandaio, que lá no Montijo, onde reside, acompanha o Blog mas tem sido muito pouco participativo.


A Escola Primária

No dia sete de Outubro como era regra nesse tempo, no ano de 1958, exactamente no dia em que fiz sete anos, iniciei o meu percurso escolar, na escola primária do Carvalhal, que distava cerca de cinquenta metros de minha casa. Era um privilegiado, pois os transportes escolares dessa época eram as pernas, morassem os alunos perto ou longe, chovesse ou fizesse sol.
Sem dúvida a Instrução Primária foi uma fase muito importante no meu percurso formativo. Não só pelos conhecimentos adquiridos, embora nesse tempo o grau de exigência fosse muito superior ao actual, mas essencialmente pela aprendizagem dos valores que devem nortear toda a nossa vida. É nesses quatro anos que, em complemento com a nossa vivência familiar, começamos a ser moldados, “formatados” e preparados (ou não), para enfrentar todos os desafios que a vida venha a colocar nos nossos caminhos. É aqui que começamos a saber o significado de muitas palavras cujo sentido devemos utilizar em muitas situações do nosso dia-a-dia. É aqui que começamos a conviver, a aprender, a fazer amigos, a partilhar, a aprender o significado de palavras tão simples como o sim e o não. 
Com um belo aspecto exterior, pois tinha sido inaugurada há meia dúzia de anos, a escola primária do Carvalhal, era como depois vim a saber igual a tantas outras, de norte a sul do país. Um quadro negro com giz e apagador, o mapa de Portugal Continental e das então províncias ultramarinas, os retratos de Salazar e de Américo Tomaz e um crucifixo símbolo da religião católica – não conhecia outra – eram decoração obrigatória das paredes. Carteiras duplas de tampo inclinado e com tinteiro encaixado que era para molhar os aparos das canetas então usadas, a secretária do professor/a e um globo com o mapa-mundo, completavam o mobiliário da sala de aula que era antecedida pelo vestiário onde ficavam as batas brancas usadas durante as aulas e os agasalhos (de quem os tinha) no inverno. Do material individual fazia parte uma lousa ou ardósia de xisto negro onde se escrevia (riscava) com um ponteiro do mesmo material e um apagador de tecido, uma caneta de aparo, lápis “Viarco”, uma borracha para apagar lápis outra para a tinta, que se manuseada com pouco cuidado furava o papel, e cadernos – entre os quais um de duas linhas – cujas capas eram aproveitadas pelo regime para fazer propaganda política, através de desenhos, exaltando a Mocidade Portuguesa, ou acontecimentos que o Estado Novo queria realçar.
A entrada na 1ª classe foi o primeiro, mas não o mais marcante choque da minha vida. Uma nova vivência, novos colegas, nova disciplina a convivência diária com rapazes bastante mais velhos, pois era frequente, devido aos chumbos, haver na quarta classe alunos com 14 e 15 anos e a sala era única para as quatro classes. Com raparigas é que não havia misturas embora a escola fosse mista. Rapazes de um lado, raparigas do outro.
Com uma acentuada exigência na aprendizagem mas também no comportamento e na disciplina – a régua, a palmatória e a cana-da-índia faziam parte do material pedagógico – o ensino, embora fosse apenas uma professora/educadora para as quatro classes, era tanto quanto possível individualizado dando a cada aluno a possibilidade de expressar o seu grau de aprendizagem. Claro que hoje é legítimo questionar o tipo de programa escolar então leccionado. Os rios e seus afluentes, as linhas de caminho-de-ferro, suas estações e apeadeiros, são apenas alguma matéria que pode ser considerada supérflua, mas que tinha de estar na ponta da língua. Mas também tinha que se escrever bom português, sem erros ortográficos, a tabuada tinha de ser “cantada” de cor e salteada de trás para a frente e da frente para trás, e tínhamos de resolver problemas já com elevado grau de dificuldade. Saíamos preparados para o patamar de ensino seguinte ou para a vida profissional que era o destino de muitos colegas quando acabavam o ensino obrigatório.
Havia dentro do recinto em frente à escola, um pequeno terreno onde eram feitos quatro canteiros. Cada um deles era destinado a uma das classes que tinha que o amanhar e decorar a seu gosto. Ou com flores, ou com hortícolas ou com ambas, ficava ao critério dos alunos. Já obrigava a um trabalho de grupo, com discussão e debate de opiniões até se chegar a consenso, ou na falta dele, a respeitar a vontade da maioria.
Em contraste com os tempos atuais era uma época em que os professores eram respeitados e a quem os pais na sua maioria entregavam com total confiança o ensino e como que delegavam a educação de seus filhos.
Aqui fiz o meu percurso escolar básico (4ª classe) e me preparei para o Exame de Admissão que me deu acesso ao patamar seguinte do ensino, que na altura tinha duas vias. O colégio que tinha um ensino mais abrangente, mais vocacionado para quem pretendia seguir o ensino superior, ou a escola preparatória e secundária que nos dava um ensino mais técnico e prático. Optei pela segunda hipótese, fazendo os dois anos de Ciclo Preparatório na Escola Rafael Bordalo Pinheiro (escola velha) a funcionar então por trás do chafariz das cinco bicas (onde se realizava a praxe com o baptismo dos caloiros), nas atuais instalações dos serviços administrativos do Hospital Central de Caldas da Rainha.

