sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Faleceu o Escultor Eduardo Loureiro

O Escultor Eduardo Loureiro, faleceu hoje aos 84 anos de idade. (Nasceu no Rio de Janeiro -Brasil em 25 de Abril de 1928)
Eduardo Loureiro, casado com Nicole Loureiro, que conheceu nas Belas Artes do Porto, em 1965, sucedeu ao Dr. Leonel Sotto Mayor como director da Escola Industrial e Comercial Rafael Bordalo Pinheiro, onde esteve em funções até 1975.
 
Como não fui aluno do Professor, transcrevo aqui um comentário feito há uns meses pela Esmeralda Duarte.
 
Fui aluna do Escultor Eduardo Loureiro, na disciplina de Desenho, nos dois anos do C.Preparatório. Eu adorava este Mestre - pois ele dava uma grande atenção aos meus trabalhos de Desenho e sentia assim o meu trabalho reconhecido. No final desse período de 2 anos e na altura da escolha do curso a seguir, o nosso Escultor decidiu chamar os encarregados de educação de dois alunos da minha turma. Claro, um foi o meu. Quando meu pai chegou a casa (eu estava mesmo convencida que o professor o tinha convencido) disse-me peremptoriamente "nem pensar!" - só permitiria que escolhesse ou o Curso Comercial (G.Comércio) ou o Industrial (Formação Feminina). Claro nesse dia as lágrimas foram muitas.
Nos anos que se seguiram os sonhos foram ficando recalcados e de vez em quando lá me debruçava sobre o papel rabiscando algo que me vinha à memória - mas foram ficando esquecidos na gaveta. Agora no meu tempo livre de reformada dou azo a esse sonho e exponho-o aos olhos de quem quer - foi o meu professor, o nosso Escultor Eduardo Loureiro que um dia tive o prazer de reencontrar e que me aconselhou a nunca esquecer esse meu sonho.

Comentários:

Triste notícia ao abrir esta página! Olhei para a foto e lembro-me perfeitamente das aulas de desenho, 4 horas seguidas que eu adorava e que passavam ràpidamente... absorvia todo o ensinamento e conselhos que ele me dava ao meu traço, estou
triste pelo desaparecimento deste mestre em todo o sentido da palavra, gostei muito dele como professor e como pessoa! Ainda me recordo quando houve um concurso a nível escolar para elaborar um papel de rebuçados de marca "Seivomel"(penso que era este o nome) e o mais creativo ganhava um prémio, eu e a Aida Dias, fomos as escolhidas para tal projecto e não é que ganhámos!!! O prémio nunca vou esquecer, um saco enorme recheado de todas as qualidades de caramelos e rebuçados e uma valente dor de barriga no dia seguinte! Amanhã vou olhar o céu e ver se as nuvens têm outro contorno, mais ao estilo do mestre, o azul do céu esbatido como ele sabia fazer e talvez consiga ver entre as estrelas do céu, à noite, o olhar dele que nunca vou esquecer quando nos explicava a técnica do desenho! Descanso eterno mestre e faça daí, onde está, um pouquinho mais colorido este mundo cinzento! Até um dia!


Lurdes Peça..........02-09-2012

Que Descanse em Paz...! - Dele lembro-me de após o 25 de Abril num "Plenário" no Ginário da Escola, ter sido "como era hábito ao tempo"...ferozmente atacado por alguns...
Recordo especialmente o ataque de alguém que ao que se dizia tinha entrado para professor, inteiramente "pela mão" do então Director e que foi quem mais o atacou...
Eu ao tempo já era pai, e passei pela Escola no Curso Nocturno, para fazer umas disciplinas que me faltavam para terminar o Curso...
Já era adulto (e com ideias próprias) e com idade para "não correr atrás do foguetório"...
Não sei se o Director era ou não merecedor das tais críticas que lhe faziam os chamados individuos "de esquerda"...
Mas não se ataque ninguém daquele modo...as pessoas têm direito a manter a sua dignidade (enfim...: mais um excesso, dos muitos acontecidos)...
Certamente nunca mais se deve ter esquecido desse enxovalho...


Maximino..................02-09-2012

Fiquei tão triste com esta notícia! As pessoas que constam no album das nossas boas recordações ficam sempre na nossa memória como alguem que vamos eternizando... este Mestre ficará para sempre no meu Album de Vida!
Os meus sentidos pesamos à sua Família!


