terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

As lourinhas da nossa escola

Num dos últimos posts a minha vizinha de cerca de 600 Kms, a Isabel Alves, fala dum dos seus amores platónicos e desde logo comentei que outros poderiam falar dos deles, no que entendo ser uma actividade salutar, e que, de forma alguma poderá causar danos nos actuais consortes. Claro que estava também a pensar no meu caso pessoal, só não esperava era que a oportunidade se me deparasse tão rapidamente. Ao ler a sequência, do interessante diálogo a três entre a «algarvia» Lurdes Peça, o meu outro vizinho o António Abilio e a Isabel, o mote estava dado.
Falavam eles do café Tadi, o Victor Pessa dizia que a sua irmã Lurdes era tão bonita e lourinha que os tipos do Circo até a queriam comprar. Pudera, é que miúdas louras não era coisa que abundasse na região naquela altura, e quantos garotos não tiveram uma «paixão» por uma lourinha de 12 ou 13 anos. Mencionou-se também a Papelaria Áurea onde muitos de nós comprávamos os livros e material escolar nesse tempo.
Quando o Victor se referiu à irmã ainda pensei se teria sido ela a garota que eu gostaria de ter comprado se para tal tivesse os escudos suficientes, mas rapidamente fiquei mais descansado pois pelas informações que guardo arquivadas, a garota que me tirava o sono na altura, pelo que alguns amigos da escola ou do Chão da Parada me diziam, estava ligada sim, à tal papelaria. Depois de ter conhecimento deste facto muitos mais livros e cadernos passei a comprar, sempre na esperança de alguma vez a ver por lá. Não fui bafejado pela sorte e nunca pude ver a minha «amada» a ajudar a vendedora do local, que imagino, seria a sua mãe.
Como os poucos escudos que a minha mãe me dava tinham também de servir para pagar a senha do almoço na cantina, e pagar ao senhor Castanheira a repararação de algum furo nas câmaras de ar da bicicleta que diariamente me transportava, e para não evitar qualquer tipo de desconfiança da parte da senhora que nos vendia os artigos escolares, em determinado momento deixei pura e simplesmente de fazer as compras na Áurea e passei a fazê-las na Papelaria Académica em frente da nossa Escola. O pequeno comércio perdeu assim um, até aí fiel cliente, por causa dos «amores» nunca declarados àquela que seria eventualmente a menina loura da Áurea.
Esta aventura foi por mim «vivida» quando teria 12 ou 13 anos, logo no primeiro ano de actividade da escola nova, para onde transitámos depois do encerramento do local do Chafariz das Cinco Bicas, e onde iniciei o Curso Geral do Comércio em 1964, que acabei por terminar em 1967, num percurso até aí imaculado. Quero com isto dizer que afinal a «Áurea», vou chamá-la assim por via do nome da Papelaria, ao contrário do que muitas vezes acontece, em nada afectou o meu percurso académico.
Na altura, a minha falta de jeito para lidar com o belo sexo era tal, que nem sequer alguma vez lhe dirigi um tímido sorriso, uma boa tarde, bom dia, ou qualquer tipo de piropo a propósito da forma como se vestia, da maneira como se ocupava dos lindos cabelos louros ondulados, ou dos resultados dos seus exames. A mim bastava-me olhar para aquela figura frágil e franzina, que pela particularidade de possuir cabelos diferentes dos da maioria das outras garotas, representava tudo o que o miúdo da aldeia que eu era poderia desejar possuir.
Durante algum tempo, sempre que via aquela colega loura, dum lourado brilhante e puro como só as jovens louras dessa idade podem ter, o bater do meu coração partia para ritmos descontrolados, mas como muitas vezes nestes casos acontece, foi o que se chama uma aventura a dois, mas da qual, a heroína foi parte integrante sem dela ter conhecimento.
Durante o Curso Geral do Comércio, e em nome dos bons usos e costumes da época, ainda as turmas de rapazes e raparigas eram separadas. Nos dois anos seguintes de frequência (deveria ter sido apenas um, mas o primeiro ano de tentativa de entrada em Lisboa foi uma catástrofe em termos de resultados) das Secções Comerciais, agora já com turmas mistas e com adolescentes que eram quase mulheres, através do convivio diário nas salas de aulas, o garoto tímido e reservado da aldeia que eu era, começou pouco a pouco a ganhar alguma confiança na aproximação àquilo que de mais belo existe sobre o planeta Terra. E afinal, uns anos mais tarde provou-se que nem sempre as louras são as mais belas.

J.L.Reboleira Alexandre

Comentários:

Como tenho andado muito arredado daqui (apenas da escrita, que as visitas são diárias), uma pequena incursão para corrigir o Zé Reboleira. As turmas mistas começaram, pelo menos, em 1965 e eu fiz parte de uma delas - 4º. ano do Geral do Comércio. O Zé não teve esse privilégio porque não esperou por mim e pela resolução de um problema de saúde que me fez perder um ano. Já agora e para me enquadrar no tema das loiras, essa turma tinha uma loirinha linda chamada Maria Mirton Leitão Fragata, que nunca mais vi e que julgo estar também pelas Américas. O local ao certo penso que nem o Manuel Vasconcelos sabe ...