João Ricardo

Comentários:

Nos meus 2 anos de Ciclo havia um colega lá dos lados do Bombarral que se chamava João Manuel Gomes Ricardo. Não duvido que seja o mesmo, já a alcunha de Balé me era desconhecida. Penso ainda que tinha algum jeito para a bola e fez parte duma famosa (na zona claro)equipa de juniores do CSC. As memórias do Ricardo, são um pouco as nossas memórias. Só nunca recebi o meu diploma da Primária nem nunca plantei flores no recreio da escola. Havia coisas «mais interessantes» para fazer. Já o fiz no FB, mas acrescento aqui. Um belo texto, onde as memórias deste antigo colega, saiem com fluidez e aparente facilidade. Abraço do Canadá.

J.L.Reboleira Alexandre...........16-12-2012

Gostaria de agradecer ao João Ricardo este belo texto que reflete certamente as memórias de todos nós, quando entrámos pela primeira vez na escola primária, salvo raras excepções como por exemplo quem morava na cidade.
No meu caso pessoal, morava na rua Formosa, próximo dos prédios do Viola.
O meu pai levou-me na bicicleta até à escola do Bairro da Ponte.
Quando lá chegámos ele disse-me: Olha meu rapaz, é aqui que vais aprender a ser homem. Desenrásca-te porque a partir de amanhã começas a vir sózinho para a escola. E foi o que aconteceu, todos os dias ía a pé para a escola.
No entanto devo de esclarecer que eu já tinha quase 8 anos de idade.
Isto devido a uma lei estúpida do Salazar, que determinava que quem fizesse 7 anos depois de Setembro, só entraria para a escola no ano seguinte.
Como o meu aniversário é em Dezembro, não tive outro remédio senão andar mais um ano a brincar com uma bola de trapos antes de aprender o B+A=BA
Aproveito para deixar aqui um reconhecimento muito especial ao sr professor Albino (que mais tarde foi presidente da câmara de Óbidos) pois foi ele que me ensinou a ler, escrever e a compreender os algarismos.
Todos os outros professores que tive a seguir, apenas desenvolveram as sólidas bases que este professor conseguiu meter na minha cabeça.
Permitam-me que vos deseje um Santo e Feliz Natal a todos os frequentadores deste blog, em especial ao Zé Ventura, que tem feito um trabalho extraordinário para manter bem vivo o interesse destas páginas
Um grande abraço daqui do Canadá.

Faustino Rosário............23-12-2012

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Os Professores


O álbum da Matilde é na verdade impressionante na documentação fotográfica dos nossos tempos de Escola, mais precisamente dos anos 60
Estas fotos dos Professores têm a particularidade de terem sido tiradas todas no mesmo dia, 13 de Junho de 1969.
Nas duas primeiras temos o Professor João Correia ou o “Calmeirão” como era conhecido, na terceira
foto a Professora Elvira Bento Monteiro e por último a Professora de Física e Química e que lamentavelmente não me recordo do nome.



