quarta-feira, 10 de junho de 2009

Estórias dos anos cinquenta

Quando eu entrei para o ciclo preparatório"nome dado aos dois primeiros anos" de escola, isto nos anos 50's, convivi e joguei á bola com outros colegas mais velhos e com a continuação dos anos também com outros colegas mais novos e tudo dentro de uma grande camaradagem. Depois do ciclo, vieram as opções; Comércio ou Industria. Na altura tinha sido criado o curso de Serralheiros mas tinha poucos candidatos.
O nosso director mandou chamar alguns encarregados de educação e lá foi a minha mãe à escola, sendo convencida contra a minha vontade de eu ir para os serralheiros, mas hoje eu julgo que foi uma boa opção. Como as disciplinas de Física/Química e Matemática eram dadas pelo Professor Sarmento Rodrigues, logo fomos baptizados"OS BRUTOS" E por vezes os "OS BRUTAMONTES". Pensava-se que os serralheiros seriam alguém com um martelo pilão a dar cacetadas num ferro "que não seria desprezo algum", mas sim um curso que abriu as portas a um emprego na área industrial, o que na altura tinha muita saída. Ora comigo ainda na escola lá apareceu a geração dos “Gozões” com as suas brincadeiras e até uma linguagem muito própria " Sabolotacho" you parlar francisco"e uma outra em que as vogais tinham um valor que se juntava as consoantes; por exemplo o A=aix,o E=ender, o I=inix,o O=? o U=? e uma palavra que se usava muito era Mender R Daix, juntava-se as primeiras letras de cada palavra e lá estava a verdadeira: coisas da malta. Essa era a geração do nosso Zé Maria, Xavier, Corado, Galrão, Lobato, Monteiro e outros.

Joaquim Chaves

Para ilustrar esta pequena história que o Chaves nos enviou do Canadá junto uma fotografia do Monteiro que é referenciado neste pequeno texto.
Esta foto de 1962 retrata a turma dos Serralheiros, e são eles; em cima, Lobato, Machado, Fernando, e Mogo.
Em baixo; Leonel, Rainho, Abílio, Monteiro e Bulhões

José Ventura

Comentários:

Ate parecem mecânicos da aviação e não têm muito aspecto de "Ferrugentos". Eu posso dizer isso ,não tivesse sido um deles.Parabéns a todos, sejam Comércio ou Industria, pois a única rivalidade era só no banho de bola que noa davam os opositores.

Chaves.......11-06-2009

Em meados dos anos sessenta, a frequência dos cursos afectos ao comércio e à indústria já estariam mais equilibrados. A escolha, por uma ou outra vertente oferecida pela escola, funcionava mais por predestinação social do que por livre arbítrio pessoal. As rivalidades referidas entre umas turmas e as outras não terão mudado muito de uma década para a outra. O mesmo se diga das brincadeiras. Desconhecia a existência do código verbal que permitia disfarçar o som vernáculo de palavras como «Mender R Daix». Só falta esclarecer os mais novos de que modo é que se deveria pronunciar. De qualquer modo, bem diferente da sonoridade típica da «fala em pê» de que guardo algumas luzes. A palavra em causa ler-se-ia, então, «merper-dâpâ». Nesses tempos, como nos actuais, os códigos secretos (ou tidos como tais) eram e são o encanto dos mais jovens. Na altura, aplicavam-se na comunicação oral do quotidiano, agora transmitem-se à velocidade da luz nos SMS(s) dos telemóveis. A diferença, de facto, é a que existe entre o real e o virtual. Depois, é uma questão de ver para que lado é que as moscas voam.

Artur R.Gonçalves...........12-06-2009

Olá Artur Gonçalves, possivelmente até nos conhecemos porque eu acabei o curso em 59/60, mas ainda continuei a ir ao santo sacrifício da saída das aulas nos anos 62, pois grandes amigos e colegas teimaram a ficar mais uns aninhos, assim como o Rabaça Martins ,o Zamor e o Mogo "Manuel Coelho" como e conhecido no mundo artístico e que por acaso e ai do Algarve,até que me despacharam para Angola. Vem isto a propósito da tal linguagem dos brincalhões e que possivelmente não expliquei bem. É que apenas a consoante alinhava com a primeira vogal, mender seria ME, depois o R, logo seguido do daix que seria DA, linguagem difícil em que os meus amigos Marques, Sanches ou o meu cunhado Corado ainda se lembrem,pois eram peritos nisso. Já agora umas outras brincadeiras dos BRINCALHÕES,tinha muito a ver com TI´Pacheco que fazia uns rebuçados "cada cor seu paladar e que com os mesmos ingredientes fazia uns chapéus e umas pistolas para chupar e que apregoava "pis..pist..pis.tolas a 25 tostões, ora os meninos iam para a Praça usar o mesmo pregão do pist..pist e quando as pessoas olhavam para trás então completavam o tal pregão pistolas a 25 tostões. Eu agora conto isso aos meus dois filhos e a resposta que recebo "o que stupid joke"

Chaves........17-06-2009

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