Orlando Sousa Santos........01-02-2011


Não tem nada uma coisa com a outra, nesta que vou lembrar, até havia era um empregado com um guarda-pó...estou a lembrar-me de uma papelaria onde havia sempre tudo, pelo menos...no dia seguinte...!!!
Lembram-se da Silva Santos...? - Creio que era assim que se chamava...
Agora quanto às turmas mistas, isso era anterior à década de 60, pois já na década de 50, não sei quando isso passou a ser assim...mas já havia turmas mistas...!!!
Andam por aqui colegas desse tempo, por exemplo o Noronha Leal, eu claro...e outros que não aparecendo por aqui, habitualmente estão nos nosso almoços...e outros que infelizmente já nos deixaram e lembro-me assim de repente, dos nossos saudosos colegas e amigos... Zé Maria e Zé Agostinho...!!

Um abraço do Maximino ............01-02-2011


Pois lembro-me bem dessa menina lourinha da papelaria Áurea como o J.L.Reboleira relata, sim era muito bonita. Mas eu tinha os meus olhares para outra que o Circo queria, mas ela foi sempre uma menina que sabia o que queria, eu sendo muito envergonhado e assim nunca nada se concretizou, porque também éramos muito amigos e somos, como família.

No entanto quando me mudei para o 2º Andar do nº7 da Avenida, prédio que ainda lá se encontra, enamorei-me por uma menina também lourinha que morava no prédio ao lado, que já lá não se encontra e tinha uma sala de religião "Protestante" no R/C, ela era sobrinha de um senhor que tinha estado na América e como não tinha filhos, criou esta menina, eles tinham um cão grande Pastor Alemão que ela passeava todos os dias mas eu nunca me chegava a ela, porque tinha medo do cão, pois era mesmo grande.
Esta menina também andava na nossa Escola mas eu nunca falei para ela mas lembro-me que o Té, de vez em quando fazia-lhe companhia no caminho da escola para casa e isso cortava-me o coração, acho que ele não tinha medo do cão, depois ela mudou-se para a Encosta do Sol, eu vim para o Canadá, nunca mais a vi.
Tudo isto quando também namoriscava com a Odete Maçãs.
As raparigas que trabalhavam para a minha Mãe, que eram umas doze, sabiam das minhas paixonetas, estavam sempre no gozo comigo e diziam, o menino tem um coração que parece um Hotel.
Era eu envergonhado! O que não seria se não o fosse, Pois acho que todos nós tivemos paixonetas deste género que nunca se realizaram, mas hoje servem para dar umas risadas e reviver a nossa adolescência.

Um abraço a todos do António
Abilio............02-02-2011

O que eu me ri ao ler hoje os vossos comentários! Ah grande Ventura, pões a malta toda a reviver os amores e falhanços da meninice! Viva a tecnologia que nem os milhares de Km nos separam das nossas lembranças, parece que foi ontem! Abílio, eu sabia que tu andavas atrás de mim, mas não te ligava pois tinha outro em vista...e antes queria um bom amigo do que um amor passageiro.
Vê lá bem as voltas que a vida dá, se por acaso eu fosse vendida ao Circo, fiquei muito zangada na altura com os meus pais, pois embora já tivesse as malas feitas para ir com eles (circenses)sem conhecimento da minha mãe, estava talvez, quem sabe, a pertencer a alguma companhia de renome (talvez em Monte Carlo),não tinha sido pestezinha para o meu irmão nem estaria aqui a escrever no blogue ahahahah, não paro de rir pois estou a visionar as cenas todas!!!
Beijinhos a todos desta loirinha , Para completar envio uma foto minha e do meu irmão para comprovar os meus cabelinhos brilhantes e dourados... agora são substituídos por prateados! É a crise amigos!


Lurdes Peça.............02-02-2011

Bem haja Lurdes que sempre assim foste "frontex" e sincera, por isso eu gostava e ainda gosto da tua maneira de ser, mas ainda hoje somos capazes de lembrar tudo isto e rir saudável e amigavelmente.
Só tu Lurdes me fazias também rir assim como tu. Eu sabia que iria ter uma reacção destas ou parecida, mas muita gente não entende o grau de amizade que nós partilhamos desde crianças e acham que somos meios estarolas, mas tudo isto é com respeito e amizade pois somos muito amigos não é?
Pois com estas coisas o importante é que vamos envolvendo e mantendo o nosso blog vivo e bem disposto.

Beiinhos Lurdes e abraços para todos do Antonio Abilio . ........04-02-2011

Nem só de louras ou lourinhas, vive o homem. Nos meus tempos também, não muito longe do vosso haviam lindas morenas, assim como a Amália de Óbidos, a Ascenção Cipriano, a Laura Amável do Valado dos Frades, a Loudres Bernardes, enfim um sem acabar de belezas. Tudo isto começou com quem morava na "cerca do borlão" e alguns tiveram que ir ter com o "velho" para informações, mas digo-vos; o pai da Isabel (o Rafael Alves)e um outro senhor chamado Afonso Angélico que também morava para esses lados, ninguém os batia em saber quem era quem. No"ERO" também já foi falado sobre o Borlão e eu tive o conhecimento que a Eunice Munhós também habitou num dos prédios antes de ser famosa no teatro. Se por acaso o J.L. Reboleira não ter dado a informação ao Orlando Santos, sobre a Leitão Fragata, ela está em Montreal e ele já me falou dela. Numas casas do lado esquerdo de quem ia dos antigos Bombeiros para os prédios do "Viola" aí moravam duas famílias modestas, mas muito queridas das Caldas. Eram eles o "nosso" Pacheco das castanhas e gelados e o Ti Sebastião Bagageiro, que percorria as Caldas com a sua carroça a entregar a mercadoria vinda da Est. Caminho de ferro. Falando do Sr. Jaime Cordoeiro; ele sofria muito dos calos e então ia para a Foz andar com os pés quase de rojo sobre a areia e dizia ele que era o melhor remédio para desgastar os malditos calos .

Saudações Chaves........04-02-2011

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