Comentário:

Professor Correia, foi ele, meu professor de Mática!!

Que BOM recorda-lo!!!!

BOM PROFESSOR!!


Branca Caldeira..............16-12-2012

domingo, 9 de dezembro de 2012

Viagem de Finalistas de 1970

Do álbum da Maria José Henriques vem esta fotografia que recorda a viagem de Finalistas dos alunos do ano lectivo de 1969/70.
Se a memória não me falha julgo que na frente está a Graça Diniz, em cima à esquerda a Celeste, que nunca nos deu o prazer de participar nos Encontros dos Antigos Alunos, e depois  a Maria José. 
Ao centro a Isabel, depois parece a Luisa Ramires e a Rosa.
O “cavalheiro” não sei quem é.

Comentário:
 
 Já tinha enviado um comentário mas perdeu-se, certamente.
O "cavalheiro" é o António Soares, nosso professor de português, o melhor que por lá passou naqueles anos.
Há poucos anos encontrei-o perto do Ministério da Educação, onde estava destacado. Ainda com um pouquinho do seu sotaque açoriano e SIMPÁTICO como o conhecemos. Era um daqueles profs que deixam saudades e nos entusiasmam a continuar...


Rosa Claro...............02-01-2013

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Um jogo de Voleibol

Realmente a nossa Escola é uma fonte inesgotável de assunto. Descobri hoje, por acaso, um “cartaz” a divulgar o grandioso jogo de Voley Boll da final do campeonato inter-turmas da época de 1964/65, (o primeiro ano da Escola Nova). Não faço ideia de quem o tenha feito. Não me parece letra de serralheiros, mas creio que será um “documento” a registar.
E já que falo em voleibol na nossa Escola veio-me à memória um nosso colega contemporâneo que eu muito apreciava ver jogar e com quem tive o privilégio de partilhar muitas viagens de comboio entre Bombarral e Caldas e vice-versa. Dois ou três anitos mais velho, (fazia toda a diferença) com a sua gaguez divertida, o Armando (gago) Rosado era um amigo sempre pronto a colaborar nas brincadeiras enquanto esperávamos o comboio. O seu “c’lá, c’lá, c’lá vai alho” ainda perdura com saudades na minha mente.
Partiu muito cedo. Pode ser que lá no sítio onde há muitos anos nos espera, tenha encontrado alguns colegas que também já nos deixaram e vão fazendo umas jogatanas. Mas com a pontuação à antiga.

João Ricardo

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Até um dia Tomé da Costa Borges


Hoje o Blog é portador de más notícias, um amigo de longa data e antigo aluno, Serralheiro de 1970, partiu para o seu eterno descanso.
Durante meia dúzia de anos lutou com todas as suas forças contra um tumor cerebral que nunca lhe deu tréguas.
Em determinada altura ainda se acreditou no milagre, mas a vida é como é e a luta foi inglória.
Tive oportunidade de apreciar de perto o seu trabalho na Escola do Maxial e da grande divulgação que fez do Ténis de Mesa no Concelho de Torres Vedras.
Fica a recordação dos tempos bons que partilhamos, e do excelente trabalho desenvolvido em Torres Vedras na área da Educação e do Desporto chegando a fazer parte da vereação da Câmara Municipal.


Victor Pessa
Não tenho ideia de o conhecer, mas lamento esta partida tão prematura. As minhas condolências à família.
José Martins
Sentidos pesâmes, é sempre com tristeza que vamos sabendo destas noticias.
Lúcia Vital

As minhas condolências à família. Um amigo da minha infância e do meu irmão.
Faustino do Rpsário

Também não me lembro deste sr, mas fazia parte da nossa Escola.
Sentidos pesâmes à familia
Vitor Lucio
O Tomé foi meu colega de turma no último ano do curso em 1970... era um bom companheiro que não vi mais desde essa altura e lembro do Ricardo que foi guarda-redes nos juniores do Caldas, do Zé Manel, do Jacinto, do Luis Serrenho, do Abílio... uma pena!

JCarlos Abegao
Pois, o blogue serve para boas e más, notícias como todos já perceberam. Sentidas condolências, hoje perdi um amigo.