Esmeralda Duarte...............02-09-2012

Não conheci o escultor Eduardo Loureiro, por isso não me permito tecer qualquer juízo. Todavia, devo dizer que tanto o texto da Esmeralda como a homenagem que a Lurdes Peça lhe dedica me deixaram bastante sensibilizado. De certeza que este bom professor, lá no tal "profundo azul do céu esbatido" vai agradecer aos seus alunos o reconhecimento que neste lugar lhe prestam.
Até um dia, caro ESCULTOR, PROFESSOR, e DIRETOR. Descanse em paz!

Fernando Santos.................02-09-2012

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Os alunos e o Mestre

Esta estátua do Pintor José Malhoa foi e continua a ser o cenário preferido para tirar umas fotos.
Estes alunos do princípio dos anos sessenta não fugiram à regra, só falta agora que o “Artur da Foz”, dono desta foto, nos ajude a identificar os alunos e já agora contar o que comemoravam estes “meninos” tão engravatados, ou se foi apenas um passeio pelo parque para ver as “miúdas”.

domingo, 26 de agosto de 2012

E que tal estes bronzes?

Agora que as férias estão a chegar ao fim, recordamos o verão de 1956 com esta foto que vem do álbum do António David.
Estes três jovens esbeltos e musculados são o Zé Oliveira, o António David e o José Santana Marques, o cenário julgo que é a praia de Salir do Porto.

Comentário:

Se bem me lembro o local é Portinho da Arrábida. Esse banho em águas geladas fez parte da excursão a Setúbal,da qual há muitas fotos com o saudoso Padre António Emílio.

José Santana Marques .............27-08-2012

Pois...Salir não é concertza...!!
Abraço do Max para todos os colegas doutros tempos...!


Maximino............02-09-2012

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O álbum da Ana Paula

Nos nossos tempos de Escola era frequente guardar fotos tipo passe dos amigos/as mais chegados, a Ana Paula Veiga não fugiu à regra e do seu álbum de recordações aqui ficam estas duas páginas.
Por mim confesso que tenho um especial fascínio por estas fotos “ à lá Minute”

Comentário:

Que bom ver todas estas caras, a minha mana Ana, a minha amiga São, fomos colegas desda a Escola da Praça do Peixe,a Judite,casada com o Fernando Perdigão, residentes nos Estados Unidos, a Anabela e a Lídia recordo-me muito bem delas mas que nunca mais vi.
......
Tive que voltar e comentar de novo, pensei ter voltado aos anos 70, dias felizes sem preocupações, ao ver todos estes amigos e colegas da minha infância e adolescência, o Zé Manel meu amigo de infância e vizinho,passei muitas tardes nas férias grandes, no terraço da minha casa ou no Café do Avô do Zé Manel o S.Jaime Cordoeiro, a minha priminha Ângela amigas insepararáveis e com quem partilhei em muitas aventuras, quantas vezes nos juntámos para ouvir os discos do Claude Francois em casa da Paula. As nossas férias de Verão em S. Martinho do Porto com a Cristina Duarte. Com a Teresa Velhinho, passei umas boas horas, ora em casa dela ou em minha casa, depois das aulas. O Fernando Perdigão a quem eu e a minha irmã adoptamos como irmão porque éramos só as duas e sempre idealizamos ter um irmão, o Fernando preencheu toda a critéria e assim foi adoptado. Tento recordar a Cristina Reis mas sem sucesso, quando chegar a saber quem é vou ficar muito envergonhada tenho a certeza. Os anos passam mas que bom recordar.

Isabel Alves............24-08-2012

domingo, 19 de agosto de 2012

1969 – 1º Ano do Ciclo

A Ana Paula Veiga foi ao seu baú de recordações e trouxe para o Blog algumas fotografias que iremos publicar.
Nesta foto que recorda a sua turma do 1º Ano do Ciclo podemos ver entre outras a Ana Paula, a Generosa, a Isabel Manta, a Alice, a Ana Paula Tavares, a Aida, a Aurora, a Gabriela Bonacho, a Helena Diniz e a Anabela (Pachá).
Estas são algumas das meninas, as restantes ficam a aguardar que alguém dê uma ajuda na identificação.  

