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domingo, 14 de março de 2021

Teatro na escola

Estas fotografias do Jorge Sobral, lembram-nos as actividades circum-escolares, era este o nome que davam às actividades paralelas ao ensino da matéria.
Neste caso o Teatro ganhou alguma dimensão devido a algumas iniciativas do Dr. Bento Monteiro, em colaboração com o Dr. Mário Tavares.
Uma das peças levadas à cena com maior impacto foi a ANTÍGONA de Jean Anouilh.
Quando estas fotografias foram publicadas no Blog em 2008, o Artur R. Gonçalves, comentou assim:
“Sobre estas experiências teatrais, lembro-me com alguma precisão das palavras premonitórias que dedicou à tragédia em apreço: «Um dia ainda dirão ter assistido à representação da ANTÍGONA de Jean Anouilh». Na altura, o autor e a obra faziam parte daquele punhado enorme de casos pouco queridos do Estado Novo. Estreada na cidade de Paris em 1944, durante a ocupação alemã, o antagonismo trágico protagonizado por Antígona e Creonte representava a resistência francesa contra as leis despóticas do Marechal Pétain. As semelhanças com a realidade portuguesa da época não podiam ser mais claras. Passados 40 anos, aqui estamos nós a comentar o drama e dramaturgo. O dr. Bento Monteiro tinha razão nesse distante ano de 1968.”






 

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Antígona



As actividades circum-escolares, era assim que se denominavam as actividades paralelas às aulas, neste caso representadas por iniciativas de índole cultural.
Estas fotografias representam a iniciativa que o Dr. Bento Monteiro, professor de História, naquele ano de 1968, entendeu levar por diante, com a colaboração do então mais jovem Dr. Mário Tavares, também ele professor da mesma disciplina.
A tarefa não era fácil, uma vez que a maioria esmagadora dos alunos nunca tinham participado em peças de teatro.
Por outro lado, este desejo de representar um clássico da tragédia Grega, tinha como intenção realizar um trabalho mais elaborado, fugindo assim ao que até ali se tinha feito, que eram pequenas recitas, normalmente parodiando os professores.
A empreitada não era fácil, mas o desejo de que tal se fizesse era enorme, nomeadamente por parte da docência.
Este projecto, como as fotografias documentam, tinham a participação dos alunos dos cursos do comércio e indústria.
A directoria da escola colocava grande entusiasmo nestas realizações.
Recordo-me de que era necessário transportar cerca de quinhentas cadeiras das salas de aula para o ginásio. Tarefa que os trabalhadores auxiliares nem sempre o faziam com grande entusiasmo.
Por outro lado o Professor Bastos, torcia sempre o nariz, uma vez que o verniz do pavilhão “estalava” com facilidade.
Mas esta peça foi representada com grande dedicação, tendo-se recebido do público presente, que eram algumas centenas, o devido prémio de reconhecimento, não só pela dedicação mas também por alguma qualidade cénica dos actores.
Este pontapé de saída, levou a que nos anos seguintes se mantivesse o espírito, sendo-se cada vez mais exigente, na escolha do reportório, e na elaboração das representações.
Ao olhar para o grupo participante, lembro as amizades que ficaram, os namoros que se fizeram e desfizeram e os que deram em casamento.
Fica a pena de não saber por andam alguns e a tristeza profunda de ter conhecimento que nem todos já estão entre nós.

Jorge Sobral
Em 21 de Dezembro de 2007, já tínhamos publicado uma fotografia da representação da “Antígona” levada à cena em 14-06-1968. Hoje completamos a informação com mais estas fotos e texto que o Jorge Sobral nos enviou e lembramos os nomes dos intervenientes:
Da esquerda para a direita, Limpinho, Luzio, Jorge Sobral, Chico Cera, Dória, Amilcar, escondido atrás das duas meninas, a Cláudia e os três da direita: Cabé, Orlando Matias e Saturnino.

Comentário:
Actor trágico e de contos natalícios, forcado de garraiada, executante de bandolim e estudante de comércio. Este o palmarés invejável do jovem Jorge Sobral, agora também arquivista, jornalista e comentarista de serviço. Cá fico à espera que volte a abrir o baú de glórias da escola e nos brinde com mais uma reportagem fotográfica das actividades académicas dos anos 60. Estou-me a lembrar, por exemplo, de um concerto da Academia de Amadores de Música, onde já então sobressaía a viola de arco da Ana Bela Chaves.
Artur R. Gonçalves.........15-02-2008