Teresa Morgado
Sentidos pesames à familia.

Jose Luis Almeida Silva

Os meus sentimentos para a família. É a lógica da vida, mas é triste.
Maria do Rosário
 SENTIDOS PESAMOS

Teresa Ribeiro
sentidos pesames

Filipe Pedroso de LimaDomingos

Um amigo que partiu. Eu, ele e o Ângelo que também já partiu. passámos muitas tardes em minha casa a fazermos umas gravações num gravador Sony de fita, como se estivéssemos a fazer rádio. Coisas de jovens, mas era com estas e outras coisas que o nosso tempo livre era ocupado. Os meus sentimentos à familia.
Jose Feliciano

Os torneios de ténis de mesa da Fisica a acabarem em casa dele no petisco, que saudades, descansa em paz e obrigado por teres sido meu amigo.
Carlos Gaspar

Descansa em paz rapaz.
Fernando Xavier

Faleceu um GRANDE AMIGO E UM HOMEM COM H GRANDE.
Que descanse em paz.
Virginia Freire

Recordo o Tomé. À familia envio os meus sentidos pesames.
Luísa Barbosa

Saudades para um Amigo.
Luis Santos

Até um dia Tomé! Sentidos Pêsames a toda a sua Família!

Que descanse este paz este nosso amigo e companheiro. Até sempre Tomé.
Fernando Xavier

Recordo-me do nome mas tive pouca convivencia.Que descanse em paz,e sentidas codolências á familia.

Antonio Abilio

Já não é do meu tempo, mas não deixo de lamentar a sua partida...

domingo, 2 de dezembro de 2012

Visita ao Diário de Coimbra

Como são diferentes as viagens de finalistas, hoje a malta vai para uma estância balnear no sul de Espanha ou para Varadero ou qualquer outro destino mais cosmopolita.
Em 1969, os alunos na sua viagem de finalistas foram até ao Porto com paragem em Coimbra para uma visita à Fábrica de Cerveja e ao Diário de Coimbra, que registou o acontecimento nas suas páginas, guardadas religiosamente pela Lurdes Peça.
Acrescenta ainda a crónica que os 39 alunos eram acompanhados pelos Professores, Sra. Dr. D. Maria Julieta Craveiro Paiva e dos Senhores Dr. José Amilcar Craveiro Paiva, Dr. Jorge Gonçalves Amaro e Dr. Joaquim Vasconcelos Sarmento.
.....
Depois de publicar este post, um amigo sempre atento a estas recordações que por aqui vão passasdo, enviou esta fotografia sobre a visita à Fábrica das Cervejas.

domingo, 25 de novembro de 2012

A camioneta vai partir

Aqui estão umas fotografias que carecem de uma explicação mais detalhada da Luisa Pimenta, porque são suas estas imagens que hoje se publicam.
Pelo que está escrito no verso de uma delas, apenas se sabe que foi tirada em 1954 no jardim da Guarda Republicana (?).
Já agora, para quem gosta de fotografia, fica a curiosidade do carimbo da “Fotografia Pereira” bem como a chancela do tipo de papel, “Ilford”.  


Comentário:

A primeira fotografia foi tirada numa camioneta que tinha trazido às Caldas estudantes de uma escola de Lisboa e fomos com eles passear à Foz do Arelho. Na foto, atrás, está a Irene e eu. À frente estão a Eunice Valdez Faria (irmã da Marina), a Odete Barros Quaresma, sobrinha do Sr. Monteiro da loja e a muito saudosa Maria Helena Arroja dos Reis, infelizmente já falecida.
A segunda fotografia foi realmente tirada no Jardim da G.N.R. a que tivemos acesso pelo facto de meu Pai fazer parte da corporação e nos ter facilitado isso. A 1ª da esquerda é a Irene, seguindo-se a Stela, eu e a Maria Teresa da Luz, actualmente viúva do Sr. Miranda da Novipal e que era neta do "Trinta".