domingo, 12 de agosto de 2012

As férias do Faustino Rosário - 2ª parte

Além do "comboio dos banhos" havia outros meios de transporte muito utilizados que eram a "camineta dos Capristanos" e os burros.
Antes de chegar à estação de São Martinho do Porto, o comboio parava também no apeadeiro de Salir do Porto. Esse apeadeiro não tinha condições nenhumas para as pessoas que saíam das carruagens pois o último degrau ficava muito alto em relação ao chão. Felizmente que as pessoas ajudavam-se umas às outras para evitar acidentes. Depois de sairem do comboio, as pessoas afastavam-se um pouco para que o comboio pudesse repartir, e então era ver todo aquele gentio a atravessar a linha, com os seus cestos de farneis sem esquecer os respectivos "palhinhas" que era um garrafão de 5 litros, normalmente cheio de vinho tinto. A maioria das pessoas que ficavam para a praia de Salir do Porto, tinham como objectivo principal irem até à "Pocinha" que era uma nascente de água doce que ficava junto às ruinas de uma antiga alfandega. Essa água tinha fama de ter propriedades medicinais, e quando a maré estava baixa formava uma poça de água, no meio das pedras, onde especialmente os homens com as ceroulas arregaçadas molhavam o corpo nesse pequeno espaço. Os "palhinnhas" depois de consumida a pinga, eram novamente cheios com essa água, para levarem para as respectivas moradias. Não sei se a bebiam, ou se era apenas para lavarem partes do corpo que estivesem doentes.
Quanto aos burros, o "parque de estacionamento" era nas pequenas dunas entre São Martinho do Porto e Salir.
Certa vez, o sr Jaime alfaiate (personagem já aqui recordado no tema os Prédios do Viola) que tinha a mania da pesca, sugeriu que fossemos acampar num local muito sossegado que ficava nas trazeiras das dunas de Salir, mas junto ao mar, ou seja em frente à praia de Santo António, que infelizmente hoje não existe porque depois de de passar o tunel, é só pedras.
Nós eramos 3 grupos incluindo o sr Jaime. Descemos no apeadeiro de Salir, e lá fomos nós com a "tralha" toda às costas, subimos a grande duna de Salir com certa dificuldade, e depois de descermos na outra encosta, chegámos ao nosso destino. De facto o local era muito bonito, até tinha umas pequenas árvores que faziam sombra. O problema é que de noite, se não fossem tomadas certas medidas, eramos comidos pelos inúmeros bandos de mosquitos que impestavam aquela zona. Mas o sr Jaime, tinha a solução para este caso.
Fomos ao "parque de estacionamento dos burros" e enchemos um saco com as "cagalhotas" desses animais. Quando a noite se aproximava, fizemos uma fogueira na frente de cada tenda e depois de bem ateadas, colocámos uma boa quantidade de "cagalhotas" que originava uma densa fumarada, afastando assim os mosquitos.
O cheiro não era muito agradável, mas posso garantir que nenhum mosquito entrou dentro das tendas.
Em resumo, posso afirmar que nessa época, as condições não eram talvez as melhores, mas ninguém tenha dúvidas... éramos muito felizes.
Um grande abraço com votos de boas férias.
Faustino Rosário


Comentário:

Na primeira parte de "As férias do Faustino do Rosário", o amigo Mário Capinha teceu um comentário com o qual estou totalmente de acordo. Finalizava, dizendo que não devemos ter vergonha do passado. Esperei pela 2ª parte e quero dar os parabéns ao Faustino pelas histórias que aqui nos trouxe. São memórias dum passado não muito longínquo que grande parte de nós viveu. “Os abastados e os tesos em S. Martinho, as criadas, a rua dos cafézes, as máquinas a vapor, o comboio dos banhos, a camineta dos Capristanos, o estacionamento dos burros, os palhinhas de 5 litros, e até a utilidade das cagalhotas”! Por tudo isto eu passei e não me envergonho de dizer que em 1948 vivia numa casa da rua da ilha situada num pátio que às segundas-feiras servia de “garagem” para burros, e que estes como é natural por lá deixavam muitas das tais “cagalhotas”.
A maioria de nós não nasceu em berço de ouro, mas éramos tão felizes… Não é verdade Faustino?
Um abraço, e venham daí mais histórias.


