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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Um Livro do Padre Renato

Sempre achei que o Padre Renato estava à frente do seu tempo, era acima de tudo um mestre na comunicação, quem não se lembra das histórias do Tonecas.
Outra faceta desconhecida do Pároco de Tornada, foi ter escrito este livro. Chama-se Redigir Correctamente, e segundo o autor pretende-se neste livrinho, proporcionar ajuda prática e atraente
A jovens que queiram vir a escrever um Português correcto.

terça-feira, 21 de julho de 2009

O Padre Renato

A correspondência trocada entre Armando Silva Carvalho e Maria Velho da Costa foi agora publicada em livro pela editora Caminho. “O Livro do Meio” foi galardoado pela Associação Portuguesa de Escritores /CTT, com o Grande Prémio de Poesia. O autor faz inúmeras alusões às Caldas da Rainha e pessoas que povoaram a sua infância. Aproveitando a "boleia" do Cavacos das Caldas, sempre com grande disponibilidade para colaborar no nosso Blog e que nos disponibilizou o livro, transcrevo um texto onde o autor recorda o Padre Renato, professor da nossa Escola. …Mas estava eu a falar do meu padre Renato. Ele tinha medo de tudo o fizesse barulho. Uma tarde, em plena festa de Agosto, hora da procissão, hora solene, o padre Renato dera o fora e ninguém sabia para onde. Os foguetes rebentavam no ar, as crianças sujavam as fatiotas novas, os festeiros suavam encasacados, os anjinhos mijavam no cetim barato das suas vestes celestes (não, não vou fazer literatura regional), só faltava o padre. Fui eu e o meu pai, com a denúncia privada da Carlota, quem soube onde ele se escondia, enrolado no medo da tonitruante algazarra a vibrar num céu de pouca fé. Conseguimos trazê-lo, muito a custo. Suado, calado e quase a desmaiar, o homem percorreu, protegido sob o tecto do pálio, as três ou quatro ruas principais da povoação, com a cruz fantasiosa nas mãos trémulas e mais dois padres acólitos a agarrar-lhe os paramentos de luxo. Mas sou eu que me lembro, porque fui só eu quem o viu transfigurado, tirando das teclas do piano, que não queria colaborar, os sons, numa explosão de amor sem freio, sabedor da sua natureza única, vibrante de vida cósmica, num orgasmo em delírio, para além do tempo. Durante a semana, o padre não largava a batina e poupava nas vestes. Nenhum colega seu andava, como andam agora, de gravata, blusão ou traje de desporto. Deslocava-se numa velha moto que só lhe dava desgostos e custava a pegar nas manhãs frias… ….O padre Renato, que Deus tem certamente encostado à porta das oratórias mais arrebatadas, ensinava-me solfejo, pintura a óleo em tela natural e alguns conselhos práticos para evitar o pecado. Dou-lhe hoje a grandeza que eu não sabia dar-lhe quando tinha só sete anos…. Comentário: Se eu tivesse de falar do «meu padre Renato», seria obrigado a regressar à escola velha, ao ciclo preparatório e às aulas de canto coral. A viagem levar-me-ia até 63 ou 64 e quedar-se-ia por aí. Mais do que o solfejo que nos terá tentado ensinar, ou das cantigas que nos terá posto a cantar, recordo-o de apito na boca à procura do tom adequado à execução da partitura. É que, como nos dizia, não tinha ouvido e só conseguia trautear uma melodia com a presença de uma pauta. Os risos eram constantes. As reprimendas de nulo efeito. Depois de falhadas as tentativas de nos pôr a cantar, ou nos intervalos, deliciava-nos com histórias incríveis da sua própria lavra ou obtidas em fontes singulares que a memória não registou. O sucesso estava sempre garantido. Não se ouvia uma mosca durante a função. Os pedidos de novos relatos eram constantes. A anuência era imediata, com a condição de se cantar mais uma cantiguinha. «Minhas botas velhas, cardadas, / palmilhando léguas sem fim, / quanto mais velhinhas e estragadas, / quanto mais vigor sinto eu em mim!...» (de repente, veio-me esta à memória). «As aventuras do Tonecas» (parece-me ser este o nome do herói) tinham sempre mais sucesso. Recordo a batina e a motoreta do padre Renato. Descobri neste espaço os quadros e o livro que nos deixou. Desconhecia a faceta revelada pelo Armando Silva Carvalho n’ «O Livro do Meio». Fiquei com curiosidade de ler essa correspondência. Sobretudo por contar com a participação da Maria Velho da Costa, uma escritora que há muitos anos leio e releio com muito proveito e prazer. Artur R.Gonçalves............22-07-2009

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Mais um quadro do Padre Renato


A propósito dos quadros do Padre Renato, aqui está mais um. Neste os lápis deram cor aos barcos da Nazaré.
Vale a pena contar a história que rodeou este quadro, pois é ilustrativo do tipo de pessoa que era este nosso professor de Canto Coral.
Corria o ano de 1970 quando o Sr. Carlos Pequeno, baptizou a sua filha Fernanda. Como era habitual o Padre Renato recusava-se a cobrar dinheiro, ora o Sr. Carlos que era sapateiro de profissão, fez um par de sapatos que lhe ofereceu.
No Domingo seguinte lá estava o Pároco de Tornada, com os sapatos novos, a celebrar missa, e fez questão de dizer aos seus fiéis que estes, não eram provenientes de um qualquer esbanjamento de dinheiro, mas sim de uma oferta.
No Natal desse mesmo ano, grato ao amigo sapateiro, fez questão de oferecer o quadro que aqui se reproduz.