Luisa Pimenta.............27-11-2012


Quando vi estas fotos conheci imediatamente a Irene e a Helena Arroja. As outras, embora sejam do "meu tempo", não as reconheci. Por isso fiquei à espera que alguém confirmasse. Obrigado Luísa.
Fernando Santos.............30-11-2012

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Ricardo finalista de 1970

Sou visitante regular do Blog na nossa Escola onde vou mitigando saudades dos bons tempos da nossa vivência na Escola que nos anos sessenta ajudou a preparar o nosso futuro.
Fiquei hoje com a triste sensação que a participação de ex-alunos está cada vez mais escassa. O que é uma pena. Não tenho moral para criticar porque nunca colaborei.
Entendo no entanto que nunca é tarde. Por isso aqui envio a minha colaboração.
Uma da equipa de volei do 3º Serralheiros campeã inter- turmas do ano letivo 69/70 e outra tirada no parque com o Xico Vital.
Envio também um texto que não tendo relação com a nossa Escola tem no entanto a ver com o ensino atual.
Um grande abraço
Ricardo

Carta aberta ao Dr. Miguel Relvas

Exmo. Senhor,
Dirijo-me respeitosamente a V.ª Ex.ª a fim de lhe pedir alguns conselhos.
Tenho 60 anos, estou desempregado e tenho como habilitações literárias o Curso de Formação de Serralheiros, tirado na Escola Industrial e Comercial de Caldas da Rainha, o que atualmente me dá a equivalência ao 11.º ano. Esta situação de desemprego levou-me à frequência do RVCC Ensino Secundário, no âmbito do Programa Novas Oportunidades, que o governo de V.ª Ex.ª pretende extinguir. Tendo terminado este processo com sucesso, digo com toda a justeza que possuo agora o 12.º ano. 
Tendo, por acaso, tomado conhecimento através da comunicação social de que o Senhor “frequentou” um programa idêntico para adquirir (ou comprar?) o seu doutoramento, surgem-me algumas questões que gostaria de ver esclarecidas. Será que o meu caso também reúne as condições necessárias para me candidatar a um Curso Superior, nas mesmas condições? Ou será que já não vou a tempo? Ou haverá ainda alguns amigos para se servirem da lei que o permite?
Tenho uma experiência de vida dez anos mais longa que a sua, vários anos de cargos de direção de coletividades de cultura e recreio (não é folclore) e até de uma coletividade de cariz religioso (provavelmente a Católica dar-me-á mais uns créditos). Só que não sou maçom nem político nem passei por JOTA de partido nenhum. Será que alguma destas condições é prioritária?
Temos, porém, algo em comum. Ambos regressámos de Angola em 1974. Só que eu regressei de uma comissão de serviço militar, na qual servi o meu País como Alferes Miliciano “COMANDO” (mais alguns créditos! ou descréditos?).
Quando tenho o desgosto de o ver na TV, com o seu sorriso cínico a dizer que no seu processo foi “tudo legal”, apetece-me perguntar-lhe: e a sua moral onde fica? Será que consegue dormir de consciência tranquila?
É que se o senhor tivesse tido a hombridade de se demitir assim que o caso foi tornado público, talvez o descrédito não tivesse passado tanto para o estrangeiro e tivesse ficado mais por aqui, pelo nosso cantinho Lusitano, que já estamos conscientes e insensíveis a mais um caso que nos confirma a pobre qualidade de alguns novos políticos que nos governam.
Todos sabemos que o Senhor até nem precisa do ordenado que aufere como Ministro, pois os 12 anos que trabalhou arduamente como deputado (juiz em causa própria não será anticonstitucional?) na nossa triste A. R. deram-lhe inquestionavelmente o direito a uma mísera pensão vitalícia de 2800 € mensais, além de que, quando deixar o Governo, (esperamos que seja em breve) já terá à sua espera um cargozito na administração de uma qualquer empresa pública, ou numa dessas PPPs que os Senhores iam reavaliar para reduzir despesas, mas que provavelmente por falta de tempo (ou haverá outros motivos?) ainda não o fizeram.
Até porque o seu riquíssimo percurso universitário lhe confere sapiência e competências para desempenhar com distinção qualquer cargo em qualquer área.
Já agora permita-me uma sugestão! Por que não criar uma dessas Fundações particulares subsidiadas pelo Estado? (todos nós). Também tem esse direito! Será mais uma hipótese de continuar a servir (-se) honrosamente (d)o País que tantas benesses lhe dá. 
Aguardo, como milhões de Portugueses, uma resposta a esta carta que, esperamos, seja no mínimo, a sua demissão.