Fernando Santos……………..Olhão........13-08-2012

Fartei-me de rir com esta artigo do Faustino!!! Sào artigos como este que nos fazem bem à alma!! benditos os SIMPLES, pois deles será o reino dos céus!!!

Ana Reis.............14-08-2012

Reparem como o Faustino nos seus comentários, tão bem retrata o espírito de camaradagem na época.
Apesar de todos os condicionalismos, as pessoas viviam felizes. Nada melhor para darmos valor ao pouco que temos, do que pensar no muito que não tivemos.
Um abraço de boas férias:

Mário Reis Capinha, 15.08.2012

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

As férias da Lurdes Peça


Também eu! Passei muitas férias grandes em S. Martinho do Porto, primeiro lugar que eu me lembro de acampar com os meus pais e o meu irmão, com uma tenda feita pelo meu pai, grande impulsionador da vida ao ar livre e proporcionar aos seus familiares umas férias saudáveis e económicas, pois o dinheirinho não abundava por estes lados! Lembro-me que os bancos onde nos sentávamos eram feitos de lona, cozidos pela minha mãe e cheios de areia de praia. De uma persiana velha, meu pai fez um tampo de mesa, desdobrável e único. Mais tarde, passados muitos anos, vi numa loja “AKI” um tampo igual ao dele…pena de não se ter registado a patente!!! Meu pai era na altura muito engenhocas e de um pedaço de qualquer coisa saía uma obra de arte! A tenda, conforme diz o Abílio, serviu de molde para fazer mais, e assim chamar mais amigos para esta prática saudável!
Saíamos das Caldas na camioneta da carreira, cada um com a sua mochila às costas, meus pais e meu irmão. Como as férias grandes eram só para nós, os filhos, ficávamos com a minha mãe e o meu pai ia de bicicleta das Caldas até Peniche para nos ver, indo trabalhar no dia seguinte!
Quando se inaugurava um parque de campismo nacional, lá ia eu mais o meu pai de mochila às costas, para mais um fogo de campo!
No “panamá” os emblemas brilhavam, referentes a todas as inaugurações que tínhamos participado!
Lembro-me de escorregar nas dunas até cá abaixo, e era uma alegria de se ver!
Mais tarde começamos a acampar em Peniche, e foi aí que conheci o meu marido, também campista de ocasião com mais 5 amigos. Como eram só rapazes, no momento de lavar a loiça e a roupa, ofereci-me para os ajudar, pois a habilidade era escassa com o sabão e o esfregão! Após os agradecimentos, combinámos irmos todos juntos para a praia, mais o meu irmão claro, a servir de guarda!
E… até hoje, ele continua a agradecer aquele gesto tão ingénuo e sincero que o levou a pedir-me namoro ao pôr-do-sol na praia do molho leste de Peniche! Foi lindo e inesquecível!
Abílio, quando vieres para a água quentinha que já se faz sentir, não te esqueças que ficas obrigado a dar notícias e a visitar-me, pois eu e o Fernando Santos temos muito gosto de te receber para provares algumas especialidades algarvias, combinado?
Não é verdade Fernando?
Bom verão a todos!
Beijinhos,
Lurdes Peça

Comentário:

É verdade Lurdes! Cá ficamos à espera. Não só do António Abílio, mas de todos os nossos amigos de Caldas que ao passarem aqui pelo sotavento algarvio nos queiram dar o prazer da vossa visita.
Sobre as férias campistas da Lurdes em S. Martinho e Peniche, gostaria de acrescentar o pinhal à entrada da Foz do Arelho, e, mais tarde, a praia da lagoa em frente ao José Félix antes da existência do parque de campismo. Foram locais onde acampei com o meu grupo "0s pelintras" na segunda metade da década de 50 com tendas também copiadas duma outra. Era eu que cortava o tecido (lintex), e também cosidas pelas nossas mães ou outros familiares.
É curioso que tanto a Lurdes como os anteriores companheiros, não referem qualquer organização campista. Será que já não existia a secção de campismo do Sporting Clube das Caldas? Ao que parece o pai da Lurdes esteve presente no 2º Rali Ibérico realizado pela Federação Portuguesa de Campismo em 1957 no alto da Mata com a colaboração do S.C.C. e, em 1959 no Acampamento Nacional em Peniche.
É verdade Lurdes! Todos os campistas se orgulhavam de exibir nos seus panamás os tais emblemas "crachás", assim como os galhardetes dos acampamentos comemorativos, pendurados nos mastros das tendas. Bons tempos...
Já não faço campismo há bastantes anos, mas o gosto pelos bons grelhados permanece. Por isso como diz a Lurdes, está combinado! Cá os esperamos.
Um beijinho para ela, e um bom verão ou boas férias para todos.