ZV

Comentário:
Os "grandes" homens são assim...Simples...
Quase "não se dá" por eles...
Mas a "sua semente"...germina e acaba por dar fruto...

Conheci-o muito bem e tenho algumas "estórias" passadas com ele...
Uma delas precisamente numa das igrejas que "pastoreava"...
Um "grande Homem"

Maximino Martins..........29-11-2006

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Um quadro do Padre Renato

Dando resposta ao meu primo Zé Luis quando pergunta por andarão as telas do saudoso Padre Renato, posso dizer que sou um dos felizes comtemplados, pois o Amigo Padre Renato deu-me como prenda de casamento em Setembro de 1974, precisamente uma que guardo religiosamente. Digo ainda que foi o Padre que me casou. Quanto ao que o meu primo diz no seu texto eu posso confirmar sem rasuras.

José Reboleira Louro

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Padre Renato

Finalmente consegui arranjar o exemplar do livro do Padre Renato, que havia prometido à Lurdes Peça em Agosto passado. Fá-lo-ei chegar pela via dos familiares ou por outra que ela me indique.
Para os eventuais interessados, a Comissão da Igreja de Tornada ainda tem disponíveis alguns exemplares. Custam 7,50 Euros cada e as receitas obtidas revertem para as obras, de acordo com a vontade expressa do Padre Renato.
Quem quiser adquirir pode dirigir-se directamente à Comissão da Igreja ou enviar-me correio electrónico para orlandosousasantos@sapo.pt, que eu farei chegar o pedido a quem o poderá satisfazer.
Ajudam as obras da Igreja, recordam o Padre Renato e avivam a memória para algumas "asneiras" que muitas vezes por aí se ouvem.
Orlando Sousa Santos

Comentários:

Foi um grande homem...um grande e humilde padre...um mestre amigo...Foi um Sábio...
Quem teve o previlégio de conviver com ele "ficou" mais enriquecido...
Que Descanse em Paz...
Enquanto formos vivendo...não o esqueceremos...

Maximino Martins ..........11-11-2006

Um dos hobbies do Padre Renato era a pintura. Mais de uma vez quando no regresso da escola, na minha velha bicicleta que guardo religiosamente, subia o pequeno declive vindo da Nacional 8 junto dos velhos moinhos, no cruzamento das estradas do Chão da Parada e do Reguengo (nada de alcatrão ou vivendas, mas pedras, buracos e lama), e ele lá estava junto da sua típica Vespa dando largas à sua inspiração, ora com a paisagem dos montes de São Domingos, ora com os próprios moinhos. E eu miúdo rebelde que apesar dos meus 13 ou 14 anos, já possuia ideias agnósticas bem defenidas, não via nele um padre, mas um exemplo a seguir na sua forma de estar perante os outros, e de forma particular perante os seus paroquianos da freguesia de Tornada. Por onde andarão essas telas do saudoso Padre Renato ?

J. L. Reboleira Alexandre ..........13-11-2006

Dando resposta ao meu primo Zé Luis quando pergunta por andarão as telas do saudoso Padre Renato, posso dizer que sou um dos felizes comtemplados, pois o Amigo Padre Renato deu-me como prenda de casamento em Setembro de 1974, precisamente uma que guardo religiosamente. Digo ainda que foi o Padre que me casou. Quanto ao que o meu primo diz no seu texto eu posso confirmar sem rasuras.

José Reboleira Louro........ 15-11-2006

Obrigada,Orlando! Podes entregar ao meu irmão Vitor Peça que ele fará o possível para me enviar o livro. Agradeço-te imenso o teu esforço e empenho em tornares realidade o meu pedido.Já agora, Bom Natal e Feliz Ano Novo.

Lurdes Peça..........17-11-2006

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Canto Coral - 1961/1962

As aulas de Canto Coral eram sempre iniciadas com a história do Tonecas. Um de nós lembrava o momento que tinha ficado em suspenso na aula anterior e o Padre Renato prosseguia o relato, sem quaisquer hesitações.

A ingenuidade de quem tinha 9/10 anos levava a pensar que a história era real ou estava bem memorizada. A imaginação do Padre Renato e a vontade de nos prender a atenção fazia o resto. Era uma delícia ouvi-lo: pela história em si e por, pelo meio da mesma, surgirem chamadas de atenção sobre a forma correcta de dizer e escrever em bom português.

A iniciação musical vinha a seguir, às vezes completada com um bom ralhete a punir a desafinação.

Há alguns anos adquiri um "livrinho", modesto, editado por Renato André Ramos, Pároco de Tornada.
Chama-se Redigir correctamente e é uma grande aula de português em forma de história, tal como a do Tonecas.
Devia ser de leitura obrigatória para muita gente que por aí anda a escrever e a falar "de cátedra".

OSS

Comentário
..E as sessões de hipnotismo (só para rapazes) enquanto as meninas assistiam encantadas com aquele fazer de realidade tão "real"?

LL
..........06-06-2006
Bastante interessante a figura do Padre Renato, com aqueles óculos pequenos e redondos de aros pretos, parece que o estou a ver...
Como poderei adquirir o tal "livrinho" que tu mencionas neste texto? Já fui à Bertrand mas precisam do nome da editora, se puderes indica-o. Obrigada.

Lurdes Peça..........17-08-2006

Só hoje vi o teu comentário. O livro foi comprado na Loja 107 e era uma edição de autor. Amanhã, vou tentar passar por lá, para ver se ainda existe algum exemplar.

Orlando Santos..........31-08-2006