Com desrespeito, subscrevo-me.

João Ricardo

P. S. – O seu amigo Doutor Pedro Passos Coelho não merece a maldade que o Sr. lhe está a fazer! Ou merece?

Comentário:

Olá Ricardo!
Eu também ando triste pela falta de colaboração dos antigos alunos (vê o meu comentário do passado dia 11), pois foi neste blogue, que, não só reencontrei alguns amigos que andavam perdidos há largos anos, como também tem sido aqui que conheci e fiz novos amigos.
A tua carta aberta ao ministro poderá não ter nada a ver com a Escola, contudo, na minha perspetiva, ela demonstra que escreves bastante bem. Por isso creio que não seria difícil através do teu contributo, "repescares" alguns dos nossos amigos que se passaram para o Facebook.
Com um abraço, fica a esperança de um dia nos virmos a conhecer.


Fernando Santos..............22-11-2012

Normalmente visito o saite sem comentar mas, esta carta aberta de facto merece o meu aplauso. E que tal transformá-la num abaixo assinado? eu subscravo!

Anónimo..............28-11-2012
 

domingo, 18 de novembro de 2012

Alunos de 1972

Esta fotografia do álbum de recordações do Luis Henriques foi tirada em 1972. Onde e quem são estes “meninos”? A esta pergunta confesso que tenho alguma dificuldade em responder, mas estou esperançado que alguns dos retratados possam dar uma ajuda.

domingo, 11 de novembro de 2012

Quem se lembra do Prof. Luís Manuel Freitas da Silva Marques

A propósito de uma fotografia publicada no Blog em 2010, um comentário do Sanches referia o Prof. Luis Manuel Freitas da Silva Marques com esta pequena “estória”

...A referência que o Noronha faz à Dra. Mariana (também julgo que é ela na foto)traz-me à memória uma coluna que existia no jornal "A Bola" (não sei se ainda existe)que se intitulava "Hoje jogo eu". Certo dia, há cerca de 50 anos, lembro-me de ter lido, grosso modo, o seguinte:

Professor: Sabes que é o Yaúca?
Aluno: É um jogador do Belenenses que foi para o Benfica.
Professor: E sabes de onde é natural o Yaúca?
Aluno: É de Moçambique.
Prof.: E em que continente se situa Moçambique?
Aluno: Em África.
Prof.: E o que é Moçambique em relação a Portugal?
Aluno: É uma Província Ultramarina.
Prof.: E sabes quem é o Serafim?
Aluno: Sei, é um jogador do Porto que também vai para o Benfica.
Prof.: O Serafim vai do Porto para Lisboa de combóio. Qual é a linha férrea que toma?
Aluno: É a linha do Norte.
E por aí adiante...
O colunista acabava a sua crónica dizendo que estas perguntas tinham sido feitas num exame de admissão à Escola Ind. e Comercial Pero de Santarém pelo Director daquele estabelecimento de ensino Dr. Luís Manuel Freitas da Silva Marques e elogiava fortemente o método utilizado dado que, falando sobre a actualidade futebolística o professor inteirava-se, com toda a naturalidade, dos conhecimentos do aluno.
Este professor, que até hoje não vi referenciado no nosso blog, é nem mais nem menos que o nosso verdadeiramente extraordinário professor de Francês que, com os seus métodos invulgares para a época nos colocou, ao cabo do 1º ano, a manter uma conversação naquela língua.
Lembrei-me dele pela referência feita à Dra. Mariana porquanto, se bem me lembro, namoriscaram.
Não sei que é feito dele, mas tenho a certeza de que jamais será esquecido por algum dos seus ex-alunos.