Fernando Santos.................10-08-2012

Gostei imenso da tua recordação de férias em S.Martinho do Porto, eu mais os meus pais tambem passava-mos ferias fazendo como agora se diz campismo Selvagem no meio das Dunas entre Salir e S.Martinho, eram fins de semana agradáveis com poucos custos.Hoje é tudo diferente comecei por fazer campismo no parque de Albufeira com tenda , mais tarde com Relotte e agora com a idade só passo uma semana em Setembro no Clube de Albufeira, se lá chegar.

Carlos Nobre..............19-08-2012

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Memórias do J.L.Reboleira Alexandre

Revisitar o passado, o Bouro
Num dos dias mais quentes da passada semana, a querer fazer mentir todas as previsões dos meteorologistas, que previam para 2012, um Verão fresco e húmido, aquele que será afinal, um dos melhores Verões do Québec dos últimos anos, vínhamos calmamente para o trabalho, conduzindo a viatura familiar e ouvindo uma das estações de rádio de língua inglesa da nossa preferência. Para quem apenas conhece a confusão e a agressividade das estradas europeias em geral, ou pior ainda, das portuguesas em particular, é quase impossível entender quanto pode ser relaxante e agradável a condução matinal num dia quente de Julho, numa cidade como Montreal.
De repente, os nossos sentidos são interpelados pelo inconfundível tom de voz de um dos mais importantes cantores e compositores dos anos sessenta do século XX, e dos anos actuais afinal, com os quais crescemos e nos formámos. Estávamos perante a voz e a música de Neil Diamond, que através do tema bilingue, em castelhano e inglês, intitulado Canta Libre, nos transportava para estados de espírito de outras épocas.

Canta libre, canta vida, de mi madre y mi padre,
Canta mi corazón, para los niños y sus niños,
Canta libre.

I got music runnin' in my head,
Makes me feel like a young bird flyin',
Cross my mind and layin' on my bed,
Keeps me away from the thought of dyin'

Sob o efeito anestésico dos sons e das palavras deste hino à liberdade e à vida, e sem a mínima razão aparente, encontramo-nos a rever a imagem da velha estação de caminho de ferro do Bouro. Relemos mentalmente a reportagem que a Gazeta nos ofereceu há alguns dias sobre a sua congénere de São Martinho do Porto, salpicada pela sensibilidade que o C. Cipriano nos consegue transmitir, cada vez que escreve sobre transporte ferroviário. Voltávamos a ter de novo uma quinzena de anos e percorríamos despreocupadamente os interiores e os cuidados jardins da estação da aldeia da nossa infância. O chefe Rodrigues contava que antes de se instalar definitivamente e durante mais de trinta anos na bela vila da baía, tinha sido obrigado (não garantimos que o tivesse dito assim, mas foi isso que lemos e entendemos) a passar alguns anos na pequena e isolada estação, que servira durante várias gerações a população do Chão da Parada e as necessidades, em termos de transporte de pessoal e mercadorias da vizinha quinta do Talvay que se dedicava na altura à cultura intensiva do arroz de regadio, e recebia imensos trabalhadores sazonais, oriundos maioritariamente das pobres aldeias das planícies alentejanas. Eram os chamados, bimbos, e muitos acabavam por casar e constituir família na nossa aldeia.

Instalada em local ermo e isolado, entre pinhais e ricos terrenos agrícolas, a estação do Bouro, com o seu imponente e amplo armazém construído em madeira, para alguém que não tivesse ligações afectivas à zona, seria definitivamente o pior local do Mundo, que um jovem casal poderia escolher para iniciar a sua vida. No entanto, para todos os que nasceram naquelas paragens e diariamente se dirigiam para as fazendas dos Arneiros Pequenos, das Pôças, dos Brejos ou do Rechiéu, para as suas pequenas e dispersas parcelas de terreno que lhes davam batatas, feijões, milho, e todo o tipo de legumes frescos que respondiam às necessidades duma família normal da época, numa altura em que a palavra frigorífico não tinha para os habitantes da nossa aldeia qualquer significado, seria o oposto, pelo imaginário que oferecia, como cais de partida para mundos melhores, e pela qualidade de todos os terrenos envolventes.