sábado, 6 de setembro de 2008

Representação da Peça de Jean Anouilh

As actividades circum-escolares.
Era assim que se denominavam as actividades paralelas às aulas, neste caso representadas por iniciativas de índole cultural.
Estas fotografias representam a iniciativa que o Dr. Bento Monteiro, professor de História, naquele ano de 1968, entendeu levar por diante, com a colaboração do então mais jovem Dr. Mário Tavares, também ele professor da mesma disciplina.
A tarefa não era fácil, uma vez que a maioria esmagadora dos alunos nunca tinham participado em peças de teatro.
Por outro lado, este desejo de representar um clássico da tragédia Grega, tinha como intenção realizar um trabalho mais elaborado, fugindo assim ao que até ali se tinha feito, que eram pequenas récitas, normalmente parodiando os professores.
A empreitada não era fácil, mas o desejo de que tal se fizesse era enorme, nomeadamente por parte da docência.
Este projecto, como as fotografias documentam, tinham a participação dos alunos dos cursos do comércio e indústria.
A directoria da escola colocava grande entusiasmo nestas realizações.
Recordo-me de que era necessário transportar cerca de quinhentas cadeiras das salas de aula para o ginásio. Tarefa que os trabalhadores auxiliares nem sempre o faziam com grande entusiasmo.
Por outro lado o Professor Bastos, torcia sempre o nariz, uma vez que o verniz do pavilhão “estalava” com facilidade.
Mas esta peça foi representada com grande dedicação, tendo-se recebido do público presente, que eram algumas centenas, o devido prémio de reconhecimento, não só pela dedicação mas também por alguma qualidade cénica dos actores.
Este pontapé de saída, levou a que nos anos seguintes se mantivesse o espírito, sendo-se cada vez mais exigente, na escolha do reportório, e na elaboração das representações.
Ao olhar para o grupo participante, lembro as amizades que ficaram, os namoros que se fizeram e desfizeram e os que deram em casamento.
Fica a pena de não saber por andam alguns e a tristeza profunda de ter conhecimento que nem todos já estão entre nós.

Jorge Sobral



Comentário:
O dr. Bento Monteiro era, de facto, o grande dinamizador cultural dos anos 60 na Escola, designadamente na divulgação quase sempre polémica dos grandes heróis da imaginação literária, musical e artística em geral. Tudo começava nas aulas de Português e História, prolongando-se depois nas actividades de ampliação extra curricular. Uma das vezes, organizou uma expedição de recolha de artefactos pré-históricos na Serra do Bouro. Como os transportes não abundavam, lá partimos quase todos de bicicleta atrás do automóvel do mestre arqueólogo. No regresso, trouxemos, com grande satisfação de missão cumprida, um punhado de coups de poing e raspadeiras primitivas em pedra lascada. Creio que chegaram a estar expostas no Museu da Escola. No caso concreto das experiências teatrais, lembro-me com alguma precisão das palavras premonitórias que dedicou à tragédia em apreço: «Um dia ainda dirão ter assistido à representação da ANTÍGONA de Jean Anouilh». Na altura, o autor e a obra faziam parte daquele punhado enorme de casos pouco queridos do Estado Novo. Estreada na cidade de Paris em 1944, durante a ocupação alemã, o antagonismo trágico protagonizado por Antígona e Creonte representava a resistência francesa contra as leis despóticas do Marechal Pétain. As semelhanças com a realidade portuguesa da época não podiam ser mais claras. Passados 40 anos, aqui estamos nós a comentar o drama e dramaturgo. O dr. Bento Monteiro tinha razão nesse distante ano de 1968.
Artur R.Gonçalves.........07-09-2008

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Antígona

O teatro na Escola teve alguns momentos altos. Esta foto que o Jorge Sobral nos trouxe ilustra um desses momentos com a Peça “Antígona” que subiu à cena em 14 de Junho de 1968.
Esta adaptação da peça do Dramaturgo Grego Sófocles, teve posteriormente outras versões apresentadas pelo C.C.C. – Conjunto Cénico Caldense que “viria a ser o responsável por uma renovação profunda do Teatro nas Caldas da Rainha e até talvez fora dela, principalmente, durante a década seguinte.
Nessa altura, para além de grupo teatral, foi ganhando cada vez mais um estatuto de oposição ao regime político vigente. Era o teatro dimensionado numa outra perspectiva...

José Ventura

Comentário:

Recordo-me bem desse momento. Como nota complementar, tratava-se da versão moderna da «Antígona» do dramaturgo francês Jean Anouilh, baseada na tragédia ática de Sófocles com o mesmo nome. A encenação, se não me falha a memória, esteve a cargo do Dr. Bento Monteiro.
Artur R. Gonçalves........21-12-2007
Nota: Palavras para quê... Quem sabe , sabe.
Sendo actualmente um homem da cultura, francófona de preferência, o Artur vai tirar cada vez mais um bocadinho lá nas aulas (os alunos têm que ter paciência) para aparecer no blog. O bichinho dos velhos souvenirs afinal anda mesmo por aqui.
Como diz o Zé Ventura. Quem sabe sabe, palavras para quê.
J. L. Reboleira Alexandre.......22-12-2007