Trago este post à “baila” porque um amigo, que não tenho o prazer de conhecer, hoje adicionou o seguinte comentário:

Tenho por hábito escrever na net nomes de amigos, pessoas conhecidas, na esperança de saber por andarão, se ainda vivem... e às vezes tenho sorte. Como agora, ao inscrever o nome de um antigo professor que tive no ciclo preparatório, e fui então enviado para este blog onde aqui li o nome desse professor, um dos poucos que me ocorrem, pessoa de excepcional classe como professor. Trata-se de Luis Manuel Freitas da Silva Marques. Foi meu professor de português na Escola Pedro de Santarém em Sete Rios, Lisboa, perto do Jardim Zoológico. Decerto já faleceu, mas se tal não sucedeu, gostaria de lhe dizer que se pela violência exercida contra crianças muitos professores que tive sempre desejei que ficassem um dia debaixo de um tractor, outro como Luís Manuel fica guardado para sempre pela gentileza que teve em compreender que os seus alunos eram seres humanos e não cães em quem habitualmente e ainda hoje muitos cães que não são humanos descarregam as suas iras.
Se souberem que Luis Manuel Freitas da Silva Marques está vivo, dêem-lhe um abraço por mim, hei-de lembrá-lo sempre.

Jorge Resende, Madeira-jbgresende@gmail.com

Comentários:

Fiquei muito contente por ter lido o comentário de Jorge Resende. O Dr. Luís Manuel Freitas da Silva Marques foi um professor absolutamente único. Para aqueles que, sendo meus contemporâneos, não se recordem do seu nome, direi que era o nosso professor de francês a quem, carinhosamente, apelidávamos de "macaquinho".
Gostaria de ler o Noronha e outros que ainda tenham memória dos seus excepcionais métodos de ensino.
Ao Jorge Resende prometo que vou tentar encontrá-lo.

Sanches................11-11-2012

Caros amigos.
Desde o dia 29 de outubro deste ano, e até há momentos atrás, graças à boa vontade do Zé Ventura foram publicados 12 posts com fotografias de antigos alunos. Com muita pena minha e certamente doutros curiosos, nenhum deles mereceu uma palavrinha de ânimo ou conforto para quem ao longo de quase 13 anos tem vindo a proporcionar não só o reencontro de antigos alunos espalhados por esse mundo fora, que de outro modo provavelmente jamais teriam oportunidade dum reencontro, como ainda o reavivar de memórias através das muitas histórias que aqui têm sido publicadas. Assim, espero que o comentário do Sanches publicado em 2010, permita satisfazer o pedido feito por Jorge Resende e ao mesmo tempo dar uma “forcinha” para que ao nosso blogue voltem aquelas histórias com que nos brindavam antes do aparecimento do Facebook.

Fernando Santos.........11-11-2012

De facto, achei interessante à referência no vosso blog ao professor Luis Manuel Freitas da Silva Marques. Hoje tenho 65 anos, e em 1958, ano em que fui aluno no ciclo preparatório, o professor seria pessoa para os seus 39, 40 anos, decerto já faleceu.

Não era um bom aluno, mas por o ter tido como professor de português, sinto que ajudou bastante a minha formação. Ele seria das Caldas da Rainha? Aguardo que algum leitor e seu amigo me dê mais alguma informação para matar a minha curiosidade. Um abraço, desculpem a ousadia de os maçar, mas foi uma coincidência interessante
Da Madeira ao vosso dispôr,

Jorge Resende………….12-11-2012

Não! O Dr. Luís Manuel não era das Caldas. Aliás, só cá esteve 1 ano lectivo (1956/1957).
Estou profundamente admirado com o silêncio dos meus colegas da época pois foi um professor que não é possível esquecer!
Vou tentar saber, junto da Escola Pedro de Santarém, se sabem do seu paradeiro!
Um abraço.

Sanches...................14-11-2012

Não é importante para o tema mas, o falecido António Fernandes, Iaúca no futebol, nasceu em Benguela em Angola.