No pequeno bairro da estação habitava um miúdo um pouco mais velho do que nós, que nos introduzia entre aquelas velhas paredes frente às linhas do comboio, e nos organizava tardes inteiras a jogar ao liques ou ao sete e meio, com todos os empregados dos Caminhos de Ferro que ali viviam de forma temporária. O pai daquele miúdo já na altura andava pelas Américas e quando vinha visitar a família contava-nos histórias maravilhosas destes amplos espaços. Obviamente, o filho, cedo partiu também, para o Novo Mundo, e cremos ter sido o único nativo do Chão da Parada, que lutou contra os comunistas na guerra do Vietnam. Nunca mais o vimos, nem atravessámos os seus terrenos, por um atalho, que nos permitia na altura chegar mais rapidamente ao Brejo, e aí cumprirmos, durante as longas férias de Verão, o que a nossa mãe nos impusera, para, após árduas negociações, obtermos a necessária autorização para partirmos a pé, de bicicleta, ou numa fase posterior, de motorizada, para a nossa praia favorita, a praia de Salir. Nesta praia começavam entretanto a aparecer umas miúdas que, ao contrário das da terra, já usavam uns fatos de banho «escandalosos», mas para nós muito elegantes, de duas peças separadas, bem pequeninas, e que, ou falavam francês ou então, um português algo distorcido, pois apenas por ali as víamos durante o mês de Agosto. No fim desse mês, inícios de Setembro, voltavam de novo para a terra distante, onde os seus pais ganhavam a vida e elas prosseguiam os estudos.

Hoje, sempre que voltamos ao Chão da Parada, a nossa companheira, uma dessas tais garotas que por ali apareciam todos os meses de Agosto, e que adorava subir e descer a grande duna de Salir um dia fixou uma das motas que era conduzida por um rapaz da aldeia que ela não conhecia, sabe que a pequena visita ao local onde estava a estação do Bouro, faz parte do nosso roteiro turístico obrigatório. Quando olhamos para a velha quintinha do miúdo que partiu para a América, para o pequeno casal que servia de residência secundária ao senhor Cruz, que cremos, vivia em Lisboa, ou para o local onde em tempos se transformaram produtos resinosos, e posteriormente funcionou um pequeno restaurante, e que continua guardado por um cão de aspecto nada acolhedor, não somos imunes a uma enorme, mas simultaneamente muito agradável melancolia, acompanhada por uma sensação de bem-estar que apenas os locais dos quais guardamos boas recordações nos podem dar. A estação do Bouro, é, para nós, um desses locais.

 Quanto á localização da nossa velha estação, não pode ficar situada na Serra do Bouro, pois esta não existe como aglomerado populacional. Dá apenas o nome à freguesia. Dizia-se então na altura, que se não ficava no Chão da Parada, ficaria localizada no...Bouro.

