terça-feira, 26 de agosto de 2008

1973 - Ano de todas as inquietações

O cartaz chama a atenção para uma exposição - feira do Livro e dizia querer também que os jovens não ficassem indiferentes. Indiferentes a quê?
Ao que se passava na Escola, em casa, na rua e para muitos no trabalho.
O Conselho Cultural da Escola, pretendia chamar a atenção para os alunos que aquele lugar era também a sua casa. Então é necessário dela tratar, de tudo fazer para que o ambiente fosse de aprendizagem, de tolerância, de intervenção, mas sobretudo de procura do conhecimento, mas tambem da verdade, pois só ela pode revelar o que é a liberdade.
A liberdade de ler, de abertamente se interrogar, de questionar os outros, sem medos, com frontalidade e respeito pelas opiniões contrarias.
É verdade que estas iniciativas tinham sempre à partida um conjunto de constrangimentos impostas pelo regime de então. As editoras, não podiam fazer chegar ás bancas livros que a censura tinha proibido de serem impressos, mas que sabíamos muitos que eles existiam, pois passavam de mão em mão, contrariando assim o desejo do poder que a ignorância lhes seria util. O espírito do provérbio de "quem não sabe não sente".
O Conselho Cultural da Escola, questionou os alunos sobre a importância da leitura. Chamou a atenção dos alunos para a importância do livro como instrumento do conhecimento. Ler como dizia a aluna Luísa Runa "Um livro é veiculo de cultura que pode enriquecer um país instruindo o seu Povo".
Que profundo contraste entre este pensamento de uma jovem aluna com a do poder de então que defendia que bastava saber ler escrever e contar, ou seja chegar à quarta classe.
Mas talvez ainda mais directa a frase da aluna Isabel Bajouco que exortava "Lê, informa-te - comunica"
Ao encontrar este panfleto guardado no meu bau de recordações, veio-me à memória tanta gente, tanta iniciativa, que parecendo serem demasiadamente pequenas ajudaram a consciencializar tantos de nós, empurrando-nos para a saída das nossas vidas.

Jorge Sobral

Comentário:

Amigo Zé Ventura.
Como sabe, não fui aluno da Escola nem do Colégio, mas todos os dias visito os dois Blogs. Por isso foi com satisfação que hoje vi (creio) a primeira intervenção escrita correspondendo ao apelo feito há uns dias atrás.Tal como no Blog do Colégio aparecem intervenientes recordando o passado contando as suas estórias, o amigo deve continuar a incentivar os intervenientes do seu Blog para que mandem mais material escrito, e não só fotografias, pois se isso for possível, certamente haverá mais animação e mais comentários sobre o que cada um vai escrevendo.
As minhas desculpas pela intromissão em seara alheia, mas é o que se me oferece dizer.
Um abraço.

Fernando Santos. ...........28-08-2008

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