Anónimo...........17-11-2012

 
O Dr.Luis Manuel Freitas da Silva Marques, veio da escola da Figueira da Foz com a Dra. Mariana e segundo se dizia na altura, eram namorados e também tive o previlégio de ter ambos como professores.
 O 1º, irrequieto,tinha um método de ensino que nos dias que correm, serviria como magnifico manual de aprendizagem. Era mais ao menos assim: "...amanhã o tema é a fruta...". No dia seguinte dividia a turma e era vêr quem vinha melhor preparado para a aula, porque. no "debate", ninguém queria perder. Na semana seguinte a turma ganhadora ía para a praça da fruta servir de " tradutor/a" entre os turistas e os vendedores. Para além de incentivar o francês, enchia o ego aos alunos!.Os que perdiam ficavam a estudar para pedirem a "desforra".
Da Dra. Mariana, obrigava a que os alunos fizessem calculo mental, com uma técnia que ainda não esqueci, como por exemplo: 150x150...utilizando o método do Dr. Freitas da Silva Marques. Estes sim, dignos de uma belissima homenagem.

Luisa Barbosa.......18-11-2012

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Um jogo de Andebol

As equipas estão devidamente alinhadas e com fato a condizer, o Comércio com bata, a Industria com fato-de-macaco.
O campo de jogos é a velha Escola, como se pode ver com o hospital em fundo e as fotos vêm do álbum do Lúcio. O ano lectivo é de 1963/64.  

domingo, 4 de novembro de 2012

O Auto de Mofina Mendes

Numa iniciativa conjunta da Escola e do Externato Ramalho Ortigão, em Maio de 1961 subiu à cena o Auto de Mofina Mendes.
Esta fotografia da Lucilia Borges lembra esta festa que teve também a participação do Orfeão do Liceu Camões.


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Dia de Finados

Um grupo de Antigos Alunos, também conhecidos pelo Grupo do Parque, liderados pelo Joaquim Batista, fizeram uma visita ao cemitério e não gostaram do estado em que estava a campa do Prof Barreto.
Meteram mãos à obra e providenciaram a sua restauração.
Neste dia de Finados, com estas fotos do antes e depois, aqui fica a nossa homenagem ao Professor Barreto e a todos Professores, Funcionários e colegas que já partiram.

Comentário:

Parabéns ao Grupo do Parque por este gesto altruista.

Anónimo

domingo, 28 de outubro de 2012

Andebol do Comércio

O Limpinho, na foto o primeiro da esquerda, em pé, descobriu no seu baú de recordações esta foto que recorda a equipa de Andebol da sua turma do Comércio do ano de 1968.
Se não me engano temos, em pé e da esquerda para a direita; O Limpinho, Machado, Prof. Silva Bastos, Avelino e Armando.
Em baixo, só reconheço o Espadana, último na direita.  

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Alunas dos anos cinquenta



Do álbum de recordações da La Salete, que foi professora na nossa Escola, mas também foi aluna, chegam estas fotografias datadas de Maio de 1950, que relembram uma visita a Leiria e S.Pedro de Moel dos alunos de então.

domingo, 21 de outubro de 2012

As equipas estão alinhadas

Sobre a supervisão do Prof. Silva Bastos, as equipas estão prontas para iniciar o jogo de Andebol.
Dos Jogadores, conheço alguns, mas aquela equipa de Arbitragem não dá grande confiança, pois o “bandeirinha” tem grandes ligações ao Porto, e isto não augura nada de bom.
A foto vem do álbum de recordações do “árbitro”  José Luis.   

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Encontro de 2013

Bem sabemos que os tempos não estão para festas, mas nós não vamos deixar que esta crise e quem a gerou, nos impeçam de juntar os Antigos Alunos da Escola Industrial e Comercial Rafael Bordalo Pinheiro.
Por isso tomem nota na vossa agenda e reservem o próximo dia

4 de MAIO de 2013
20º ENCONTRO DOS ANTIGOS ALUNOS
Quanto ao local, vamos quebrar a tradição dos últimos 12 anos e vamos fazer a nossa festa no Hotel Vila Óbidos, uma estrutura hoteleira que fica situada na estrada que liga Óbidos ao Bairro da Senhor da Luz (Próximo das minas do Gesso).
É um local muito agradável, conforme se pode constatar pelas fotos.

domingo, 14 de outubro de 2012

Uma turma da Formação Feminina

O Parque foi e será sempre um local privilegiado para servir de cenário a umas fotografias.
Esta turma da Formação Feminina de 1963 não fugiu à regra como se documenta com estas fotos que vêm do álbum da Isabel Vicente.