J.L. Reboleira Alexandre

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

As férias do Faustino do Rosário

Olá amigos(as)
Vou tentar dar o meu contributo ao tema que a Fatima Valente sugeriu aqui no blog.
Este assunto tem a particularidade de... se não se relaciona com a nossa escola, foi vivido por alunos que a frequentaram.
Eu já tenho 2 histórias publicadas no "Cantinho do Faustino" cujo link está neste blog, e podem acreditar que mesmo se elas são descritas de uma maneira cómica, são autenticas.
A Fatima Valente fala sobre as férias passadas em São Martinho do Porto.
No meu caso pessoal, não posso falar em férias, mas sim em épocas balneárias
Eu não sou muito velho, nasci em 1946, mas quando comparo esses tempos de praia com os dias de hoje, dá-me a nítida impressão que estamos a séculos de distancia.
Por exemplo, segundo a minha teoria da época, havia duas classes distintas de frequentadores:
Os "abastados" e os "tesos"
Os "abastados" iam para S. Martinho com as famílias e o pessoal de apoio, que eram as criadas.
Podiam ser 3 ou mais, em que uma era a cozinheira (sopeira) as outras eram para tomarem contas dos filhos, a quem não era permitido tratar por "tu" Tinham que se dirigir ás crianças ou adolescentes com muito respeito chamando-lhes de menino ou menina tal.
Eram estas famílias "abastadas" que mais se viam a passear na rua dos "cafézes", embora o acesso fosse permitido a todos os veraneantes.
Os "tesos" faziam campismo num terreno pertencente à Junta da Freguesia, que ficava mais ou menos entre a estação do caminho de ferro, e a praia.
A única infra estrutura existente era um chafariz que felizmente tinha sempre água.
Para as necessidades naturais, cada qual "desenrascava-se" como podia.
A certa hora do dia, especialmente de manhã, era ver as pessoas a saírem das tendas, dirigindo-se para as mini-dunas adjacentes ao acampamento.
Nesse momento havia um cenário cómico... de um lado as tendas, mais à frente os "agachados" com o seus bocados de papel, muitas vezes folhas de jornal, para limparem os respectivos "assobios"
A maioria das tendas eram montadas no princípio da época balnear e ali ficavam o tempo todo.
Enquanto não havia férias, as pessoas iam apenas aos fins de semana, mas existia uma coisa muito importante que era o respeito pela propriedade alheia.
Aos Domingos à noite, fechavam-se as tendas, deixando no seu interior os materiais de apoio, normalmente cadeiras de praia, uma mesa, um fogareiro (alguns a petróleo) colchões de ar que serviam de cama, etc.
No fim de semana seguinte, quando se voltava, estava lá tudo, ninguém tocava em nada.
O meio de transporte mais utilizado era o comboio.
Lembro-me que a determinados horários havia o "comboio dos banhos"
Havia carruagens de primeira, segunda e terceira classe.
Como eu fazia parte dos "tesos" ía sempre em terceira classe, cujos bancos no interior eram de madeira sem um mínimo de conforto.
As máquinas eram a vapor, e devido ao calor, as janelas das carruagens, iam abertas.
O fumo do comboio, misturado com o jacto de vapor que saía da máquina, impregnava os passageiros de tal maneira que eram obrigados a tomar banho e a mudar de roupa.
Se calhar era por isso que se chamava o "comboio dos banhos"
Caros amigos(as), o texto já vai longo e não pretendo aborrecer ninguém com estas minhas lembranças, no entanto se me permitirem voltarei de novo para a continuação deste tema.
Até breve.
Um grande abraço
Faustino Rosario
Foto gentilmente "roubada" na internet

Comentário:

Vai ser curta a minha participação neste espaço, porque muito já foi dito sobre o assunto, no entanto e como o Faustino disse, também recordo que se faziam longas esperas ao famigerado comboio dos banhos, que regularmente parava em Caldas da Rainha com destino a S. Martinho do Porto.
Nesta amálgama de sentidos, recordo esse comboio com alguma nostalgia, pois para um miúdo na casa dos 10 anos, era uma aventura equiparada às que costumávamos ver nos livros "Condor" onde as histórias de Cowboys eram predominantes. Na realidade pouca diferença havia nesse comboio com o das histórias. Era sempre uma festa até chegar ao destino, S. Martinho do Porto.
Também recordo que por vezes fazíamos o trajecto desde o chafariz existente, em burros que nos transportavam até às dunas próximas do rio de Salir do Porto (daqui a comparação com oa cowboys) onde acampávamos durante o fim de semana. Nestas incursões alguns amigos fizeram parte destas aventuras, o António Abílio e o Fanoca eram na época aqueles que geralmente faziam parte do grupo. Outros haverá mas a memória já não suporta esse esforço.
Abraço amigo

Victor Pessa..............02-08-2012

Caro Faustino do Rosário.
Possívelmente passamos pela rua, ombro a ombro mas, sinceramente, só pelo nome não vou lá. Sou um pouco mais velhote, ou seja da colheita de 1938. Digo-lhe, adorei ler o seu comentário de férias. Ve-se no texto honestidade e sinceridade, nada a ver com alguns novos ricos que passaram por isso ou muito pior mas...esqueceram. Por terem atualmente uma vida razoável varreu-se-lhe da memória. Não devemos ter vergonha do passado


Mário Capinha...................02-08-2012